CHAMADA: Aletria v. 32, n. 3 (jul.-set. 2022) – Dossiê: O Mito literário de Paris

2021-08-18

Aletria v. 32, n. 3 (jul.-set. 2022) – Dossiê: O Mito literário de Paris

Prazo para submissão: 20 de janeiro de 2022.

Organizadores:
Márcia Arbex-Enrico (UFMG/CNPq), Eduardo Veras (UFTM), Aurélia Cervoni (Sorbonne Université), Andrea Schellino (Università Roma III)
De Louis-Sébastien Mercier a Aragon, passando por Balzac, Hugo, Gautier,  Eugène Sue, Baudelaire, Rimbaud, Apollinaire, Breton, Paris ocupa um lugar privilegiado no imaginário de artistas, poetas e escritores. O mito de Paris, tal como foi teorizado por Walter Benjamin, desenvolve-se na primeira metade do século XIX, apoiado na historiografia revolucionária de 1830 e de 1848, e na literatura popular e comercial, impulsionada pela emergência da imprensa de grande tiragem. Paris, seus monumentos, suas ruelas pitorescas e seus grandes bulevares tornam-se o cenário, até mesmo a personagem, de uma série de obras, em particular folhetinescas. O interesse

dos “fisiólogos”, ainda segundo Benjamin, desloca-se, em dado momento, para os “tipos parisienses”.

O mito de Paris participa do surgimento de novas formas literárias e artísticas. Sensível à dimensão épica da vida urbana, Baudelaire intitula a seção final do Salão de 1846 “Do heroísmo da vida moderna”: “A vida parisiense é fecunda em temas poéticos e maravilhosos. O maravilhoso nos envolve e nos sacia como a atmosfera; mas não o vemos”, escreve o futuro autor do Spleen de Paris. Como em Balzac, a “a eleição da vida urbana à qualidade de mito”, de acordo com as palavras de Roger Caillois, reflete a adesão de Baudelaire à modernidade,  que passa por uma transfiguração do presente. Se o mito literário, como explica Pierre Brunel (1988), se define por seu dinamismo, pelo movimento incessante de retomadas interpretativas e criação de novos mitemas, a proposta de pensar o mito literário de Paris nos convida a examinar as particularidades da relação de cada escritor com a cidade e seu imaginário, com foco muito mais nas variantes literárias que na imobilidade do mito.

Este número da Aletria: Revista de Estudos de Literatura acolherá artigos que discutam: 

  • a construção mítica da cidade de Paris pela literatura e pelas artes; o papel da fotografia e do cinema na formação da mitologia parisiense;
  • o pitoresco e o onirismo parisiense; o flâneur parisiense de hoje e de outrora;
  • as transformações urbanas e a cidade como local de memória; as destruições de Paris; as reconstruções utópicas de Paris;
  • a cidade como palco de revoltas, revoluções, levantes; a epopeia urbana;
  • a cidade como fenômeno da modernidade;
  • a efervescência cultural de Paris; as vanguardas; Paris cidade-espetáculo; teatros, cafés etc.

a cidade como espaço das “luzes”, da cultura, do conhecimento: bibliotecas, museus, exposições universais etc.