CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Análises física e fisiológica de sementes de Campomanesia xanthocarpa O. Berg e Eugenia
involucrata DC. (Myrtaceae) em diferentes temperaturas e substratos
Bruno Santiago Carvalho
1
, Francival Cardoso Felix
2
*, Daniele Cristina Pereira de Matos
3
, Dagma Kratz
4
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20458
Resumo
Estudos voltados para os aspectos físicos de sementes e desempenho germinativo de espécies florestais nativas é
de relevante interesse para tecnologistas de sementes e viveiristas. Por isso, objetivou-se avaliar a germinação de
sementes de C. xanthocarpa e E. involucrata em diferentes temperaturas e substratos, bem como mensurar as carac-
terísticas físicas e biométricas de suas sementes. Biometria, grau de umidade (GU) e peso de mil sementes (PMS)
compuseram os aspectos físicos avaliados. Os testes de germinação foram conduzidos em três temperaturas (20, 25
e 30°C) e três substratos (areia, vermiculita e papel mata-borrão) para C. xanthocarpa; e três temperaturas (20, 25
e 30°C) e dois substratos (areia e vermiculita) para E. involucrata; avaliando-se aspectos de viabilidade e vigor de
sementes. Os PMS para C. xanthocarpa e E. involucrata foram de 35,0 g (GU=25,6%) e 471,5 g (GU=52,1%), com
24.783 e 2.121 sementes por quilograma cada. As dimensões das sementes de C. xanthocarpa são 7,97 x 5,55 x 2,02
mm, e 12,81 x 10,02 x 7,49 mm em E. involucrata. A germinação e expressão do vigor em sementes de C. xanthocarpa
e E. involucrata foram favorecidas nas temperaturas de 30 e 25°C, limiar em que se obteve menores tempos médio
de germinação (4,4 e 9,3 dias) e maiores índices de velocidade de germinação (4,8 e 1,3), com viabilidade de 99
e 76%. Portanto, a germinação de sementes de C. xanthocarpa e E. involucrata deve ser conduzida em substrato de
vermiculita e temperaturas de 30 e 25°C, respectivamente.
Palavras-chave: Biometria. Cerejeira. Guabiroba. Germinação. Análise de sementes.
Physical and physiological analysis of Campomanesia xanthocarpa O. Berg and Eugenia
involucrata DC. seeds (Myrtaceae) in different temperatures and substrates
Abstract
Studies for the physical aspects of seeds and germinative performance of native forest species are relevant for seed
technologists and nurseries. The objective of this work was to evaluate the germination of C. xanthocarpa and E. in-
volucrata seeds in different temperatures and substrates, and to measure the physical and biometric characteristics of
the seeds. Seed biometry, water content (WC) and thousand seeds weight were the physical aspects evaluated. The
germination tests were conducted at three temperatures (20, 25 and 30°C) and three substrates (sand, vermiculite
and ‘mata-borrão’ paper) for C. xanthocarpa; and three temperatures (20, 25 and 30°C) and two substrates (sand
and vermiculite) for E. involucrata; seed germination and vigor were evaluated. The thousand seeds weight for C.
xanthocarpa and E. involucrata were 35.0 g (WC=25.6%) and 471.5 g (WC=52.1%), with 24,783 and 2,121 seeds
per kilogram each. The dimensions of the C. xanthocarpa seeds are 7.97 x 5.55 x 2.02 mm and 12.81 x 10.02 x 7.49
mm in E. involucrate seeds. The germination and expression of vigor in C. xanthocarpa and E. involucrata seeds were
1
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Pr. Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-3490-7762
2
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Pr. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-6518-5697
3
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Pr. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-8540-9216
4
Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Pr. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-3062-424X
*Autor para correspondência: felixfc@outlook.com.br
Recebido para publicação em 06 de maio de 2020. Aceito para publicação em 08 de julho de 2020
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Carvalho, B. S. et al.
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Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–07, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20458
favored at temperatures of 30 and 25°C, the threshold at which the lowest average germination times (4.4 and 9.3
days) and higher rates were obtained germination speed (4.8 and 1.3), with germination of 99 and 76%. Therefore,
the germination of C. xanthocarpa and E. involucrata seeds must be carried out on vermiculite substrate and tempe-
ratures of 30 and 25°C, respectively.
Keywords: Biometry. Cerejeira. Guabiroba. Germination. Seed analysis.
Introdução
O estudo do desempenho germinativo em espé-
cies florestais é de relevante interesse para tecnologistas
de sementes e viveiristas, pois possibilita a maximização
dos resultados de porcentagem, tempo médio, índice de
velocidade de germinação, entre outros. Esses parâme-
tros estão diretamente relacionados a produtividade das
mudas em viveiro e no campo, portanto, essencial para o
sucesso de planos de recuperação de áreas degradadas,
reflorestamentos e plantios comerciais.
A germinação de sementes envolve alterações
nos aspectos bioquímicos, fisiológicos e morfológicos, os
quais são desencadeados pela hidratação das células e
culminam com a retomada do metabolismo e crescimento
do embrião, até a formação de uma planta fotossinteti-
zante (Marcos Filho, 2015), sendo determinada por um
conjunto de fatores e condições específicas, principal-
mente temperatura e substratos, os quais variam para
cada espécie.
A temperatura interfere diretamente na por-
centagem e capacidade de germinação das sementes,
bem como no mecanismo de dormência (induzido e/
ou eliminando) e na velocidade das reações bioquími-
cas responsáveis pela germinação (Pereira et al., 2015).
A temperatura considerada ótima é aquela em que se
expressa o potencial máximo de germinação e vigor da
semente, temperaturas abaixo e acima do mínimo e do
máximo inviabilizam a germinação (Carvalho; Nakagawa,
2012; Bewley et al., 2013; Marcos Filho, 2015).
De maneira semelhante, o substrato é um dos
fatores essenciais para a germinação de sementes e de-
senvolvimento das plântulas, o qual pode influenciar
este processo em função da sua composição, estrutura,
densidade, aeração, capacidade de retenção de água
e predisposição ao desenvolvimento de fitopatógenos
(Oliveira et al., 2016). Os substratos mais utilizados para
o teste de germinação em espécies florestais são papel
(toalha, filtro e mata-borrão), areia e vermiculita (Brasil,
2013), em que sua escolha deve ser condicionada ao
tamanho e a formato da semente, exigência com relação
à quantidade de água, sensibilidade à luz e a facilidade
que o mesmo oferece para a realização das contagens e
avaliação da germinação (Brasil, 2009).
Campomanesia xanthocarpa O. Berg e Eugenia
involucrata DC. são espécies florestais da família Myr-
taceae, conhecidas popularmente como guabirobeira e
cerejeira, respectivamente (Lorenzi, 2000). Essas espécies
possuem importância na alimentação e saúde humana.
Na alimentação, ambas são utilizadas in natura ou na
preparação de doces, sorvetes, geleias e licores caseiros
(Vallilo et al., 2008).
O uso popular do chá das folhas de C. xanthocarpa
é indicado para doenças inflamatórias, renais, digestivas
e dislipidemia (Sant’ Anna et al., 2017), e os extratos
dos frutos de E. involucrata são uma importante fonte
de antioxidantes, além das folhas serem aproveitadas na
forma de chá, o qual é difundido popularmente como
sendo de ação antidiarreica e digestiva (Sausen et al.,
2009; Nicácio et al., 2017).
Ambas as espécies não possuem trabalhos vol-
tados para a germinação de sementes em diferentes
temperaturas e substratos, portanto, este estudo poderá
contribuir para determinar em quais condições a ger-
minação de sementes dessas espécies é mais adequada,
o qual poderá subsidiar a inclusão desta metodologia
nas novas publicações das Instruções para Análise de
Sementes de Espécies Florestais (Brasil, 2013). Deste
modo, objetivou-se avaliar o desempenho germinativo
de sementes de C. xanthocarpa e E. involucrata em dife-
rentes temperaturas e substratos, bem como mensurar
as características físicas e biométricas de suas sementes.
Material e métodos
Os frutos de C. xanthocarpa e E. involucrata foram
coletados de matrizes marcadas em áreas de ocorrência
natural das espécies e obtidos em novembro de 2017,
doação do Viveiro Chauá, localizado no município de
Campo Largo, Estado do Paraná, Brasil. O beneficia-
mento das sementes foi feito com maceração dos frutos
em peneira, secagem e extração manual das impurezas
remanescentes.
Após o beneficiamento, realizou-se a caracteriza-
ção biométrica das sementes de cada espécie com 50 uni-
dades amostrais, utilizando paquímetro digital Electronic
Caliper - 1112 (0,01 mm) para mensurar comprimento
(mm), largura (mm) e espessura (mm) das sementes. Os
resultados de cada variável foram expressos em função
da média, desvio padrão e coeficiente de variação (%).
O grau de umidade das sementes foi realizado
por meio da secagem em estufa a 105°C/ 24 h (Brasil,
2009), com três repetições para cada espécie. Em seguida,
determinou-se com outra amostra o peso de mil sementes
conforme metodologia proposta por Brasil (2009), bem
como o número de sementes por quilograma. As pesa-
Análises física e fisiológica de sementes de Campomanesia xanthocarpa O. Berg e Eugenia involucrata DC. (Myrtaceae) em diferentes temperaturas e substratos
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gens das sementes foram feitas em balança analítica de
precisão Prix AS 220 R2 (0,001 g).
Para os testes de germinação, utilizaram-se ger-
minadores do tipo Mangelsdorf sob luz constante: três
temperaturas (20, 25 e 30°C) e três substratos (areia,
vermiculita e papel mata-borrão) para C. xanthocarpa;
e três temperaturas (20, 25 e 30°C) e dois substratos
(areia e vermiculita) para E. involucrata. As sementes
foram alocadas diretamente sobre seus respectivos subs-
tratos umedecidos em 60% da capacidade de retenção
de água (Brasil, 2009), distribuídas em cinco repetições
de 20 e 15 sementes para C. xanthocarpa e E. involucra-
ta, respectivamente. Todos os substratos passaram por
esterilização: a areia foi lavada, peneirada (malha de 0,4
mm) e aquecida (200°C/ 2 h); a vermiculita foi aquecida
(200°C/ 2 h); assim como o papel mata-borrão (105°C/ 2
h). Os substratos para C. xanthocarpa foram acondiciona-
dos em caixas do tipo gerbox [areia (200 g), vermiculita
(20 g) e papel mata-borrão (duas folhas), cada], e para
E. involucrata [areia (600 g) e vermiculita (60 g), cada]
utilizou-se bandejas de polietileno (6,0 x 29,0 x 20,0
cm), isoladas com papel filme PVC (polyvinylchloride).
Avaliaram-se as seguintes variáveis: (a) germina-
ção - percentual de sementes germinadas (raiz primária
maior que 2 mm) até 20 e 28 dias após a semeadura,
respectivamente, para C. xanthocarpa e E. involucrata;
(b) índice de velocidade de germinação (IVG), (c) tempo
médio de germinação (TMG) e (d) germinação acumulada
- contabilização diária do número de sementes germinadas
e calculado conforme fórmulas propostas por Maguire
(1962), Labouriau (1983) e Labouriau e Agudo (1987),
concomitantemente.
O delineamento experimental empregado foi o
inteiramente ao acaso em esquema fatorial 3 x 3 (tempera-
tura x substrato) para C. xanthocarpa e 3 x 2 (temperatura
x substrato) para E. involucrata, com cinco repetições
para ambas as espécies. Os dados foram submetidos ao
teste de Bartlett para verificação da homogeneidade e
posteriormente à análise de variância (ANOVA), quando
verificada diferença significativa, realizou-se a compa-
ração de médias pelo teste de Tukey ao nível de 5% de
probabilidade. O programa estatístico utilizado foi o
Assistat 7.7 (Silva; Azevedo, 2016).
Resultados e discussão
Sementes de C. xanthocarpa exibiram peso de
mil sementes de 35,0 g em grau de umidade de 25,6%,
contendo, portanto, 24.783 sementes por quilograma.
Enquanto sementes de E. involucrata apresentaram peso
de mil sementes de 471,5 g com umidade de 52,1%,
totalizando 2.121 sementes por quilograma.
Para C. xanthocarpa, valores diferentes foram
encontrados para o número de sementes por quilograma
(13.000 sementes) (Lorenzi, 2000), e para o peso de
mil sementes (49,0 g) com 33% de umidade (Santos et
al., 2004). De maneira semelhante para E. involucrata,
encontraram-se peso de mil sementes de 306,2 g sob
54,9% de umidade (Prado, 2009), com 7.000 (Carvalho,
2009) e 7.500 sementes (Lorenzi, 2000) sementes por
quilograma.
As diferenças de peso de mil sementes e número
de sementes por quilograma são maximizadas em função
da não padronização do grau de umidade no momento da
execução dos testes, sobretudo para sementes da família
Myrtaceae, as quais são recalcitrantes e podem apresentar
amplas variações do conteúdo de água das sementes.
Além disso, localização geográfica, coleta em diferentes
indivíduos e nichos ecológicos distintos podem aumentar
as diferenças na caracterização física das sementes.
Uma forma de minimizar este inconveniente,
é especificando em novas publicações das Regras para
Análise de Sementes (Brasil, 2009) e Instruções para
Análise de Sementes Florestais (Brasil, 2013) a faixa
de grau de umidade para execução do teste de peso de
mil sementes, tanto para sementes ortodoxas, quanto
intermediárias e recalcitrantes.
As sementes de C. xanthocarpa apresentam 7,97
± 0,68 mm de comprimento, 5,55 ± 0,54 mm de largura
e 2,02 ± 0,26 mm de espessura, ao passo que E. involu-
crata exibem 12,81 ± 1,25 mm de comprimento, 10,02
± 0,84 mm de largura e 7,49 ± 1,05 mm de espessura
(Tabela 1). Ambas as espécies possuem maior dimensão
na seção longitudinal, e a espessura é a variável que
apresenta maior variação entre as sementes (CV).
Tabela 1 – Caracterização biométrica de sementes de Campomanesia xanthocarpa e Eugenia involucrata
Variáveis
Campomanesia xanthocarpa Eugenia involucrata
Média
Desvio
Padrão
CV (%) Média
Desvio
Padrão
CV (%)
Comprimento (mm) 7,97 0,68 8,5 12,81 1,25 9,8
Largura (mm) 5,55 0,54 9,7 10,02 0,84 8,3
Espessura (mm) 2,02 0,26 12,7 7,49 1,05 14,1
CV: coeficiente de variação.
Carvalho, B. S. et al.
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Prado (2009) realizou a biometria em sementes
de E. involucrata e encontrou 7,63 ± 1,88 de comprimento
e 4,98 ± 1,18 de largura, valores inferiores ao encontrado
neste estudo; e Luz e Krupek (2014) encontraram valores
diferentes para comprimento e largura de diásporos e peso
de sementes provenientes de diferentes indivíduos de C.
xanthocarpa. A caracterização biométrica das sementes
dessas espécies é pouco difundida no meio científico e gira
majoritariamente em torno do seu fruto, inviabilizando
uma iminência de comparação a resultados conhecidos.
As Instruções para Análise de Sementes de Es-
pécies Florestais constam recomendações que não foram
validadas, 25-30°C para germinação de sementes do
gênero Campomanesia em substrato vermiculita, e 25°C
para germinação de sementes de E. involucrata tanto com
papel ou vermiculita (Brasil, 2013).
A análise variância evidenciou que não houve
interação entre os fatores temperatura e substrato nas
variáveis avaliadas durante o processo germinativo para
ambas as espécies, contudo, apenas o fator temperatu-
ra afetou significativamente todas as variáveis para C.
xanthocarpa e E. involucrata, exceto germinação para C.
xanthocarpa (Tabela 2).
Tabela 2 – Análise de variância entre os fatores temperatura e substrato para as variáveis germinação, tempo médio
(TMG) e índice de velocidade de germinação (IVG) de Campomanesia xanthocarpa e Eugenia involucrata
Fonte de variação GL
QM
Germinação TMG IVG
Campomanesia xanthocarpa
Temperatura (A) 2 3,888
ns
92,472
**
24,439
**
Substrato (B) 2 3,888
ns
0,401
ns
0,197
ns
Interação A x B 4 3,005
ns
0,172
ns
0,033
ns
Tratamento 8 3,472
ns
23,304
**
6,176
**
Erro 36 6,111 0,287 0,112
Total 44
CV (%) 2,5 8,1 9,6
Eugenia involucrata
Temperatura (A) 2 2650,369
**
113,171
**
1,330
**
Substrato (B) 1 37,037
ns
23,122
ns
0,001
ns
Interação A x B 2 19,259
ns
24,081
ns
0,047
ns
Tratamento 5 1075,259
*
59,525
**
0,551
**
Erro 24 404,444 7,254 0,117
Total 29
CV (%) 31,9 22,4 38,7
GL: Grau de Liberdade; QM: Quadrado Médio; CV: coeficiente de variação.
ns
não significativo,
**
,
*
significativo ao nível de 1 e 5% de probabilidade,
respectivamente.
A germinação e expressão do vigor em sementes
de C. xanthocarpa e E. involucrata foram favorecidas nas
temperaturas de 30 e 25°C, respectivamente, limiar em
que se obteve menores TMG (4,4 e 9,3 dias) e maiores IVG
(4,8 e 1,3), com viabilidade de 99 e 76%, concomitante-
mente (Tabela 3). Os parâmetros de tempo e velocidade
de germinação refletem o vigor das sementes, uma vez
que sementes vigorosas expressam todo o seu potencial
de viabilidade rapidamente, e de maneira mais uniforme.
Temperaturas mais elevadas favorecem a absorção de
água e aceleram as reações bioquímicas das sementes,
ocasionando maior atividade enzimática e mobilização
de reservas durante a germinação (Bewley et al., 2013).
Portanto, as temperaturas de 30 e 25°C em sementes de
C. xanthocarpa e E. involucrata são favoráveis ao processo
germinativo destas espécies, mutualmente.
Alta viabilidade das sementes também foi en-
contrada para C. xanthocarpa em substrato areia com luz
artificial (93 a 100%) e escuro (82 a 93%), empregando
diferentes temperaturas (Santos et al., 2004), ao passo
que apenas 30% foram encontrados para E. involucrata
em substrato rolo de papel, e 54% com o uso de vermi-
culita sem controle de temperatura (Prado, 2009).
Análises física e fisiológica de sementes de Campomanesia xanthocarpa O. Berg e Eugenia involucrata DC. (Myrtaceae) em diferentes temperaturas e substratos
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Herzog et al. (2012) recomendaram para germinação
de sementes de C. xanthocarpa a utilização de substrato
papel sem fotoperíodo a temperatura constante de 25°C,
contudo, comparam apenas substratos papel e areia.
Enquanto Cripa et al. (2014) recomendam vermiculita
para a germinação de E. involucrata quando comparado
ao papel e areia. Esses valores se distinguem consideravel-
mente principalmente devido as características associadas
a origem dos indivíduos, local de coleta das sementes e
condições ecológicas do habitat. Outras características
podem trazer influência sobre resultados distintos, como
por exemplo, a caracterização física das sementes (tama
-
nho, peso seco e grau de umidade da semente), além das
condições climáticas e de disponibilidade de água durante
a maturação que estabelecem relação direta com o vigor
e viabilidade das sementes (Marcos Filho, 2015).
Tabela 3 – Germinação, tempo médio (TMG) e índice de velocidade de germinação (IVG) de sementes de Campoma-
nesia xanthocarpa e Eugenia involucrata submetidas ao processo germinativo em diferentes temperaturas
Temperaturas (°C)
Germinação (%) TMG (dias) IVG
Campomanesia xanthocarpa
20 99 a 9,3 a 2,3 c
25 99 a 6,2 b 3,4 b
30 99 a 4,4 c 4,8 a
Eugenia involucrata
20 68 a 15,8 a 0,7 b
25 76 a 9,3 b 1,3 a
30 45 b 11,1 b 0,7 b
Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
A germinação e expressão do vigor em sementes
de C. xanthocarpa e E. involucrata não foram afetadas em
função do tipo de substrato utilizado, obtendo-se viabi-
lidade média de 99 e 64%, respectivamente (Tabela 4).
Deste modo, a utilização por qualquer substrato testado
pode ser feita para a germinação das sementes destas
espécies, pois apresentarão a mesma eficácia. Contudo,
em caso de aproveitamento do material genético para
produção de mudas, recomenda-se a instalação dos testes
de germinação em substrato vermiculita ou areia, a fim
de mantê-las até a obtenção de plântulas para realização
da repicagem.
Tabela 4 – Germinação, tempo médio (TMG) e índice de velocidade de germinação (IVG) de sementes de Campoma-
nesia xanthocarpa e Eugenia involucrata submetidas ao processo germinativo em diferentes substratos
Substratos
Germinação (%) TMG (dias) IVG
Campomanesia xanthocarpa
Areia 99 a 6,8 a 3,4 a
Vermiculita 99 a 6,5 a 3,5 a
Papel 99 a 6,5 a 3,6 a
Eugenia involucrata
Areia 64 a 12,9 a 0,9 a
Vermiculita 62 a 11,2 a 0,9 a
Médias seguidas da mesma letra não diferem estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
A vermiculita é mais indicada para sementes
maiores porque mantém boa umidade e aeração do subs-
trato, minimizando a proliferação de fungos, enquanto
o substrato areia é menos recomendado em decorrência
da necessidade de lavagem, homogeneização e cuidados
com o transporte, o qual é mais difícil de operar devido
ao peso dos recipientes e pode causar possíveis dados ao
sistema radicial das plântulas. Portanto, torna-se cada vez
mais rotineiro o uso da vermiculita para germinação de
sementes de espécies florestais (Brasil, 2013; Pereira et
al., 2015; Oliveira et al., 2016).
A germinação acumulada é outro parâmetro que
nos permite escolher a temperatura e substrato mais ade-
quados para a germinação das sementes de uma espécie.
Para C. xanthocarpa e E. involucrata, observa-se diferentes
Carvalho, B. S. et al.
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padrões de germinação em função das temperaturas e
substratos empregados (Figuras 1A e 1B). Predomina
para C. xanthocarpa maior uniformidade e estabilização
da germinação a 30°C, independentemente do substrato
utilizado, e para E. involucrata, 25°C é a temperatura em
que ocorre maior uniformidade com o uso dos substratos
areia e vermiculita.
Figura 1 – Germinação acumulada de sementes de Campomanesia xanthocarpa (A) e Eugenia involucrata (B) subme-
tidas ao processo germinativo sob diferentes temperaturas (20, 25 e 30°C) e substratos (V = Vermiculita;
A = Areia; PMB = Papel mata-borrão)
Conclusão
A germinação de sementes de C. xanthocarpa e E.
involucrata (Myrtaceae) deve ser conduzida em substrato
de vermiculita e temperaturas de 30 e 25°C, respectiva-
mente. E, as análises dos aspectos físicos contribuíram
para a caracterização física e biométrica das sementes
destas espécies.
Análises física e fisiológica de sementes de Campomanesia xanthocarpa O. Berg e Eugenia involucrata DC. (Myrtaceae) em diferentes temperaturas e substratos
7
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