CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Consumo de nutrientes, comportamento ingestivo e parâmetros fisiológicos de ovinos
alimentados com volumoso extrusado contendo diferentes aditivos
Karla Alves Oliveira
1
*; Tamires Soares de Assis
2
; Luciano Fernandes Sousa
3
; Marco Tulio Santos Siqueira
4
;
Amanda Menezes de Souza
5
; Gilberto de Lima Macedo Júnior
6
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
Resumo:
Avaliou-se a utilização do volumoso extrusado contendo diferentes aditivos sobre parâmetros nutricionais e fisiológicos
de ovinos. Foram utilizadas 20 ovelhas não gestantes, adultas, com peso médio de 68 kg. Os animais receberam cinco
tratamentos contendo volumoso extrusado com diferentes aditivos (óleos essenciais, virginiamicina, tanino, levedura
inativa não purificada e levedura inativa purificada). O delineamento foi em blocos casualizados, com cinco tratamen
-
tos e oito repetições. As médias foram comparadas pelo teste SNK com nível de significância de 5% de probabilidade.
Avaliou-se o consumo e digestibilidade da matéria seca e fibra em detergente neutro, consumo de matéria seca em
função de peso corporal e metabólico, comportamento ingestivo, parâmetros fisiológicos e pH ruminal. Não foram
observadas diferenças estatísticas em função da inclusão de aditivos para consumo e digestibilidade da matéria seca,
fibra em detergente neutro e digestibilidade de fibra em detergente neutro, comportamento ingestivo, eficiência de
alimentação, frequência respiratória, frequência cardíaca, temperatura retal e pH ruminal. O tratamento com leve-
dura purificada apresentou o maior consumo de matéria seca em função do peso corporal e metabólico. Houve efeito
quadrático sobre o pH em função do horário de coleta, sendo menor nas primeiras 4 horas após a refeição, ou seja,
o uso de aditivos apresenta resposta positiva na fermentação ruminal devido ao reestabelecimento do valor de pH.
O uso de aditivos influenciou o consumo de matéria seca pelas ovelhas, sendo este maior quando utilizado o aditivo
levedura inativa purificada. Os aditivos foram eficientes também na manutenção do pH ruminal e digestibilidade
aparente da matéria seca.
Palavras-chaves: Leveduras. Óleos essenciais. Ruminantes. Tanino. Virginiamicina.
Nutrient intake, ingestive behavior and physiological parameters of sheep fed with
extruded roughage with different additives
Abstrat:
The objective of this work was to evaluate the use of extruded roughage containing different additives, on nutritional
and physiological parameters of sheep. Twenty non - pregnant ewes were used, adults with an average weight of 68
kg. The animals received five treatments containing extruded roughage with different additives (essential oils, virgi-
1
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”. Jaboticabal, SP. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-7792-2615
2
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-9798-9956
3Universidade Federal de Tocantins.Palmas, TO. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-6072-9237
4
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-2098-8568
5
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-1532-2005
6
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlandia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-5781-7917
*Autor para correspondência: karla.alves.oliveira@hotmail.com
Recebido para publicação em 13 de Maio de 2020. Aceito para publicação 25 de Agosto de 2020
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Oliveira, K. A. et al.
2
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
niamycin, tannin, unpurified inactive yeast and purified inactive yeast). The experimental design was a randomized
block design with five treatments and eight replications. The means were compared by the SNK test with significance
level of 5% of probability. The following variables were evaluated: dry matter and neutral detergent fiber intake and
digestibility; dry matter intake as a function of body and metabolic weight; ingestive behavior; physiological para-
meters and ruminal pH. No statistical difference was observed due to the inclusion of additives, for dry matter and
neutral detergent fiber intake and digestibility, ingestive behavior, feed efficiency, respiratory rate, heart rate, rectal
temperature and ruminal pH. The treatment with purified yeast showed the highest dry matter intake as a function
of body and metabolic weight. There was a quadratic effect on pH depending on the time of collection, being lower
in the first 4 hours after the meal, that is, the use of additives shows a positive response in rumen fermentation due
to the reestablishment of the pH value. The use of additives influenced the dry matter intake by the sheep, which is
greater when the additive inactive purified yeast is used. The additives were also efficient in maintaining ruminal pH
and apparent dry matter digestibility.
Keyword: Essencial oils. Ruminants. Tannin. Virginiamycin. Yeast.
Introdução
A utilização dos aditivos na nutrição de rumi-
nantes é cada vez mais pesquisada, uma vez que esses
atuam por diferentes mecanismos, que podem modificar
a fermentação ruminal, causar a estabilização do meio e
proteger o trato gastrointestinal de agentes patogênicos,
o que aumenta, desta forma, a degradabilidade ruminal
dos nutrientes e reduz o desperdício (Souza e Rodrigues,
2012).
Os aditivos são suplementos alimentares que
podem contribuir para o melhor desempenho de animais
confinados, uma vez que esse contribui para a manu-
tenção do pH e da saúde ruminal. Ao longo do dia o pH
apresenta flutuações em função da dieta utilizada, da
forma física do alimento, do tamanho da partícula e do
processamento. O alimento extrusado tem sido utilizado
na alimentação de ruminantes, com o intuito de aumentar
o aproveitamento do alimento pelos microrganismos e
também facilitar o manejo alimentar, visto que o processo
de extrusão aumenta a digestibilidade dos alimentos e a
destruição de patógenos. O volumoso extrusado é uma al-
ternativa de alimento fibroso para ruminantes, sendo este
produzido da parte aérea de gramíneas após o processo
de extrusão, podendo assim melhorar a digestibilidade
e aumentar eficiência produtiva animal (Oliveira, 2018).
Logo, o uso de aditivos associado ao volumoso
extrusado, aliado ao adequado manejo nutricional, co-
labora para o controle de distúrbios metabólicos como
acidose ruminal. Os aditivos podem melhorar a qualidade
e aumentar a quantidade de nutrientes disponíveis na
alimentação dos animais, melhorando, assim, a eficiência
dos nutrientes absorvidos pelo animal, promovendo in-
cremento aos parâmetros fisiológicos e comportamentais,
podendo refletir no bem-estar animal (Oliveira et al.,
2005).
Diante desse contexto, objetivou-se elucidar o
potencial da utilização de volumoso extrusado contendo
diferentes aditivos, sobre o consumo, comportamento e
parâmetros fisiológicos de ovinos.
Materiais e métodos
O experimento foi realizado nas dependências
do setor de ovinos e caprinos da Universidade Federal
de Uberlândia, localizada no município de Uberlândia
MG. As coordenadas geográficas do local do experimento
são 18°30’ de latitude sul e 47°50’ de longitude oeste de
Greenwich com altitude de 863 m. O clima da região é
tropical de altitude, com inverno ameno e seco e estação
seca e chuvosa bem definida. O período de realização do
experimento foi do dia 24 de outubro de 2017 a 25 de
novembro de 2017. O mesmo foi aprovado pelo CEUA -
Comissão de Ética na Utilização de Animais, sob o número
de protocolo 092/16.
O experimento foi dividido em duas fases de 15
dias, sendo os dez primeiros dias referentes à adaptação
do animal à dieta e a gaiola metabólica e os outros cinco
dias, dedicados à coleta de dados. Ao final da primeira
fase os animais foram trocados de tratamento, e logo em
seguida realizada nova adaptação e posterior coleta de
dados referente à segunda fase.
Foram utilizadas vinte ovelhas não gestantes
cruzadas (1/2 Dorper x 1/2 Santa Inês), com idade maior
igual a quatro anos e peso corporal médio de 68 kg +/
- 2,9. Os animais foram alojados em gaiolas metabólicas
equipadas com piso ripado, coletor de fezes e urina, co-
cho, saleiro e bebedouro (padronizadas de acordo com
o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia INCT).
Foram pesadas no início e final do período experimental,
para obtenção da média do peso vivo e peso metabólico
(PV
0,75
). As ovelhas foram vermifugadas antes do início
do período experimental com monepantel via oral e ve-
rificada sua condição de mucosas oculares e realização
do OPG.
Os animais receberam cinco tratamentos conten-
do volumoso extrusado com diferentes aditivos, sendo
eles: óleos essenciais (Foragge
®
Essential
®
), Virginia-
micina
®
(Foragge
®
Max
®
), tanino (Foragge
®
Bypro
®
),
levedura inativa não purificada (Foragge
®
AA) e levedura
inativa purificada (Foragge
®
Factor
®
). O Foragge
®
é um
volumoso extrusado, produzido a partir de forragens
Oliveira, K. A. et al.
3
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
do gênero Urochloa e enriquecido em sua composição
nutricional de minerais, vitaminas, amido e dos aditivos
testados. O referido volumoso utilizado tem por escopo
substituir parcial ou totalmente a dieta de ruminantes
quando se usa principalmente a silagem de milho como
volumoso. A composição de cada tratamento se encontra
na tabela 1.
Tabela 1 – Composição bromatológica dos diferentes tipos de Foragge
®
*
Nutriente
(%)
Óleos
Essenciais
Virginiamicina Tanino
Levedura inativa não
purificada
Levedura inativa
purificada
MS 90,0 90,0 90,0 90,0 90,0
PB 7,2 7,1 7,0 7,2 7,2
FDN 42,2 42,3 44,7 42,3 42,3
FDA 26,3 26,3 29,8 26,3 26,3
EE 1,9 2,0 1,6 1,9 2,0
MM 3,7 3,7 3,9 3,7 3,7
NDT 55,7 55,8 61,2 55,8 55,7
Amido 25,5 25,5 25,4 25,4 25,5
Aditivo 0,55% 30 mg kg
-1
0,2% 0,2% 0,2%
MS: matéria seca; PB: proteína bruta; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido; EE: extrato etéreo; MM: matéria mineral;
NDT: nutrientes digestíveis totais. *Dados fornecidos pela fabricante Nutratta.
A dieta foi fornecida aos animais duas vezes ao
dia na quantidade de 3,5% do peso corporal, especifica-
mente às 08:00 e às 16:00, sendo composta pelo volumoso
extrusado Foragge
®
com diferentes aditivos, água e sal
mineral para ovinos (ad libitum). Quanto à aferição de
consumo, foram realizadas pesagens diárias com balan-
ça com precisão de cinco gramas, tanto da dieta, como
das sobras de cada animal. Essas foram mensuradas e
sempre que os valores foram iguais à zero, aumentou-se
a quantidade fornecida até atingir sobra equivalente a
10% do ofertado.
O cálculo do consumo de matéria seca (CMS)
dos alimentos foi obtido por meio da diferença do ofer-
tado em relação às sobras. As fezes na matéria natural
foram pesadas diariamente em balança com precisão de
cinco gramas em intervalos de 24 horas. As amostras de
sobras e fezes de cada animal, ao final do período de
colheita, foram homogeneizadas e formadas amostras
compostas, para posteriores análises bromatológicas e
cálculo do consumo e digestibilidade da matéria seca e
dos nutrientes.
Após o final do período de coleta, as amos-
tras de sobras e fezes eram armazenadas em freezers
horizontais a -15°C, para conservação dos nutrientes.
Posteriormente foi realizada a pré-secagem das amos-
tras em estufa de circulação forçada de ar, a 55°C por
72 horas, até obter peso constante. Executado o pro-
cedimento as amostras foram trituradas, em moinho
de facas do tipo Willey, em partículas de 1 mm. Logo
após, as amostras foram levadas ao laboratório onde
foi determinada a matéria seca das amostras de sobras
e fezes, em estufa a 105°C por 24 horas, sendo então
calculada a matéria seca definitiva das mesmas e teor
dos nutrientes, e posteriormente, a digestibilidade apa-
rente dos nutrientes e matéria seca através das seguin-
tes equações (Eq. 1 e 2; Maynard et al., 1984):
(Eq. 1)
(Eq. 2)
Onde: CN = consumo do nutriente (kg); Cons = quantidade de alimento
ofertado (kg); %cons = teor do nutriente no alimento ofertado (%);
Sob = quantidade de sobra retirada (kg); %sob = teor do nutriente
nas sobras (%); DA = digestibilidade aparente (%); FMS = quantidade
de fezes na matéria seca (kg).
Foram analisados no laboratório de nutrição ani-
mal (LABAN) os nutrientes: fibra em detergente neutro
(FDN), fibra em detergente ácido (FDA) e fibra em de-
tergente neutro corrigido para cinzas (FDNc), de acordo
com metodologia descrita por Van Soest (1994). Através
dos teores dos nutrientes, foi possível calcular consumo
de matéria seca (CMS, kg/dia), com a diferença entre
ofertado e sobras, consumo de matéria seca em função
peso corporal (CMS/PC, %), consumo de matéria seca
em função do peso metabólico (CMS/PM, kg/PC
0,75
),
digestibilidade da matéria seca (DMS, %), consumo de
FDN (CFDN, kg/dia) e digestibilidade de FDN (DFDN,
%).
A avaliação do comportamento ingestivo ocorreu
no último dia do experimento, foi realizada em 24 horas,
sendo que a cada cinco minuto os animais foram observa-
dos quanto ao tempo em ruminação (Rum), ócio (Oc) ou
ingestão (Ing) em min dia
-1
. O somatório do tempo gasto
Oliveira, K. A. et al.
4
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
com ingestão e ruminação foi utilizado para calcular o
tempo de mastigação total (Mast) em min dia
-1
.
A eficiência alimentar foi calculada dividindo-se
o consumo de matéria seca por tempos em horas de in-
gestão, ruminação e mastigação, seguindo as seguintes
formulas (Equações 3, 4 e 5):
(Eq. 3)
(Eq. 4) (Eq. 5)
Onde: EIng = Eficiência de ingestão em gramas de matéria seca por minuto; ERum = Eficiência de Ruminação em gramas de matéria seca por
minuto; EMast = Eficiência de Mastigação em gramas de matéria seca por minuto.
Os parâmetros fisiológicos frequência respiratória
(FR), frequência cardíaca (FC), temperatura retal (TR) e
movimentos ruminais (MR) foram aferidos com os animais
dentro da gaiola de metabolismo, essas aferições foram
durante 2 dias alternados no período de coleta, sempre
ás 14:00, e posteriormente foi média desses valores para
resultado final. As variáveis frequência respiratória (FR)
e frequência cardíaca (FC) foram avaliadas conforme
Borges, Silva e Carvalho (2018), a FR foi avaliada por
contagem dos movimentos respiratórios por minuto (mov.
min
-1
), mediante a observação direta dos movimentos do
flanco esquerdo. A frequência cardíaca, em batimentos
por minuto (bat.min
-1
), foi obtida com a utilização de
estetoscópio posicionado entre o terceiro e quarto espaço
intercostal, à altura da articulação costocondral, durante
um minuto. Na sequência, foi avaliada a temperatura
retal por meio de termômetro digital até o disparo do
sonorizador. Os movimentos ruminais (MR), movimentos
em cinco minutos (mov.5min
-1
) foram obtidos com a utili-
zação de estetoscópio posicionado no flanco esquerdo do
animal. Todos os parâmetros fisiológicos foram aferidos
uma vez por dia, às 14 horas, em 2 dias alternados por
semana.
Utilizou-se o delineamento em blocos casuali-
zados, com cinco tratamentos e oito repetições, blocan-
do o efeito de fase. As médias dos tratamentos foram
comparadas pelo teste SNK (Student-Newman-Keuls),
com nível de significância de 5% de probabilidade. O
programa estatístico utilizado foi SAEG 9. Para todas as
variáveis foram testadas a normalidade e homogeneidade
dos dados.
As variáveis climáticas, como temperatura, am-
biente e umidade relativa foram registradas na Estação
Meteorológica Capim Branco (Tabela 2), situado na La-
titude: 18°52’52,5”S e Longitude: 48°20’37,3”.
Tabela 2 – Temperatura e Umidade Relativa do ar referente ao período experimental
Temperatura do ar (°C) Temperatura do ar (°C)
Máximo Mínimo Média Média
27,80 18,92 22,61 79,89
Dados obtidos da Estação Meteorológica da Fazenda Capim Branco - UFU.
Para análise de pH ruminal foram utilizadas cinco
ovelhas não gestantes, cruzadas, com idade superior a
quatro anos e peso corporal médio de 68 kg, fistuladas
no rúmen. Os animais foram distribuídos aleatoriamente
em quadrado latino 5x5 (cinco períodos e cinco repeti-
ções); cada período teve duração de 15 dias (dez dias
iniciais para adaptação e cinco últimos dias para coleta
de dados e amostras). Os animais foram alojados em
gaiolas metabólicas conforme citado anteriormente e
receberam os tratamentos contendo volumoso extrusa-
do com diferentes aditivos, sendo eles: óleos essenciais
(Foragge
®
Essential
®
), Virginiamicina
®
(Foragge
®
Max
®
),
tanino (Foragge
®
Bypro
®
), levedura inativa não purificada
(Foragge
®
AA) e levedura inativa purificada (Foragge
®
Factor
®
). A alimentação foi oferecida às 8:00 e as 20:00
nos dias de coleta de líquido ruminal. O experimento
aconteceu concomitante ao citado anteriormente.
As coletas foram realizadas 2 vezes na semana,
nos horários: 8:00, 10:00, 12:00, 14:00, 16:00, 18:00 e
20:00. Após a abertura da cânula o líquido ruminal era
homogeneizado e coletado as respectivas amostras, com
uso de uma mangueira(20 cm de comprimento e 1,9cm
de diâmetro), em que o líquido ruminal era alojado em
uma vasilhame plástico (capacidade para 500mL) e ime-
diatamente determinado o valor de pH, com medidor
eletrônico devidamente calibrado.
Para dados referentes aos valores de pH utili-
zou-se o quadrado latino, com cinco tratamentos e cinco
repetições. As médias dos tratamentos foram comparadas
pelo teste SNK (Student-Newman-Keuls), com nível de
significância de 5% de probabilidade. O programa esta-
tístico utilizado foi SAEG 9. Para todas as variáveis foram
testadas a normalidade e homogeneidade dos dados.
Resultados e Discussão
Não se observou diferença estatística em fun-
ção da inclusão de aditivos, para consumo de matéria
seca em kg dia
-1
(CMS), digestibilidade de matéria seca
(DMS), consumo de fibra em detergente neutro (CFDN)
e digestibilidade de fibra em detergente neutro (DFDN)
(Tabela 3). Um dos fatores que pode influenciar o con-
Oliveira, K. A. et al.
5
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
sumo dos alimentos é a relação volumoso/concentrado
na dieta de ruminantes. Nesse experimento não houve
variação dessas proporções entre os tratamentos, uma
vez que todos os animais consumiram o mesmo alimento
Foragge
®
, variando somente o aditivo. Entretanto, quando
se considera o CMS em função de peso corporal (CMS/
PC) e peso metabólico (CMS/PM) encontrou-se diferença
estatística entres os tratamentos, sendo que a levedura
inativa purificad (LINP) a propocionou maior consumo.
Tabela 3 – Efeito da inclusão de diferentes aditivos sobre os parâmetros nutricionais de ovinos
Tratamento CMS CMS/PC CMS/PM DMS CFDN DFDN
Óleos Essenciais 2,24 3,58AB 100,65AB 57,43 1,21 44,97
LINP 1,76 2,49B 72,34B 53,96 0,87 45,30
LIP 2,54 4,13A 115,67A 53,46 1,21 44,05
Virginiamicina 1,84 2,81AB 80,05AB 52,45 1,02 49,40
Tanino 1,94 2,83AB 81,54AB 52,36 1,09 44,35
Média 2,07 3,18 90,31 53,97 1,07 45,52
Coeficiente de variação 31,04 33,16 32,37 11,34 31,22 15,56
P-Valor 0,1253 0,0253 0,0355 0,0455 0,2816 0,6113
LINP: levedura inativa não purificada; LIP: levedura inativa purificada; CMS: consumo de matéria seca em kg dia
-1
; CMS/PC: consumo de matéria
seca em função do peso vivo em %; CMS/PM: consumo de matéria seca em função do peso metabólico (g kg
-1
0,75 dia
-1
); DMS: digestibilidade da
matéria seca em %; CFDN: consumo de fibra em detergente neutro kg dia
-1
; DFDN: digestibilidade de fibra em detergente neutro %; Médias seguidas
de letras maiúsculas na coluna diferem pelo teste de SNK (P<0,005).
Segundo Manuel (2016), o uso de peso metabó-
lico (PM) é mais eficaz para expressar o consumo, pois
é uma forma de expressar o metabolismo de energia
como base na expressão de requerimento de mantença.
Os animais que receberam a levedura inativa purificada
tiveram os maiores CMS/PC e CMS/PM. Contudo, o uso
da levedura não purificada promoveu os menores valo-
res de consumo da matéria seca (CMS/PC e CMS/PM).
É possível observar que a inclusão de levedura inativa
purificada aumentou em aproximadamente 58% o CMS
PC em relação ao tratamento com a levedura inativa não
purificada. A purificação permite a caracterização estru-
tural e funcional da levedura, que o processo retira
contaminantes. Outro fator importante a ser considerado
é que o processo de purificação aumenta a padronização
e qualidade ao produto (Assis, 2019).
A levedura favorece a digestão e o aproveitamen-
to dos nutrientes, o que eleva o consumo, pois provoca
aumento na taxa de degradação da fibra, especialmente
em dietas ricas em concentrado (Pires, 2012). Logo, in-
fere-se que a ração com levedura inativa purificada pode
ter favorecido a colonização de partículas alimentares,
acelerando o crescimento de bactérias celulolíticas, me-
lhorando a eficiência da degradabilidade dos nutrientes
pelas bactérias ruminais, aumentando a taxa de consumo.
Independentemente do tratamento aplicado,
todos os animais que receberam o alimento Foragge
®
tiveram o CMS superior (em média) 1,02 kg dia
-1
ao re-
comendado pelo NRC (2007) para essa categoria (1,05
kg dia
-1
), o que equivale a uma superioridade de 97% em
relação ao NRC (2007). De acordo com Mertens (1997),
os mecanismos de controle que podem limitar o consumo
são: densidade energética e teor de fibra das dietas. Zanine
e Macedo Junior (2006) relatam que a presença de fibra
de baixa qualidade pode limitar a consumo de matéria
seca. Assim, é possível concluir que os teores FDN do
alimento em questão não foi o limitante para o consumo
de matéria seca, visto que os animais consumiram quase
2 vezes o recomendado NRC (2007).
A suplementação com aditivos na alimentação de
ruminantes tem-se mostrado promissora visto o aumento
da ingestão e da digestão de alimentos (Morais, 2011).
Quanto à digestibilidade da matéria seca (DMS), essa não
apresentou variação estatística (Tabela 3), mesmo com o
aumento do CMS/PC e CMS/PM, a mesma se manteve
constante. De maneira geral quanto tem-se aumento
no consumo de matéria seca observa-se redução na di-
gestibilidade da matéria seca (Zanine e Macedo Junior,
2006). Isso não foi observado nesse estudo, o que pode
mostrar que a extrusão e os aditivos mantiveram a DMS
em níveis estáveis, sugerindo melhor aproveitamento
na fermentação ruminal. Os aditivos são utilizados com
o propósito de melhorar ambiente ruminal. Segundo
Doreau et al. (2003), a principal causa da variação na
digestibilidade da dieta é o tempo de retenção de par-
tículas no rúmen. Dessa forma, o aumento do consumo
(Tabela 3) levaria ao aumento na taxa de passagem e
consequente diminuição na digestibilidade. Entretanto,
não foi observado esse comportamento nesse estudo.
O produto Foragge
®
foi desenvolvido para ser
semelhante a silagem de milho e assim poder substituir
a mesma na dieta dos ruminantes. Segundo Valadares
Filho (2006) a composição química média da silagem
de milho produzida no Brasil encontrada na literatura
Oliveira, K. A. et al.
6
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
é de 7,18 % de PB; 2,79% de EE; 53,98 %; FDN e de
29,49 % de FDA e digestibilidade da matéria seca de
59,58 %. Valores esses semelhantes aos encontrados no
presente trabalho, para o produto Foragge
®
(tabelas 1 e
3), principalmente referente a digestibilidade de 55,38
%, sugerindo possível substituição da silagem de milho
pelo Foragge
®
. Com a vantagem desse produto permitir
maior consumo como evidenciado na tabela 3 e maior
matéria seca em sua composição bromatológica (tabela 1).
Quanto às variáveis consumo de fibra em deter-
gente neutro (CFDN) e digestibilidade de fibra em deter-
gente neutro (DFDN) essas não apresetaram diferenças
estatísticas. Segundo Zanine e Macedo Júnior (2006), a
concentração de FDN na dieta influencia negativamente
o CMS, em função da fermentação mais lenta e de maior
tempo de permanência no rúmen. Contudo, a maior
digestibilidade da fibra pode estimular o consumo pelo
aumento da taxa de passagem. Segundo Mertens (1997)
o CFDN para ruminante deve ser de 0,8 a 1,2% PV, nesse
experimento a média geral de CFDN foi de 1,07%, den-
tro do recomendado pela literatura. O consumo de FDN
não limitou o CMS neste trabalho, uma vez que o CMS
encontrado estava acima do recomendado (NRC 2007,
para essa categoria 1,05 kg dia
-1
, tabela 3), o que pode ser
explicado pela capacidade de melhor digestibilidade do
alimento extrusado enriquecido por aditivos. Os valores
de digestibilidade da fibra em detergente neutro (DFDN)
se mantiveram iguais estatisticamente. A ideia do produto
Foragge
®
é substituir a silagem de milho, assim Valadares
Filho (2006) cita que a DFDN da silagem de milho é de
48,77% em média. No presente estudo a DFDN ficou
em 45,52% em média, valor inferior em 6,60%, o que
podemos considerar como pequena diferença.
Não se observou efeito do uso de volumoso ex-
trusado com diferentes aditivos, no comportamento in-
gestivo dos animais (Tabela 4). O tempo de ruminação é
influenciado pela natureza da dieta, visto que a ruminação
é proporcional aos níveis de FDN dos volumosos (Van
Soest, 1994). De acordo com Oliveira (2018), alimen-
tos processados, como alimento peletizado e extrusado,
reduzem o tempo de ruminação, enquanto volumoso
com alto teor de parede celular aumentam o tempo de
ruminação.
Tabela 4 – Efeito da inclusão de diferentes aditivos sobre o comportamento ingestivo de ovinos
Tratamento ING RUM ÓCIO MST EFING EFRUM EFMAST
Óleos Essenciais 206,87 94,37 1093,75 346,25 11,49 54,01 6,86
LINP 226,25 49,37 1168,12 271,87 8,23 57,44 6,49
LIP 185,00 113,2 1141,87 298,12 14,83 31,77 9,93
Virginiamicina 169,28 42,85 1227,85 212,14 11,23 50,50 8,63
Tanino 212,50 63,75 1163,75 276,25 11,02 39,06 7,56
Média 200,79 73,46 1157,30 282,69 11,63 46,45 7,87
Coeficiente de variação 28,64 34,97 8,09 33,10 34,18 39,66 37,98
P-Valor 0,3402 0,0784 0,1162 0,1162 0,1650 0,6138 0,1663
ING: ingestão (min dia
-1
); RUM: ruminação (min dia
-1
); MAST: mastigação (min dia
-1
); EFING: eficiência de ingestão (g min
-1
); EFRUM: eficiência
de ruminação (g min
-1
); EFMAST: eficiência de mastigação (g min
-1
); Médias seguidas de letras maiúsculas na coluna diferem pelo teste de SNK
(P<0,005). LINP: levedura inativa não purificada; LIP: levedura inativa purificada;
O produto extrusado Foragge
®
acrescido de dife-
rentes aditivos, proporcionou comportamento alimentar
similar entre os animais, visto que suas propriedades
bromatológicas são similares. Estes resultados podem
ser explicados pelo fato de as dietas terem níveis seme-
lhantes de nutrientes, principalmente de FDN (Tabelas
1) e mesmo tamanho de partícula do volumoso (2mm).
Contudo, vemos que numericamente o tempo em rumi-
nação variou muito entre os tratamentos. Verificando a
tabela 3, observa-se que essa variação também foi vista
nos dados de CMS/PC e CMS/PM, uma vez que a rumi-
nação é uma função diretamente ligada ao cosnumo de
matéria seca. Segundo Van Soest (1994), o tamanho da
partícula pode influenciar o valor nutricional do alimen-
to, pois afeta tanto o consumo de matéria seca quanto a
retenção ruminal, exercendo efeito sobre as atividades
de ruminação e mastigação.
Observou-se que os animais gastaram em média
73,46 minutos com ruminação, 200,79 minutos com in-
gestão, 1157,30 minutos em ócio e 282,69 minutos com
mastigação. É possível perceber que os animais gastaram
pouco tempo com ruminação, ingestão e maior tempo
em comportamento de ócio e mastigação, independente
do tratamento (Tabela 4). Essa discrepância nos valores
encontrados para comportamento ingestivo pode ser jus-
tificada pelas características física do produto Foragge
®
.
Segundo Van Soest et al. (1991), o tempo de ruminação é
influenciado pela natureza da dieta, cosnumo de matéria
seca e teor de parede celular do volumoso. No entanto,
provavelmente devido a presença de aditivos tamponan-
Oliveira, K. A. et al.
7
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
tes, não foi observado queda de pH ruminal (Tabela 5),
ou redução na digestibilidade do alimento (Tabela 3).
De acordo com Van Soest et al. (1991), a ativi-
dade de ruminação em animais adultos dura cerca de
oito horas por dia com variações entre 4 e 9 horas. Esse
comportamento alimentar é influenciado principalmente
pela natureza da dieta, ou seja, quanto mais concentra-
da a dieta, ou mais processado o alimento, menor é o
tempo gasto com ruminação. Assim, podemos veirifcar
que o tempo gasto com ruminação foi bem abaixo da
recomendação. Contudo, não foi observado nenhum
problema ruminal, como pode ser eveidenciado pelos
dados contidos nas tabelas 3, 4 e 5.
Quanto maior o comportamento de ócio, maior
a economia de energia e essa será direcionada a maior
produção animal (Young, 1987). Com relação ao tempo
gasto com ingestão, animais confinados gastam em torno
de uma hora consumindo alimentos com elevada densi-
dade energética, ou até mais de seis horas, para fontes
com baixo teor de energia. É possível perceber que todos
os tratamentos gastaram menor tempo com alimentação,
esse fato é justificado pela maior eficiência de ingestão
garantida pela dieta (Tabela 4).
Os dados de eficiência de ingestão, ruminação e
mastigação foram estatisticamente iguais entre os trata-
mentos (Tabela 4). A ausência de efeito observada nas
atividades citadas anteriormente pode estar também rela-
cionada com a aproximação entre a composição química
das dietas (Tabela 1), em que os tamanhos das partículas
dos alimentos apresentaram semelhanças, visto que seu
processamento foi o mesmo para todas as dietas expe-
rimentais. Contudo, todos os valores encontrados para
eficiência de ingestão, ruminação e mastigação foram
maiores do que os encontrados na literatura (Oliveira,
2018).
Os valores sobre parâmetros fisiológicos, frequên-
cia respiratória (FR), frequência cardíaca (FC) e tempe-
ratura retal (T) não foram influenciados pela utilização
aditivos (Tabela 5). Os valores de FC e T se mantiveram
dentro dos valores recomendados para a espécie (Cun-
ningham e Charlotte, 1999). Entretanto, o parâmetro FR
mostrou-se acima dos valores de referência proposto por
Cunningham e Charlotte, (1999), de 16 a 34 bat min
-1
. A
alteração na FR pode ser consequência das altas tempe-
raturas registradas no mês de novembro (
°C
),
associada a elevada umidade relativa do ar (URA), que
apresentou média de 79,89 % (Tabela 2).
Tabela 5 – Efeito da inclusão de diferentes aditivos sobre os parâmetros fisiológicos de ovinos
Tratamento MR FR FC T pH
Óleos Essenciais 4,12C 49,25 68,50 38,77 6,31
LINP 5,62AB 60,75 68,00 38,88 6,45
LIP 4,25C 65,00 74,25 38,97 6,3
Virginiamicina 5,71A 59,71 72,85 38,77 6,38
Tanino 4,75BC 56,00 64,00 38,76 6,3
Média 4,87 58,10 69,33 38,83 6,35
Coeficiente de variação 18,30 27,40 15,49 0,81 10,90
P-Valor 0,0019 0,3720 0,3788 0,5912 0,1852
MR: Movimentos ruminais (mov 5min
-1
); FR: frequência respiratória (mov min
-1
); FC: frequência cardíaca (batimentos min
-1
); T: temperatura retal
(°C); Médias seguidas de letras maiúsculas na coluna diferem pelo teste de SNK (P<0,005). LINP: levedura inativa não purificada; LIP: levedura
inativa purificada;
Os efeitos do estresse térmico para os animais de-
pendem da capacidade do animal para adaptar-se, sendo
que a zona de conforto térmico para ovinos situa-se entre
20 e 30°C. Quanto a URA a zona de conforto de ovinos
adultos encontrava-se entre 50 e 80% (Baêta e Sousa,
2010). Assim pode-se dizer que a temperatura estava
dentro dos limites para conforto térmico, porém, a URA
estava próximo ao limite máximo proposto para conforto
térmico, podendo justificar o aumento da FR, durante
experimento. Outro fator a ser considerado é o horário
de avaliação desses parâmetros, sendo feito sempre às
14:00, horário considerado de maiores temperaturas.
A susceptibilidade de ovinos ao estresse por calor
aumenta na medida em que o binômio umidade relativa
e temperatura ambiente ultrapassa a zona de conforto
térmico; essa condição dificulta a dissipação de calor e
incrementa a temperatura corporal, e os mecanismos
termorregulatórios são acionados aumentando a perda
de calor de forma insensível através da sudorese e respi-
ração (Borges et al. 2018). Segundo mesmo autor, a taxa
de respiração pode quantificar a severidade do estresse
pelo calor, e que uma frequência respiratória de 40- 60,
60-80, 80
-1
20 mov min
-1
caracteriza, respectivamente, um
estresse baixo, médio-alto e alto para os ruminantes. Para
os ovinos, 200 é classificado como severo. Logo, pode-se
dizer que os animais se encontravam em estresse térmico
Oliveira, K. A. et al.
8
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
moderado, visto que o CMS, DMS e CFDN (Tabela 3)
não foram prejudicados, pelo contrário, ficaram acima
do recomendado pelo NRC (2007).
Houve diferença entre os tratamentos para MR
(P<0,05), sendo que o tratamento com levedura inativa
purificada e óleos essenciais, apresentaram menor valor
de movimentação ruminal (Tabela 5). Entretanto, mesmo
com a menor movimentação ruminal, o pH do rúmen se
manteve dentro dos valores de referência (Tabela 5). O
tratamento com virginiamicina, foi detentor do maior va-
lor de movimentação ruminal juntamente com a levedura
inativa não purificada, provavelmente esse apresentou
maior tempo de permanência no rúmen. Sabe-se que a
movimentação ruminal é estímulo para a ruminação, no
entanto os valores de ruminação foram iguais em todos
os tratamentos. Assim, podemos inferir que os aditivos
testados promoveram eficiência microbiana e com isso
contribuindo para manutenção do ph ruminal em valores
de estabilidade. Os valores encontrados para movimento
ruminal apresentaram média de 0,96 mov min
-1
. Segundo
Marques et al. (2007), são considerados normais de 1 a
3 movimentos min
-1
de ruminação.
Não se observou diferença estatística entre os tra-
tamentos sobre o pH ruminal (Tabela 5), que se manteve
dentro dos valores de referência considerado como ótimo
(6,0 e 7,0) (Mould et al., 1983). Vários fatores interferem
no pH ruminal, como a forma física da dieta, o tamanho
da partícula, a composição da dieta e o processamento
do alimento (Mould et al., 1983). O alimento volumoso
Foragge
®
possui 25% de amido. Logo, os animais con-
sumiram aproximadamente 518g dia
-1
de amido, porém
o pH se manteve estável, uma vez que esse fato poderia
acarretar distúrbios acidogênicos. No entanto a presença
de aditivos no produto Foragge
®
contribuiu para estabi-
lização do pH ruminal e possivelmente para o equilíbrio
microbiano no rumem.
Houve efeito quadrático sobre o pH quando
avaliado o horário de coleta de líquido ruminal (Gráfico
1). Os menores valores de pH ruminal aqui encontrados
foram nas primeiras 4 horas após a refeição, uma vez a
fermentação ruminal do alimento acidifica o rúmen com
formação de ácidos graxos voláteis. Segundo Van Soest
(1994), após alimentação um aumento da produção de
ácidos graxos voláteis e queda nos valores de pH, seguido
de redução lenta ao longo do dia com restabelecimento
próxima à nova alimentação.
Gráfico 1 – Efeito do uso de diferentes aditivos sobre o pH ruminal de ovinos em função do horário de coleta
1Y=7,561095 – 0,2299099X+0,009486X2, R2 = 74,12%. P-valor = 0,0024
É possível perceber que mesmo após a alimen-
tação os valores de pH não ultrapassaram os valores
de referência (6,0; Mould et al., 1983). A estabilidade
ruminal proporcionada pelos aditivos está associada à
inibição do crescimento de bactérias produtoras de ácido
láctico, à menor perda de energia metabolizável ao dimi-
nuírem a produção de metano, e à menor queda de pH
ruminal, permitindo maior eficiência no aproveitamento
dos nutrientes (Oliveira et al., 2020).
Conclusão
O uso de aditivos no presente trabalho influen-
ciou o consumo pelas ovelhas, sendo o produto Foragge
®
Factor
®
(levedura inativa purificada) o de maior valor.
De maneira geral todos os aditivos foram eficientes nas
variáveis analisadas, especialmente na manutenção do
pH ruminal, consumo de matéria seca e digestibilidade
aparente da matéria seca.
Oliveira, K. A. et al.
9
Cad. Ciênc. Agrá., v. 12, p. 01–09, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2020.20606
Referências
Assis, T. S. 2019. Utilização de volumoso extrusado contendo diferentes
aditivos na alimentação de ovinos. Uberlândia: Universidade Federal
de Uberlândia, 72f. Dissertação de Mestrado. doi: http://dx.doi.
org/10.14393/ufu.di.2019.1219.
Baêta F. C.; Souza C. 2010. Ambiência em edificações rurais: conforto
ambiental. Editora UFV, Viçosa, MG, Brasil.
Borges, J. O.; Silva, A. P. V.; Carvalho, R. A. 2018. Conforto térmico de
ovinos da raça Santa Inês confinados com dietas contendo três níveis
de inclusão de concentrado. Boletim De Indústria Animal, 75: 1-7. doi:
https://doi.org/10.17523/bia.2018.v75.e1410.
Cunningham, R.; Charlotte, C. B. 1999. Common variable
immunodeficiency: clinical and immunological features of 248 patients.
Clinical immunology, 92: 34-48. doi: https://doi.org/10.1006/
clim.1999.4725.
Doreau, M.; Michalet-Doreau, B.; Grimaud, P.; Atti, N.; Nozière, P. 2003.
Consequences of underfeeding on digestion and absorption in sheep.
Small Ruminant Research, 49: 289-301. doi: https://doi.org/10.1016/
S0921-4488(03)00145-7.
Manuel, M. 2016. Estudo do peso metabólico e índice de Kleiber na
estimação de parâmetros genéticos de características ponderais em
uma população de bovinos de raça Brahman. Dracena: Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho”, 83f. Dissertação de mestrado.
Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/138132.
Marques, J. D. A.; Ito, R. H.; Zawadzki, F.; Maggioni, D.; Bezerra, G. D.
A.; Pedroso, P. H. B.; Prado, I. N. D. 2007. Comportamento ingestivo
de tourinhos confinados com ou sem acesso à sombra. Campo Digital,
2: 43-49. Disponível em: http://revista2.grupointegrado.br/revista/
index.php/campodigital/article/view/313.
Maynard, L. A.; Loosli, J. K.; Hintz, H. F.; Warner, R. G. 1984. Nutrição
animal. 3. ed. Rio de Janeiro: F. Bastos, RJ, Brasil.
Mertens, D. R. 1997. Creating a system for meeting the fiber requirements
of dairy cows. Journal of dairy science, 80: 1463-1481. doi: https://
doi.org/10.3168/jds.S0022-0302(97)76075-2.
Morais, J. A. S.; Berchielli, T. T.; Reis, R. A. 2011. Aditivos. In: Berchielli,
T. T.; Pires, A. V.; Oliveira, S. G., eds. Nutrição de Ruminantes, Editora
Funep, Jaboticabal, SP, Brasil.
Mould, F. L.; Ørskov, E. R.; Shirley, A. G. 1983. Associative effects of
mixed feeds. II. The effect of dietary addition of bicarbonate salts on the
voluntary intake and digestibility of diets containing various proportions
of hay and barley. Animal Feed Science and Technology, 10: 31-47. doi:
https://doi.org/10.1016/0377-8401(83)90004-4.
NRC - Nutrient Requirements of Small Ruminants: Sheep, Goats,
Cervids, and New World Camelids. 2007. National Academy of Science,
Washintgton, D.C., USA.
Oliveira, J. S.; ZANINE, A. M.; SANTOS, E. M. 2005. Uso de aditivos
na nutrição de ruminantes. Revista Eletrônica de Veterinária, 6: 1-24.
Disponível em: http://www.veterinaria.org/revistas/redvet/n111105.
html.
Oliveira, K. A. 2018. Ração extrusada com diferentes relações volumoso:
concentrado para ovinos em crescimento. Uberlândia: Universidade
Federal de Uberlândia, 92 f. Dissertação de mestrado. doi: http://
dx.doi.org/10.14393/ufu.di.2018.783.
Oliveira, K. A.; Macedo Júnior, G. L.; Araújo, C. M.; Sousa, L. F.; Araújo,
M. J. P.; Siqueira, M. T. S. 2020. Different roughage to concentrate ratios
in extruded ration and metabolic parameters of growing lambs. Semina:
Ciências Agrárias, 41: 1653-1666. doi: http://dx.doi.org/10.5433/1679-
0359.2020v41n5p1653.
Pires, L. C. B. 2012. Utilização de leveduras na alimentação de
ruminantes. Cadernos de Pós-Graduação da FAZU, 2: 1-8. Disponível
em: http://www.fazu.br/ojs/index.php/posfazu/article/view/459.
Souza, A. A.; Rodrigues, S. A. 2012. Atividade antimicrobiana do óleo
essencial de Rhaphiodon echinus (NEE & MART) SHAUER. Revista de
Biologia e Farmácia, 7: 12-17. Disponível em: http://sites.uepb.edu.
br/biofar/download/v7n2-2012/atividadeantimicrobiana.pdf.
Valadares Filho, S. C. 2006. Tabelas brasileiras de composição de
alimentos para bovinos. UFV.
Van Soest, P. V.; Robertson, J. B.; Lewis, B. A. 1991. Methods for dietary
fiber, neutral detergent fiber, and nonstarch polysaccharides in relation
to animal nutrition. Journal of Dairy Science, 74: 3583-3597. doi:
https://doi.org/10.3168/jds.S0022-0302(91)78551-2.
Van Soest, P. J. 1994. Nutritional ecology of the ruminant. 2.ed. Cornell
University Press, Ithaca, NY, USA.
Young, B. A. 1987. The effect of climate upon intake. Anais do Simpósio
Internacional de Nutrição de Herbívoros, Londres, Reino Unido.
Zanine, A. M.; Macedo Junior, G. L. 2006. Importância do consumo da fibra
para nutrição de ruminantes. Revista Eletrónica de Veterinária, 7:1-11.
Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/26439858_
Importancia_do_consumo_da_fibra_para_nutricao_de_ruminantes_
Importance_of_consume_of_fiber_for_nutrition_of_ruminant.