CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Análise da presença da atividade da enzima alfa-amilase salivar na espécie bovina
Natan Dias de Oliveira
1
*; Anne Karoline Mendes da Silva
2
; Valéria Magro Octaviano Bernis
3
; Walter Octaviano
Bernis Filho
4
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.26074
Resumo
A principal enzima salivar responsável pela digestão dos carboidratos é a alfa-amilase. Entretanto, estudos sobre a
presença desta enzima em bovinos são escassos e as vezes contraditórios. Diante disso, o objetivo dessa pesquisa foi
verificar a presença da atividade da enzima alfa-amilase em bovinos. O método usado para a determinação da enzima
foi o colorimétrico modificado, utilizando para tal o kit comercial Amilase Colorimétrica K003” ( Bioclin, Quibasa
Química Básica Ltda, Belo Horizonte, MG, Brasil). A análise foi realizada mediante a visualização macroscópica da
coloração após a amostra ser incubada com o substrato amido, e pela adição do iodo; o amido não hidrolisado adquire
coloração azul/preta que diminui proporcionalmente à atividade enzimática, sendo comparado com um controle.
Observou-se que nenhuma amostra apresentou resultados colorimétricos que apontam a presença da alfa amilase,
sendo assim possível sugerir que, não presença significativa desta proteína na saliva de bovinos que seja capaz de
hidrolisar o amido.
Palavras-chave: Amido. Bovino. Enzima digestiva. Glândula salivar.
Analysis of the presence of the activity of the salivary alpha-amylase enzyme in bovine
species
Abstract
The main salivary enzyme responsible for carbohydrate digestion is alpha-amylase. However, researches on the pre-
sence of this enzyme in bovine species are minimal and contradictory. Accordingly, the aim of this investigation was to
analyze the presence of alpha-amylase enzyme activity in the saliva in bovine species. The protocol used to determine
the enzyme was the modified colorimetric kit “Amilase Colorimétrica K003” (Bioclin, Quibasa Química Básica Ltda,
Belo Horizonte, MG, Brazil). The analysis was performed through macroscopic visualization of the staining after the
sample was incubated with the starch substrate, and when adding iodine, not hydrolyzed starch acquires blue/black
coloration that decreases proportionally to the enzymatic activity, being compared with a control. It was observed that
no sample presented colorimetric results that indicate the presence of the alpha amylase, being possible to conclude
that, there is no significant presence of these protein in the saliva of bovine species that be able to hydrolize the starch.
Keywords: Starch. Enzymatic activity. Bovine. Salivary gland.
1
Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. Salinas, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-5446-6744
2
Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. Salinas, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-9494-1500
3
Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. Salinas, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-8248-160X
4
Instituto Federal do Norte de Minas Gerais. Salinas, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-6553-6808
*Autor para correspondência: ndias404@gmail.com
Recebido para publicação em 31 de outubro de 2020. Aceito para publicação em 10 de março de 2021
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Oliveira, N. D. et al.
2
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–07, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.26074
Introdução
O homem e os ruminantes têm dividido uma
longa história de produção desde o início dos tempos,
inicialmente de uma forma nômade, e agora com mo-
dernas formas de manejo, principalmente no aspecto
nutricional. Assim, com a constante evolução da nutrição
nesta espécie, o interesse sobre a digestão de bovinos
tem aumentado amplamente (Berchielli; Pires; Oliveira,
2011).
A nutrição de ruminantes, em sua maioria, está
baseada nas pastagens tropicais, contudo, visto o inade-
quado manejo do pasto e a sazonalidade nos períodos de
seca, torna-se necessário buscar alternativas para suprir
as exigências dos animais e, consequentemente, obter
um produto final de qualidade. O uso de concentrados,
seja ele com suplemento ou no próprio confinamento,
são opções para atender essas exigências, porém, a ne-
cessidade de aumentar a densidade energética das dietas
maximiza o uso desses concentrados, podendo acarretar
distúrbios metabólicos (Alves, et al., 2003).
Os problemas digestivos são frequentes em bo-
vinos e, na sua maioria, estão relacionados a um inade-
quado manejo nutricional, seja pelo fornecimento de
nutrientes em excesso como já dito, principalmente em
sistemas intensivos de criação, ou devido ao fornecimento
de alimentos em quantidade ou qualidade inadequada,
situação mais observada em sistemas extensivos de cria-
ção em condições de escassez de forragens (Lima, et al.
2008, Gheller, et al. 2010, Burns, et al. 2013).
A maior parte dos componentes das dietas, in-
cluindo os carboidratos, são demasiadamente grandes
para sofrerem absorção direta através do epitélio intesti-
nal e no sangue. Dessa forma, é necessário que ocorra o
processo de digestão, que é onde ocorre a decomposição
do alimento em pequenos fragmentos (Reece, 2017).
Essa redução física da partícula é importante
não apenas para permitir que o alimento flua por um
tubo digestivo relativamente estreito, mas também para
aumentar a área de superfície das partículas de alimento,
facilitando o contato das enzimas digestivas que agem
clivando moléculas maiores em moléculas menores ca-
pazes de serem absorvidas (Klein, 2014).
Dentre as enzimas estudadas no processo diges-
tivo, podemos citar a alfa-amilase salivar e a alfa-amilase
pancreática, que possuem importante participação na
digestão de carboidratos. Durante a digestão, os amidos
da dieta começam a ser clivados na boca pela alfa-amilase
salivar (Reece, 2017). Essa enzima tem como função bio-
lógica dividir o amido em maltose, maltotriose e dextrinas
entretanto, estudos sobre a presença de amilase salivar
em animais são escassos e contraditórios entre literaturas
(Almeida, et al., 2008)
Alguns estudos afirmam a ausência da enzima
alfa- amilase salivar em bovinos adultos ou bezerros
(Young e Schneyer, 1981; Lima, et al., 2013), porém,
outros autores demonstraram a atividade da enzima
alfa-amilase salivar na mesma espécie (Reece, 2017;
Alves, Costa e Moraes, 2016). Nesse contexto, o objetivo
desse trabalho foi analisar a presença ou ausência da
atividade da enzima alfa-amilase na saliva de bovinos e
que este trabalho possa contribuir para estudos futuros
sobre digestão dos ruminantes.
Material e métodos
Coleta de amostras
Para este estudo foram analisadas amostras de
saliva oriundas de animais da Unidade Educativa de Pro-
dução de Zootecnia III do Instituto Federal do Norte de
Minas Gerais (IFNMG) – Campus Salinas, localizado na
Fazenda Varginha, Rodovia MG-404, Km 02, Salinas-MG.
O protocolo experimental desse trabalho foi aprovado pela
Comissão de Ética na Utilização dos Animais (CEUA) do
Instituto Federal do Norte de Minas Gerais sob o protocolo
de número 06/2020.
Foram coletadas treze amostras, onde oito bovi-
nos, fêmeas adultas e em lactação estavam alimentadas
com dieta balanceada, e as outras cinco amostras de
bezerros lactentes. A dieta balanceada era constituída
por 55% de milho, 38% de farelo de soja, 2% de ureia,
3,5% de suplemento mineral, 1% de óleo mineral e 0,5%
de bicarbonato de sódio.
A coleta da saliva foi realizada após a ordenha,
tanto de adultas como lactantes devido a facilidade de
contenção e manejo dos animais. Com o auxílio de luvas
e swab do tipo zaragatoa, as amostras foram coletadas
do vestíbulo oral dos animais através de um esfregaço
(todas em um mesmo dia, no período da tarde) (Figu-
ra 1). Durante a coleta, foram preenchidas fichas que
continham as identificações por brinco, sexo e tipo de
alimentação (Tabela 1).
O swab foi inserido em microtubo tipo eppendorf
(tubo de microcentrífuga Figura 2) para a deposição
da saliva. Os microtubos se encontravam identificados
e com 2 mL de solução fisiológica estéril (NaCl 0,9%).
Posteriormente, o material coletado foi acondicionado
em caixa de isopor com gelo (Figura 2), para serem
conduzidas ao laboratório e armazenadas em freezer de
geladeira e mantidas congeladas a -10°C, para posterior
determinação da presença da atividade da enzima alfa-
-amilase salivar.