CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Presença de Peptostreptococcus indolicus em bula timpânica de cão com otite média
Carlos Artur Lopes Leite
1
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32519
Resumo
A otite média é definida como uma inflamação da orelha média. Em cães, essa condição é uma das causas mais
comuns na manutenção de otite externa recorrente. Tanto bactérias aeróbicas como anaeróbicas estão presentes
na bula timpânica doente, sendo que em algumas circunstâncias, torna-se difícil determinar qual o papel que estes
microrganismos ali exercem. Apesar de a microbiota aeróbica ser frequentemente estudada em cães com otopatias,
poucos dados estão disponíveis sobre os microrganismos anaeróbicos estritos presentes nas orelhas destes pacientes.
Neste relato é revelado o isolamento da bactéria anaeróbica Peptostreptococcus indolicus no exsudato de um cão adulto
da raça São Bernardo com otite média crônica bilateral, se tratando da primeira descrição na literatura veterinária
relacionada à presença desta espécie bacteriana em otite média canina. Com base neste achado, é sugerido que
bactérias anaeróbicas como P. indolicus podem estar relacionadas ao processo infeccioso da orelha média em cães.
Palavras-chave: Bactérias anaeróbicas. Dermatologia. Otologia.
Presence of Peptostreptococcus indolicus in tympanic bulla of dog with otitis media
Abstract
The otitis media is defined as an inflammation of the middle ear. In dogs, this condition is one of the most common
causes of maintaining recurrent otitis externa. Both aerobic and anaerobic bacteria are present in the diseased
tympanic bulla, and in some circumstances, it becomes difficult to determine what role these microorganisms play.
Although the aerobic microbiota is frequently studied in dogs with ear diseases, little data is available on the strict
anaerobic microorganisms present in the ears of these patients. In this report, the isolation of the anaerobic bacteria
Peptostreptococcus indolicus is revealed in the exudate of an adult Saint Bernard dog breed with bilateral chronic otitis
media, being the first description in the veterinary literature related to the presence of this bacterial species in canine
otitis media. Based on this finding, it is suggested that anaerobic bacteria such as P. indolicus may be related to the
infectious process of the middle ear in dogs.
Key words: Anaerobic bacteria. Dermatology. Otology.
1
Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Lavras (UFLA). Lavras, MG. Brasil.
http://orcid.org/0000-0002-0551-9317
*Autor para correspondência: caca@ufla.br
Recebido para publicação em 15 de março de 2021. Aceito para publicação em 26/de junho de 2021.
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Leite, C. A. L.
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Introdução
A otite média (OM) é definida como uma infla-
mação da orelha média, causada por infecção bacteriana,
disseminação hematógena ou mesmo uma extensão de
quadros infecciosos da nasofaringe através da tuba au-
ditiva (Bruyette e Lorenz, 1993; Little et al., 1991). Em
seu estado crônico, a OM é uma afecção potencialmente
destrutiva caracterizada por alterações variáveis e recor-
rentes do epitélio da bula timpânica e estruturas ósseas
adjacentes (Papastavros et al., 1986). Essa condição é
comum em pacientes com otite externa (OE) crônica
não responsiva aos tratamentos clínicos de rotina, cons-
tituindo-se em um dos maiores entraves na cura clínica
das otopatias em cães (Brook e Van de Heyning, 1994).
A OM pode ser primária (rara em cães, como
citam Bruyette e Lorenz, 1993; Gotthelf, 2000) ou, mais
frequentemente, secundária, causada por uma extensão
de um quadro infeccioso de etiologia bacteriana presente
na OE, que avança pelo óstio do meato auditivo até o
interior da bula timpânica (August, 1988). A ruptura
da membrana timpânica nos quadros de OE pode ser
causada pela liberação de proteases bacterianas e lisozi-
mas oriundas de células fagocitárias presentes na região
afetada. Mesmo animais com membranas timpânicas
hígidas podem apresentar OM (Murphy, 2001), embora
não seja o esperado (Little e Lane, 1989).
A microbiota bacteriana dos exsudatos presentes
na bula timpânica de cães otopatas tem sido extensiva-
mente estudada (Griffin, 2020; Paterson et al., 2021),
porém, faltam dados sobre os microrganismos anaeróbicos
estritos possivelmente presentes nesta condição (Gotthelf,
1995). É possível que a caracterização desse grupamento
bacteriano, juntamente com o entendimento sobre a re-
lação entre os diversos gêneros de microrganismos com
o meio e consigo mesmo, possibilite um avanço maior na
área otológica de pequenos animais, que bactérias e
fungos não são considerados fatores desencadeantes de
otites, mas sim mantenedores de um processo instalado
(August, 1988).
As bactérias são os microrganismos mais fre-
quentemente isolados em cães com OM (Colombini et al.,
2000). dois grandes grupos bacterianos em orelhas
doentes: aeróbicos e anaeróbicos. Ambos são considerados
fatores perpetuantes (August, 1988), pois não causam
otopatias de forma direta, mas apenas as mantém. Em
otologia humana, está comprovada a natureza polimi-
crobiana das OM (Brook et al., 1983; Brook et al., 1992;
Brook et al., 1998; Koneman et al., 1994; Papastavros et
al., 1986). É possível que esta associação entre microrga-
nismos exerça um efeito sinérgico final, diferentemente
quando apenas uma espécie bacteriana envolvida.
Apesar de alguns relatos indicarem que 15-35% dos ex-
sudatos presentes na bula timpânica possam ser estéreis
(Soriano, 1997), outras pesquisas comprovam que
resquícios de ácido desoxirribonucleico (DNA) bacte-
riano neste material (Gok et al., 2001). Este DNA pode
ser oriundo de bactérias com baixa viabilidade celular,
clamídias, micoplasmas ou mesmo microrganismos ainda
não conhecidos (Soriano, 1997).
Nos últimos anos, a microbiota anaeróbica pre-
sente no conduto auditivo de cães otopatas vem sendo
investigada com maior cuidado, especialmente o grupo
de anaeróbios estritos, devido a uma possível ação nas
otopatias de pequenos animais (Paterson, 2020). Estas
bactérias podem ser divididas em dois grupos: anaeróbi-
cas obrigatórias e aerotolerantes (Koneman et al., 1994).
Ainda segundo aqueles autores, as bactérias anaeróbicas
obrigatórias (BAO) crescem na ausência de oxigênio
livre, mas não se desenvolvem quando incubadas ao
ambiente ou em incubadoras com 5-10% de CO
2
. Neste
grupo podem ser encontradas bactérias obrigatórias es-
tritas, que não crescem na superfície de meios expostos
ao O
2
atmosférico, e bactérias obrigatórias moderadas,
que podem crescer quando expostas ao ambiente com
2-8% de O
2
. No grupo das bactérias anaeróbicas aeroto-
lerantes (BAA) estão aquelas que se desenvolvem muito
pouco em meios de cultura incubados no ambiente ou
em incubadoras com 5-10% de CO
2
.
Em medicina não até o momento uma defini-
ção exata do papel que as bactérias anaeróbicas possam
exercer na OM (Nwaokorie et al., 2017), porém as pes-
quisas indicam que estes microrganismos possivelmente
mantêm a doença por períodos prolongados (mesmo após
a instituição da terapia), conforme relatos de Paterson
(2020). relatos demonstrando que essas bactérias
anaeróbicas estão envolvidas com OM grave em seres
humanos (Koneman et al., 1994; Amano et al., 2020),
que no ambiente da bula timpânica (baixa tensão de O
2
),
conseguem se desenvolver. É importante ressaltar que as
otopatias descritas em seres humanos possuem caracte-
rísticas que as diferem acentuadamente das encontradas
em cães (Gotthelf, 2000). Entretanto, as comparações são
inevitáveis, ainda mais quando pouco se conhece sobre o
verdadeiro papel da microbiota auditiva anaeróbica no
microambiente de cães otopatas.
relativamente poucos estudos sobre bactérias
anaeróbicas na OM de pequenos animais. No primeiro
relato da presença de uma bactéria anaeróbica no am-
biente auricular de um cão otopata, isolou-se Clostridium
sp (Fraser et al., 1961). Um resultado similar ocorreu
em outra pesquisa (Denny, 1973), em que Clostridium
sp também foi isolado de cães com OM. Em um estudo
posterior utilizando 23 cães com OM crônica bilateral,
bactérias anaeróbicas foram encontradas em 1,3% das
orelhas examinadas, porém não foi realizada a classifi-
cação taxonômica desses microrganismos (Cole et al.,
1998).
A bactéria Peptostreptococcus é um microrganis-
mo anaeróbico estrito, Gram-positivo e não esporulado,
que ocorre em pares, tétrades, massas irregulares ou em
cadeias. Este gênero foi isolado de abscessos na vesícula
urinária (100%), vagina (87%), pênis (86%), rins (83%)
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e uretra (71%) em seres humanos (Hnatko, 1983). O
Peptostreptococcus também foi isolado em outros processos
mórbidos, como abscessos periapicais (68%), ferimentos
penianos (66%) e abscessos das mamas (51%), além de
membranas placentárias de mulheres gestantes, espe-
cialmente nos partos prematuros (Hnatko, 1983). Em
Medicina Veterinária, este gênero bacteriano foi isolado
tanto de animais hígidos quanto doentes, incluindo o
ambiente ótico (Quadro 1).
Quadro 1 - Isolamento de Peptostreptococcus sp em Medicina Veterinária de acordo com espécie animal, localização
anatômica e quadro patológico.
ESPÉCIE LOCALIZAÇÃO ANATÔMICA QUADRO PATOLÓGICO AUTORIA
CANINA
Gengiva Doença periodontal Valdez e Vallejo (2020)
Pleura Piotórax
Maggio et al. (2011)
Coração Depressão miocárdica pós-sepse
Dickinson et al. (2007)
Ossos
Osteomielite em pós-cirúrgico de
fixação esquelética externa
Carneiro et al. (2001)
Ouvidos
(Animais hígidos) Shuiquan et al. (2020)
FELINA
Cavidade bucal Estomatite
Santos et al. (2019)
Pleura Piotórax
Maggio et al. (2011)
EQUINA Gengiva Abscesso periodontal
Kern et al. (2016)
BOVINA
Útero Endometrite
Peng et al. (2013)
Vagina Vaginite Husted (2003)
Fígado Abscessos Silva (2018)
AVE
(Avestruz)
Sistema gastrintestinal
(Animais hígidos) Marinho et al. (2004)
Após a identificação do agente etiológico pre-
sente na orelha média de cães otopatas, a escolha do
princípio ativo a ser empregado deve basear-se nos testes
de sensibilidade aos antimicrobianos (Gotthelf, 2000).
Entretanto, tal como descrito por Reig et al. (1992), apesar
dos padrões de resistência antimicrobiana de bactérias
anaeróbias serem considerados altamente preditivos,
não é rotineira a realização dos testes de sensibilidade
antimicrobiana com este tipo de microrganismo, dificul-
tando uma escolha adequada da base farmacológica a
ser empregada em cada caso. Assim, se torna dificultosa
a operação de comparação entre raros estudos que, adi-
cionalmente, utilizam métodos de avaliação diferentes.
O perfil de resistência antimicrobiana (PRA) de
P. indolicus é variável de acordo com os poucos relatos
disponíveis. Reig et al. (1992) relataram que diferentes
cepas mostram diferentes taxas de PRA. Adicionalmente,
esses pesquisadores citaram que pesquisas diversas com
o gênero Peptostreptococcus revelando, principalmente, seu
PRA para antibióticos dos grupos dos macrolídeos (como
a eritromicina) e lincosamidas (como a clindamicina).
Nestas avaliações, de métodos microbiológicos que se
diferenciam entre si, atestaram-se tanto PRA de baixa
ou nula sensibilidade (Concentração Inibitória Mínima,
CIM, menor que 1mg/mL) até grande resistência antimi-
crobiana (CIM maior que 8mg/mL). Ainda segundo estes
autores, 62% das amostras testadas (de um total de 350
cepas) revelaram resistência cruzada entre clindamicina
e eritromicina. o Comitê Nacional para Padrões Labo-
ratoriais Clínicos (NCCLS, 1990) sugeriu PRA de 26,3%
(para a clindamicina) e 55,2% (para a eritromicina).
É possível que, seguindo o padrão das BAO, o
gênero Peptostreptococcus seja sensível ao metronidazol.
Muitos quadros de OM humana são tratados com este
nitroimidazólico, que cerca de um terço da microbiota
bacteriana nestes casos é composta por BAO (Jokipii et
al., 1978; Jokipii e Jokipii, 1981); logo, é comum a sua
utilização na rotina terapêutica da OM humana (Brook e
Van de Heyning, 1994; Papastavros et al., 1986; Soriano,
1997).
Relato de Caso
Foi atendido no Hospital Veterinário do Departa-
mento de Medicina Veterinária da Universidade Federal
de Lavras (DMV/UFLA) um cão da raça São Bernardo,
macho, idade de cinco anos e dez meses e pesando 63kg.
Seu longo histórico de otopatia se iniciou quando tinha
dois anos de idade, com otite externa bilateral recidivante.
Neste período foi sendo tratado alternadamente por di-
versos protocolos terapêuticos específicos para otopatias,
sempre com remissões do quadro clínico otopático inicial.
Leite, C. A. L.
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No momento da consulta estava sem qualquer intervenção
medicamentosa ou de manejo há pelo menos 30 dias.
Ao exame físico, as alterações observadas clinica-
mente foram rarefação pilosa em todo o corpo, aumento
de tamanho dos linfonodos mandibulares, linfonodos pa-
rotídeos reativos, otalgia à palpação das regiões periaural
e aural, otorreia mucopurulenta bilateral, com descarga
moderada e odor pútrido, estenose mediana dos óstios
dos condutos auditivos externos, hiperpigmentação me-
lânica moderada das escafas e concreções ceruminosas
dispersas na entrada dos canais verticais.
O paciente foi conduzido para a realização de
exames otológicos específicos (otoscopia direta, radio-
logia convencional, canalografia, citologia auditiva e
microbiologia ótica).
No momento da realização dos testes otológicos
específicos, o paciente foi submetido à medicação pré-
-anestésica (MPA) com uma associação de xilazina
2
2%
(0,5mg/kg, IM) e morfina
3
1% (1,0mg/kg, IM); a indu-
ção anestésica foi realizada com tiopental sódico 2,5%
(10,0mg/kg, IV) e a manutenção da anestesia executada
com isoflurano
4
(1,5 V%). Os condutos auditivos foram
examinados utilizando-se otoscópio portátil
5
com cones
esterilizados. Neste mesmo momento, o exsudato foi
colhido por meio de uma sonda metálica
6
, introduzida
através do espéculo otológico, o mais profundamente
possível dentro da bula timpânica. Em seguida, o material
intracavitário da bula timpânica foi aspirado para uma
seringa descartável estéril de 10mL, sendo imediatamente
acondicionada em ambiente anaeróbico para posterior
análise microbiológica. Concluída esta etapa, swabs esté-
reis foram introduzidos o mais profundamente possível na
porção ventral de cada bula para confecção de esfregaços
da parede do espaço timpânico, se tomando a precaução
de evitar a cadeia ossicular e os ramos simpáticos do nervo
facial na face dorsomedial do arcabouço ósseo. Por fim,
foram realizados os exames radiográficos convencionais
(posicionamento oblíquo dorsoventral a 20° direito e
esquerdo e rostrocaudal a 30° com boca aberta) e con-
trastado positivo (canalografia, segundo técnica descrita
por Trower et al., 1988), utilizando solução radiopaca
não iônica
7
(posicionamento dorsoventral).
Imediatamente após a colheita do exsudato in-
tracavitário, as amostras foram inoculadas em placas de
Petri contendo ágar tioglicolato e ágar sangue anaerobiose
(em duplicata). As placas foram então acondicionadas
em jarra anaeróbica hermética
8
com gerador químico de
2
Xilazin®, Syntec - Brasil.
3
Sulfato de morfina injetável 10mg/mL, Hipolabor Farmacêutica - Brasil.
4
Vetflurane®, Virbac - Brasil.
5
Diagnostic Set # 3003®, Gowllands Medical Devices, Ltd - Reino Unido.
6
Malleable Stylette for Jet Ventilator w/ Luer Lock® 20cm, Anesthesia
Associates, Inc. - EUA.
7
Omnipaque®, GE Healthcare Co., Ltd - China.
8
Jarra para Anaerobiose ®, Probac do Brasil Produtos Bacteriológicos
Ltda. - Brasil.
ambiente anaeróbico
9
, sendo incubadas a 37°C por 48-
72h, de acordo com recomendações de NCCLS (1990).
Todos os microrganismos que se desenvolveram nestas
condições foram identificados por métodos bioquímicos
usuais de rotina utilizados em microbiologia (Koneman et
al., 1979; Koneman et al., 1994; Hillier e Moncla, 2007).
Para fins de diferenciação entre BAO (só crescem
na ausência de oxigênio) e BAA (crescem tanto na ausên-
cia ou na presença de oxigênio), foi realizada replicação
das cepas com crescimento positivo em placas de ágar
sangue e mantidas em estufa a 37°C por 48-72h e com
tensão de oxigênio ambiente.
A avaliação da sensibilidade antimicrobiana foi
realizada em ambiente anaeróbico, como descrito ante-
riormente para cultura e isolamento de BAO, utilizando
o método preconizado por Wilkins e Thiel (1973) através
de baterias de microdiluição em caldo infusão cérebro-
-coração
10
enriquecido com extrato de levedura 0,5%.
Após dupla testagem, foram anotadas as concentrações
inibitórias mínimas para os seguintes antibióticos: am-
picilina (AMP), cefotaxima (CTX), cefoxitina (CFO),
cloranfenicol (CLO), clindamicina (CLI), eritromicina
(ERI), metronidazol (MTZ) e penicilina G (PEN). Para
efeitos de análise e comparação de resultados, foram
utilizados os dados propostos por Reig et al. (1992) na
determinação de CIM para o gênero Peptostreptococcus.
Resultados e discussão
Ao exame otoscópico, foi detectada ruptura bi-
lateral total da membrana timpânica, além de alterações
progressivas do epitélio dos condutos auditivos (horizontal
e vertical) sugerindo hiperceratose. Murphy (2001) cita
a possibilidade de OM com manutenção da integridade
da membrana timpânica, o que não foi encontrado neste
estudo. Provavelmente esta condição não ocorreu em
função da cronicidade do caso, que a OM com tímpano
íntegro é mais comum nos casos agudos (Little e Lane,
1989).
As projeções radiográficas revelaram alterações no
contorno da bula timpânica, proliferação óssea com lise,
aumento da radiopacidade intracavitária e deformação
do arcabouço timpânico. Estes achados são conclusivos
para estabelecer o diagnóstico de OM (Little e Lane, 1989;
Little et al., 1991; Gotthelf, 1995). O procedimento de
canalografia demonstrou ser útil nos casos em que havia
ruptura timpânica sem que fosse revelado pela otoscopia,
como preconizado por Trower et al. (1998).
A citologia auditiva revelou acentuada descama-
ção epitelial substanciada pelo excesso de ceratinócitos
por campo examinado em ambas as orelhas. A presença
de células cuboidais típicas do epitélio respiratório da bula
timpânica confirmou a ruptura do tímpano e o quadro
instalado de OM média bilateral. Também foi acusada a
9
Anaerobac®, Probac do Brasil Produtos Bacteriológicos Ltda. - Brasil.
10
Caldo Infusão Cérebro-Coração (BHI)®, Prolab - Brasil.
Presença de Peptostreptococcus indolicus em bula timpânica de cão com otite média
5
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presença de poucos cocos Gram-positivos e abundância
de cordões fibrinosos, este último achado suportando a
evolução crônica da síndrome ótica. Estes achados estão
de acordo com a descrição de diversos autores para cães
otopatas crônicos (August, 1988; Brook et al., 1983, Brook
et al., 1992; Bruyette e Lorenz, 1993; Brook et al., 1998).
O P. indolicus foi isolado de ambas as bulas tim-
pânicas. As análises bioquímicas e suas características de
cultivo estão dispostas no Quadro 2. De acordo com Hillier
e Moncla (2007), os cocos Gram-positivos anaeróbicos
normalmente são isolados em conjunto com outros micror-
ganismos, o que pode ser constatado neste trabalho, pois
P. indolicus foi isolado em associação com outras bactérias
(Pseudomonas aeruginosa e Aerobacter aerogenes).
Quadro 2 - Testes bioquímicos e características de cultivo de Peptostreptococcus indolicus isolado do exsudato da bula
timpânica de cão da raça São Bernardo (macho, adulto) com otite média bilateral.
DESCRIÇÃO RESULTADO
Produção de pigmento negro em ágar tioglicolato Negativo
Produção de coagulase Positivo
Teste do indol Negativo
Redução de nitrato Positivo
Produção de urease Negativo
Fermentação de celobiose Negativo
Fermentação de glicose Negativo
Fermentação de lactose Negativo
Fermentação de maltose Negativo
Fermentação de sacarose Negativo
Apesar de Cole et al. (1998) também terem iso-
lado bactérias anaeróbicas da orelha média, uma com-
paração mais estreita com os achados deste trabalho
não pode ser efetuada, que aqueles pesquisadores não
procederam à identificação dos microrganismos envolvi-
dos.
Os outros dois estudos referentes ao isolamento de
bactérias anaeróbicas da bula timpânica de cães otopatas
(Denny, 1973; Fraser et al., 1961) também não servem
para efeito de comparação com esta pesquisa, já que se
referem a outro gênero bacteriano (no caso Clostridium).
O significado da presença de P. indolicus em OM
deve ser considerado com muita cautela. A probabilidade
desta espécie representar uma contaminação ambiental é
mínima, em grande parte devido ao isolamento duplo de
bulas diferentes (uma de cada orelha, apesar de serem do
mesmo animal). Este gênero de bactéria anaeróbica está
relacionado com quadros graves de OM em seres huma-
nos como afirmado por Hnatko (1983), mas nenhuma
informação foi fornecida para cães. É possível que o P.
indolicus possa assumir um papel importante como um
fator perpetuante em cães com OM, em especial pelo
metabolismo diferenciado, com consequente produção de
substâncias potencialmente nocivas ao ambiente auricular.
De relevância clínica também se deve citar a possibilidade
deste microrganismo disseminar-se para diversos órgãos
corporais - como o cérebro, causando meningite e óbito
em seres humanos (Jokipii e Jokipii, 1981; Gok et al.,
2001).
O PRA obtido está representado na Figura 1. Uti-
lizando como referência a pesquisa de Reig et al. (1992),
se pode verificar que os antibióticos pertencentes ao
grupo dos penicilínicos (ampicilina e penicilina G) e
das cefalosporinas (cefotaxima e cefoxitina) foram mais
eficientes in vitro contra P. indolicus. Estas classes de
antibióticos têm sido mais utilizadas na terapia da OM
canina, principalmente em função do seu amplo espectro
antibacteriano, baixo custo, facilidade de administração
e reduzido índice de efeitos colaterais.
Pode-se ressaltar nesta pesquisa a baixa eficácia
in vitro dos antibióticos clindamicina, eritromicina e me-
tronidazol. A clindamicina, um antibiótico do grupo das
lincosamidas, é utilizada na terapia sistêmica de otopatias,
principalmente por causa de sua grande lipossolubilidade.
Entretanto, face ao extenso perfil de resistência por parte
da microbiota do conduto doente, seu uso clínico vem
caindo em desuso (Gotthelf, 2000).
O metronidazol, um composto azólico de proprie-
dades antibacterianas fracas, não possui muita valia nos
casos de OE/OM em medicina veterinária (Colombini et
al., 2000). Este antibiótico possui uma ação comprovada
sobre bactérias anaeróbicas (Koneman et al., 1979; Ko-
neman et al., 1994), porém, neste estudo, sua eficácia foi
baixa. Alguns pesquisadores relatam que o metronidazol
possui boa ação contra anaeróbios presentes na orelha
média de pacientes humanos (Jokipii e Jokipii, 1981;
Jokipii et al., 1978), sendo comum a sua utilização na
rotina clínica otológica (Brook e Van de Heyning, 1994;
Papastavros et al., 1986; Soriano, 1997). Apesar de se ter
Leite, C. A. L.
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apenas uma amostra de P. indolicus para se avaliar frente
ao PRA, se pode sugerir que o resultado encontrado para
os antibióticos eritromicina e clindamicina seguiram o
padrão ditado por NCCLS (1990) e Reig et al. (1992),
que apontaram grande percentual de PRA para ambos
as bases antibióticas.
Figura 1 - Concentração inibitória mínima (CIM) a antibióticos selecionados, frente à Peptostreptococcus indolicus isolado
do exsudato da bula timpânica de cão da raça São Bernardo (macho, adulto) com otite média bilateral.
Conclusão
O isolamento de Peptostreptococcus indolicus da
orelha média de cão com otite média crônica sugere que
este microrganismo possa ter alguma função na etiologia
e desenvolvimento da otopatia, sendo necessária escolha
criteriosa do antibiótico a ser utilizado, com preferência
para aqueles dos grupos penicilínicos ou cefalosporinícos.
Agradecimentos
CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior.
CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico.
UFLA - Universidade Federal de Lavras.
Referências
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