CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Suínos em fase de terminação mantidos em ambiente enriquecido
Daniela Paulino Parreira
1
; Jean Kaique Valentim
2
*; Adriano Geraldo
3
; Sandra Regina Faria
4
; Silvana Lúcia dos
Santos Medeiros
5
; Janaína Palermo Mendes
6
; Ariadne Freitas Silva
7
; Rita Therezinha Rolim Pietramale
8
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
Resumo
A finalidade com a presente pesquisa foi avaliar o comportamento dos suínos na fase de terminação considerando a
introdução de um brinquedo na instalação como forma de enriquecimento ambiental. Foram utilizados 26 suínos da
linhagem Agroceres, distribuídos em um delineamento inteiramente casualizado, em dois tratamentos, T1: Controle
sem enriquecimento ambiental e T2: Ambiente enriquecido, utilizando pneus, com 13 repetições cada. Cada animal
foi avaliado individualmente, sendo considerado, portanto uma repetição experimental. O comportamento dos suí-
nos foi observado segundo a metodologia por amostragem focal instantânea, três vezes ao dia, por um período de
uma hora em cada observação, durante dez dias consecutivos. Foi utilizado o programa estatístico SISVAR aplicando
o teste F de probabilidade para comparação dos comportamentos entre os tratamentos. Os animais mantidos em
tratamento enriquecido passaram cerca de 16% do tempo interagindo com pneu, e menos tempo interagindo com
a lâmina d’agua (P<0,05) e em contrapartida, animais do grupo controle apresentaram maior frequência de com-
portamentos lúdicos, brincando uns com os outros. A utilização de pneus em baias de suínos na fase de terminação
pode ser utilizada como forma de enriquecimento ambiental, propiciando um ambiente mais confortável e dinâmico
para estes animais confinados.
Palavras-chave: Bem-estar animal. Engorda de leitões. Enriquecimento ambiental.
Swine in fattening phase on enriched environment
Abstract
The purpose of this research was to evaluate the behavior of pigs in the finishing phase considering the introduc-
tion of a toy in the installation as a form of environmental enrichment. We used 26 pigs of the lineage Agroceres,
distributed in a completely randomized design, in two treatments, T1: Control without environmental enrichment
and T2: enriched environment, using tires, with 13 replications each. The animal was evaluated individually, being
considered, therefore, an experimental repetition. The behavior of pigs was observed according to the methodology
1
Instituto Federal de Minas Gerais campus Bambuí. Bambuí, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-1350-8439
2
Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Dourados, MS. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-8547-4149
3
Instituto Federal de Minas Gerais campus Bambuí. Bambuí, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-5342-6863
4
Instituto Federal de Minas Gerais campus Bambuí. Bambuí, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-9947-4633
5
Instituto Federal de Minas Gerais campus Bambuí. Bambuí, MG. Brasil.
https://orcid.org/ 0000-0001-8770-3339
6
Universidade Federal de Campo Grande. Campo Grande, MS. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-7860-0933
7
Universidade Estadual de Montes Claros, Montes Claros, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-4378-4733
8
Universidade Federal da Grande Dourados. Dourados. Dourados, MS. Brasil.
https://orcid.org/ 0000-0002-5353-0000
*Autor para correspondência: kaique.tim@hotmail.com
Recebido para publicação em 26 de Março de 2021. Aceito para publicação 30 de Junho de 2021
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Parreira, D. P. et al.
2
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–06, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
by instantaneous focal sampling, three times a day, for 1 hour in each observation, for ten consecutive days. The
SISVAR statistical program was used to apply the probability F test to compare the behaviors among the treatments.
The animals on enriched environmental treatment spent about 16% of the time interacting with the tire, and less time
interacting with the water blade (P < 0.05) and in contrast, animals in the control group had a higher frequency of
playful behaviors, playing some with the others. The use of tires in pigs’ stalls in the finishing phase can be used as a
form of environmental enrichment, providing a more comfortable and dynamic environment for these confined animals.
Keywords: Animal Welfare. Environmental enrichment, Fattening Pig.
Introdução
A suinocultura tem avançado como atividade
econômica e se encaixado em modelos produtivos de alto
faturamento, além de estar gerando empregos e fonte de
renda à muitas famílias (Campos et al., 2010). Desta for-
ma, com a expressividade de sua importância econômica,
a produção de suínos tem sido alvo de investimentos em
tecnologias de manejo e sistemas produtivos para aten-
der a demanda mercadológica e se adequar a aspectos
de sustentabilidade, como é o caso do bem-estar animal
(Pietramale et al., 2020). Ao buscar atender a demanda
tecnológica e se adequar a aspectos exigidos pelo mercado
consumidor, a produção de suínos obteve como resultado
mudanças dentro da atividade, procedendo em mudanças
pontuais como o melhoramento genético, que acentuou
a produtividade dos animais dentro de períodos mais
curtos, o que ocasionou na concentração de produção
diminuindo o espaço e o tipo de instalação para facilitar
os manejos necessários (Silva et al., 2021).
O mercado consumidor tem estado cada dia mais
presente nas reivindicações sobre os processos produtivos
dos alimentos que estes consomem, posicionando-se cada
dia mais sobre questões de sanidade, meio ambiente e
bem-estar animal (Alcântara Araújo et al., 2020). As
questões sanitárias envolvem-se com as questões nutri-
cionais, em primeiro ponto e, em segundo ponto, com
as questões comportamentais dos animais (Barros et al.,
2019). Sobre o comportamento dos animais, ressalta-se
que este se encaixa na temática do bem-estar animal, e
que tem gerado discussões e questionamentos sobre o
atual sistema suinícola brasileiro. A suinocultura no Brasil,
têm investido em produzir carne suína sanitariamente e
ambientalmente segura, socialmente e economicamente
justa, atendendo aos princípios éticos de produção de
alimentos com qualidade (Miranda-de La Lama et al.,
2017).
Grunert, Sonntag, Glanz-Chanos & Forum (2018)
definem o bem-estar animal como um conjunto de com-
portamentos que o animal possui para expressar seus
sentimentos e emoções. Ao demonstrarem seus hábitos
naturais, os animais também expõem suas condições de
sanidade fisiológica, que muitas vezes refletem a harmo-
nia, ou não, do ambiente ao qual eles foram alojados.
Por serem seres sensitivos, o bem-estar não pode ser
relacionado apenas com a condição física do animal, mas
também com o seu suposto estado emocional, expressado
por suas ações e/ou comportamentos diários (Cecchin et
al., 2020).
Um exemplo de mecanismo de medida de bem-
-estar é o estresse e a partir dele, surgiu o programa de
enriquecimento ambiental, que é designado a identificar
os sinais de estresse e comportamentos anormais e buscar
soluções práticas e econômicas, inserindo objetos dentro
das instalações, que vai ao encontro das necessidades
atuais deixando o ambiente mais interessante para os
animais (Clark et al., 2017). Uma das medidas de redu-
ção do estresse dos animais é a utilização de objetos que
possam distrair os suínos, colocando-os em situação de
diversão e interação com o meio (Bezerra et al., 2019).
O uso de enriquecimento ambiental objetiva favorecer
a expressão comportamental das espécies, evitando que
as alterações das mesmas possam prejudicar o bem-estar
físico, psíquico e a produtividade dos animais (De Andrade
et al., 2019). Este tipo de manejo consiste na colocação
de objetos e “brinquedos” similares para quebrar a mo-
notonia do ambiente físico (Ferreira et al., 2014).
Os suínos posicionam-se como um dos animais de
produção de maior expressão cognitiva, segundo Dawkins
(2017), pois os mesmos apresentam-se bastante curiosos,
com alta alta aptidão de aprendizagem e memorização,
além de ser dotado de um complexo repertório compor-
tamental. Em estudos com leitões em creche, Bezerra et
al., (2019) relataram que o enriquecimento ambiental
com objetos facilmente adquiridos, como garrafas pet e
correntes, proporcionou bons resultados comportamen-
tais, principalmente quanto a redução de caudofagia,
ociosidade, além de aumentar a interação entre leitões na
fase de crescimento, o que justifica a demanda por mais
estudos que exponham como os suínos se comportam
com a presença de enriquecimento ambiental.
Devido ao exposto, este trabalho teve como obje-
tivo principal observar como o enriquecimento ambiental
implantado em instalações destinadas a suínos na fase
de terminação afetam o comportamento dos animais ali
alojados.
Material e Métodos
A realização do experimento ocorreu no Setor de
Suinocultura do Instituto Federal de Minas Gerais/IFMG
Suínos em fase de terminação mantidos em ambiente enriquecido
3
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–06, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
Campus Bambuí, localizado na zona rural do município
de Bambuí - MG, na região Centro-Oeste de Minas Ge-
rais. O clima da região, de acordo com a classificação de
Köppen (1931), é Cwa (temperado quente mesotérmico;
chuvoso no verão e seco no inverno).
O experimento foi realizado durante um perío-
do de 30 dias, sendo utilizados 26 suínos da genética
AgPic®, com idade média de 90 dias e cerca de 57 kg
PV. O ensaio foi implantado em um delineamento intei-
ramente casualizado, com dois tratamentos, sendo T1 o
tratamento controle sem enriquecimento ambiental, e
T2 o tratamento com o ambiente enriquecido, com 13
repetições cada tratamento. Os objetos utilizados para
enriquecer os ambientes do T2 foram pneus do modelo
175/70 R13 Sport, e estes ficavam suspensos por um fio
de arame fixado na viga do telhado da instalação.
As baias eram coletivas, porém os animais eram
observados individualmente de acordo com a metodolo-
gia por amostragem focal instantânea, citada por Gomes
et al. (2018), três vezes ao dia, por um período de uma
hora em cada observação, durante 30 dias consecutivos.
A amostragem focal instantânea consiste na observação
do animal de forma que não haja interferências externas,
onde o observador fixa o olhar no animal, durante o tem-
po pré-determinado, não deixando de anotar nenhuma
ação do indivíduo. Para que o uso da metodologia fosse
possível foi necessário marcar os animais com suas res-
pectivas identificações de acordo com o tratamento e o
número da repetição.
As instalações das baias eram lado a lado e se-
guiam as seguintes metragens: 3,40 x 3,3m, com área
total de 11,22 m², direito de 2,65 m, a área da lâmina
d’água era de 90 cm de largura com 15 cm de profundi-
dade. O muro de divisão entre as baias era de 1,00 m de
altura, contendo uma porta de passagem medindo 0,8 m
de largura x 1,00 m de altura, confeccionada em madeira,
situada no meio do muro. A cobertura do prédio era de
telha cerâmica, com a finalidade de reduzir o desconforto
térmico causado pela incidencia solar conforme o clima
da região.
Optou-se pelo pneu por ser um objeto feito de
material maciço e que permite a mastigação, movimen-
tação e, principalmente, não coloca em risco a saúde do
animal. Durante três dias anteriores aos dias de experi-
mento foram realizadas pré-observações com a finalidade
de elaboração do etograma onde eram anotados as ações
triviais dos animais de acordo com o quadro de com-
portamentos (Quadro 1). Para a elaboração do mesmo
foram observados e anotados os comportamentos que
eram realizados com maior frequência pelos suínos dos
dois tratamentos.
Quadro 1 – Comportamentos dos suínos observados na fase de terminação.
Comportamento Descrição
Brincando com o pneu (BCP) Animal fuçando, empurrando ou abocanhando o pneu.
Brincando entre eles (BEE) Animal correndo dentro da baia ou apoiado sob o outro.
Dormindo ou deitado (DD) Animal deitado com o corpo em contato com o piso.
Fuçando a baia (FB) Animal deitado com o corpo em contato com o piso.
Fuçando o outro (FO) Animal fuçando o piso da baia ou o comedouro.
Ingerindo água ou alimento (IAA) Animal ingerindo alimento (ração ou água) no comedouro ou bebedouro.
Dentro da lâmina d’água (DDL) Animal deitado ou locomovendo-se dentro da lâmina d’água.
Foram considerados os 30 dias de observação
experimental com coleta de dados nos horários de 7h a
8h, 12h a 13h e 16h a 17h. Preocupou-se em manter a
mesma pessoa como observador, evitando interferências
externas sobre os comportamentos dos animais. As co-
letas eram realizadas de maneira que os animais não se
assustassem com a presença do coletor dos dados, pois
durante todos os dias, o observador chegava ao local e
ficava um minuto parado no ponto de observação para
que posteriormente fosse feita a anotação dos compor-
tamentos visualizados.
Os dados foram verificados quanto à normali-
dade dos resíduos utilizando-se o teste de Shapiro-Wilk
e homogeneidade das variâncias com uso do teste de
Levene. Posteriormente, foi realizada uma estatística
descritiva sobre os dados numéricos anotados e com as
médias obtidas foram realizadas análises de variância
e aplicado o teste Quiquadrado a 1 % de probabilidade
utilizando o programa Sisvar (Ferreira, 2000).
Resultados e discussão
Conforme o observado na Tabela 1, o enrique-
cimento ambiental com o pneu alterou determinados
comportamentos dos animais. Para os comportamentos
“Brincando com o pneu” houve diferença significativa
(P<0,01) entre tratamentos, mostrando assim que os
suínos tiveram interesse neste objeto.
Parreira, D. P. et al.
4
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–06, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
Tabela 1 – Percentual de animais expressando cada comportamento de acordo com os tratamentos
Variáveis Comportamentais Baia enriquecida (%) Baia não enriquecida (%)
BCP** 16,10 0,00
BEE** 1,02 5,88
DD 20,25 16,38
DDL** 17,01 24,14
FB 11,87 13,83
FO 5,88 8,87
IAA 27,85 30,90
*P<0,05; **P<0,01; BCP - Brincando com o pneu, BEE: Brincando entre eles, DD - Dormindo ou deitado, DDL - Dentro da lâmina d’água, FB - Fu-
çando a baia, FO - Fuçando o outro, IAA - Ingerindo água ou alimento; CV: Coeficiente de variação.
Carlstead e Shepherdson (2000), disseram que a
redução do estresse, a diminuição de distúrbios comporta-
mentais, a redução de intervenções clínicas, a diminuição
da mortalidade e o aumento de taxas reprodutivas são
alguns benefícios do enriquecimento ambiental.
Outra observação foi que, também houve diferen-
ça (P<0,01) para o comportamento “Dentro da lâmina
d’água” e “Brincando entre eles”, sendo este maior nos
suínos da baia sem enriquecimento, demonstrando que
a forma que os suínos encontraram para diminuir o seu
estresse seria aumentando o contato direto com os outros
indivíduos e permanecendo por mais tempo dentro da
lâmina d’água. Dos Santos et al., (2018), ao avaliar o uso
de lâmina d’água como forma de enriquecimento ambien-
tal em baias de piso de concreto na criação de animais
na fase de creche, relataram que a presença da lâmina
d’água proporcionou melhores condições de bem-estar,
resultando em diferentes respostas comportamentais na
lâmina d’água, sendo este mais expressivo no período da
tarde, entretanto, não influenciou no ganho de peso dos
animais, entretanto.
A introdução do pneu no ambiente teve como
objetivo estimular os animais a explorarem mais o am-
biente onde estão confinados, sendo que isso permitiu
demonstrar que o estímulo surtiu o efeito esperado sob
os animais. Os suínos tiveram maior interesse em brincar
com o pneu adicionado na baia, demonstrando caráter
mais exploratório (atributo inerente aos suínos), o que
caracteriza maior bem-estar para os animais, o que tam-
bém foi observado por Melotti et al., (2011).
Kiefer et al., (2009) trabalhando com suínos
mantidos em diferentes temperaturas na fase de cres-
cimento concluiu que os animais passaram, em média,
apenas 10% do tempo avaliado em atividade (explorando
o ambiente e buscando alimento). Apesar de não ter sido
mensurado o tempo de permanência de cada comporta-
mento, observou-se que os suínos da baia sem enriqueci-
mento ambiental permaneceram em ócio por mais tempo,
enquanto que os da baia com enriquecimento ficaram
mais ativos e com uma maior movimentação na instala-
ção. Bezerra et al., (2019) avaliando o enriquecimento
ambiental de suínos na fase de creche, relataram que as
fontes de enriquecimento estimularam comportamentos
positivos nos leitões, tendo a corda se destacado como o
mais atrativo.
Segundo Douglas et al., (2012) em seu trabalho
com enriquecimento ambiental na fase de terminação
discorrem que em ambientes enriquecidos o estado emo-
cional dos animais se mostrou positivo, e isso trouxe
melhorias ao seu bem-estar. Gomes et al., (2018), des-
crevem que animais em confinamento são restritos a
expressar comportamentos compatíveis com aqueles que
o ambiente lhes permite realizar, consequentemente, eles
não conseguem realizar comportamentos característicos
da espécie e começam a desenvolver comportamentos
anormais, como estereotipias. O fato de os suínos em
terminação permanecerem grande parte do dia dormindo
ou deitados pode ser explicado pelo maior peso do animal
e a dificuldade de se locomover na baia (Medeiros et al.,
2014).
Jansen et al., (2009), investigando os efeitos
do enriquecimento ambiental sobre as características
cognitivas de suínos, relatam que os efeitos aparentes
do enriquecimento ambiental sobre a aprendizagem e a
memória em suínos podem refletir diferenças nos padrões
exploratórios, e não nos processos cognitivos. Zwicker et
al., (2013) em sua pesquisa avaliou oito tipos de disposi-
tivos de enriquecimento, e concluíram que os materiais
utilizados para enriquecimento ambiental com o tempo
são considerados normais ou monótonos pelos suínos, e
enfatizam a importância do tipo do enriquecimento para
instigar o comportamento exploratório dos animais.
Ricci et al., (2018) avaliando o comportamento
de machos suínos a partir da inserção de correntes e
pneus como enriquecimento ambiental em confinamento,
relataram que o pneu e melhor método de entretenimento
quando comparado ao uso de correntes. Tal observação
corrobora com os achados neste estudo, que o enri-
quecimento com pneu transpareceu um efeito estatisti-
Suínos em fase de terminação mantidos em ambiente enriquecido
5
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–06, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
camente significativo sobre o interesse e comportamento
dos animais.
Conclusões
O uso do pneu como forma de enriquecimento
ambiental mostrou-se eficaz em transformar a baia em
um espaço mais dinâmico e desafiador, dessa forma,
aumentando o bem-estar de suínos em confinamento,
favorecendo o comportamento padrão da espécie e con-
tribuindo para a diminuição de incidências de possíveis
estereotipias.
Devido aos achados literarios, o enriquecimento
ambiental é uma alternativa viável para todas as fases
de produção de suínos, visto ao ganho em bem-estar dos
animais que pode ser refletido na produção dos mesmos.
Referências
Alcântara Araújo, G. G., Valentim, J. K., Marques, O. F. C., Lopes, I. M. G.,
de Souza, J. P., Maciel, F. R., & Silva, B. A. N. (2020). Potencialidades e
valorização da raça de suíno nativo Piau no contexto dos assentamentos
de reforma agrária. RealizAção, 7(13), 145–154. doi: https://doi.
org/10.30612/realizacao.v7i13.11517.
Barros, D. S., Valentim, J. K., Medeiros, S. L. D. S., Faria, S. R., Pereira, I.
D. B., Pietramale, R. T. R., ... & Garcia, R. G. (2019). Vinasse in the diet
of lactating sows and its effect on litter. Acta Scientiarum. Animal Sciences,
42. doi: http://dx.doi.org/10.4025/actascianimsci.v42i1.48152.
Bezerra, B. M. O., Silva, S. S. C., Oliveira, A. M. A., Silva, C. V. O.,
Parente, R. A., Andrade, T. S., ... & Pinheiro, D. C. S. N. (2019).
Evaluation of stress and performance of pigs during the nursery phase,
using environmental enrichment techniques. Arquivo Brasileiro de
Medicina Veterinaria e Zootecnia, 71(1), 281–290. doi: http://dx.doi.
org/10.1590/1678-4162-10209.
Campos, J. A., de FF Tinôco, I., Fabyano, F., Pupa, J. M., & da
Silva, I. J. (2010). Enriquecimento ambiental para leitões na fase
de creche advindos de desmame aos 21 e 28 dias. Revista Brasileira
de Ciências Agrárias, 5(2), 272–278. doi: https://www.redalyc.org/
pdf/1190/119016982019.pdf.
Carlstead, K., & Shepherdson, D. (2000). Alleviating stress in zoo
animals with environmental enrichment. The biology of animal stress:
Basic principles and implications for animal welfare, 337–354.
Cecchin, D., Sousa, F. A., Amaral, P. I. S., de Oliveira Castro, J., do
Carmo, D. D. F., Ferraz, P. F. P., ... & da Cruz, V. M. F. (2020). Welfare
in pig housing-Brazilian and Portuguese legislation. Journal of Animal
Behaviour and Biometeorology, 6(3), 77–83. doi: https://www.
researchgate.net/profile/Daiane_Cecchin/publication/324966435.
Clark, B., Stewart, G. B., Panzone, L. A., Kyriazakis, I., & Frewer, L. J.
(2017). Citizens, consumers and farm animal welfare: A meta-analysis
of willingness-to-pay studies. Food Policy, 68, 112–127. doi: https://
doi.org/10.1016/j.foodpol.2017.01.006.
De Andrade, T. V., Andrade, L. S., Farias, L. A., Sousa, P. H. A. A., Borges,
L. S., Santos, R. N. V., Lima, B. S. L., Barros Junior, C. P. & Carvalhinho,
S. T. Comportamento de leitões na fase de creche submetidos ao
enriquecimento ambiental. Revista de Ciências Agroveterinárias, v. 18, n. 3,
p. 346351, 2019. doi: https://doi.org/10.5965/223811711832019346.
Dawkins, M. S. (2017). Animal welfare and efficient farming: is conflict
inevitable?. Animal Production Science, 57(2), 201–208. doi: https://
doi.org/10.1071/AN15383.
Douglas, C., Bateson, M., Walsh, C., Bédué, A., & Edwards, S. A. (2012).
Environmental enrichment induces optimistic cognitive biases in pigs.
Applied Animal Behaviour Science, 139(1–2), 65-73. doi: https://doi.
org/10.1016/j.applanim.2012.02.018.
Dos Santos, T. C., Carvalho, C. D. C. S., da Silva, G. C., Diniz, T. A.,
Soares, T. E., Moreira, S. D. J. M., & Cecon, P. R. (2018). Influência
do ambiente térmico no comportamento e desempenho zootécnico
de suínos. Revista de Ciências Agroveterinárias, 17(2), 241–253. doi:
10.5965/223811711722018241.
Ferreira, D. F. (2000). Sistema de análises de variância para dados
balanceados. Lavras: Ufla..
Ferreira, V. B., Moreno, L. F., Dalmaso, A. C., Mousquer, C. J., Silva Filho,
A. S., Hoffmann, A., ... & de Castro, W. J. R. (2014). Comportamento
ingestivo de ovinos em pastos de diferentes estruturas. PUBVET, 8,
1136-1282. http://www.pubvet.com.br/artigo/1249/p-styletext-align-
justify-aligncenterstrongcomportamento-ingestivo-de-ovinos-em-pastos-
de-diferentes-estruturasstrongp.
Gomes, K. A. R., Valentim, J. K., Lemke, S. S. R., Dallago, G. M., Vargas,
R. C., & Paiva, A. L. D. C. (2018). Behavior of Saanen dairy goats in
an enriched environment. Acta Scientiarum. Animal Sciences, 40. doi:
http://dx.doi.org/10.4025/actascianimsci.v40i1.42454.
Grunert, K. G., Sonntag, W. I., Glanz-Chanos, V., & Forum, S. (2018).
Consumer interest in environmental impact, safety, health and animal
welfare aspects of modern pig production: Results of a cross-national
choice experiment. Meat science, 137, 123–129. doi: https://doi.
org/10.1016/j.meatsci.2017.11.022.
Jansen, J., Bolhuis, J. E., Schouten, W. G., Spruijt, B. M., & Wiegant,
V. M. (2009). Spatial learning in pigs: effects of environmental
enrichment and individual characteristics on behaviour and performance.
Animal Cognition, 12(2), 303–315. doi: https://link.springer.com/
article/10.1007/s10071-008-0191-y.
Kiefer, C., Meignen, B. C. G., Sanches, J. F., & Carrijo, A. S. (2009).
Resposta de suínos em crescimento mantidos em diferentes temperaturas.
Archivos de zootecnia, 58 (221), 55–64. doi: http://scielo.isciii.es/pdf/
azoo/v58n221/art6.pdf.
Melotti, L., Oostindjer, M., Bolhuis, J. E., Held, S., & Mendl, M. (2011).
Coping personality type and environmental enrichment affect aggression
at weaning in pigs. Applied Animal Behaviour Science, 133(3-4), 144–153.
doi: https://doi.org/10.1016/j.applanim.2011.05.018.
Medeiros, B. B., Moura, D. J. D., Massari, J. M., Curi, T. M. D. C., &
Maia, A. P. D. A. (2014). Uso da geoestatística na avaliação de variáveis
ambientais em galpão de suínos criados em sistema” wean to finish” na
fase de terminação. Engenharia Agrícola, 34(5), 800–811. doi: http://
taurus.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/87601/1/2-s2.0-84916605092.
pdf.
Miranda-De La Lama, G. C., Estévez-Moreno, L. X., Sepulveda, W. S.,
Estrada-Chavero, M. C., Rayas-Amor, A. A., Villarroel, M., & María,
G. A. (2017). Mexican consumers’ perceptions and attitudes towards
farm animal welfare and willingness to pay for welfare friendly meat
products. Meat science, 125, 106–113. doi: https://doi.org/10.1016/j.
meatsci.2016.12.001.
Parreira, D. P. et al.
6
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–06, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32720
Pietramale, R. T. R., Rosa, C. O., Ruviaro, C. F., Gimenes, R. M. T. &
Barbosa, D. K. Análise da ecoeficiência na produção de leitão destinado
a engorda. Anais do Encontro Internacional de Gestão, Desenvolvimento
e Inovação. 4(1), 2020.
Silva, M. A., de Souza, A. G. D., Valentim, J. K., de Oliveira, J. E. F.,
Monteiro, S. V., de Oliveira Coutinho, J. J., ... & Silva, A. F. (2021).
Conservação de soro do leite integral bovino e sua influência na
alimentação de leitões na fase de creche. Caderno de Ciências Agrárias,
13, 1–6. doi: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.26778.
Ricci, G. D., Tonon, E., Titto, C. G., Godoy, P. C., & Titto, E. L. (2018).
Interesse comportamental de machos suínos por diferentes tipos de
enriquecimentos ambientais. Medicina Veterinária (UFRPE), 12(3),
241–247. doi: https://doi.org/10.26605/medvet-v12n3-2400.
Zwicker, B., Gygax, L., Wechsler, B., & Weber, R. (2013). Short-and long-
term effects of eight enrichment materials on the behaviour of finishing
pigs fed ad libitum or restrictively. Applied Animal Behaviour Science,
144(1-2), 31–38. doi: https://doi.org/10.1016/j.applanim.2012.11.007.