CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Avaliação da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado na dieta de ovinos
Débora Adriana de Paula Silva
1
; Gustavo Roberto Dias Rodrigues
2
; Marco Túlio Santos Siqueira
3
; Erica Beatriz
Schultz
4*
; Karla Alves Oliveira
5
; Gilberto de Lima Macedo Júnior
6
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
Resumo
Objetivou-se avaliar os efeitos da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado (Urochloa brizantha cv
Marandu) sobre o consumo e digestibilidade da matéria seca, comportamento ingestivo, curva glicêmica e metabó-
litos sanguíneos de ovinos. Foram utilizadas 20 ovelhas da raça Santa Inês com idade superior a três anos e peso
corporal médio de 54,5 kg, distribuídas em delineamento inteiramente casualizado, com quatro tratamentos e cinco
repetições. Os tratamentos consistiram na inclusão de volumoso comercial extrusado, Foragge
®
70% (F) (Nuttrata
®
)
em substituição à silagem de milho (S) nas proporções: 20%F:80%S; 40%F:60%S; 60%F e 40%S e 80%F:20%S. Foi
realizada a análise de regressão a 5% de significância. À medida que aumentou a inclusão de volumoso extrusado
houve aumento no consumo de matéria seca (CMS), CMS em relação ao peso corporal, CMS em relação ao peso me-
tabólico, peso de fezes na matéria natural e matéria seca (P<0,05). Houve aumento linear para eficiência de ingestão,
eficiência de ruminação, eficiência de mastigação, ureia e glicemia (P<0,05). A digestibilidade da matéria seca, e
os metabolitos energéticos não foi alterada (P>0,05). O tempo de ruminação obteve resposta quadrática quanto a
substituição da silagem de milho pelo volumoso extrusado (P<0,05). Conclui-se que a substituição da silagem em
até 80% pelo volumo extrusado é recomendada, por melhorar o consumo sem efeitos deletérios na digestibilidade e
metabólitos sanguíneos.
Palavras chave: Extrusão. Ovis aries. Ruminantes. Urochloa brizantha.
Evaluation replacement of corn silage by extruded roughage on sheep diet
Abstract:
The aim was to evaluate the effects of replacing corn silage with extruded roughage (Urochloa brizantha cv Marandu)
on dry matter intake and digestibility, ingestive behavior, glycemic curve and blood metabolites of sheep. Twenty
Santa Inês ewes, with more three years old and average body weight of 54.5 kg were used, assign in a completely
randomized design, with four treatments and five repetitions. The treatments were use the extruded commercial
roughage, Foragge
®
70% (F) (Nuttrata
®
) to replace corn silage (S) in the proportions: 20% F: 80% S; 40% F: 60% S;
60% F and 40% S and 80% F: 20% S. Regression analysis was performed at 5% significance level. As the inclusion
of extruded roughage increased, there was an increase in the dry matter intake (DMI), DMI relation to body weight,
DMI relation to metabolic weight, weight of feces in natural and dry matter. There was linear increase to efficiency of
1
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0003-3052-0544
2
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-9438-3724
3
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-2098-8568
4
Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, MG. Brasil.
http://orcid.org/0000-0003-1916-2117
5
Universidade Estadual Paulista. Jaboticabal, SP. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-7792-2615
6
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-5781-7917
*Autor para correspondência: ericabeatrizschultz@gmail.com
Recebido para publicação em 03 de Abril de 2021. Aceito para publicação 25 de Julho de 2021
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Silva, D. A. de P. et al.
2
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
eating, rumination and chewing, urea and blood glucose (P <0.05). The dry matter digestibility and energy metabo-
lites was not altered (P> 0.05). The rumination time showed a quadratic response regarding the replacement of corn
silage by extruded roughage (P <0.05). It is concluded that the replacement of silage in up to 80% by the extruded
volume is recommended, as it improves intake without deleterious effects on digestibility and blood metabolites.
Key words: Extrusion. Ovis aries. Ruminants. Urochloa brizantha.
Introdução
A alimentação dos animais ruminantes é pre-
dominantemente composta por alimentos volumosos
em pastagens. Entretanto, no Brasil, o clima tropical
influencia diretamente em duas estações definidas: água e
seca, sendo a última responsável por reduzir a qualidade
e produtividade das pastagens nessa época do ano. Sendo
assim, no intuito de evitar déficits produtivos, a prática
de ensilagem é amplamente realizada na finalidade de
garantir ofertas qualitativas e quantitativas alimentares
ao requerimento animal e ao mesmo tempo aumentar
a eficiência da utilização das pastagens (Macêdo et al.,
2019).
A silagem de milho é a ensilagem de maior ex-
pressão no Brasil, uma vez que esse alimento produz boa
quantidade de matéria seca por área, fornecendo energia e
proteína, além da aceitabilidade pelos animais ruminantes
(Mourão et al., 2012). Em contrapartida, para a obtenção
de uma silagem de qualidade, verifica-se a necessidade de
seguir rigorosamente os processos de ensilagem, como,
implementação da cultura, tratos culturais, fertilidade
do solo, composição químico-bromatológica, estágio de
maturação da forrageira, manejo de colheita, grau de
processamento do material, higiene de silo, tipo, tempo
de fechamento, compactação e vedação do silo (Macêdo
et al., 2019). Todas essas práticas refletem na qualidade
da silagem que será obtida, sendo fundamentais para que
o alimento fornecido aos animais esteja com qualidade
nutricional próxima à forrageira de origem, visto que os
aspectos nutritivos da silagem estão amplamente ligados
à composição e digestibilidade da forrageira de origem.
Com isso, no intuito de auxiliar o manejo e di-
minuir possíveis riscos de oscilação na qualidade dos
alimentos volumosos fornecidos aos animais, atualmente,
novos métodos de conservação de alimentos vêm sendo
inseridos no mercado, como é o caso dos volumosos ex-
trusados. De acordo com Reddy & Reddy (2015), no pro-
cesso de extrusão os alimentos passam pela combinação
entre calor, pressão e trabalho mecânico, até a passagem
por um cilindro, onde no final deste a presença de
uma matriz com furos de menor diâmetro, formando
o produto extrusado final. Como a temperatura dessa
atividade ultrapassa 100°C, a extrusão tem a capacidade
de promover o rompimento das células vegetais, o que
proporciona a total fusão entre os ingredientes utilizados.
A utilização de produtos extrusados na nutrição
animal gera benefícios ao sincronismo das fontes ali-
mentares, uma vez que as proteínas, energia, minerais,
aditivos e fibras tornam-se um único alimento e com
isso, a fermentação ruminal é ampliada e resulta em
melhor aproveitamento dos alimentos pelos animais,
como demonstrado por Oliveira et al. (2019) e Silva et
al. (2020). Além disso, o ambiente ruminal é benefi-
ciado, uma vez que os ingredientes serão liberados em
equilíbrio no rúmen de forma sincronizada, contribuindo
para manutenção do pH ruminal sem a necessidade de
tamponantes. Por fim, a digestibilidade dos alimentos
também é aumentada, uma vez que a extrusão quebra a
fibra das paredes celulares (Reddy & Reddy, 2015).
Portanto nossa hipótese é que a substituição
da silagem de milho por volumoso extrusado pode me-
lhorar a dinâmica ruminal e o aproveitamento da dieta
para ovinos. Objetivou-se avaliar níveis de substituição
da silagem de milho por volumoso extrusado (Urochloa
brizantha cv Marandu) sobre o consumo e digestibilidade
da matéria seca, comportamento ingestivo e metabólitos
sanguíneos de ovinos.
Material e Métodos
O ensaio experimental foi realizado no setor de
caprinos e ovinos presente na fazenda Capim Branco, da
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), durante o
mês de julho de 2017 com duração total de 21 dias. Os
quinze primeiros dias do experimento foram destinados
à adaptação dos animais a dieta experimental, e os últi-
mos seis dias para mensuração e coleta de fezes, urina,
sangue, água, amostras de sobras e ofertado de alimento.
Todos os manejos utilizados contaram com a aprovação
da Comissão de Ética e Utilização dos Animais (CEUA)
da UFU sob o número de protocolo 092/16.
Foram utilizadas vinte ovelhas da raça Santa Inês,
não gestantes e não lactantes, com peso corporal médio
de 54,5 kg e idade média de três anos. Todos os animais
foram pesados e vermifugados com Levamisol (via oral) no
primeiro dia do experimento e feita observação da mucosa
ocular. Posteriormente, em um galpão de alvenaria, os
animais ficaram alocados em gaiolas metabólicas indi-
viduais equipadas com comedouro, bebedouro, saleiro,
piso ripado e artefato de separação de fezes e urina de
acordo com padrão dos Institutos Nacionais de Ciência
e Tecnologia (INCT).
Avaliação da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado na dieta de ovinos
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Os tratamentos foram compostos por níveis de
inclusão de volumoso comercial extrusado, Foragge
®
70% (F) (Nuttrata Nutrição Animal, Itumbiara - GO,
Brasil) em substituição a silagem de milho (S) nas pro-
porções: 20% de Foragge
®
e 80% de Silagem de milho
(20%F:80%S); 40% de Foragge
®
e 60% de Silagem de
milho (40%F:60%S); 60% de Foragge
®
e 40% de Silagem
de milho (60%F e 40%S) e 80% de Foragge
®
e 20% de
Silagem de milho (80%F:20%S). O fornecimento da
alimentação ocorreu duas vezes ao dia, às 08:00hrs e
posteriormente às 16:00hrs, onde foi ofertado 50% do
total diário em cada um desses turnos. Além disso,
a dieta experimental foi balanceada de modo com
que houvesse sobras entre 5-10% do total fornecido.
Durante todos os 21 dias do experimento os animais
tiveram livre acesso à água e sal mineral ad libitum.
O Foragge
®
70% é um produto de forma
extrusada, composto por 70% de capim da espé
-
cie Urachloa brizantha, cultivar Marandu, amido,
farelo de girassol e premix vitamínico e mineral. A
composição química do Foragge
®
70%, da silagem
de milho e das dietas estão descritos na Tabela 1.
Tabela 1 – Composição química dos ingredientes e das dietas experimentais
Nutrientes (%)
Item MS PB FDN FDA NDT CINZAS AMIDO
Foragge
®
70%* 90 6,68 64,44 35,7 64,44 4,6 24,3
Silagem de milho** 28,02 8 57,11 36,17 62,52 10,3 23,63***
Tratamentos MS PB FDN FDA NDT
20%
Foragge
®
:80% Silagem de milho
43,26 7,93 56,4 36,07 62,9
40%
Foragge
®
:60% Silagem de milho
55,32 7,86 55,7 35,98 63,3
60%
Foragge
®
:40% Silagem de milho
65,33 7,79 54,99 35,88 63,6
80%
Foragge
®
:20% Silagem de milho
76,98 7,72 54,29 35,79 64
MS: matéria seca; PB: proteína bruta; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido; NDT: nutrientes digestíveis totais; *Valores
fornecidos pelo fabricante Nutratta©. **Valores obtidos através de análises bromatológicas efetuadas no Laboratório de Nutrição Animal da Univer-
sidade Federal de Uberlândia. ***Dado retirado das Tabelas Brasileiras de Composição de Alimentos para Bovinos, por Valadares Filho et al., (2018).
Em todos os dias de coleta, os alimentos
ofertados, sobras e fezes foram pesados e amostrados
utilizando balança eletrônica com precisão de cinco
gramas. Foram feitas amostras compostas prove-
nientes de cada animal para realização das análises
químicas e cálculo de consumo e digestibilidade da
matéria seca. No final do período de coleta, estas
amostras foram armazenadas em freezers horizontais
à -15°C, para conservação, e em seguida os alimentos
ofertados, sobras e fezes foram pré secos em estufa
ventilada à 55°C durante 72 horas, até ser obtido
peso constante. Em seguida, foram trituradas com
a utilização de um moinho de facas tipo Willey, em
partículas de 1mm. Após esse procedimento, as
amostras foram levadas ao Laboratório de Nutrição
Animal da UFU, onde foi verificada a matéria seca
das porções de ofertado, sobras e fezes, em estufa
à 105°C durante 24 horas.
A partir do cálculo da matéria seca foram
calculados o consumo de matéria seca (CMS) e a
digestibilidade da matéria seca através da equação
proposta por Maynard et al., (1984).
A urina foi amostrada por meio de baldes
com telas para a retenção das fezes, que foram reco-
lhidas em bandejas plásticas. O volume de urina foi
mensurado com a utilização de provetas graduadas
de plástico com capacidade de dois litros e precisão
de 20mL. Foram quantificados o volume urinário
excretado por cada animal durante o período de
24 horas.
A densidade da urina foi avaliada utilizando
um refratômetro manual portátil Megabrix
®
(Fre-
mont, Ohio, Estados Unidos) com o auxílio de pipetas
descartáveis, onde 1mL de urina foi transferido do
balde coletor para o prisma do optômetro. Esse
procedimento foi realizado sob luz fluorescente,
sempre na mesma posição. Entre a mensuração
de cada amostra, o refratômetro foi higienizado
e seco com papel toalha no intuito de não ocorrer
interferências entre os resultados.
O escore fecal foi mensurado pela escala
proposta por Gomes et al. (2012), onde na escala um
(1) as fezes são ressecadas e sem brilho; na escala
dois (2) as fezes são normais; na escala três (3) as
fezes são ligeiramente amolecidas; na escala quatro
Silva, D. A. de P. et al.
4
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
(4) as fezes são amolecidas, perdendo o formato e
coladas umas às outras; na escala cinco (5) as fezes
são amolecidas e sem formato normal; e na escala
seis (6) as fezes são diarreicas.
A ingestão de água pelos animais foi calcu-
lada baseado na diferença entre a quantidade de
água ofertada diariamente e as sobras verificadas
no dia seguinte, sendo levado em consideração a
quantidade de água que evaporava. A mensuração
da água oferecida foi realizada com a utilização de
uma proveta graduada de plástico com capacidade
de dois litros e exatidão de 20mL. Diariamente eram
oferecidos seis litros de água para cada animal e
caso houvesse necessidade, fornecia-se quantida-
des maiores. A evaporação foi medida a cada 24
horas por meio da inserção de um balde no galpão
experimental contendo seis litros de água, onde o
mesmo ficou em local de acesso restrito aos ani-
mais. O balde de evaporação foi colocado durante
o momento de fornecimento de água, em uma su-
perfície plana correspondente à altura dos baldes
inseridos nas gaiolas metabólicas. A mensuração
da quantidade evaporada também foi por meio da
diferença entre os seis litros ofertados e as sobras
verificadas no dia seguinte. A quantidade total de
água evaporada foi descontada do consumo diário
de água de cada animal. O cálculo do consumo de
água total foi feito somando a água do balde com
a água contida no alimento ingerido.
No quinto dia do período de coleta, ocorreu
a mensuração do comportamento ingestivo, onde
os animais foram submetidos à observação visual
por pessoas treinadas, em sistema de revezamento,
dispostas de maneira a não incomodar os animais
durante vinte e quatro horas, uma vez ao longo do
período de coleta. No período noturno, o ambiente
recebeu iluminação artificial e as luzes foram man-
tidas acessas durante cinco dias antes da avaliação
para promover a adaptação dos animais às mesmas.
Os animais foram avaliados a cada cinco minutos por
24 horas, sendo observado a ingestão de alimento
ou água separadamente (ING), ruminação (RUM)
ou ócio de acordo com a metodologia proposta por
Fischer et al. (1998).
Os cálculos das atividades foram feitos em
minutos por dia, admitindo que, nos cinco minutos
subsequentes a cada observação, o animal perma-
neceu na mesma atividade. Já o tempo total gasto
em mastigação (MAST) foi determinado somando-se
os tempos gastos em ingestão (ING) e ruminação
(RUM). As eficiências de ingestão (Eing), mastigação
(Emast) e ruminação (Erum) foram obtidas segundo
Polli et al. (1996), dividindo o consumo de matéria
seca por cada atividade dispendida.
As coletas de sangue para avaliação dos compo-
nentes bioquímicos foram realizadas no primeiro, terceiro
e quinto dia de coleta do experimento, antes da primeira
refeição ofertada no dia. As colheitas de sangue ocorreram
por venopunção da jugular com tubos Vacutainer
®
sem
anticoagulante.
Os componentes bioquímicos avalia-
dos para determinação do metabolismo energético
foram: triglicerídeos, colesterol e frutosamina; e para
determinação do metabolismo proteico foram: ureia,
proteínas totais, ácido úrico, albumina e creatinina.
para a avaliação glicêmica, as colheitas foram
realizadas no último dia de coleta de dados, às 8:00 (antes
da primeira refeição), 11:00, 14:00, 17:00 e 20:00 horas.
Excepcionalmente nesse dia, a segunda refeição somente
foi ofertada após o recolhimento das 20:00 horas. Essas
amostras foram coletadas por meio de venopunção da
jugular com a utilização de tubos Vacutainer
®
(BD) con-
tendo fluoreto e EDTA, identificados para cada animal.
Não foram mensurados os efeitos do estresse da coleta
a cada três horas nos animais.
Todas as amostras de sangue coletadas foram
centrifugadas a 3000 rotações por minuto, durante 10
minutos. Após a separação do soro em alíquotas, estes
ficaram armazenados em freezer à -15°C para futuras aná-
lises laboratoriais. As amostras foram processadas em
analisador bioquímico automatizado Bioplus
®
2000
(Bioplus Produtos para Laboratório Ltda, Barueri - SP,
Brasil), usando kit comercial (Lab Test
Diagnósticos
S. A.
®
, Lagoa Santa - MG, Brasil)
Para a maioria das variáveis analisadas uti-
lizou-se o delineamento inteiramente casualizado
com quatro tratamentos e cinco repetições. para
glicemia considerou-se delineamento inteiramente
ao acaso com medidas repetidas no tempo. Esta
variável foi testada para condição de esfericidade,
que não foi aceita. Portanto, utilizou-se a análise de
modelos mistos, em que foram avaliadas todas as
estruturas de covariâncias (S) disponíveis no pacote
do software SAS (SAS Institute, 2012) que modelam
a dependência dos erros do modelo. Para selecionar
a estrutura de covariância que melhor explique a
correlação residual, foi utilizado o critério de infor-
mação de Akaike (AIC), sendo escolhida, para cada
variável, a estrutura que resultou no menor valor
de AIC após a análise (Silva et al., 2015).
Todos os dados foram testados quanto a
normalidade e homocedasticidade das variâncias dos
tratamentos. As variáveis normais e com variâncias
Avaliação da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado na dieta de ovinos
5
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
homogêneas foram submetidas a análise de regres-
são, considerando os efeitos linear e quadrático para
a probabilidade de erro tipo I a 5 % de significância.
Os dados referentes ao escore fecal foram analisados
por estatística não paramétrica, através do teste de
Kruskal e Wallis (1952) seguido pelo procedimento
de Conover (1980) a 5 % de significância.
Resultados e discussão
À medida que aumentou a proporção de volumoso
extrusado na dieta: o consumo de matéria seca (CMS),
CMS em relação ao peso corporal (CMS/PC) e CMS pelo
peso metabólico (CMS/PC
0,75
) aumentaram linearmente
(P<0,05) (Tabela 2). De acordo com Zereu (2016),
dentre os fatores que podem influenciar no consumo dos
animais, estão a composição física e química, tamanho
das partículas e balanço dos nutrientes dos alimentos
ofertados. O uso alimento extrusado contribuiu para o
aumento no consumo. Isto pois, o uso de volumoso ex-
trusado em comparação a silagem de milho aumentou o
consumo devido ao processamento dos alimentos durante
o processo de extrusão, como gelatinização do amido e
desnaturação das proteínas (Oliveira et al., 2018).
Tabela 2 – Consumo e digestibilidade da matéria seca em ovelhas consumindo níveis crescentes de Foragge
®
70% em
relação à silagem de milho
Tratamentos
20F:80S 40F:60S 60F:40S 80F:20S P-valor MG CV (%)
CMS
1
(kg. dia
-1
) 1,50 1,84 2,07 2,37 0,0085 1,95 17,84
CMS/PC
2
(%) 2,34 2,84 3,34 3,60 <0,001 3,00 8,58
CMS/PC
0,75
66,19 80,65 91,38 102,59 <0,001 85,2 8,94
DMS (%) 58,95 55,25 53,19 60,40 0,2106 56,95 10,03
CMS: consumo de matéria seca; PC: peso corporal; DMS: digestibilidade da matéria seca; MG: média geral; CV: coeficiente de variação;
1
Y =
1,244850+0,014130x, R
2
= 99,57%;
2
Y = 1,962830+0,020936x, R
2
= 99,42%;
3
Y = 55,222680+0,599690x, R
2
= 99,51%.
Outro fator para o aumento do consumo de ma-
téria seca com uso de volumoso extrusado foi sobre o
tamanho das partículas em comparação a silagem de mi-
lho. Como as partículas do volumoso extrusado possuem
tamanho aproximado de 2 mm em contrapartida a 1 e
2 cm da silagem de milho. Assim nos tratamentos com
maior proporção de silagem de milho está permaneceu
por mais tempo no ambiente ruminal, o que provocou o
efeito de enchimento, e consequentemente, contribuiu
para a redução no consumo (Tabela 2).
Em relação aos valores médios de consumo de
matéria seca, a recomendação feita pelo NRC (2007)
para a categoria animal avaliada é de 1,05 kg/dia de
CMS. Sendo assim, todos os tratamentos verificados
apresentaram-se superiores aos parâmetros indicados,
onde o grupo 20F:80S está 42,86% acima, enquanto o
tratamento 80F:20S obteve números 125,71% maiores
que a descrição feita pelo NRC (2007).
Em outros estudos o aumento do consumo de
matéria com uso de volumoso extrusado foi reportado. De
acordo com Silva et al. (2020a) ao avaliarem os efeitos
nutricionais provocados pela substituição de silagem de
milho por ração extrusada em ovinos adultos, constataram
CMS de 1,36 kg/dia para o tratamento contendo 20%
de alimento volumoso extrusado e 80% de silagem de
milho, e, 2,03 kg/dia no grupo que consumiu 80% de
alimento extrusado e 20% de silagem de milho, reforçando
que a substituição de silagem de milho por volumosos
extrusados pode promover aumento no CMS.
Não houve efeito da substituição da silagem
de milho pelo volumoso extrusado na digestibilidade
da matéria seca (P>0,05) (Tabela 2). Embora o maior
consumo de matéria seca possa ser um indicativo de
redução da digestibilidade este fator não ocorreu com
aumento na maior proporção de volumoso extrusado. A
manutenção da digestibilidade é um indicativo de equi-
líbrio na fermentação ruminal e no aproveitamento do
alimento, favorecendo a utilização do volumoso extrusado
na alimentação de ruminantes.
Em relação à média, a digestibilidade da matéria
seca foi de 56,95%, sugerindo alto aproveitamento dos
nutrientes, uma vez que o CMS de todos os grupos foi ele-
vado. Valadares Filho (2018) descreveu que a DMS média
da silagem de milho produzida no Brasil é de 59,58%,
dessa forma, a DMS verificada nesse estudo aproxima-se
do valor encontrado para silagem, contribuindo para
inferências de que é possível substituir a mesma pelo
volumoso extrusado utilizado nesse experimento.
Não houve diferenças estatísticas (P>0,05) para
as variáveis consumo de água (CH
2
O) e consumo de água
em relação ao CMS (CH
2
O/CMS) (Tabela 3). Chamamos
a atenção que embora o volumoso extrusado seja um
alimento seco (85% de MS) em comparação a silagem de
milho (28,02 % de MS) o consumo de água não foi um
Silva, D. A. de P. et al.
6
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
limitante. Em relação ao recomendado para ovinos o NRC
(2007) sugere que ovinos adultos, o consumo de água
é de 2 a 3 L/kg de matéria seca e a média obtida para
os grupos avaliados na variável CH
2
O/CMS foi de 2,04
L/kg, é possível inferir que a substituição do volumoso
extrusado não afetou a ingestão hídrica das ovelhas.
Tabela 3 – Ingestão de água, parâmetros fecais e urinários de ovelhas consumindo níveis crescentes de Foragge
®
70%
em relação à silagem de milho
Tratamentos
20F:80S 40F:60S 60F:40S 80F:20S P-valor MG CV
CH
2
O (L. dia
-1
) 3,24 3,73 4,52 3,97 0,4403 3,86 31,47
CH
2
O/CMS (L/kg) 2,27 2,02 2,18 1,67 0,6856 2,04 31,44
VU (L. dia
-1
) 1,4 1,59 1,17 1,08 0,8473 1,31 36,6
DU (g.ml
-1
) 1,0264 1,0222 1,0276 1,0339 0,3646 1,0275 0,99
PFMN (kg) 2,14 2,44 3,67 3,32 0,0619 2,89 32,25
PFMS
1
(g) 0,622 0,817 0,99 0,95 0,0486 0,845 24,28
MSF (%) 29,96 33,45 27,30 30,05 0,0511 30,19 10,41
EF* 2,08 B 2,00 B 2,68 A 2,60 A 0,0481 2,34 -
CH2O: consumo de água; CMS: consumo de matéria seca; VU: volume de urina; DU: densidade da urina; PFMN: peso das fezes na matéria natural;
PFMS: peso das fezes na matéria seca; MSF: matéria seca fecal; EF: escore fecal. *Estatística não paramétrica, utilizando teste de Kruskal e Walis.
MG: média geral; CV: coeficiente de variação;
1
Y = 0,556130+0,005786x, R
2
= 80,95%.
Com relação aos parâmetros urinários, também
não houve diferenças entre os grupos avaliados (P>0,05)
(P>0,05) (Tabela 3). A manutenção dos parâmetros
urinários em relação aos tratamentos é reflexo a depen-
dência dessas variáveis ao consumo de água. Em relação
as recomendações para espécie, de acordo com Hendrix
(2005), para ovinos, a recomendação de VU excretado
por animal é de 0,1 a 0,4L para cada 10 kg de peso vivo.
Sendo assim, todos os tratamentos atingiram a norma-
lidade, uma vez que a faixa ideal para os animais com
peso de 54,5 kg seria de 0,545 a 2,18L dia
-1
, e obteve-se
média de 1,31L para essa variável. a DU específica
de ovinos, segundo Hendrix (2005), varia entre 1,020-
1,040 g Ml
-1
, portanto, não foram verificadas alterações
na mesma uma vez que todos os grupos avaliados se
apresentam inclusos nessa referência.
Para os parâmetros fecais foi observada resposta
linear positiva para o peso das fezes na matéria seca
(PFMS) (P<0,05) (Tabela 3). Esses resultados estão
correlacionados com o CMS, uma vez que conforme au-
mentou a massa consumida pelos animais, sem alterar
na digestibilidade, maior produção de massa fecal.
Avaliando os parâmetros fecais de ovelhas adultas consu-
mindo volumoso extrusado em comparação à silagem de
milho, Silva et al. (2020a) além de observar o aumento
no consumo também constatou elevações nos níveis de
PFMS.
Houve diferença estatística para o escore fecal
(EF) (P<0,05) (Tabela 3). O tratamento com 60F:40S
e 80F:20S foram superiores aos demais. De acordo com
Ferreira et al. (2013) a presença de fibra na dieta deixa
as fezes mais firmes, entretanto, o processo de extrusão
promove a quebra da fibra presente nas paredes celulares
dos alimentos (Reddy & Reddy, 2015). Sendo assim, o
aumento no EF nos tratamentos contendo maiores índices
do volumoso extrusado pode ter sido devido à quebra da
fibra durante a extrusão. Entretanto, essa diferença não
afetou negativamente essa variável, uma vez que segundo
Gomes et al. (2012) o EF considerado adequado é dois,
similar ao apresentados em todos os tratamentos.
No comportamento ingestivo a substituição da
silagem de milho por volumoso extrusado não alterou
o tempo de alimentação, ócio e mastigação das ovelhas
(P>0,05) (Tabela 4). No entanto, houve efeito quadrático
para o tempo de ruminação (P<0,05) (Tabela 4).
O efeito quadrático no tempo gasto na ruminação
foi influenciado pelo tratamento com maior inclusão de
volumoso extrusado ofertado (80F:20S). Isto pois, ao
aumentar a proporção de volumoso extrusado reduz o
tamanho das partículas ingeridas, além de aumentar a
facilmente de degradação pelos microrganismos ruminais.
Esse fator colaborou para um menor gasto de tempo para
que o alimento atinja tamanho suficiente e consiga seguir
para o retículo. A redução do tempo de ruminação pode
ser um indicativo de acidose ruminal (Antanaitis et al.,
2019).
De acordo com Van Soest (1994), o tempo de
ruminação médio diário para ovinos adultos é entre 240
a 540 minutos, sendo diretamente influenciado pela na-
tureza da dieta e proporcional ao teor de parede celular
dos alimentos volumosos. Todos os tratamentos atingiram
a referência média de ruminação diária, onde o grupo
que passou o menor tempo nesse processo foi o 80F:20S
Avaliação da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado na dieta de ovinos
7
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
(340 minutos) e o maior 40F:60S (505 minutos). Nesse
sentido, é possível afirmar que mesmo diante de CMS
elevados, o tempo gasto para ruminação esteve dentro
do recomendado, não prejudicando a saúde dos animais.
Tabela 4 – Comportamento ingestivo de ovelhas recebendo Foragge
®
70% em substituição à silagem de milho
Tratamentos
20F:80S 40F:60S 60F:40S 80F:20S P-valor MG CV
ING (min) 290 278 263 299 0,8022 282,50 24,41
RUM
1
(min) 504 505 503 340 0,0239 463,00 19,48
ÓCIO (min) 646 657 674 801 0,2012 694,50 17,61
MAST (min) 794 783 766 639 0,2012 745,50 16,41
EING (g/min) 5,37 6,97 7,91 8,28 0,0936 7,13
ERUM
2
(g/min) 2,96 3,71 4,17 8,28 0,0143 4,78 30,98
EMAST
3
(g/min) 1,98 2,40 2,71 4,04 0,0136 2,76 33,68
ING: ingestão; RUM: ruminação; MAST: mastigação; E: eficiência; MG: média geral; CV: coeficiente de variação;
1
Y = 381,50+7,780x-0,10250x
2
,
R
2
= 93,81%;
2
Y = 0,0684120+0,082034x, R
2
= 78,84%;
3
Y = 1,077040+0,033787x, R
2
= 90,46%
Com relação a eficiência das atividades no com-
portamento ingestivo, não houve diferença para a efi-
ciência de ingestão (Eing) (P>0,05), porém houve efeito
linear crescente para a eficiência de ruminação (Erum) e
eficiência de mastigação (Emast) (P<0,05) (Tabela 4).
Na nutrição de ruminantes, a utilização de alimentos
volumosos é fundamental, uma vez que a fibra possui
capacidade de aumentar a mastigação e ruminação. Dietas
que não estimulam esses processos reduzem a produção
de saliva e consequentemente, diminuem o pH ruminal e
digestibilidade da fibra (Geron et al., 2013). Dessa forma,
a variável ruminação pode ter influenciado na igualdade
estatística constatada na DMS (Tabela 2), uma vez que
o tratamento 80F:20S apresentou o maior consumo e a
menor ruminação.
Já a melhora na eficiência de ruminação e mas-
tigação é resultado da maior facilidade dos animais em
apreender os alimentos, devido ao formato do Foragge
®
70%. É possível notar que os animais que receberam a
distribuição 20F:80S ingeriram 5,37g/min, ao passo que
o grupo contendo 80F:20S ingeriu 8,28g/min, cerca de
54,19% a mais de alimento por minuto, contribuindo
para os CMS verificados de 1,50 e 2,37kg animal dia
-1
,
respectivamente.
Ao avaliar os níveis glicêmico, houve respos-
ta linear crescente em função do aumento da inclusão
do Foragge
®
70%, entretanto, para suas concentrações
por horário foi observado resposta linear decrescente
(P<0,05) (Tabela 5).
Tabela 5 – Concentração glicêmica por tratamento e horário de coleta de ovinos alimentados com diferentes relações
de Foragge
®
70% e Silagem de milho
Tratamentos
20F:80S 40F:60S 60F:40S 80F:20S P-valor MG CV
Glicemia
1
(mg/Dl) 44,24 51,84 49,20 55,08 0,0227 50,09 22,32
Horários de coleta
08h 11h 14h 17h 20h P MG CV
Glicemia² (mg/dL) 51,60 55,20 52,30 45,05 46,35 0,0371 50,09 19,99
MG: média geral; CV: coeficiente de variação; P: probabilidade de significância (P<0,05).
1
Y = 42,620+0,14940x, R
2
= 70,88%;
2
Y = 59,680-
0,6350x, R
2
= 58,25%
Em ruminantes, cerca de 90% da glicose formada
e utilizada são provenientes de gliconeogênese, proces-
so onde o ácido graxo propionato é convertido nesse
polímero (Kozloski, 2017). Como o produto extrusado
promoveu um maior consumo pelos animais (Tabela 2)
e possui maiores concentrações de nutrientes digestíveis
totais e amido, com relação à silagem de milho (Tabela
1), esses fatores podem ter contribuído para a diferença
verifica na variável glicemia por tratamento, promoven-
do utilização mais eficiente da glicose no metabolismo
dos animais. O grupo 80F:20S apresentou o maior CMS
e também a maior concentração de glicose por trata-
mento, reforçando que o consumo dos animais pode ter
corroborado com tais índices. Mesmo com a diferença
verificada, todos os tratamentos mantiveram-se inclusos
Silva, D. A. de P. et al.
8
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
na referência de glicose por Silva et al. (2020b) que é de
30-94 mg/dL para ovinos.
Com relação à redução nos níveis de glicose
plasmática ao longo dia, esse acontecimento pode estar
diretamente ligado ao manejo alimentar utilizado ao
longo do dia de coleta glicêmica, que o pico de glicose
ocorreu às 11:00 horas (3:00 horas após o fornecimento
da alimentação) e reduzido nas horas subsequentes por
causa da degradação e fermentação da ração no ambiente
ruminal. Esse processo demanda alto gasto energético e
consequentemente, reduziu as concentrações de glicose
ao longo do dia.
para os metabólitos sanguíneos, a variável
triglicerídea obteve diferenças estatísticas para os trata-
mentos 20F:80S e 80F:20S, sendo que os demais trata-
mentos se apresentaram iguais, estatisticamente (Tabela
6). Os triglicerídeos correspondem à principal forma
de armazenamento de ácidos graxos de cadeia longa
(Kozloski, 2017). O tratamento que apresentou o maior
nível de triglicerídeos continha 80% de silagem de milho,
sendo este um alimento responsável por grande produção
de ácido acético no rúmen, que é um dos ácidos graxos
voláteis precursores da síntese de acetato. Entretanto,
como as médias verificadas para todos os tratamentos
enquadram-se na referência de Silva et al. (2020b), é
possível inferir que houve adequado aporte energético
as ovelhas.
Tabela 6 – Metabólitos energéticos e proteicos de ovelhas consumindo níveis crescentes de volumoso extrusado perante
silagem de milho
Tratamentos
Metabólitos (mg/dL) 20F:80S 40F:60S 60F:40S 80F:20S MG P-valor CV VR*
Triglicerídeos 28,00 18,30 19,90 16,40 20,65 0,0452 - 5-71
Colesterol 68,50 62,80 58,70 67,40 64,35 0,8547 18,77 14-126
Ureia¹ 16,50 19,60 24,40 20,70 20,50 0,0025 18,73 10-92
Proteínas Totais 4,40 4,36 4,08 4,77 4,40 0,3741 19,26 3,1-10,7
Ácido úrico 0,34 0,28 0,28 0,24 0,28 0,4587 - 0-1,7
Albumina 3,68 3,43 3,44 3,30 3,46 0,2584 12,22 1,1-5,2
Creatinina 0,83 0,80 0,78 0,77 0,79 0,3015 - 0,4-1,7
MG: média geral; CV: coeficiente de variação; VR*: Valor de referência segundo Silva et al. (2020b);
1
Y= 15,950+0,087x, R
2
=47,45%.
o colesterol que também faz parte do meta-
bolismo energético, não apresentou diferenças (Tabela
6) (P>0,05). Em ruminantes, o colesterol possui bios-
síntese no intestino delgado e células adiposas, sendo
sintetizado a partir do acetil-CoA originado do ácido
acético produzido no rúmen. É precursor dos ácidos
biliares e dos hormônios esteroides, além de ser um
indicador dos níveis de lipídeos na corrente sanguínea
(Brito et al., 2016). Como seus níveis encontram-se na
referência para ovinos de Silva et al. (2020b), é possível
inferir que houve armazenamento adequado de energia
e os níveis lipídicos não foram influenciados, durante o
período experimental.
Com relação aos metabólitos proteicos, a ureia
apresentou resposta linear positiva à inclusão de volu-
moso extrusado (Tabela 6) (P<0,05). Como um indica-
tivo ao status proteico em ruminantes, já que apresenta
relações diretas com a digestão proteica e metabolismo
dos microrganismos do rúmen. Embora o volumoso ex-
trusado utilizado tenha menor concentração de proteína,
o processo gera a desnaturação das proteínas, fazendo
com que sejam mais prontamente digeridas no rúmen
(Reddy & Reddy, 2015). Por isso, ao aumentar a pro-
porção de volumoso extrusado na dieta houve resposta
linear na concentração de ureia circulante nas ovelhas.
Vale ressaltar que os índices obtidos para essa variável
estão inclusos na referência de Silva et al. (2020b) para
espécie.
As proteínas totais estão diretamente relacionadas
com o status nutricional do animal já a albumina como
ambos os metabólitos se encontram inclusos na referência
de Silva et al. (2020b), a dieta ofertada contribuiu positi-
vamente no metabolismo proteico das ovelhas avaliadas,
indicando que elas possuíam aporte proteico normal e
bom estado nutricional durante o ensaio experimental.
A creatinina é um importante indicativo da função
renal dos animais, visto que é um metabólito que sofre
pouca influência de fatores como dieta, idade ou sexo,
além de refletir a filtração renal (Kozloski, 2017). A ma-
nutenção da concentração de creatinina circulante das
ovelhas mesmo com a substituição em até 80% da silagem
por volumoso extrusado indica não levar a problemas
renais no curto prazo. Outro ponto positivo do uso do
volumoso extrusado em até 80% foi a manutenção do
CH
2
O e VU apresentaram-se adequados, e, os índices de
creatinina estão inclusos no valor de referência de Silva
et al. (2020b), é possível inferir que a função renal das
Avaliação da substituição da silagem de milho por volumoso extrusado na dieta de ovinos
9
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.32930
unidades experimentais não foi restringida ou prejudicada
durante a realização desse experimento.
O ácido úrico possuí ligação estreita com o meta-
bolismo ruminal recente, sendo influenciado pela qualida-
de nutricional do alimento ingerido e com a produção de
proteína microbiana. A manutenção da concentração de
ácido úrico ao substituir a silagem de milho por volumoso
extrusado em até 80% indica que não houve mudanças
em termos qualitativos da dieta e da produção de proteína
microbiana (Tabela 60 (P>0,05). Como ele encontra-se
na referência de Silva et al. (2020b), os tratamentos
ofertados possuem ampla qualidade nutricional e não
prejudicam a formação de proteína microbiana.
Conclusão
A substituição da silagem de milho pelo volumo-
so extrusado pode ser realizada em até 80% melhora o
consumo, sem causar quaisquer prejuízos no equilíbrio
ruminal, no comportamento ingestivo e no perfil meta-
bólico a ovelhas adultas.
Agradecimento
Os autores agradecem a empresa Nuttrata
®
Nu-
trição Animal, Itumbiara - GO, Brasil.
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