CADERNO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
Agrarian Sciences Journal
Uso de níveis crescentes de concentrado extrusado e silagem de milho na dieta de ovinos
Gustavo Roberto Dias Rodrigues
1
; Marco Túlio Santos Siqueira
2
; Erica Beatriz Schultz
3
*; Karla Alves Oliveira
4
;
Luciano Fernandes Sousa
5
; Gilberto de Lima Macedo Júnior
6
DOI: https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
Resumo
Objetivou-se avaliar os efeitos de diferentes relações concentrado:volumoso, com a utilização de concentrado extrusado
e silagem milho, sobre o consumo, digestibilidade, comportamento ingestivo e metabolismo de ovinos. Foram utilizadas
20 ovelhas Santa Inês com peso de 50kg e idade média três anos distribuídas em delineamento inteiramente casuali-
zado. Os tratamentos avaliados tiveram diferentes relações concentrado: volumoso, com a utilização do concentrado
extrusado comercial Beef Agnus
®
(B) (Nuttrata Nutrição Animal, Itumbiara-GO, Brasil) e Silagem de milho (S). Os
tratamentos consistiram: 40% de Beef Agnus
®
e 60% de Silagem de milho (40%B:60%S); 50% Beef Agnus
®
e 50%
de Silagem de milho (50%B:50%S); 60% de Beef Agnus
®
e 40% de Silagem de milho (60%B:40%S); 70% de Beef
Agnus
®
e 30% de Silagem de milho (70%B:30%S). As análises de regressão foram realizadas a 5% de probabilidade
para erros do tipo I. O consumo de matéria seca (CMS), CMS em relação ao peso corporal, CMS em relação ao peso
metabólico e eficiências de ruminação e mastigação obtiveram resposta linear negativa ao aumento da inclusão de
silagem de milho (P<0,05). A glicemia por horário de colheita e as proteínas totais apresentaram resposta quadrática
(P<0,05). A digestibilidade, os parâmetros urinários e fecais e os metabolitos energéticos se mantiveram a redução
da proporção de volumoso na dieta (P>0,05). Conclui-se que a utilização de concentrado extrusado promove maior
consumo aos animais e não gera danos ao comportamento ingestivo, digestibilidade e metabolismo de ovinos.
Palavras chave: Extrusão. Ruminantes. Silagem de milho. Ovis aries.
Use of increasing levels of extruded concentrate and corn silage in sheep diet
Abstract:
The aim was to evaluate the effects of different concentrate: roughage relationships, using extruded concentrate and
corn silage, on the intake, digestibility, ingestive behavior, and metabolism of sheep. Twenty Santa Inês ewes with
a weight of 50 kg and an average age of three years were used, assigned in a completely randomized design. The
evaluated treatments had different concentrate: roughage ratios, using the commercial extruded concentrate Beef
Agnus® (B) (Nuttrata Animal Nutrition, Itumbiara-GO, Brazil) and Corn silage (S). The treatments consisted of:
40% Beef Agnus® and 60% Corn silage (40% B: 60% S); 50% Beef Agnus® and 50% Corn silage (50% B: 50% S);
60% Beef Agnus® and 40% Corn silage (60% B: 40% S); 70% Beef Agnus® and 30% Corn silage (70% B: 30% S).
The regression analyzes were performed at 5% probability for type I errors. The dry matter intake (DMI), DMI in
1
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-9438-3724
2
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-2098-8568
3
Universidade Federal de Viçosa. Viçosa, MG. Brasil.
http://orcid.org/0000-0003-1916-2117
4
Universidade Estadual Paulista. Jaboticabal, SP. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-7792-2615
5
Universidade Federal do Tocantins, Araguaína, TO. Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-6072-9237
6
Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia, MG. Brasil.
https://orcid.org/0000-0001-5781-7917
*Autor para correspondência: ericabeatrizschultz@gmail.com
Recebido para publicação em 22 de Maio de 2021. Aceito para publicação 25 de Junho de 2021
e-ISSN: 2447-6218 / ISSN: 2447-6218 / © 2009, Universidade Federal de Minas Gerais, Todos os direitos reservados.
Rodrigues, G. R. D. et al.
2
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
relation to body weight, DMI in relation to metabolic weight, rumination, and chewing efficiencies showed a negative
linear response to increased inclusion of corn silage (P <0.05). Glycemia by harvest time and total proteins showed
a quadratic response (P <0.05). Digestibility, urinary and fecal parameters, and energy metabolites were maintained
with an reduce in the roughage proportion in the diet (P> 0.05). It is concluded that the use of extruded concentrate
promotes the greater intake of the animals and does not cause damage to the ingestive behavior, digestibility, and
metabolism of sheep.
Key words: Extrusion. Ruminants. Corn silage. Ovis Aries.
Introdução
A busca por tecnologias para aumentar a produ-
tividade dos rebanhos, sem onerar os custos de produção,
traz destaque positivo para os alimentos extrusados,
uma vez que esses produtos atuam na maximização da
eficiência digestiva (Mourão et al., 2012). De acordo com
Silva et al. (2015b) a extrusão pode ser definida como
uma etapa de processamento industrial de matéria prima
sólida aplicando altas temperaturas, pressão e umidade
no alimento para gerar expansão dos ingredientes, gela-
tinização do amido, redução de fatores antinutricionais
e desnaturação de proteínas.
Alimentos extrusados não melhoram a diges-
tibilidade, mas também ampliam a biodisponibilidade de
nutrientes presentes nas matérias primas (Singh et al.,
2010). Na nutrição de ruminantes, esses produtos têm
a capacidade de sincronizar o fornecimento das fontes
alimentares, uma vez que as proteínas, energia, minerais,
aditivos e fibras tornam-se um único alimento. Além
disso, ampliam a fermentação ruminal gerando melhor
aproveitamento dos alimentos e beneficiam o ambiente
ruminal pela manutenção de seu pH (Reddy & Reddy,
2015).
Em contrapartida, um dos fatores que determinam
o consumo de animais ruminantes é a relação concentra-
do: volumoso. Segundo Macedo Júnior et al. (2012) com
aumento na proporção de volumo há também aumento
nos níveis de fibra, redução do teor energético da dieta
ofertada podendo levar ao efeito de enchimento rumi-
nal e redução no consumo. Já dietas ricas em alimentos
concentrados podem ocasionar efeitos negativos à fer-
mentação ruminal e proporcionar distúrbios metabólicos,
por exemplo, acidose ruminal (Oetzel, 2017).
Estudos com uso de volumo e concentrado ex-
trusado tem demonstrado efeito positivo no uso desta
tecnologia na alimentação de ovinos (Macedo Junior et
al., 2019; Ruela et al., 2020). Sendo assim, com a criação
de novas tecnologias na nutrição animal e surgimento
de novas fontes alimentares na forma processada, as
avaliações de consumo, digestibilidade, comportamento
ingestivo e curva glicêmica são fundamentais para infe-
rências acerca das características positivas e negativas
do uso dos alimentos extrusados, para ruminantes.
Nossa hipótese é de que as diferentes relações
concentrado: volumoso, com a utilização de concentrado
extrusado, possa melhorar o consumo e digestibilidade dos
alimentos, além de parâmetros ruminais e metabólicos.
Dessa forma, o objetivo foi avaliar diferentes relações
concentrado: volumoso, com a utilização de concentrado
extrusado comercial e silagem de milho, sobre o consumo,
digestibilidade, comportamento ingestivo, metabólitos
sanguíneos e curva glicêmica de ovelhas adultas da raça
Santa Inês.
Material e Métodos
O experimento teve condução no setor de ca-
prinos e ovinos, da fazenda Capim Branco, pertencente
à Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Sua rea-
lização ocorreu durante o mês de janeiro de 2017, com
duração total de 20 dias, onde os quinze primeiros dias
foram dedicados à adaptação dos animais a dieta expe-
rimental e gaiolas metabólicas, e os últimos cinco dias
foram destinados para coletas de fezes, urina, sobras de
alimento e água. O ensaio contou com a aprovação da
Comissão de Ética e Utilização dos Animais (CEUA) da
UFU sob o número de protocolo 092/16.
As unidades experimentais utilizadas foram vinte
ovelhas da raça Santa Inês, não gestantes, não lactantes,
com peso médio de 50kg e idade média de três anos,
distribuídas em delineamento inteiramente casualizado.
Para o início da experimentação, todos os animais foram
pesados e vermifugados com Levamisol (via oral) no pri-
meiro dia do experimento e feita observação da mucosa
ocular. Em seguida, as ovelhas foram alocadas em gaio-
las metabólicas equipadas com comedouro, bebedouro,
saleiro, piso ripado e artefato para separação de fezes e
urina, de acordo com padrão dos Institutos Nacionais de
Ciência e Tecnologia (INCT).
Os grupos avaliados foram constituídos por dife-
rentes relações concentrado: volumoso, com a utilização
do concentrado extrusado comercial Beef Agnus
®
(B)
(Nuttrata Nutrição Animal, Itumbiara - GO, Brasil) e
Silagem de milho (S). Os tratamentos experimentais
foram: 40% de Beef Agnus
®
e 60% de Silagem de milho
(40%B:60%S); 50% Beef Agnus
®
e 50% de Silagem de
milho (50%B:50%S); 60% de Beef Agnus
®
e 40% de
Silagem de milho (60%B:40%S); 70% de Beef Agnus
®
e 30% de Silagem de milho (70%B:30%S) (Tabela 1).
Uso de níveis crescentes de concentrado extrusado e silagem de milho na dieta de ovinos
3
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Tabela 1- Esquema dos grupos experimentais
Tratamentos Beef Agnus Silagem de milho
T1 40% 60%
T2 50% 50%
T3 60% 40%
T4 70% 30%
A alimentação foi fornecida aos animais duas
vezes ao dia, às 08:00hrs e posteriormente às 16:00hrs,
sendo ofertado 50% do total diário em cada um desses
turnos. Além disso, a dieta foi balanceada para ter-se entre
5-10% de sobras do total fornecido. Durante todos os 20
dias do experimento, os animais tiveram livre acesso à
água e sal mineral específico para ovinos.
O produto Beef Agnus
®
é um concentrado protei-
co-energético extrusado indicado para ovinos. É composto
por ureia, sal comum (NaCl), fosfato bicálcico, sulfato
de cálcio, cloreto de potássio, calcário calcítico, farelo
de algodão, milho (70% amido), virginiamicina 50%
e núcleo ovinos 8%. As composições químicas do Beef
Agnus
®
, da silagem de milho e das dietas experimentais
estão descritas nas Tabela 2.
Tabela 2 Composições percentuais e químicas do Beef Agnus
®
, silagem de milho e das dietas em função dos tratamentos
Alimento MS (%) PB (%) FDN (%) FDA (%) NDT (%)
Beef Agnus
®
* 88,10 18,20 17,00 9,90 85,20
Silagem de milho** 31,18 6,30 55,40 32,80 64,88
Tratamento MS (%) PB (%) FDN (%) FDA (%) NDT (%)
40B:60S 53,95 11,06 40,04 23,64 73,01
50B:50S 59,64 12,25 36,20 21,35 75,04
60B:40S 65,33 13,44 32,36 19,06 77,07
70B:30S 71,02 14,63 28,52 16,77 79,10
B: Beef Agnus; S: Silagem de milho; MS: matéria seca; PB: proteína bruta; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido; NDT:
nutrientes digestíveis totais; *Valores fornecidos pelo fabricante Nutratta
©
. **Valores obtidos através de análises química efetuadas no Laboratório
de Nutrição Animal da Universidade Federal de Uberlândia.
Ao final dos quinze dias destinados à adaptação
dos animais, foram feitas as coletas de dados. Em todos
os cinco dias de coleta, todos os alimentos ofertados,
sobras e fezes foram pesados e amostrados por meio da
utilização de uma balança eletrônica de precisão de cinco
gramas. Para realização das análises químicas e cálculo
de consumo e digestibilidade da matéria seca, foram
utilizadas amostras compostas provenientes das amostras
simples de cada animal. Após o período de coleta, estas
amostras foram armazenadas em freezers horizontais a
uma temperatura de -15° para conservação das mesmas,
e em seguida, os alimentos ofertados, sobras e fezes
foram pré-secos em estufa ventilada à 55°C durante 72
horas, até a verificação de peso constante das amostras.
Em seguida, foram trituradas em um moinho de facas do
tipo Willey (ABNT), em partículas de 1mm. As amostras
foram levadas ao Laboratório de Nutrição Animal da UFU,
onde foi possível realizar a matéria seca definitiva das
porções de ofertado, sobras e fezes, em estufa à 105°C
durante 24 horas. Sendo realizado os cálculos de consumo
e digestibilidade da matéria seca de acordo com Maynard
et al. (1984).
A urina dos animais foi coletada por meio da uti-
lização de baldes com telas, para que ocorresse a retenção
das fezes que foram recolhidas em bandejas plásticas. A
mensuração do volume urinário contou com o uso de
provetas graduadas de plástico, com capacidade de dois
litros e precisão de 20mL. Quantificou-se o volume de
urina excretado por cada animal durante o período de
24 horas, sendo amostrado 20% do total diário de todos
os baldes coletores em cada um dos cindo dias de coleta.
Em seguida, essas amostras foram filtradas com a utili-
zação de filtros descartáveis de papel e armazenadas em
garrafas plásticas identificadas mantidas em um freezer
à -15°C para futuras análises.
Com relação à densidade de urina, foi utilizado
um refratômetro manual portátil Megabrix
®
(Fremont,
Ohio, Estados Unidos) para mensuração dessa variável.
Com o auxílio de pipetas descartáveis, 1 mL de urina
foi transferido do balde coletor de cada animal para o
prisma do optômetro. Esse procedimento realizado sob
luz fluorescente sempre na mesma posição. Entre a men-
suração de cada amostra, o refratômetro foi higienizado
Rodrigues, G. R. D. et al.
4
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e seco com papel toalha para evitar interferências entre
os resultados avaliados.
O escore fecal foi avaliado de acordo com a escala
descrita por Gomes et al., (2012), onde na escala um
(1) as fezes são ressecadas e sem brilho; na escala dois
(2) as fezes são normais; na escala três (3) as fezes são
ligeiramente amolecidas; na escala quatro (4) as fezes
são amolecidas, perdendo o formato e coladas umas às
outras; na escala cinco (5) as fezes são amolecidas e
sem formato normal; e na escala seis (6) as fezes são
diarreicas.
O cálculo da ingestão de água pelos animais foi
realizado por meio da diferença entre a quantidade de
água ofertada diariamente e as sobras mensuradas no
dia seguinte, levando em consideração a quantidade de
água que evaporou. Utilizou-se uma proveta graduada de
plástico com capacidade de dois litros e exatidão de 20mL
para identificação desses valores. Durante todos vinte
dias do ensaio experimental ofertou-se uma quantidade
padrão de seis litros de água para cada animal, sendo
que caso houvesse necessidade, fornecia-se quantidades
maiores. A evaporação foi mensurada a cada 24 horas
por meio da inserção de um balde contendo seis litros de
água no galpão experimental, em local de acesso restrito
aos animais. O balde de evaporação foi alocado durante
o momento de fornecimento de água para os animais,
em uma superfície plana correspondente à altura dos
baldes presentes nas gaiolas metabólicas. Os níveis de
água evaporada também foram obtidos pela diferença
entre os seis litros ofertados e suas sobras verificadas no
dia seguinte. Para a realização dos cálculos a quantidade
total de água evaporada foi descontada do consumo diário
de água de cada animal.
Durante o quinto dia do período de coleta, ocorreu
a mensuração do comportamento ingestivo, de acordo
com a metodologia proposta por Fischer et al. (1998)
onde os animais foram avaliadas a cada cinco minutos,
onde observava-se se estavam ingerindo alimento ou
água separadamente (ING), ruminando (RUM) ou em
ócio (ÓCIO).
Os cálculos das atividades foram feitos em minu-
tos por dia, admitindo que, nos cinco minutos subsequen-
tes a cada observação, o animal permaneceu na mesma
atividade. O tempo total gasto em mastigação (MAST) foi
obtido pela soma entre o tempo gasto em ingestão (ING)
e ruminação (RUM). As eficiências de ingestão (Eing),
mastigação (Emast) e ruminação (Erum) foram obtidas
segundo Polli et al. (1996), de acordo com as equações:
CMS/Tmast e Erum (g min
-1
) = CMS/Trum; em que
CMS é consumo de MS (g MS dia
-1
), Tal é o tempo de
alimentação (min dia
-1
), Tmast é o tempo em mastigação
(min dia
-1
) e Trum é o tempo em ruminação (min dia
-1
).
As coletas de sangue para avaliação dos componentes
bioquímicos também foram realizadas após os quinze
dias do período de adaptação dos animais, sendo feitas
no primeiro, terceiro e quinto dia de coleta do experi-
mento, antes da primeira refeição ofertada no dia com os
animais em jejum desde a última refeição disponibilizada
no dia anterior. As colheitas de sangue ocorreram por
venopunção da jugular com tubos Vacutainer
®
(BD) sem
anticoagulante. Os componentes bioquímicos avaliados
para determinação do metabolismo energético foram:
triglicerídeos, colesterol e frutosamina; e para determi-
nação do metabolismo proteico foram: ureia, proteínas
totais, ácido úrico, albumina e creatinina.
As colheitas para avaliação glicêmica ocorreram
no último dia de coleta de dados em horários pré-de-
finidos, sendo às 08:00 (antes da primeira refeição),
11:00, 14:00, 17:00 e 20:00 horas. Excepcionalmente
nesse dia, a segunda refeição somente foi ofertada após
o recolhimento das 20:00 horas. As amostras destinadas
à análise de glicemia foram obtidas por venopunção da
jugular com a utilização de tubos Vacutainer
®
contendo
fluoreto e EDTA, identificados para cada animal.
Todas as amostras de sangue coletadas passaram
por uma centrifuga à 3000 rotações por minuto, durante
10 minutos. O soro foi separado em alíquotas que foram
armazenados em freezers verticais à -15°C para futuras
análises laboratoriais. O processamento dessas amostras
foi realizado com a utilização de um analisador bioquí-
mico automatizado Bioplus 2000 (Bioplus
©
, Barueri-SP,
Brasil), usando kit comercial da Lab Test Diagnósticos S.
A
©
(Labtest Diagnóstica S. A., Lagoa Santa-MG, Brasil).
Utilizou-se delineamento inteiramente casualizado, sendo
para a glicemia ao longo do dia foi considerado delinea-
mento inteiramente com medidas repetidas no tempo. Esta
variável foi testada para condição de esfericidade, que
não foi aceita. Portanto, utilizou-se a análise de modelos
mistos, em que foram avaliadas todas as estruturas de
covariâncias (S) disponíveis no pacote do software SAS
(SAS Institute, 2012) que modelam a dependência dos er-
ros do modelo. Para selecionar a estrutura de covariância
que melhor explique a correlação residual, foi utilizado o
critério de informação de Akaike (AIC), sendo escolhida,
para cada variável, a estrutura que resultou no menor
valor de AIC após a análise (Silva et al., 2015a).
Todos os dados obtidos foram avaliados quanto a nor-
malidade e homocedasticidade das variâncias dos tra-
tamentos. As variáveis foram submetidas a análise de
regressão, tendo como fator regressor o percentual do
Beef Angus
®
. Nesta análise, foi observado a significância
dos efeitos linear, quadrático e não significância da falta
de ajuste do modelo, sendo a probabilidade de erro tipo
I utilizada para tomada de decisão 5%. A variável escore
fecal, por tratar-se de uma variável não paramétrica, foi
analisada por meio do teste de Kruskal e Wallis (1952)
seguido pelo procedimento de Conover (1980) com nível
de significância de 5% de probabilidade de erro tipo I.
Uso de níveis crescentes de concentrado extrusado e silagem de milho na dieta de ovinos
5
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Resultados e discussão
A medida com que aumentou a proporção de silagem
de milho na dieta houve redução linear no consumo de
matéria seca (CMS), CMS em relação ao peso corporal
(CMS/PC) e CMS pelo peso metabólico (CMS/PC
0,75
), ou
seja, as dietas contendo maiores níveis de concentrado
extrusado obtiveram maior consumo (P<0,05) (Tabela 3).
A redução no CMS ocorreu pelo aumento na concentra-
ção de fibra nas dietas. De acordo com Macedo Júnior
et al. (2012), caso os níveis de fibra da dieta cheguem a
comprometer a oferta de carboidratos fermentáveis de
origem não fibrosa há redução no CMS. Sendo assim, a
maior oferta de silagem de milho que contém maior pro-
porção de fibra levou a redução no consumo das ovelhas.
Tabela 3 – Consumo e digestibilidade da matéria seca em ovelhas consumindo diferentes proporções de concentrado
extrusado (Beef Agnus
®
) e Silagem de milho
Tratamentos
70B:30S 60B:40S 50B:50S 40B:60S P-Valor MG CV
1
CMS (kg/dia) 1,77 1,59 1,17 1,04 0,0257 1,40 20,09
2
CMS/PC (%) 3,74 3,49 2,59 2,28 0,0198 3,03 14,92
3
CMS/
PC0,75
98,27 90,71 67,2 59,32 0,0074 78,89 15,43
DMS (%) 62,43 65,44 63,17 54,73 0,3675 61,44 16,50
B: Beef Agnus
®
(concentrado extrusado);
S: silagem de milho; CMS: consumo de matéria seca; PC: peso corporal; DMS: digestibilidade da matéria
seca; MG: média geral; CV: coeficiente de variação;
1
Y=2,570760 0,026008x, R
2
=95,91%;
2
Y=5,413860 0,052958x, R
2
=95,00%;
3
Y=142,037740
– 1,403202x, R
2
=95,23%
Outra explicação para a redução no consumo
de matéria é sobre o processamento do concentrado. A
extrusão promove sincronismo entre as fontes alimentares
e altera a estrutura da matéria prima durante o processo
de extrusão, o que facilita a digestão e consequente au-
mento do consumo (REDDY; REDDY, 2015). Além disso,
as partículas de produtos extrusados como demonstrado
por Oliveira et al. (2019) têm tamanho próximo a 2mm,
ou seja, são menores e mais homogêneas que as da silagem
de milho utilizadas. Partículas menores tem uma maior
taxa de passagem sendo necessário um maior consumo
com maior inclusão de Beef Agnus
®
.
A recomendação de CMS diário para a categoria
animal avaliada é de 1,05kg/dia (NRC, 2007), indicando
que todos os grupos atingiram a normalidade. O trata-
mento 70B:30S está 68,57% acima da referência, os
animais que consumiram 40B:60S ficou 0,01% abaixo da
mesma. Esses valores reforçam que a maior inclusão de
concentrado extrusado promoveu o aumento no CMS.
Silva et al. (2020a) e Ruela et al. (2020) também de-
monstraram aumento no CMS elevados com a utilização
de alimentos extrusados na dieta para ovelhas adultas.
Para a digestibilidade da matéria seca (DMS)
não houve efeito do aumento na proporção de silagem
de milho (P>0,05) (Tabela 3). Alimentos concentrados
possuem maior presença de carboidratos não fibrosos em
suas composições, fator que proporciona altas taxas de
digestibilidade devido à elevada capacidade de fermen-
tação no rúmen desses componentes (Vallejo-Hernández
et al., 2018). Com aumento da proporção de concentrado
extrusado embora maior digestibilidade que carboidratos
fibrosos tem maior taxa de passagem pelo trato gastroin-
testinal reduzindo o aproveitamento. Logo, em dietas que
aumenta a proporção de silagem de milho, pela maior
concentração de fibras e tamanho da partícula perma-
necem mais tempo no ambiente ruminal expostos para
degradação. Essa compensação levou a não significância
para digestibilidade entre os tratamentos (Tabela 3).
Não houve efeito das proporções de volumoso e
concentrado extrusado sobre o consumo de água (CH
2
O)
e consumo de água em relação ao consumo de matéria
seca (CH
2
O/CMS) (P>0,05) (Tabela 4). De acordo com o
NRC (2007) o CH
2
O/CMS diário de ovinos adultos precisa
estar entre 2 L/kg e 3 L/kg, portanto, como a média de
2,67 (L/kg), as diferentes relações entre Beef Agnus
®
e silagem de milho a ingestão hídrica esteve dentro do
recomendado para a categoria (Tabela 4).
Da mesma forma que para o consumo de água
os parâmetros urinários não apresentaram diferenças
estatísticas entre os tratamentos (Tabela 4) (P>0,05). De
acordo com Hendrix (2005) a recomendação de volume
de urina (VU) excretado para ovinos, é de 0,1 a 0,4L à
cada 10kg de peso vivo. Como os animais dessa situação
experimental tinham peso médio de 50,0kg, o VU indicado
seria entre 0,5 e 2,0, dentro do esperado. A Densidade da
Urina (DU) específica de ovinos varia entre 1,020-1,040
g.mL
-1
(Hendrix, 2005), portanto, todos os grupos estão
dentro da faixa de recomendação. A estabilização nos
valores de VU e DU podem ser relacionados com o CH
2
O
adequado, pois segundo Reece (2006) a restrição hídrica
pode acarretar em problemas renais e consequentemente,
redução no VU e alterações na DU.
Rodrigues, G. R. D. et al.
6
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
Tabela 4 – Ingestão de água, parâmetros fecais e urinários de ovelhas consumindo diferentes níveis de concentrado
extrusado (Beef Agnus
®
) e silagem de milho
Tratamentos
70B:30S 60B:40S 50B:50S 40B:60S P-Valor MG CV
CH
2
O (L/dia) 4,44 3,00 3,97 2,99 0,3789 3,60 31,87
CH
2
O/CMS(L/kg) 2,54 1,89 3,34 2,90 0,4725 2,67 32,51
VU (L/dia) 1,76 0,93 1,58 1,25 0,6987 1,38 42,8
DU (g.mL
-1
) 1,0214 1,0336 1,023 1,0216 0,7412 1,0249 0,90
PFMN (kg) 1,82 1,48 1,40 1,38 0,2147 1,52 22,73
PFMS (g) 0,624 0,533 0,461 0,562 0,2954 0,545 21,58
MSF (%) 36,45 37,87 34,50 40,67 0,4125 37,35 32,90
EF* 2,68 2,68 2,56 2,40 0,8897 2,58 XXX
B: Beef Agnus
®
(concentrado extrusado);
S: silagem de milho; CMS: consumo de matéria seca; VU: volume urinário; DU: densidade da urina; PFMN:
peso das fezes na matéria natural; PFMS: peso das fezes na matéria seca; MSF: matéria seca fecal; EF: escore fecal; MG: média geral; CV: coeficiente
de variação; *Estatística não paramética.
Os parâmetros fecais também não diferenciaram
com as diferentes proporções de silagem de milho e o
volumoso extrusado na dieta das ovelhas (P>0,05) (Ta-
bela 4). As fezes de ruminantes podem ser influenciadas
quantitativamente e qualitativamente pela temperatura
ambiental, qualidade alimentar consumida, manejos
adotados e características individuais dos animais. O peso
do volume fecal excretado pode ser afetado pela taxa de
passagem dos alimentos no rúmen e suas digestibilidades
(Santos e Nogueira, 2012). De acordo com Vieira (2008),
uma ovelha adulta produz entre 0,8 e 1,5 kg de fezes na
matéria natural (PFMN), portanto, a média verificada de
1,52 kg indica que as dietas ofertadas não influenciaram
negativamente no PFMF e digestibilidade dos alimentos.
A matéria seca fecal (MSF) está dentro da faixa de reco-
mendação de Van Cleef et al. (2010) para ovinos, onde
considera-se normal de 37 a 44% de MSF e a média
obtida foi 37,35%. Similar aos encontrado nos estudos
com produtos extrusados, Silva et al. (2020b) obtiveram
PFMN e MSF de 2,57 kg/dia e 34,60%, respectivamente.
Oliveira et al. (2019) constataram 1,798 kg/dia e
31,74% para as mesmas variáveis. Araújo et al. (2020)
verificaram PFMN de 2,47 kg/dia e MSF de 38,89%.
A avaliação do escore fecal (EF) é fundamental
para avaliação de possíveis distúrbios no trato gastroin-
testinal e seus impactos na saúde e desempenho dos
animais. O EF descrito por Gomes et al. (2012) como
ideal é 2, estando a média próxima a este valor com 2,58.
Silva et al. (2020b), Oliveira et al. (2018) e Araujo et al.
(2020) avaliando a inclusão de alimentos extrusados
para ovelhas, obtiveram EF de 2,47, 3,2 e 2,65, respec-
tivamente, indicando que o uso desses produtos, em
diferentes relações concentrado:volumoso, não alteram
a digestibilidade dos alimentos e o escore das fezes de
ovinos.
Não houve diferença estatística para o tempo gas-
to em ingestão, ruminação, ócio e mastigação de ovelhas
consumindo diferentes proporções de silagem de milho
e concentrado extrusado na dieta (P>0,05) (Tabela 5).
No entanto, houve redução linear na eficiência rumina-
ção mastigação à medida que aumento a proporção de
silagem de milho na dieta (P<0,05) (Tabela 5).
O aumento na eficiência de ruminação e masti-
gação pode ter sido proveniente do tamanho médio de
2mm das partículas do concentrado extrusado, uma vez
são digeridas com maior facilidade pelos microrganismos
ruminais, e consequentemente, levam um tempo menor
para atingir a dimensão necessária para seguirem ao
retículo.
O tempo de ruminação médio diário para ovinos
adultos varia de 240 a 540 minutos, podendo ser direta-
mente influenciado pela natureza das dietas ofertadas e o
teor da parede celular contida nos alimentos volumosos
(Van Soest, 1994). O único grupo fora dessa referência
é o 70B:30S, estando 18,75% abaixo do valor mínimo.
O emprego de forragens na nutrição de ruminantes é de
suma importância para a ruminação dos animais, que a
fibra estimula esse processo. Alimentações que reduzem
a ruminação animal podem diminuir a produção de sa-
liva, pH ruminal e digestibilidade da fibra (Geron et al.,
2013). Dessa forma, o tratamento 70B:30S pode ter tido
menor tempo de ruminação devido à menor presença de
fibra na dieta e o tamanho das partículas do concentrado
extrusado utilizado (Tabela 5).
Em relação ao metabolismo das ovelhas, a gli-
cemia não alterou significativamente com aumento da
silagem de milho na dieta (P>0,05), entretanto, suas
concentrações por horários sofreram resposta quadrática
(P<0,05) (Tabela 6).
Uso de níveis crescentes de concentrado extrusado e silagem de milho na dieta de ovinos
7
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
Tabela 5Comportamento ingestivo de ovelhas recebendo diferentes relações de concentrado extrusado (Beef Agnus
®
)
e silagem de milho
Tratamentos
70B:30S 60B:40S 50B:50S 40B:60S P-Valor MG CV
Ingerindo (min/dia) 289 286 201 195 0,2541 242,75 30,04
Ruminando (min/dia) 195 255 332 313 0,2478 273,75 31,70
Ócio (min/dia) 956 899 907 932 0,2698 923,50 11,91
Mastigação (min/dia) 484 541 533 508 0,3210 516,50 21,29
Eficiência (Ing) (g/min) 6,74 5,67 5,95 6,12 0,1254 6,12 37,97
Eficiência (Rum)
1
(g/min) 9,75 8,46 3,87 3,51 0,0025 6,40 34,11
Eficiência (Mast)
2
(g/min) 3,79 3,00 2,31 2,19 0,0003 2,82 28,15
B: Beef Agnus
®
(concentrado extrusado);
S: silagem de milho; Ing: ingestão; Rum: ruminação; Mast: Mastigação; MG: média geral; CV: coeficiente
de variação;
1
Y=16,895620 – 0,233146x, R
2
=89,95%;
2
Y=5,299320 – 0,054926x, R
2
=92,60%
Tabela 6 – Concentração glicêmica por tratamento e horário de coleta de ovinos alimentados com diferentes relações
de Beef Agnus
®
e Silagem de milho
Tratamentos
70B:30S 60B:40S 50B:50S 40B:60S MG CV
Glicemia (mg/dL)* 50,48 62,56 52,60 58,40 56,07 12,05
Horários de coleta
08h 11h 14h 17h 20h P-valor P-valor*
Glicemia
1
(mg/dL) 61,50 55,60 49,00 54,40 59,85 0,0458 0,1258
MG: média geral; CV: coeficiente de variação;
1
Y=107,190635 – 7,861111x + 0,275397x
2
, R
2
=90,97%; * corresponde ao P-valor da glicemia entre
os tratamentos.
O mesmo perfil glicêmico entre os tratamentos
(Tabela 6) foi provocada pela pouca variação que os
teores desse açúcar sofrem no plasma sanguíneo, uma
vez que há intenso controle hormonal desse metabólito
pelas ações da insulina e glucagon sobre o glicogênio
e glicorticoides durante a gliconeogênese (Silva et al.,
2020a). Ainda de acordo com Silva et al. (2020a) o va-
lor de referência de glicose para ovinos é de 30 94 mg
dL
-1
, portanto, todos os tratamentos apresentaram-se
com números adequados, indicando que as diferentes
porcentagens ofertadas do concentrado extrusado não
prejudicaram as concentrações de glicose dos animais,
durante o período experimental.
Com relação à glicemia por horário, a diferença
ocorreu devido ao perfil de degradação dos alimentos
e aos horários de alimentação (Tabela 6) (P<0,05). A
menor concentração de glicose verificada foi no horário
das 14:00 horas. Os carboidratos solúveis são fermentados
no rúmen, entretanto, dependendo do processamento
em que os grãos dos cereais que compõem a dieta são
submetidos, parte desses compostos escapam da fermen-
tação ruminal e são digeridos no intestino delgado pelas
enzimas de origem pancreáticas (α-amilase) e mucosa
intestinal (maltase e isomaltase) (Cañizares et al., 2009).
Sendo assim, a parede intestinal pode ter roubado parte
da glicose ingerida e ocasionado a resposta quadrática
verificada para essa variável.
o aumento às 17:00 e 20:00 horas pode ter
sido ocasionado pela lenta ação da gliconeogênese, que
utiliza uma via indireta e ocorre de forma lenta. O propio-
nato é transformado em propionil CoA, metimalonil CoA,
succinil CoA, passa pelo ciclo de Krebs como succionato
e em seguida chega à veia porta hepática como glicose
(Kozloski, 2017). Portanto, os carboidratos solúveis na
dieta podem ter levado a um incremento na produção
de ácido propiônico, e consequentemente, aumentado a
concentração de glicose plasmática dos animais durante
às 17:00 e 20:00 horas.
Para os metabolitos proteicos e energéticos não
houve efeito das diferentes relações concentrado: volu-
moso utilizadas (P>0,05) (Tabela 7). Os triglicerídeos
são sintetizados no fígado e atuam como a principal
forma de armazenamento de ácidos graxos no tecido
adiposo, constituindo fontes de reserva de energia. Seus
níveis encontrados no plasma refletem o fornecimento
de energia proveniente da dieta consumida, assim como
sua qualidade. o colesterol apresenta origem exógena
e endógena, sendo a primeira pela alimentação e a se-
gunda pela síntese realizada no intestino delgado, células
Rodrigues, G. R. D. et al.
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Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
adiposas e fígado. Esse metabólito é um indicador dos
níveis lipídeos presentes na corrente sanguínea (Kozloski,
2017). Uma vez que os valores obtidos estão dentro da
referência de Silva et al. (2020a), as dietas ofertadas não
comprometeram o metabolismo energético dos animais
e consequentemente, proporcionaram armazenamento
de energia adequado aos animais.
Tabela 7 – Concentração dos metabólitos energéticos e proteicos em função das diferentes relações concentrado ex-
trusado (Beef Agnus
®
) e Silagem de milho
Tratamentos
70B:30S 60B:40S 50B:50S 40B:60S MG P-valor CV VR**
Metabólitos Energéticos
Triglicerídeos (mg/dL) 60,50 62,66 70,12 69,10 65,35 0,8708 32,36 5-71
Colesterol (mg/dL) 14,20 16,13 15,41 15,13 15,21 0,8936 26,13 14-126
Metabólitos Proteicos
Ureia (mg/dL) 43,46 34,26 34,58 31,46 36,01 0,4154 32,07 10-92
PT*
1
(mg/dL) 4,32 4,01 4,87 4,76 4,47 0,0823 11,66 3,1-10,7
Ácido úrico (mg/dL) 0,05 0,04 0,07 0,17 0,08 0,1870 4,37 0-1,7
Albumina (mg/dL) 3,41 2,97 3,64 3,36 3,33 0,6287 23,00 1,1-5,2
Creatinina (mg/dL) 0,60 0,61 0,60 0,63 0,61 0,9700 17,95 0,4-1,7
PT*: Proteínas Totais; MG: média geral; CV: coeficiente de variação; P: probabilidade de significância (5%); VR**: Valor de referência de Silva et al.
(2020a);
1
X = 7,182812 – 0,078172x + 0,000512x
2
, R
2
= 52,90%
Com relação ao metabolismo proteico, a variável
proteína total (PT) apresentou resposta quadrática em
função da inclusão de silagem de milho. As PT participam
do transporte de nutrientes, metabólitos e hormônios,
regulam o pH sanguíneo e participam da coagulação san-
guínea. Sua síntese está diretamente relacionada com o
status nutricional do animal e é realizada principalmente
no fígado (Kozloski, 2017).
a albumina (Tabela 7) é um constituinte de
grande parte da proteína sérica total, sendo responsável
por compor reservas energéticas e transportar ácidos gra-
xos livres no organismo. Como esse metabólito também
está na referência de Silva et al. (2020a), seus índices
reforçam que os resultados da variável PT não promo-
veram distúrbios metabólicos.
Não foram encontradas diferenças estatísticas
(P>0,05) para a ureia e ácido úrico. A ureia é o principal
indicador do nível proteico em ruminantes, que tem
relação estreita com a digestão proteica e metabolismo
da microbiota ruminal. A amônia absorvida pela parede
do rúmen é transportada pelo fígado e metabolizada em
ureia. O ácido úrico apresenta ação direta no metabolismo
ruminal, sendo seus níveis influenciados pela qualidade
dos alimentos ingeridos e produção de proteína ruminal
(Kozloski, 2017). Como essas duas variáveis se apresen-
taram no intervalo de referência de Silva et al. (2020a),
os alimentos ofertados nesse estudo possuíam ampla
qualidade nutricional e não inferiram de modo negativo
na formação de proteína microbiana no rúmen.
Com relação a creatinina, não foram verificadas
diferenças estatísticas (P>0,05) e seus índices encontram-
-se no valor de referência de Silva et al. (2020a). Esse
metabólito proteico é importante indicativo da função
renal, uma vez que reflete a taxa de filtração glomerular e
sofre pouca influência de fatores intrínsecos e extrínsecos
aos animais, como dieta, idade ou sexo (Reece, 2006).
Conclusão
O aumento em até 60% de silagem na dieta e
40% de concentrado extrusado (dieta 40B:60S) leva a
redução do consumo de matéria seca, da eficiência de
mastigação e de ruminação. No entanto, não altera a
digestibilidade da matéria seca, o consumo de água, os
parâmetros urinários, fecais e metabolitos. Ou seja, o uso
de dietas entre 40% a 70% de volumoso extrusado pode
ser utilizado na dieta de ovinos sem levar a prejuízos no
aproveitamento das dietas e no metabolismo.
Aprovação do Comitê de Ética
O ensaio contou com a aprovação da Comissão
de Ética e Utilização dos Animais (CEUA) da Universi-
dade Federal de Uberlândia sob o número de protocolo
092/16.
Uso de níveis crescentes de concentrado extrusado e silagem de milho na dieta de ovinos
9
Cad. Ciênc. Agrá., v. 13, p. 01–10, https://doi.org/10.35699/2447-6218.2021.33741
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