Os mapas insertos nas descrições e guias de viagem a Portugal editados nos séculos XVIII e XIX

  • Luís Paulo Saldanha Martins Universidade do Porto
  • Helder Trigo Gomes Marques Universidade do Porto
  • Mário Gonçalves Fernandes Universidade do Porto
Palavras-chave: cartografia temática histórica, turismo

Resumo

A inclusão de mapas nos guias de viagem vulgarizou-se a partir do segundo quartel do século XIX, sobretudo com editores como Murray ou Baedeker, enquanto a sua difusão adquiriu significado a partir de meados do século.
Embora existam semelhanças com obras antes publicadas, sobressaindo o simbolismo de destrinça social do “grand tour”, estes guias consubstanciam um novo período, com nova moldura informativa orientados para novos públicos, do “tourist” à média burguesia ascendente. Esta panóplia informativa, até pela inclusão de mapas de suporte aos itinerários propostos – de grande ou pequena escala1 – destrinça tanto a fase anterior como a seguinte mais seletiva e especializada.
Duma forma sinótica, estes guias revelam a modernidade decorrente do sedimentar do espírito naturalista, difundido por protobotânicos e protozoólogos, mas também a matriz romântica do conhecimento sensível, que releva peculiaridades e estética paisagista, diversidade de costumes ou confere identidade à multiplicidade de povos e nações.
Pretende-se realizar uma caracterização de mapas incluídos em guias, muitos disponíveis em bibliotecas virtuais, procurando escrutinar o lugar que tiveram nas narrativas sobre Portugal enquanto destino de viagem. Embora com os excursos necessários e, existindo pelo menos dois editores a publicarem guias com cerca de vinte anos de intervalo (1864/1887 e 1869/1889) procedemos, no essencial, ao escrutínio dos fundamentos que eventualmente possam justificar a razão e o porquê dos editores incluírem mapas diferentes – no rigor e diversidade de informação – nas várias publicações.

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Referências

ALEGRIA, Maria Fernanda e GARCIA, João Carlos, 1994, Cartografia Impressa nos séculos XVI e XVII Imagens de Portugal e Ilhas atlânticas. Lisboa, Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.
MARTINS, Luís P.; FERNANDES, Mário G. (2013). “Cartografia, Progresso e Turismo: apontamentos sobre o ‘Mappa Excursionista de Portugal’ de 1907”, V Simposio Luso-Brasileiro de Cartografia Historica, Petropolis, Brasil, 2013-11-26.
MARTINS, Luís P.; MARQUES, Helder; FERNANDES, Mário G. (2016). “O contributo da Cartografia Temática para a difusão do Turismo em Portugal: exemplos e apontamentos de leitura”, Atas do VI Simpósio Luso-Brasileiro de Cartografia Histórica, Porto, FLUP, pp. 267-274. (ISBN digital: 978-989-8648-56-3; https://drive.google.com/drive/folders/0BwsJ4eeTvlPXcEVYSU9YM0FhWjA).
MARTINS, Luís Saldanha (2011). Os guias de viagem, a cartografia e os fundamentos do turismo. In IV Simpósio LusoBrasileiro de Cartografia Histórica, Porto, Novembro de 2011.(http://eventos.letras.up.pt/ivslbch/comunicacoes/113.pdf; ISBNdigital: 978-972-8932-88-6).
MOREIRA, Luís Miguel Alves Bessa, 2012.Cartografia, Geografia e Poder: o processo de construção da imagem cartográfica de Portugal, na segunda metade do século XVIII, Guimarães, Universidade do Minho, tese de doutoramento, policopiada.
Publicado
2019-12-20
Seção
Artigos