Ampliando a técnica violonística de mão direita:
um estudo sobre a repetição por deslizamento
Bruno Madeira, Universidade do Estado de Santa Catarina, madeirabruno@gmail.com
1. Introdução
O presente artigo tem como objetivo recolher da bibliografia, analisar e exemplificar usos de um
procedimento mecânico relativo à mão direita do violonista – a repetição de um dedo através de seu
deslizamento por mais de uma corda. Na literatura para violão, são raras as menções e exemplos do
procedimento, expostos aqui na segunda seção, que compreende uma revisão bibliográfica. Na terceira e
quarta seção, são expostos casos de aplicação do recurso que não são mencionados nas publicações
analisadas, com o intuito de ampliar a gama de possibilidades técnicas do violonista.
Vários casos da repetição por deslizamento podem ser considerados como técnicas estendidas, quando as
entendemos como “processos que num determinado momento são utilizados marginalmente pelos
intérpretes e que ampliam a paleta sonora de um instrumento ou propõem diferentes soluções mecânicas
para determinadas situações” (Madeira; Scarduelli 2013, 183). Essa concepção de técnica estendida (ou
expandida) vai além da definição de Silva, que as define como aquelas “técnicas não-convencionais, não-
ortodoxas e não tradicionais, [...] [usadas] no sentido de obter sons não-usuais ou timbre instrumentais
diferenciados” (Silva 2013, 123). Mais abrangente é a definição de Vasconcellos: “técnicas de performance
não totalmente assimiladas” (Vasconcellos 2013, 15), que exemplifica com Burtner que o próprio crescendo,
no século XVIII, era considerado uma técnica estendida. Vasconcellos ainda se apoia em José Padovani e
Silvio Ferraz (2011), que afirmam que a técnica estendida se refere a “modos de tocar um instrumento ou
utilizar a voz que fogem dos padrões estabelecidos principalmente no período clássico-romântico” (Padovani
e Ferraz 2011, 11).
Para este artigo, o conceito de técnica estendida estará no campo da interpretação – como manipulações
instrumentais pouco comuns –, não no relacionado à composição – como resultados sonoros pouco comuns.
Nesse sentido, sigo aqui com a mesma linha de investigação apresentada em um trabalho prévio (Madeira;
Scarduelli, 2013), assim como o título sugere.
Concluindo essa pequena introdução, é importante destacar que é consenso entre os autores a volatilidade
da fronteira entre a técnica estendida e técnica tradicional, considerando que a técnica instrumental passa
por contínuas transformações que incorporam pouco a pouco novos procedimentos.