[Digi e e ][Digi e e ][Digi e e ]
eISSN 2317-6377
A linha de baixo nos ritmos do sul do Brasil: proposi es
pr ticas, te ricas e suas aplica es no contrabaixo
ac stico
The ba li e i he h hm f S he B a il: ac ical a d he e ical
al a d i a lica i he d bleba
Ma he Me i a Pa ali1
matheuspasquali89@gmail.com
Leona do Pie ma i i1
1U i e idade d E ad de Sa a Ca a i a, CEART, Fl ia li , Sa a Ca a i a, B a i
ARTIGO CIENT FICO
Editor de Se o: Fe a d Chaib
Editor de Layout: Fe a d Chaib
Licen a: "CC b 4.0"
Data de submissão: 10 set 2024
Data final de aprovação: 27 out 2024
Data de publicação: 02 jan 2025
DOI: https:/ / doi.org/ 10.35699/ 2317- 6377.2025.54497
RESUMO: E e a ig e ma a li e da li ha de bai g e da mil ga e em i m imila e ,
ca ac e ic da egi l d B a il, a lica d - a c abai . C ide a- e a e a a ec ic
a a a b e de ma idade a iada, ma amb m a ec c cei al de e g e , e
dial gam c m c cei de cla e e mica adi i a. F i fei a ma a li e b e a cla e ada e e g e ,
e e a ame e a me ma e c ada em e il , ge i d ma el igem af ica a c m m.
E e m abalh i f mad ela ica, de m d a e a ici c m m ic c idad em
e f ma ce c m g Q a e C a de P , g e eciali ad e e i li , ediad em Lage -
SC. F i eali ada ma e e i a c m m ic J Gab iel R a, e amb m c m a ilh a e ce e e
ica . Ne e a ig e i cl da a c i e e a li e de ech de b a de e e e i a a c b a
a c cl e le a ada .
PALAVRAS-CHAVE: Ri m li ; R mica adi i a; M ica; C abai .
ABSTRACT: Thi a icle e a a al i f ba li e i he mil ga ge e a d imila h hm , cha ac e i ic
f he he egi f B a il, a l i g hem he c aba . N l he ac ical a ec f b ai i g a
a ia e d i c ide ed, b al he c ce al a ec behi d he e ge e , hich dial g e i h he
c ce f cla e a d addi i e h hm. A h hmic a al i a made f he claff f h e ge e , hich a e e ac l
he ame a h e f d i he le , gge i g a ible c mm Af ica igi . Thi i a k i f med b
ac ice, he e e f he a h a ici a ed a a g e m icia i e f ma ce i h he g Q a e
C a de P , a g eciali ed i he e e i e, ba ed i Lage -SC. A i e ie a ca ied i h
m icia J Gab iel R a, h al ha ed hi e ce i . Thi a icle i cl de a c i i a d a al e f
e ce f m k f m hi e e i e c b a e he c cl i ai ed.
KEYWORDS: S he h hm ; Addi i e h hmic; M ic; D bleba .
Per Musi | Belo Horizonte | v.26 | Gene al To ic |e252602 | 2025
Último retrato: edição inédita da canção de câmara de Dinorá de
Carvalho e Maria Antonia
Último retrato: unpublished edition of the chamber song by Dinorá de Carvalho
and Maria Antonia
Tadeu Moraes Taffarello1 Raquel Juliana Prado Leite de Sousa1 Lucas Zewe Uriarte2
tadeumt@unicamp.br
Flávio Cardoso de Carvalho3 Caio Csizmar Soares Lourenço4 Vitor Alves de Mello Lopes4
Elias Aparecido Corrêa4
1 Universidade Estadual de Campinas, CIDDIC/CMDC, Campinas SP, Brasil
2 Universidade Estadual de Maringá, Departamento de Música e Artes Cênicas, Maringá PR, Brasil
3 Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Artes, Uberlândia MG, Brasil
4 Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Artes, Campinas SP, Brasil
PARTITURA
Editor de Seção: Fernando Chaib
Editor de Layout: Fernando Chaib
Licança: "CC by 4.0"
Data de submissão: 28 ago 2025
Aprovação final de aprovação: 01 jan 2026
Data de publicação: 12 fev 2026
DOI: https://doi.org/10.35699/2317-6377.2026.61373
RESUMO: Último retrato é uma canção de câmara composta por Dinorá de Carvalho com texto de Maria Antonia. Apesar de
composta em meados da década de 1950, a partitura da canção jamais foi publicada. Somente em 2023 foi possível reunir um
conjunto de fontes documentais musicais, incluindo partes instrumentais e uma gravação, possibilitando a realização da edição
crítica da peça completa a partir da metodologia do texto base. O objetivo deste trabalho é publicar a partitura da versão para
canto e piano de Último retrato, tornando-a finalmente acessível ao público.
PALAVRAS-CHAVE: Música brasileira; Canção de câmara; Edição musical; Dinorá de Carvalho; Maria Antonia.
ABSTRACT: Último retrato (Last portrait) is a chamber song composed by Dinorá de Carvalho with lyrics by Maria Antonia.
Although composed in the mid-1950s, the song's score was never published. It was only in 2023 that it became possible to gather
a set of musical documentary sources, including instrumental parts and a recording, enabling the critical edition of the complete
piece to be produced. The objective of this work is to publish the score of the voice and piano version of Último retrato, finally
making it accessible to the public.
KEYWORDS: Brazilian music; Chamber song; Music editing; Dinorá de Carvalho; Maria Antonia.
Per Musi | Belo Horizonte | v.27| Partitura | e262714 | 2026
Per Musi | Belo Horizonte | v.27 | Partitura | e262714 | 2026
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1. Apresentação da partitura
Último retrato é uma canção para voz e piano composta por Dinorá de Carvalho (1895-1980) sobre texto de
Maria Antonia (1918 ou 1919-1973). Escrita em 1950 ou 1954, Último retrato é uma breve canção de caráter
fúnebre, apresentando uma linguagem harmônica moderna, a qual foi intitulada pelo pesquisador Flávio
Carvalho como “tonalismo aberto” (Carvalho 2001, 95-97).
As fontes documentais musicais que possibilitaram a reconstituição e a consequente edição desta canção
são: partes instrumentais da versão orquestral da peça
1
; e um fonograma contendo a gravação da versão
para canto e piano da peça, este último localizado somente em meados de 2023.
As partes orquestrais de Último retrato estão salvaguardadas na Coleção Dinorá de Carvalho do Centro de
Documentação de Música Contemporânea (CDMC) da Universidade Estadual de Campinas, sob número de
catálogo DC 00032. Os instrumentos disponíveis neste conjunto documental são: Corne inglês, Clarinete em
Dó 1, Fagotes 1 e 2, Trompas em Fá 1 e 2, Trompete em Sib 1 e 2, Violino I, Violoncelo e Contrabaixo. A parte
de Clarinete em 2 também foi localizada, porém apresentou a indicação de silêncio (tacet) para esta
canção. Dentre as partes instrumentais não se encontra a parte vocal, portanto a melodia e o texto da canção
não estão disponíveis nesse conjunto de documentos.
Já o fonograma foi localizado junto à Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), proprietária da Rádio MEC,
emissora responsável por sua gravação e difusão em 1959. O fonograma apresenta a canção em sua versão
para canto e piano, sendo a própria compositora a intérprete, acompanhada pela soprano Maria de Lourdes
Cruz Lopes. Esta foi a única fonte localizada que apresentou a melodia e o texto da parte vocal.
Com o conjunto de fontes incluindo partes instrumentais e fonograma, foi possível realizar uma edição crítica
(Figueiredo 2014), a qual utilizou como texto base a transcrição do fonograma para a escrita musical. As
partes instrumentais da versão orquestral foram utilizadas para dirimir dúvidas e auxiliar na consolidação do
texto da versão de câmara. A partir da transcrição do fonograma foi possível conhecer o texto de Maria
Antonia utilizado por Dinorá de Carvalho, o qual é apresentado a seguir (Quadro 1):
Quadro 1 texto de Último retrato conforme percebido a partir da transcrição do fonograma da EBC. Fonte: elaborado pelos autores
ÚLTIMO RETRATO - TEXTO DE MARIA ANTONIA
Versificação conforme utilizado na canção por Dinorá de Carvalho
Numa flor tombada (x2)
quase arroxeada arroxeada (x2)
de orquídea (x3)
minha mão (x2)
O poema criado por Maria Antonia nos induz, de maneira sintética, a uma imagem visual estática à moda de
um retrato, como implica o próprio título da canção. Considerando que este é o último retrato, uma
interpretação possível para o texto é que a imagem evocada seja a de alguém em seu leito de morte, com
uma flor deitada em suas mãos.
1
A versão orquestral de Último retrato será publicada em breve pela Coleção CIDDIC/CDMC em conjunto
com as 7 Canções da qual é parte integrante.
Per Musi | Belo Horizonte | v.27 | Partitura | e262714 | 2026
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A música composta por Dinorá de Carvalho para a canção Último retrato é caracterizada por uma sonoridade
bastante escura, com uso corrente do registro super grave do piano, melodia vocal em região médio grave,
dinâmicas de pouca intensidade e uma harmonia gravitando em torno de Dó menor, com dissonâncias e
cromatismos abundantes. A peça se caracteriza por um “tonalismo aberto”, tendo Dó menor como centro
tonal, mas utilizando recursos harmônicos que fogem à harmonia tonal tradicional. Segundo Flávio Carvalho
(2001), estudioso da obra de Dinorá, esse tipo de escritura pode ser também observado em outras canções
da compositora.
A nota Dó tem papel proeminente na canção, sendo a principal nota de apoio e chegada nas frases da
melodia, aparecendo também iterada na linha do baixo no início e fim, de modo a estabelecer uma
centricidade. Outros recursos composicionais observados são: o uso de ostinatos melódicos; a variação no
uso de escalas menores sobre , como a menor harmônica ou o modo frígio; a linha mais grave do piano
iterando notas importantes do campo harmônico de Dó; a criação de uma textura contrapontística imitativa;
o uso de acordes com sonoridade tonal contando com extensões ou formados pela sobreposição de
intervalos específicos; uma melodia vocal marcada pela centricidade em Dó, sobretudo no início, e pelo
cromatismo descendente no decorrer da peça.
Informações mais detalhadas sobre a peça e sua edição, tanto em sua versão de câmara (cuja partitura está
publicada a seguir) como na versão orquestral, podem ser lidas no artigo a respeito desta produção artística
que se encontra neste mesmo número da revista Per Musi.
2. Biografia das autoras
Dinorá de Carvalho (1895-1980) foi uma compositora, pianista, educadora e crítica musical com intensa
atuação sobretudo na cidade de São Paulo-SP ao longo do século XX. Foi inspetora de ensino superior no
Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, criadora e diretora da Orquestra Feminina de São Paulo,
iniciativa pioneira na América Latina. Ao longo de sua vida obteve diversos prêmios tanto como educadora,
quanto como compositora, de prestigiadas instituições como a Associação Paulista de Críticos de Arte
(APCA). Dentre sua produção musical se destacam as canções de câmara, compostas entre 1933 e 1980.
Maria Antonia é o pseudônimo de Maria Aparecida de Campos Salles Franchini-Netto (1918 ou 1919-1973).
Foi uma jornalista e escritora, autora de poemas e contos, que se dedicou a valorizar a produção feminina
no campo da literatura. Trabalhou no jornal Gazeta de São Paulo, ficando a cago da página feminina.
Promoveu concursos literários de contos e poemas para escritoras e publicou um livro de contos, chamado
As Ilhas Habitadas (Antonia 1959).
3. Referências bibliográficas
Antonia, Maria. 1959. As Ilhas Habitadas. São Paulo: Livraria São José.
Carvalho, Flávio. 2001. Canções de Dinorá de Carvalho: uma análise interpretativa. Campinas, SP: Editora da
UNICAMP.
Figueiredo, Carlos Alberto. 2014. Música sacra e religiosa brasileira dos séculos XVIII e XIX: teorias e práticas
editoriais, 2nd rev. ed. [n.p.]. http://www.musicasacrabrasileira.com.br/ebooks/Musica_sacra.pdf.
Accessed August 14, 2023.
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