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eISSN 2317-6377
A linha de baixo nos ritmos do sul do Brasil: proposi es
pr ticas, te ricas e suas aplica es no contrabaixo
ac stico
The ba li e i he h hm f S he B a il: ac ical a d he e ical
al a d i a lica i he d bleba
Ma he Me i a Pa ali1
matheuspasquali89@gmail.com
Leona do Pie ma i i1
1U i e idade d E ad de Sa a Ca a i a, CEART, Fl ia li , Sa a Ca a i a, B a i
ARTIGO CIENT FICO
Editor de Se o: Fe a d Chaib
Editor de Layout: Fe a d Chaib
Licen a: "CC b 4.0"
Data de submissão: 10 set 2024
Data final de aprovação: 27 out 2024
Data de publicação: 02 jan 2025
DOI: https:/ / doi.org/ 10.35699/ 2317- 6377.2025.54497
RESUMO: E e a ig e ma a li e da li ha de bai g e da mil ga e em i m imila e ,
ca ac e ic da egi l d B a il, a lica d - a c abai . C ide a- e a e a a ec ic
a a a b e de ma idade a iada, ma amb m a ec c cei al de e g e , e
dial gam c m c cei de cla e e mica adi i a. F i fei a ma a li e b e a cla e ada e e g e ,
e e a ame e a me ma e c ada em e il , ge i d ma el igem af ica a c m m.
E e m abalh i f mad ela ica, de m d a e a ici c m m ic c idad em
e f ma ce c m g Q a e C a de P , g e eciali ad e e i li , ediad em Lage -
SC. F i eali ada ma e e i a c m m ic J Gab iel R a, e amb m c m a ilh a e ce e e
ica . Ne e a ig e i cl da a c i e e a li e de ech de b a de e e e i a a c b a
a c cl e le a ada .
PALAVRAS-CHAVE: Ri m li ; R mica adi i a; M ica; C abai .
ABSTRACT: Thi a icle e a a al i f ba li e i he mil ga ge e a d imila h hm , cha ac e i ic
f he he egi f B a il, a l i g hem he c aba . N l he ac ical a ec f b ai i g a
a ia e d i c ide ed, b al he c ce al a ec behi d he e ge e , hich dial g e i h he
c ce f cla e a d addi i e h hm. A h hmic a al i a made f he claff f h e ge e , hich a e e ac l
he ame a h e f d i he le , gge i g a ible c mm Af ica igi . Thi i a k i f med b
ac ice, he e e f he a h a ici a ed a a g e m icia i e f ma ce i h he g Q a e
C a de P , a g eciali ed i he e e i e, ba ed i Lage -SC. A i e ie a ca ied i h
m icia J Gab iel R a, h al ha ed hi e ce i . Thi a icle i cl de a c i i a d a al e f
e ce f m k f m hi e e i e c b a e he c cl i ai ed.
KEYWORDS: S he h hm ; Addi i e h hmic; M ic; D bleba .
Per Musi | Belo Horizonte | v.26 | Gene al To ic |e252602 | 2025
Design e ergonomia na concepção do baixo elétrico
Design and ergonomics in the Electric Bass conception
Ricardo Faustino Teles1
ricardo.teles@ifb.edu.br
Bruna Leitão1
1 Coordenação de Produção Cultural e Design, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Brasília, Brasília/DF, Brasil
ARTIGO CIENTÍFICO
Editor de Seção: Fernando Chaib
Editor de Layout: Fernando Chaib
Licança: "CC by 4.0"
Data de submissão: 28 out 2025
Aprovação final de aprovação: 07 nov 2025
Data de publicação: 07 jan 2026
DOI : https://doi.org/10.35699/2317-6377.2026.62469
RESUMO: O estudo investiga os principais fatores a serem considerados na concepção ergonômica do baixo elétrico,
destacando a relevância do design na adequação dos instrumentos musicais à diversidade corporal dos usuários. A pesquisa,
de caráter teórico e empírico, baseia-se em revisão bibliográfica e questionário online aplicado a baixistas, analisado
qualitativamente pela metodologia de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. Os resultados revelam limitações
ergonômicas recorrentes nos modelos atuais, especialmente quanto a peso, equilíbrio e ajustes, com impacto mais
acentuado entre musicistas do sexo feminino. Conclui-se que a padronização dos instrumentos desconsidera variações
antropométricas significativas, reforçando a necessidade de práticas projetuais inclusivas e centradas no usuário. Propõe-
se, para estudos futuros, a utilização da abordagem metodológica de Bruno Munari como ferramenta de apoio às etapas de
exploração, experimentação e validação de soluções ergonômicas no design de instrumentos musicais.
PALAVRAS-CHAVE: Usabilidade; Diversidade Antropométrica; Experiência do Usuário; Design; Baixo elétrico.
ABSTRACT: The study investigates the main factors to be considered in the ergonomic design of the electric bass, emphasizing the
role of design in adapting musical instruments to the bodily diversity of users. The research, both theoretical and empirical, is
based on a literature review and an online questionnaire conducted with bass players, whose responses were qualitatively
analyzed through Laurence Bardin’s Content Analysis method. The results reveal recurrent ergonomic limitations in current
models, particularly regarding weight, balance, and adjustments, with greater impact among female musicians. It concludes that
the standardization of instruments overlooks significant anthropometric variations, reinforcing the need for more inclusive and
user-centered design practices. For future studies, the methodological approach proposed by Bruno Munari is suggested as a tool
to guide the stages of exploration, experimentation, and validation of ergonomic solutions in musical instrument design.
KEYWORDS: Usability; Anthropometric Diversity; User Experience; Design; Electric Bass.
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1. Introdução
Projetar um produto vai além de definir sua forma e função: envolve considerar quem irá utilizá-lo, em que
contexto e como essa relação se estabelecerá ao longo do tempo. No campo do design de produto, a atenção
à ergonomia e à usabilidade é essencial para garantir que objetos de uso contínuo se adequem às
características reais de seus usuários, favorecendo uma experiência segura, eficaz e duradoura. Esse ideal
torna-se especialmente relevante quando se trata de instrumentos musicais, cuja interação com o corpo é
intensa, contínua e profundamente individual.
Embora os instrumentos musicais sejam voltados a um público específico formado por pessoas
interessadas em tocar, estudar ou trabalhar com música trata-se, ainda assim, de um público bastante
diverso. Músicos profissionais, amadores ou entusiastas se aproximam desses produtos com diferentes
objetivos, níveis de envolvimento, rotinas e perfis físicos. Essa diversidade impacta diretamente a forma
como o instrumento é utilizado, e, por consequência, como deveria ser projetado. No entanto, muitos
produtos ainda são desenvolvidos com base em parâmetros padronizados, o que impõe aos usuários a
necessidade de se adaptar ao objeto e não o contrário.
A ergonomia, enquanto ciência dedicada à adaptação do trabalho ao ser humano (Iida 2005), tem como
princípio central evitar que as pessoas precisem se moldar às ferramentas e condições de trabalho de forma
prejudicial à sua saúde e bem-estar. Essa perspectiva contrapõe uma crença cultural muito presente no
universo musical de que o domínio do instrumento es diretamente relacionado à persistência e à
superação de desafios, incluindo dores físicas (Frank e Mühlen, 2007). Tal percepção desconsidera o impacto
negativo que falhas ergonômicas causam no desempenho e no bem-estar dos músicos, além de dificultar
uma revisão crítica do design dos instrumentos.
Desconfortos relacionados ao uso do instrumento são frequentemente relatados por músicos, mas tendem
a ser naturalizados ou atribuídos ao próprio usuário, quando, na verdade, podem estar associados a falhas
de projeto. Além disso, a padronização dos instrumentos tende a ignorar a diversidade física dos usuários e
os diferentes modos de uso, contrariando os princípios ergonômicos ao exigir que o usuário se adapte ao
produto. Essa lógica, ainda comum em processos industriais, pode ser repensada a partir do design de
produto, por meio da aplicação consciente da ergonomia e da previsão de soluções adaptativas desde a fase
de concepção.
O baixo elétrico, objeto de análise deste trabalho, representa um caso emblemático dessa discussão. O
contrabaixo elétrico, tal como concebido em seus modelos convencionais, projetado como uma alternativa
mais compacta e portátil ao contrabaixo acústico, o instrumento passou por transformações relevantes no
que diz respeito à forma e à tocabilidade. No entanto, mesmo com avanços técnicos e estéticos, músicos de
diferentes níveis relatam desconfortos relacionados ao peso do instrumento, à distribuição de carga, à
dificuldade de encaixe corporal e à necessidade de esforço prolongado durante o uso. Esses fatores, muitas
vezes negligenciados em nome da padronização ou da estética, podem resultar em lesões decorrentes do
uso contínuo, frustração em relação ao desempenho, ou até abandono do instrumento.
Dessa forma, é fundamental reconhecer que a ergonomia não deve ser tratada apenas como um elemento
opcional ou posterior ao projeto, mas como um dos pilares centrais no desenvolvimento de instrumentos
musicais. O design de produto, com foco na relação física entre objeto e usuário, tem o potencial de propor
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soluções que favoreçam o uso contínuo, respeitem a diversidade corporal dos músicos e promovam uma
adaptação mais confortável e segura ao instrumento, sem comprometer aspectos essenciais do produto.
Segundo Baxter (2000), o projeto de produto deve abranger tanto os requisitos técnicos quanto os aspectos
ligados à experiência prática com o objeto. De acordo com seu pensamento, um produto bem-sucedido é
aquele que satisfaz tanto as necessidades funcionais quanto as emocionais de seu usuário. Nesse sentido,
produtos que exigem esforço físico prolongado o devem apenas funcionar corretamente, mas também
promover um uso confortável, intuitivo e seguro. Gui Bonsiepe (1997) também destaca que o design atua
como um mediador entre o ser humano e os objetos técnicos, sendo responsável por tornar essa relação
fluida e acessível. Já Itiro Iida (2005), ao abordar a ergonomia no projeto de produtos, reforça que a
adaptação ao corpo humano deve ser pensada desde o início do desenvolvimento, e não como uma correção
posterior ao desconforto identificado no uso.
No caso de instrumentos musicais, como o baixo elétrico, o papel do design é ainda mais sensível: o
instrumento deve se integrar ao corpo do músico sem comprometer sua liberdade de movimento, sem
causar sobrecargas posturais e respeitando as particularidades físicas de cada usuário. A negligência desses
aspectos pode gerar fadiga, dores e até mesmo abandono da prática, o que evidencia a responsabilidade do
projeto de produto no sucesso da relação entre músico e instrumento. Norman (2006) destaca que as
consequências não são apenas físicas, mas também psicológicas e emocionais, pois a dificuldade de
adaptação pode gerar frustração com o uso do produto e levar ao desinteresse pela atividade. Em produtos
de uso prolongado, como os instrumentos musicais, essa insatisfação pode se traduzir na desistência do
aprendizado ou até no abandono da prática musical.
Este trabalho propõe-se a investigar os fatores ergonômicos a serem considerados no projeto de
instrumentos musicais, sob a perspectiva do design de produto, tendo como foco o baixo elétrico. A partir
de uma abordagem teórica, serão apresentados os princípios da ergonomia no design de produto, a evolução
do baixo elétrico, os diferentes contextos de uso e a atuação projetual voltada à adaptação e ao conforto do
usuário, reforçando o papel do design na construção de produtos mais conscientes e adequados às suas reais
necessidades.
2. O baixo elétrico
O baixo elétrico é um instrumento musical feito de madeira maciça, com um corpo sólido, escalas de maior
dimensão no comprimento e cordas mais espessas que as de uma guitarra elétrica. Produz um som grave
que serve para sustentar a base harmônica e rítmica das músicas, funcionando como uma ponte entre a
melodia e a percussão. Seu timbre característico é essencial em diversos gêneros musicais, garantindo
profundidade e balanço à composição, além de ser responsável por destacar o ritmo e criar a atmosfera
musical.
Criado nos Estados Unidos na década de 1950, período em que a ergonomia ainda dava seus primeiros
passos como disciplina, o baixo elétrico surgiu como uma solução para as limitações do contrabaixo acústico,
especialmente em relação ao volume e à portabilidade. Seu idealizador, Leo Fender, desenvolveu o Precision
Bass, um instrumento mais compacto e de fácil amplificação, que permitia aos baixistas maior liberdade de
movimento e precisão na execução. Esse novo design foi concebido em diálogo com diversos músicos
influentes da época, em sua maioria homens, que buscavam um instrumento que se integrasse melhor às
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necessidades do jazz e do rock emergentes. A Figura 1 apresenta uma comparação estética entre o
contrabaixo acústico e o baixo elétrico.
Figura 1 Contrabaixo acústico e o baixo elétrico.
Fonte: Pexels (2025).
Para Black e Molinaro (2001), o baixo elétrico trouxe uma revolução sonora, permitindo que o instrumentista
executasse linhas de baixo mais definidas e com maior projeção sonora, consolidando sua relevância na
música contemporânea. Embora seja pouco provável que critérios ergonômicos tenham sido aplicados em
sua concepção, é evidente que seu projeto buscou solucionar problemas práticos imediatos como tamanho,
peso e mobilidade. Além disso, durante o processo, os baixistas desempenharam um papel central ao
influenciar como o novo instrumento deveria atender às demandas de uso, tornando o baixo elétrico um
legítimo fruto da aplicação do design.
O baixo elétrico configura-se como um objeto de porte médio, classificado entre os instrumentos de uso
manual e contínuo, no qual a interação física entre o usuário e o produto é constante e determinante para
a experiência de uso. Sua anatomia básica é composta por corpo, braço, escala, mão, tarraxas, captadores,
cordas, ponte e trastes, além dos controles de volume e controle de tom grave/agudo (Figura 2). A esses
elementos principais somam-se acessórios e dispositivos de ajuste e adaptação, como correias, apoios de
braço, suportes de descanso e presilhas ergonômicas disponíveis no mercado, desenvolvidos para ampliar o
conforto durante a prática e reduzir os impactos físicos de um projeto padronizado.
O baixo elétrico, assim como outros instrumentos musicais, destina-se a diferentes perfis de usuários, cujas
necessidades e habilidades podem variar significativamente. De modo geral, é possível classificá-los em três
categorias principais: o músico profissional, que tem no instrumento sua ferramenta de trabalho e tende a
utilizá-lo por períodos prolongados, em contextos que exigem alta precisão, resistência física e consistência
sonora; o músico amador, que possui certo domínio do instrumento, mas o utiliza com menor regularidade,
geralmente como forma de lazer ou expressão pessoal; e o entusiasta, que se aproxima do instrumento
motivado pela curiosidade ou pelo desejo de vivenciar a música como experiência, explorando-o com
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intensidade variável. Cada perfil traz consigo um grau distinto de exigência física, sensorial e técnica, exigindo
que o instrumento se adapte a diferentes contextos de uso, frequência de prática e níveis de domínio.
Figura 2 Partes que compõem o baixo elétrico
Fonte: Araújo e Blau (2008).
Além dos perfis de uso, a diversidade anatômica e biomecânica entre os sexos (Figura 3) representa um fator
determinante a ser considerado no projeto ergonômico do baixo elétrico. Estudos indicam que musicistas
do sexo feminino apresentam maior prevalência de queixas musculoesqueléticas em comparação aos
músicos do sexo masculino. Segundo Frank e Mühlen (2007), entre 67% e 76% das mulheres relataram
problemas desse tipo, enquanto entre os homens a taxa varia entre 52% e 63%. Os autores atribuem essa
diferença, sobretudo, a fatores biomecânicos, como menor força muscular, amplitude reduzida da mão e
maior incidência de hipermobilidade articular nas mulheres. O tamanho e o peso do instrumento também
influenciam diretamente a ocorrência de queixas, indicando que a incompatibilidade física entre o corpo do
usuário e o instrumento pode agravar os riscos de sobrecarga e lesões. Essa análise dialoga com a observação
de Gomes Filho (2020), de que homens, em sua maioria, apresentam força física superior à das mulheres.
Por isso, o autor recomenda: “Assim, quando se projetam produtos ou dispositivos que exigem ações de
esforços, deve-se dimensioná-los e adequá-los primeiramente às mulheres” (Gomes Filho 2020, 78).
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Figure 3 Usuários masculino e feminino segurando o mesmo modelo de instrumento
Fonte: Pexels (2025).
3. Metodologia
A presente pesquisa caracteriza-se quanto aos objetivos como exploratória, uma vez que busca apresentar
o problema da ergonomia do baixo elétrico no contexto do Design de Produto e torná-lo explícito, e
descritiva, ao detalhar os desafios ergonômicos enfrentados pelos baixistas e analisar suas implicações em
termos de conforto e adequação corporal. Adotando uma abordagem qualitativa, o estudo utiliza a análise
de conteúdo para interpretar os dados obtidos por meio de questionários e entrevistas com sicos
profissionais e amadores, permitindo uma compreensão profunda das percepções e experiências dos
participantes. Quanto à finalidade, a pesquisa é aplicada, pois busca propor reflexões teóricas visando
soluções práticas relacionadas à ergonomia do baixo elétrico.
A análise de conteúdo, conforme descrita por Bardin (2011), por sua capacidade de orientar questões
subjetivas em um caminho científico, pode ser entendida como um conjunto de técnicas que busca a
compreensão dos sentidos manifestados pelos sujeitos participantes de uma pesquisa, dos documentos
analisados, entre outras formas de expressão. Essa abordagem leva em conta não o tema da pesquisa,
mas também os fatores envolvidos na coleta de informações com os participantes, como a forma de
comunicação e o ambiente. Assim, é possível perceber padrões, significados e categorias que surgem das
falas das pessoas envolvidas. O método é especialmente indicado quando se busca interpretar discursos,
opiniões e experiências relatadas por sujeitos em instrumentos como questionários abertos, entrevistas ou
relatos escritos.
A partir da metodologia aplicada, o processo de análise foi conduzido conforme as três fases principais
descritas por Bardin (2011):
3.1. Pré-análise
Nesta etapa inicial, realizou-se a organização e preparação do corpus de análise, composto pelas respostas
obtidas por meio de um formulário estruturado aplicado a músicos(as) que tocam baixo elétrico. Foram
incluídas questões fechadas (para caracterização do perfil dos respondentes) e questões abertas que
exploraram experiências de desconforto, percepção de peso, alcance, postura e sugestões de melhoria no
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instrumento. As respostas textuais foram lidas de forma flutuante, visando o reconhecimento das ideias
principais, e selecionou-se um conjunto de enunciados significativos para análise.
3.2. Exploração do material
A fase de exploração consistiu na codificação das respostas abertas e na classificação dos conteúdos em
categorias temáticas previamente estabelecidas a partir do referencial teórico da ergonomia e da própria
estrutura do questionário. As categorias principais definidas foram:
Ajuste físico e conforto
Postura e movimento
Alcance e esforço físico
Personalização e ajustes
Estética e identidade
Experiência geral e sugestões
Cada categoria foi subdividida em subcategorias (ex.: “peso do instrumento”, “dificuldade ao tocar em pé”,
“pressão nas cordas”, etc.), permitindo uma análise mais apurada e organizada dos conteúdos. As unidades
de registro, ou seja, os fragmentos de texto que revelam uma ideia central, foram marcadas com digos
específicos e agrupadas conforme sua pertinência semântica. A Tabela 1 apresenta as categorias temáticas
e operacionais relacionadas à metodologia aplicada.
Tab. 1 Categorias temáticas e operacionais relacionadas ao instrumento musical avaliado
CATEGORIA PRINCIPAL
SUBCATEGORIA
CÓDIGO
Ajuste físico e conforto
Peso do instrumento
A1
Tamanho / Escala
A2
Curvatura e encaixe corporal
A3
Postura e movimento
Tocar em pé
B1
Tocar sentado
B2
Partes do corpo afetadas
B3
Alcance e esforço físico
Acesso às notas
C1
Pressão nas cordas
C2
Personalização e ajustes
Altura das cordas
D1
Facilidade de ajustes
D2
Experiência geral e sugestões
Dificuldades relatadas
E1
Sugestões de melhoria
E2
Fonte: Própria da pesquisa (2025)
3.3. Tratamento dos resultados e interpretação
Após a codificação e categorização, os dados foram analisados por meio de quadros e gráficos com a
frequência de ocorrências temáticas, além de anotações interpretativas sobre os sentidos e termos mais
recorrentes. A análise comparativa foi realizada com base em variáveis como gênero, altura, tempo de
experiência e lateralidade (destro/canhoto), com o objetivo de verificar correlações entre perfil do usuário
e percepção ergonômica.
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As interpretações foram fundamentadas em autores da ergonomia aplicada ao design, estudos sobre saúde
do músico e publicações específicas sobre instrumentos musicais. Também foram consideradas diretrizes de
ergonomia de produtos e princípios do design centrado no usuário.
4. Resultados e discussão
Os resultados apresentam a análise dos dados coletados por meio de um questionário online, respondido
por 41 músicos baixistas, sendo 36 homens e 5 mulheres, com diferentes níveis de experiência com o uso do
instrumento musical. A abordagem qualitativa adotada visou compreender a relação entre o músico e o
baixo elétrico sob a ótica ergonômica, identificando padrões de uso, desconfortos recorrentes, preferências
e sugestões dos usuários. As categorias foram estruturadas para evidenciar aspectos físicos do instrumento,
postura corporal, interação entre mãos e braços, ajustabilidade, percepção estética e sugestões de melhoria.
4.1. Categorias A e B - Peso e distribuição da massa como fator crítico
A variável mais citada entre os participantes foi o peso excessivo do instrumento (Figura 4), mencionada
diretamente em 27 respostas. O desconforto causado pelo peso está relacionado, sobretudo, ao uso
prolongado em e à distribuição da massa, gerando sobrecarga nos ombros e costas. Termos como
"cansa o ombro", "fico corcunda" e "fardo durante as apresentações" expressam com clareza o impacto físico
e funcional do problema. A condição conhecida como "neck diving", causada pelo desequilíbrio entre o corpo
e o braço do instrumento, foi destacada como agravante. Esse problema também é relatado por Aptel et al.
(2002), que destacam a importância do balanceamento adequado dos produtos no design ergonômico para
evitar deslocamento do centro de gravidade e tensões desnecessárias ao corpo humano. Tais relatos
reiteram a necessidade de reengenharia do design estrutural e escolha criteriosa de materiais mais leves e
resistentes, como sugerem Hsuan-An (2017) e Paschoarelli e Menezes (2009).
Figura 4 Resultado sobre a questão do peso do instrumento musical e a sensação de conforto.
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Aliado a análise do conjunto estrutural do instrumento, a dimensão do braço, a distância entre trastes e o
volume do corpo do instrumento foram apontados como desafios relevantes por músicos com estatura ou
mãos menores, incluindo mulheres. A preferência por braços mais finos e acessíveis foi recorrente,
evidenciando uma inadequação das medidas padronizadas. Isso reforça a importância do uso criterioso de
dados antropométricos, inclusive com percentis variados, no desenvolvimento de produtos musicais. Como
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destaca Hsuan-An (2017), a padronização que desconsidera a diversidade corporal pode excluir parte
significativa dos usuários, comprometendo a usabilidade e a experiência de uso.
Em relação ao tamanho/escala, duas das cinco mulheres expressaram dificuldades. Uma relatou: "Eu que
me adapto pra conseguir segurar o baixo", enquanto outra explicitamente mencionou "Braço do
instrumento maior que minha mão" como a maior dificuldade de design. As sugestões de "casas levemente
menores" e "facilidade de tocar as notas mais graves" reforçam a percepção de que as dimensões padrão
do braço e escala não são ideais para todos os tamanhos de mão e alcance do público feminino. Esse achado
é confirmado por Iida (2005), que observam que instrumentos musicais são geralmente padronizados para
um modelo antropométrico masculino médio, desconsiderando variações físicas significativas.
4.2. Categoria C - Dor, desconforto e adaptação: efeitos do uso contínuo
Relatos de dores musculoesqueléticas (Figuras 5 e 6) apareceram de forma expressiva, sendo os ombros (20
menções), costas (16) e mãos e punhos (17) os pontos mais afetados. Mesmo entre músicos experientes, as
queixas se mantêm, o que indica que a técnica não é suficiente para compensar as deficiências do design do
instrumento. Além disso, houve ênfase no fato de que muitas vezes é o corpo do músico que precisa se
adaptar ao instrumento, e não o contrário o que contraria os princípios fundamentais da ergonomia (IIDA
2005).
Figura 5 Respostas sobre as partes do corpo afetadas pelo instrumento.
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Estudos como o de Zaza e Farewell (1997) mostram que o peso do instrumento é um fator de risco relevante
para lesões músculo-esqueléticas em músicos profissionais. De acordo com os autores, o contrabaixo
elétrico, por sua estrutura robusta, pode representar uma sobrecarga quando utilizado por longos períodos,
especialmente em postura ereta. Ainda que a possibilidade de tocar o instrumento sentado em cadeiras ou
bancos seja uma alternativa, Costa (2005) indica que muitos desses objetos e suportes musculoesqueléticos
não atendem às medidas antropométricas dos músicos, gerando fadiga por permanecer em posturas
estáticas. Dessa forma, como visto em Santos et al. (2013), por exemplo, demonstram que dores nos ombros,
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costas e membros superiores são comuns entre estudantes e profissionais da música, especialmente quando
há inadequação entre o corpo do músico e o instrumento utilizado.
Figura 6 Respostas sobre as partes do corpo afetadas pelo instrumento (outras).
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Fragelli e nther (2009), ao examinarem as relações entre dor e antecedentes de adoecimento físico e
psicossocial entre músicos instrumentistas, identificam que a carga física e a organização do trabalho musical
estão diretamente associadas ao surgimento de dores musculoesqueléticas. A pesquisa revelou que 58,7%
dos músicos participantes apresentaram dor em regiões como ombros, braços e coluna, evidenciando que a
prática instrumental, quando realizada sob condições inadequadas de postura, repetição de movimentos e
uso de instrumentos pesados, gera impactos significativos na saúde. Esses achados dialogam com os
resultados obtidos no presente estudo, em que os contrabaixistas relataram desconforto acentuado
decorrente do peso excessivo do instrumento e da distribuição de massa, fatores que exigem
compensações corporais contínuas e favorecem o surgimento de fadiga e dor. Além disso, o estudo aponta
que o sofrimento físico frequentemente se associa à carga psíquica e cognitiva, refletindo uma cultura de
superação e virtuosismo que leva o músico a ignorar os sinais de desconforto e a naturalizar a dor como
parte da prática artística.
A dificuldade para alcançar notas em algumas regiões do braço foi reportada por duas das respondentes,
corroborando as queixas sobre o tamanho do braço. Em relação à força exigida para pressionar as cordas,
duas das quatro mulheres indicaram que a força não era adequada, o que contrasta ligeiramente com a
percepção majoritária dos respondentes masculinos, e pode ser um ponto de atenção para a ação das cordas
ou o calibre para este público.
Kok et al. (2016) sugerem a adoção de instrumentos customizáveis ou fabricados em diferentes escalas e
proporções para atender a essa diversidade corporal. A utilização de técnicas de modelagem antropométrica
digital tem sido sugerida como solução para identificar parâmetros ideais no design de instrumentos, como
o comprimento do braço e a distância entre trastes. Fragelli e Gunther (2009) propõe uma reflexão ampliada
sobre o fazer musical como um processo corporal e ergonômico, destacando que o corpo do sico é
simultaneamente instrumento e limite. As autoras criticam a ideia romantizada de que a música é uma
prática imaterial e defende uma visão que insere o músico na condição de trabalhador, cujo corpo está
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sujeito a desgaste, repetição e sofrimento físico. Essa leitura é particularmente relevante para a análise dos
resultados da pesquisa sobre o contrabaixo elétrico, uma vez que as queixas de dor, desconforto postural e
dificuldade de manejo do instrumento expressam não apenas um problema técnico, mas também cultural,
a valorização da performance em detrimento do cuidado corporal.
O ensino instrumental centrado na pessoa, como no modelo aplicado por Medeiros et al. (2024), incentiva
o desenvolvimento da autonomia do músico, incluindo a percepção postural e autoajuste. Isso reforça o que
os estudos de ergonomia defendem: a consciência corporal é chave para se prevenir lesões e melhorar a
performance. Fragelli (2014) reforça, portanto, a necessidade de que os processos de projeto e ensino
musical sejam atravessados por uma perspectiva ergonômica que considere o corpo como elemento central
da criação e da execução sonora.
4.3. Categoria D - Ajustabilidade: um potencial pouco explorado
Embora a maioria dos músicos demonstre proatividade em realizar ajustes como regulagem da altura da
correia, ação das cordas e afinação das oitavas, 13 participantes apontaram que os mecanismos de ajuste
são pouco acessíveis ou complexos (Figura 7). Isso reforça a necessidade de projetos que incorporem
sistemas de ajuste intuitivos, sem a exigência de ferramentas ou conhecimento técnico aprofundado.
Figura 7 Respostas sobre as partes do corpo afetadas pelo instrumento (outras).
Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Os mecanismos de ajuste do contrabaixo, como o tensor do braço e a regulagem da ação das cordas, foram
considerados complexos por muitos respondentes. Isso se alinha com a crítica de Norman (2002) quando se
discute o design ineficiente” de interfaces e objetos que deveriam ser intuitivos. O autor defende que o
design de objetos deve permitir que o usuário compreenda e manipule seus controles sem dificuldade, o
que claramente não ocorre com muitos instrumentos de cordas.
Na área específica da ergonomia musical, Ackermann e Adams (2003) reforçam que a personalização de
ajustes, como a altura da correia e a ação das cordas, é fundamental não apenas para o conforto, mas
também para prevenir distúrbios por esforço repetitivo. A dificuldade de realizar esses ajustes de maneira
autônoma por parte do músico indica falhas no projeto centrado no usuário.
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4.4. Categoria E - Mulheres baixistas: impactos da padronização
Conforme resultados apresentados anteriormente, existe um público que carece de atenção no que se refere
ao dimensionamento e potencialidades de uso do instrumento baixo elétrico. Entre as cinco participantes
do gênero feminino, observou-se uma concentração significativa de queixas relacionadas ao peso, alcance e
conforto. As dores relatadas foram mais diversas e intensas, afetando ombros, costas, pescoço e punhos. A
sensação de que o mercado não oferece instrumentos adaptados à sua estrutura corporal foi recorrente,
com sugestões para braços menores, corpo mais leve e facilidade de ajuste. Esse cenário confirma os
achados de Frank e Mühlen (2007), que destacam que músicos têm maior propensão a desenvolver dores e
lesões, devido à menor força muscular, menor amplitude da mão e maior incidência de hipermobilidade
articular. Gomes Filho (2020, 78) reforça que, em produtos que exigem esforço físico, o dimensionamento
deve priorizar o público feminino.
Esse entendimento se aproxima de Guptill (2011) o qual destaca que muitas instrumentistas mulheres
relatam desconforto e ausência de opções ergonômicas adequadas, o que pode contribuir para a menor
permanência de mulheres em atividades musicais de longa duração. A falta de modelos alternativos de
contrabaixos com braços menores, peso reduzido e formas mais ajustadas a corpos diversos reforça a
necessidade de avanços em design universal aplicado à luteria industrial.
4.5. Implicações para o design
A partir da análise, observam-se quatro direções principais para o aprimoramento do design do baixo
elétrico:
Repensar o peso e o balanceamento do instrumento;
Oferecer modelos com maior variedade de escalas e corpos ajustados a diferentes biotipos;
Facilitar mecanismos de ajustes e personalização do instrumento sem necessidade de assistência
especializada.
Diversificar a oferta de mercado com instrumentos que considerem, desde a concepção, as
necessidades estéticas, funcionais e ergonômicas de um público feminino crescente.
Diante dos dados obtidos na pesquisa com músicos baixistas, observa-se que o baixo elétrico, em sua
configuração atual, apresenta desafios ergonômicos significativos que demandam uma reavaliação a partir
de uma perspectiva de design centrado no usuário. Nesse contexto, a abordagem metodológica de Bruno
Munari (1998) mostra-se especialmente apropriada para orientar futuras intervenções projetuais. Em Das
coisas nascem coisas, o autor destaca a importância de uma definição clara do problema e de uma análise
criteriosa das informações coletadas, como etapas fundamentais para a construção de soluções funcionais,
coerentes e socialmente relevantes.
Os resultados revelaram desconfortos recorrentes relacionados ao peso, ao equilíbrio e à baixa
adaptabilidade do instrumento diante da diversidade corporal dos usuários, com maior impacto entre
mulheres. Os relatos aprofundaram a compreensão das necessidades reais, trazendo sugestões dos próprios
músicos sobre ajustes e regulagens. Com isso, a fase criativa pode explorar soluções como novos materiais,
mecanismos de equilíbrio e modulações formais. Em seguida, a modelagem e experimentação permitem
testar essas propostas com diferentes biotipos, o que se torna fundamental diante das limitações dos
modelos padronizados. Por fim, a etapa de verificação e validação, etapa-chave no método de Munari, pode
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envolver testes práticos ou novos questionários com usuários reais, garantindo que as soluções atendam às
demandas identificadas.
A partir dessas reflexões, cabe ao design propor alternativas com novos materiais, como compósitos de fibra
de carbono, madeira aliviada ou impressões híbridas, e redistribuir os componentes do instrumento de
modo a equilibrar o centro de gravidade e reduzir a fadiga muscular. Da mesma forma, é possível identificar
que a predominância de modelos baseados em antropometrias masculinas médias desconsidera a existência
de músicos com estatura baixa, mãos pequenas ou menor envergadura, como demonstrado tanto pelas
respostas femininas quanto por estudos como o de Lopes (2015), que investiga os padrões de movimento
de contrabaixistas e mostra como variações corporais exigem ajustes específicos. No campo do design, isso
demanda uma abordagem antropométrica modular, que possibilite ao instrumentista escolher escalas,
espessuras e tamanhos de braço mais adequados ao seu biotipo. Trata-se de substituir o modelo único e
padronizado por uma lógica de design inclusivo, como defendem Clarkson et al. (2003), ainda que em
publicações mais amplas, e ressoado na prática brasileira por iniciativas como a de Medeiros et al. (2024),
que propõem modelos pedagógicos centrados na individualidade do músico.
A relação entre estética e função, igualmente abordada na pesquisa, oferece outro campo de atuação do
design. Muitos respondentes consideram o aspecto visual do instrumento um elemento importante para a
performance, a presença de palco e a identidade pessoal, mas não desejam que isso comprometa a
tocabilidade e o conforto. Essa demanda converge com o ideal clássico do design moderno, a forma deve
seguir a função, mas precisa ser reinterpretada de forma contemporânea. O desafio não é escolher entre
estética e ergonomia, mas sim integrá-las. Como destaca Munari (1998), a beleza do objeto reside em sua
eficiência, mas também em sua capacidade de comunicar algo sobre quem o utiliza. Nesse sentido, o
contrabaixo elétrico precisa ser repensado como um produto simbólico e funcional, que represente
identidades diversas e atenda demandas reais de uso.
Em última instância, o redesenho do contrabaixo elétrico à luz das necessidades das mulheres não é apenas
uma demanda técnica, mas também política. É a reafirmação do papel do design como prática socialmente
comprometida, que reconhece as lacunas do passado e atua de forma propositiva para construir produtos
mais democráticos.
5. Considerações finais
Os resultados apresentados no anexo evidenciam, com clareza e profundidade, que o contrabaixo elétrico,
tal como concebido em seus modelos convencionais, apresenta uma série de limitações ergonômicas que
impactam negativamente a experiência dos usuários, especialmente daquelas cujas características corporais
não correspondem ao padrão masculino médio historicamente adotado na indústria.
O problema central identificado transcende o mero desconforto físico, configurando-se como uma notável
discrepância entre o design atual do contrabaixo elétrico e as diversas características psicofisiológicas de
seus usuários, o que culmina em dor, fadiga e potencial para lesões. A análise das respostas dos 41
participantes revela que o peso excessivo do instrumento, a distribuição de massa, especialmente no
que se refere ao neck diving, a dificuldade de ajustes finos e a inadequação das dimensões do braço e da
escala são os principais fatores geradores de desconforto, dores musculoesqueléticas e fadiga durante a
prática musical.
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Tais limitações não são questões isoladas de uso, mas problemas estruturais de projeto, que indicam a
necessidade urgente de uma abordagem de redesign centrada no usuário. A ergonomia, enquanto campo
do conhecimento aplicado ao design, revela que um bom produto deve se ajustar às variações humanas, e
não o contrário. A expressiva quantidade de respostas que apontam para a necessidade de adaptações
posturais forçadas, ajustes improvisados e limitações funcionais reforça que o contrabaixo, em sua forma
atual, exige mais do corpo do músico do que oferece em conforto e desempenho. A situação se agrava
quando se observa, de forma específica, a experiência das mulheres musicistas, que demonstram enfrentar
desafios ainda mais intensos devido à ausência de modelos adequados às suas proporções físicas, força e
alcance. O redesign aplicado ao público feminino, portanto, não se resume à redução de medidas. Trata-se
de uma reinterpretação profunda do objeto técnico, fundamentada na escuta, na observação e no respeito
à diversidade corporal. Envolve soluções como linhas exclusivas de contrabaixos com escala reduzida,
inserção de materiais leves e resistentes, novos sistemas de apoio para tocar sentada ou em pé, ampliação
da paleta estética para contemplar identidades diversas e interfaces de ajuste amigáveis. Tais soluções, além
de potencializarem a performance e o conforto, contribuem para um ambiente musical mais inclusivo e
representativo. O instrumento precisa deixar de ser um obstáculo físico e passar a ser uma extensão
responsiva do corpo e da expressividade do músico.
Portanto, os dados da pesquisa confirmam não apenas a existência de problemas ergonômicos relevantes
no design atual do contrabaixo elétrico, mas também fornecem diretrizes claras para um redesenho que
contemple os princípios de usabilidade, conforto, inclusão e autonomia. As respostas dos participantes,
especialmente das mulheres, não apenas denunciam essas limitações, mas apontam caminhos possíveis e
desejáveis para a inovação. O contrabaixo, como objeto técnico e cultural, pode e deve ser repensado
à luz das práticas reais dos músicos que o utilizam, permitindo que a experiência musical seja não apenas
sonora, mas também corporalmente sustentável, representativa e justa.
6. Declaração de Disponibilidade de Dados
O conjunto de dados completo gerado ou analisado durante este estudo está incluído no artigo publicado.
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