UMA ANTROPOLOGIA PÓS-LENINISTA E A QUESTÃO DO REAL

  • Alex Martins Moraes

Resumo

A antropologia pós-leninista de Sylvain Lazarus separou-se dos domínios do cientificismo a reboque de dois enunciados radicais: “as pessoas pensam” e “o pensamento é relação do real”. Na história do marxismo, Lênin teria sido o primeiro autor a colocar a ação transformadora das coletividades humanas sob a condição de estabelecer suas próprias condições, independentemente dos ditames científicos, históricos e filosóficos que pretendiam depreender das posições sociais já existentes um devir político positivo, com destino pré-fixado. Neste ensaio, delineio o espaço político-teórico reivindicado por Lazarus e reviso as proposições basilares de sua antropologia, enfatizando a original problemática do real inerente a ela. Meu argumento expõe as consequências decisivas deste pensamento que extrai sua particular figura do real diretamente do campo de “possíveis” aberto pela capacidade intelectiva das pessoas. Sugiro que, se decidirmos aceitar a aparente obviedade do enunciado “as pessoas pensam”, abre-se diante de nós um novo horizonte de pesquisa, potencialmente catastrófico do ponto de vista das garantias epistemológicas objetivistas que vínhamos usufruindo até o momento.

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Publicado
2019-12-31
Seção
Artigos / Dossiê