CHAMADA DE ARTIGOS - PRAZO DE SUBMISSÃO PRORROGADO (30 de maio) - Amazônia - v. 28, n. 3, set./dez., 2021

2021-03-10

Amazônia é o tema central do próximo número da Revista da UFMG, para o qual convidamos interessadas e interessados para submeter contribuições.

Prazo para submissão: até 31 de maio de 2021

A Amazônia está ameaçada mais uma vez, e assim, no centro das atenções mundiais. Desta feita, principalmente por causa do governo brasileiro que se recusa a protegê-la e aos seus povos, e mais até, por sua intenção explícita de incentivar sua destruição e o genocídio dos seus povos originários.

De fato, há várias décadas governos brasileiros – os da ditadura militar, em especial – vêm ameaçando destruir a Floresta Amazônica, impondo-lhe modelos de ocupação desenvolvimentista predatória nos quais a maior floresta tropical do mundo seria substituída pela criação extensiva de gado bovino, por monoculturas de soja, e por minerações desregulamentadas de garimpeiros e empresas transnacionais, além da extração ilegal de madeira e grandes projetos hidroelétricos, entre outros. Esses projetos e ações públicas desconsideram a floresta e pavimentam cenários que são em seguida intensamente explorados por empresas, mediando a entrada em cena legalizada de toda sorte de empreendimentos que operam essa destruição.

O Brasil detém hoje um grande conhecimento acumulado sobre a Amazônia ainda que a floresta, de dimensões continentais, seja fonte quase inesgotável de potencialidades a serem pesquisadas. Sabemos que há inúmeras alternativas possíveis, desde o resgate e incorporação de tecnologias a formas tradicionais de ocupação e de modos de vida, até a identificação de novas possibilidades de exploração e ocupação. Nos vários centros de pesquisa e de estudos da própria região Amazônica, como em outras partes do país, há propostas diversas para intervenções a serem feitas de forma respeitosa para com a floresta e com as populações diversas que a habitam.

A Amazônia pode significar, argumentam alguns, uma experiência humana e natural ímpar e nova, a corporificação de uma sociedade ao mesmo tempo múltipla em sua diversidade, mas singular na forma como integra articulações internas e externas. Pode ser o berço ou referencial para o século, e para o futuro. Mas pode também significar o mais recente ciclo de destruição, a ‘queda do ceú’, o desaparecimento da esperança de vida no planeta.

Interessa-nos a possibilidade de apresentar diferentes perspectivas, a começar pelas questões de geopolítica que permitem situar o que está em disputa nas narrativas sobre a Amazônia,  seja em uma abordagem que focalize as inflexões políticas mais recentes, seja em uma perspectiva histórica que possa contextualizar as mudanças, mas também as recorrências significativas nos enquadramentos históricos que situam a Amazônia no âmbito nacional e internacional.

A imagem da Amazônia como “uma grande floresta a ser preservada” também merece ser problematizada através de contribuições que possam articular os chamados “povos da floresta” às questões relacionadas à preservação ambiental, ou seja, à intricada rede de relações entre atores e agenciamentos humanos e não-humanos que povoam e habitam a Amazônia.

Outra frente de questões e temáticas é aquela dos problemas e desafios de toda ordem – técnicos, sociais, culturais, econômicos, políticos e éticos –  levantados por estudos e projetos de diferentes naturezas e escopo que, atuando na Amazônia, possam trazer um rico e articulado espectro de possibilidades de ação, sempre de forma situada, referindo seus limites e potencialidades.

Por fim, mas de grande e acentuada importância, interessa-nos veicular as vozes dos diferentes coletivos amazônicos, de forma a trazê-los para a centralidade da cena pública do debate sobre a Amazônia. 

Enfim, há muito (o) que conversar sobre a Amazônia!

Os artigos devem ser adequados às Normas para Publicação disponíveis no website da revista, bem como através deste, exclusivamente, devem ser realizadas as submissões, até 31 de maio de 2021. Normas e submissões AQUI.