CHAMADA DE ARTIGOS - PRAZO DE SUBMISSÃO PRORROGADO - Memórias do futuro - v. 28, n. 2, maio/ago., 2021

2021-03-10

Memórias do futuro é o tema central do próximo número da Revista da UFMG, para o qual convidamos interessados e interessadas para submeter contribuições.

Prazo para submissão: até 30 de abril de 2021.

 

Ultrapassado está próximo

Henras

 

O momento atual tem trazido vários desafios para a sociedade, sendo que os mais relevantes, sem dúvida, são aqueles provocados pela eclosão da COVID-19 e os problemas e questões que a pandemia tem suscitado. Porém, este não é o único tema que tem chamado nossa atenção e provocado mudanças de hábitos, costumes, crenças, projetos, que já estão em curso há mais tempo, devido também a outros fatores, que envolvem transformações políticas, culturais, econômicas, sociais que têm desafiado a sociedade e a levado a buscar estratégias para se reinventar. O aumento da importância das novas tecnologias na nossa vida, sem dúvida intensificada ainda mais pela necessidade do distanciamento social, nossa imersão nas redes sociais, a questão da difusão das fakenews, os desafios trazidos com o avanço das pesquisas sobre inteligência artificial, os questionamentos sobre raça, gênero e credo, os problemas do meio ambiente, a política, temas sociais e econômicos têm prenunciado um futuro de incertezas, não se tratando de uma questão local somente, mas mundial, apontando para a possibilidade de um futuro distópico.

Tudo isso traz reflexões que nos levam a pensar até mesmo que a humanidade está deixando (ou já deixou) o Holoceno, e está entrando (ou já entrou) em uma nova era – o Antropoceno, na qual os humanos substituem a natureza, como força ambiental dominante na terra, pelas “construções humanas”. Nos levam também a ponderar sobre o que podemos esperar do futuro e como a humanidade vai efetivamente proceder diante de tantos desafios.

Na arte, por exemplo, temos visto artistas que respondem a tudo isto através de várias estratégias propositivas, como “profecias”, através das quais são abordadas mudanças políticas, culturais, econômicas, sociais, que eles, os artistas, gostariam de ver implementadas, mesmo que elas sejam somente um produto do seu desejo – uma forma de projetá-lo no futuro.

Ao propormos para esse número da Revista da UFMG o tema Memórias do futuro, convidamos os autores a refletirem e apresentarem uma espécie de prospecção do que se apresenta para o futuro em vários setores da vida que têm sido diretamente afetados por tudo o que tem acontecido. As questões que se colocam abrangem desde o cotidiano das pessoas, novas formas de encarar o trabalho e o lazer, o estudo, as interações humanas, a sobrevivência, a arte e a cultura, que têm tido como referência a “casa” ou seja, passam muitas vezes pela casa, em um sentido amplo, como uma espécie de “palco” desse espetáculo. A casa, no seu sentido concreto, tem se descortinado para o outro, nas lives, por exemplo, que muitos músicos têm feito, e nas quais o artista tem uma outra interação com o público muito diferente, muito mais intimista e informal do que aquela vivenciada nos palcos e casas de espetáculos. Somos levados à situação do voyeur, que espia pelo buraco da fechadura. A perspectiva mudou e abriu um novo momento.

Ao ponderarmos sobre toda a complexidade do mundo que estamos vivenciando podemos pensar no futuro como se o estivéssemos percebendo em retrospecto, ou seja, como se estivéssemos no futuro, olhando para o passado. Trata-se, pois, de uma abordagem da memória do ponto de vista cultural, na medida em que ela não deve ser entendida como uma fixação patológica com o passado, mas como um back-up, uma espécie de bagagem necessária para que a sociedade construa seu futuro, ou seja, uma memória inspecionada criticamente. Por assim dizer a memória cultural está sempre direcionada para o futuro, lembrando para frente (ASSMANN, A. Canon and Archive. In ERLL; NÜNNING, 2008).

Convidamos a todos a refletirmos sobre o futuro a partir das narrativas do passado, já que “a memória funciona no aqui e agora” como “uma linha de tempo entre passado e futuro” (TAYLOR, 2013, p. 129).  E esse olhar pode se dar de várias maneiras: através do otimismo, da esperança, ou ao contrário, através da incerteza, do pessimismo, da alegria ou da tristeza, ou até mesmo por tudo isso, já que as emoções humanas não são excludentes.

Lançamos, pois, o desafio, para se pensar, escrever, ou seja, se expressar a partir desta nova perspectiva, com proposições diversas, refletindo, também, sobre a possibilidade da construção de outros futuros.

Os artigos devem ser adequados às Normas para Publicação disponíveis no website da revista, bem como através deste, exclusivamente, devem ser realizadas as submissões, até 30 de abril de 2021. Normas e submissões AQUI.

 

Referências

ASSMANN, A. Canon and Archive. In ERLL, Astrid; NÜNNING, Ansgar (Ed). Cultural Memory Studies. An International and Interdisciplinary Handbook. Berlin, New York: W de G, 2008.

TAYLOR, Diana. O arquivo e o repertório. Performance e memória cultural nas Américas. Belo Horizonte, UFMG, 2013.