CHAMADA PARA ARTIGOS - Prazo para submissão: 30 de abril de 2022 - Reconstruções - v.29/2022

2021-12-20

São muitos os gestos e os movimentos envolvidos nas reconstruções. Logo de início importa pôr em relevo o lugar do prefixo re, cuja etimologia em latim, restituire, já denota a ideia de uma ação repetida, de reparação e de restauro. Mas o que o termo, que literalmente significa construir de novo, é capaz de convocar ao pensamento na contemporaneidade? Este presente número da Revista UFMG tem como objetivo explorar, ampliar, constituir, modificar a ideia de recomeço e de retomada e convidar, de forma transdisciplinar, que áreas de conhecimento diversas operacionalizem a potencialidade desse verbo transitivo que coloca em questão não só a importância do objeto, como também a relação entre objetos, ou seja, o como reconstruir.

Submersos, ainda, nos impactos da Pandemia da Covid 19, na instabilidade que a fome vem provocando na população brasileira, assujeitados ao protagonismo das tecnologias na vida cotidiana, a formulação de Caetano Veloso, entre outros autores, “Aqui tudo parece/ que era ainda construção /e já é ruína” pode ser um início convidativo para refletir acerca das fraturas do projeto modernizador que caracteriza em particular o Brasil, e nos perguntar em que medida é possível reconstruir algo sobre bases que nunca foram coesamente tecidas. Nesse cenário, como comemorar o centenário da Semana de Arte Moderna e o seu desejo de nação, e também rever e revisar a importância de uma releitura dos 200 anos de Independência do Brasil ou os 300 anos de Minas Gerais?

Outro potente campo reflexivo para entender o termo reconstrução encontra-se na tradução: a passagem de uma língua para outra significa o conhecimento de uma memória linguística e cultural ampla, mas também a capacidade de renovar uma frase assumindo a responsabilidade − e o risco − da reformulação na língua de chegada. A tradução é sempre um ato de ética, neste caso linguística, tal como a reconstrução é também, sempre, um ato de ética temporal com os tempos imbricados.
Assim, a reconstrução é uma oportunidade de inovação. O mesmo significado pode ser produzido de modos diferentes, por uma diversidade de combinações dos elementos constitutivos, mas que garanta − é este é o desafio − a produção e a tutela do mesmo sentido. A reconstrução pressupõe sempre um posicionamento ético em relação ao tempo e deve ser pensada a partir do duplo movimento de desconstrução e reconstrução do objeto que a práxis da tradução exemplifica.
Uma metáfora poderosa que se pode estender a todas as áreas de conhecimento que nesta fase estão empenhadas em reconstruir uma vida que se dilacerou, vidas machucadas.

Lançamos, pois, o desafio, para se pensar, se expressar, a partir desta nova perspectiva, com proposições diversas, refletindo e elaborando, também, sobre a possibilidade da construção de um tempo por vir.

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