Carnaval e “A História que a História Não Conta”

Uma Análise dos Sambas de Enredo

  • Anna Cristina de Almeida Jesus Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Palavras-chave: História do Lazer, Carnaval, Samba-enredo

Resumo

A Estação Primeira de Mangueira foi campeã dos desfiles do Carnaval de 2019 do Rio de Janeiro com o enredo “História para ninar gente grande”. Após a verificação de 1.592 sambas de enredo, dos carnavais cariocas de 1939 a 2019, este artigo demonstra que foram apresentadas, em 43 composições anteriores, de escolas diversas, perspectivas semelhantes às que constam no samba-enredo da Verde e Rosa. São obras que exaltam as contribuições de negros, indígenas e populares para a História do Brasil; elencam personalidades relevantes como “outros heróis”; desconstroem a contribuição dos heróis “clássicos” da pátria; e realizam críticas à sociedade brasileira, suas mazelas e seu(s) governo(s). Finalmente, elencamos as oito principais composições que ilustram essas propostas. O objetivo é relacionar a produção cultural carnavalesca às questões do seu tempo, destacando a importância do festejo para a cultura nacional.

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Referências

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ILU AYÊ, a terra da vida. Compositores: Cabana e Norival Reis. Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Rio de Janeiro, 1972.

INFERNO VERDE. Compositores: Zinco e Darcy Caxambu. Grêmio Recreativo Escola de Samba Filhos do Deserto. Rio de Janeiro, 1955.

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O MESTIÇO predestinado. Compositor: Pernambuco. Grêmio Recreativo Escola de Samba Independentes de Cordovil. Rio de Janeiro, 1975.

MEU deus, meu Deus, está extinta a escravidão? Compositores: Aníbal, Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé e Jurandir. Grêmio Recreativo Escola de Samba Paraíso do Tuiuti. Rio de Janeiro, 2018.

MONSTRO é aquele que não sabe amar: os filhos abandonados da pátria que os pariu. Compositores: Di Menor BF, Kiraizinho, Diego Oliveira, Bakaninha Beija Flor, JJ Santos, Julio Assis e Diogo Rosa. Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Rio de Janeiro, 2018.

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QUILOMBO dos Palmares. Compositores: Noel Rosa de Oliveira, Anescarzinho e Walter Moreira. Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Rio de Janeiro, 1960.

RAPSÓDIA folclórica. Compositores: Herlito Fonseca, Nélson Pechincha e Zavariz. Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Lucas. Rio de Janeiro, 1969.

RATOS e urubus, larguem minha fantasia. Compositores: Betinho, Glyvaldo, Zé Maria e Osmar. Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis. Rio de Janeiro, 1989.

O REI da Costa do Marfim visita Chica da Silva em Diamantina. Compositores: Matias de Freitas, Carlinhos Boemia e Nelson Lima. Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. Rio de Janeiro, 1983.

ROMARIA à Bahia. Compositores: Abelardo Silva, Duduca e Ernesto José Aguiar. Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Rio de Janeiro, 1954.

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VOCÊ semba lá... que eu sambo cá! o canto livre de Angola. Compositores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Leonel e Artur das Ferragens. Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Vila Isabel. Rio de Janeiro, 2012.

Publicado
2020-03-17
Como Citar
Jesus, A. C. de A. (2020). Carnaval e “A História que a História Não Conta”. LICERE - Revista Do Programa De Pós-graduação Interdisciplinar Em Estudos Do Lazer, 23(1), 153-192. https://doi.org/10.35699/1981-3171.2020.19692
Seção
Artigos Originais