Sobre Nossa Capa
DOI:
https://doi.org/10.35699/2447-6218.2026.66916Resumo
A proposta desta capa parte do entendimento do esporte e do lazer como direitos que atravessam corpos, trajetórias e diferentes formas de existência. Ao trazer Tifanny Abreu, primeira atleta trans a atuar na Superliga feminina brasileira, para o centro da composição visual, a imagem não busca produzir consenso, nem responder de forma definitiva aos debates atuais sobre a participação de pessoas trans no esporte de alto rendimento. O objetivo é registrar uma discussão pública que mobiliza instituições esportivas, universidades, movimentos sociais e diferentes campos do conhecimento.
A escolha estética dialoga com a ideia de presença, pessoas trans em espaços historicamente regulados por normas rígidas de gênero, no esporte profissional, no lazer, na universidade e na produção científica. Nesse sentido, a imagem afirma o direito à participação como dimensão fundamental da vida social.
Como publicação vinculada à UFMG, a revista Licere também se insere em um contexto institucional marcado por debates sobre acesso, permanência e reconhecimento. A aprovação da reserva de vagas para pessoas trans na graduação e na pós-graduação da
universidade evidencia que a discussão sobre participação social não se restringe ao esporte, ela atravessa igualmente os espaços de formação, convivência e produção do conhecimento. Pensar o lazer, nesse contexto, implica discutir circulação, permanência e
direito à existência nos diferentes espaços sociais.
A discussão sobre pessoas trans no esporte não pode ser reduzida ao rendimento. Ela envolve experiências de pertencimento, circulação e possibilidade de existência pública sem exclusão. Falar sobre lazer, nesse contexto, significa discutir acesso ao corpo,
ao cuidado e às práticas culturais e esportivas.
A capa propõe um posicionamento em defesa da participação de pessoas trans, mulheres e homens, nos diferentes espaços sociais e esportivos, reconhecendo que o debate institucional permanece em disputa em diferentes países e organizações
esportivas. Ao mesmo tempo, entende que nenhuma regulamentação esportiva deve desconsiderar as pessoas envolvidas.
Visualmente, a composição busca construir uma imagem direta, sem recorrer à caricatura ou ao excesso simbólico. A escolha cromática, aliada à centralidade da figura retratada, reforça a dimensão pública do debate e a legitimidade da presença trans no
esporte contemporâneo.
Mais do que ilustrar uma pauta, esta capa acompanha uma reflexão sobre acesso, participação e direito ao lazer diante das experiências sociais, corporais e identitárias que atravessam o esporte contemporâneo.
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