“Os Domingos Eram o Único Tempo que Tinha para o Lazer”
Contracolonialidade, Fabulação Crítica e Lazer Negro entre Arquivo e Circulação Atlântica
DOI:
https://doi.org/10.35699/2447-6218.2026.69344Palavras-chave:
Lazer, Escravidão, Historiografia contracolonial, Fabulação crítica, Experiência negraResumo
Este artigo discute como mobilizar “lazer” como operador analítico em pesquisas históricas sobre experiências negras no Brasil, do período da escravidão ao início do século XX, sem exigir que o vocábulo apareça nas fontes e sem apagar a historicidade dos sentidos. O texto trata o anacronismo como problema de método e considera que parte do arquivo registra práticas negras de fruição, encontro e circulação por meio de vigilância, moralização e punição. A metodologia articula uma aposta comparativa com um corpus de autobiografias de pessoas escravizadas e ex escravizadas nos Estados Unidos, onde “leisure” aparece em cenas de concessão vigiada, intervalos disputados, sociabilidade e mobilidade. A análise se organiza em quatro dimensões, regime de tempo, regime de controle, repertório de práticas e sentido atribuído, o que permite descrever variações de experiência sem reduzir o exame à presença de uma palavra. Em seguida, o artigo desloca essa baliza para o Brasil, com foco no samba e em seus entornos, mobilizando fabulação crítica e perspectiva contracolonial para ler rastros de lazer em registros marcados por violência documental. O argumento final sustenta que circulação e encontro podem ser lidos como práticas de fruição e como táticas de existência, desde que o conceito seja operado com disciplina lexical e ancoragem empírica.
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