A multidão contra o Estado: rumo a uma comunidade inapropriável - DOI: 10.9732/P.0034-7191.2014v108p145

  • Andityas Soares de Moura Costa Matos

Resumo

O presente artigo dialoga com uma proposta de Giorgio Agamben contida na obra A Comunidade Que Vem, consistente num convite para se pensar uma comunidade inapropriável, ou seja, uma comunidade integrada por indivíduos ontologicamente indeterminados e que por isso mesmo não podem ser apropriados pelos aparatos de poder. Nesse sentido, o texto tenta demonstrar de que maneira essa formação social ideada por Agamben pode dialogar com as tradições da multidão (Michael Hardt e Antonio Negri) e dos povos sem Estado (Pierre Clastres). Para tanto, na primeira seção são traçadas as semelhanças entre comunidade e multidão. Na segunda seção se discute o papel individualizante do direito e da política ocidentais, entendidos enquanto mecanismos hierárquicos cuja função é exatamente impedir o surgimento da multidão. Por fim, na terceira seção são apresentadas algumas estruturas societárias radicalmente diferentes do Estado, apontando não para uma antipolítica, mas para uma despotencialização da política opressiva que caracteriza as sociedades atuais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Andityas Soares de Moura Costa Matos
Graduado em Direito, Mestre em Filosofia do Direito e Doutor em Direito e Justiça pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de MinasGerais (UFMG). Doutorando em Filosofia pela Universidade de Coimbra(Portugal). Professor Adjunto de Filosofia do Direito e disciplinas afins na Faculdade de Direito da UFMG. Membro do Corpo Permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito da Faculdade de Direito da UFMG. Pesquisador colaborador no Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Titular de Filosofia do Direito no curso de Graduação em Direito da FEAD (Belo Horizonte/MG). Autor de ensaios jusfilosóficos tais como Filosofia do Direito e Justiça na Obra de Hans Kelsen (Belo Horizonte, Del Rey, 2006), O Estoicismo Imperial como Momento da Ideia de Justiça: Universalismo, Liberdade e Igualdade no Discurso da Stoá em Roma (Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2009), Kelsen Contra o Estado(In: Contra o Absoluto: Perspectivas Críticas, Políticas e Filosóficas da Obra de Hans Kelsen, Curitiba, Juruá, 2012), CONTRA NATVRAM: Hans Kelsen e a Tradição Crítica do Positivismo Jurídico (Curitiba, Juruá, 2013) e Power, Law and Violence: Critical Essays on Hans Kelsen and Carl Schmitt (Lambert, Saarbrücken[Alemanha], 2013). Diretor da Revista Brasileira de Estudos Políticos.
Publicado
2014-06-30
Seção
Artigos