Sobre a aclamação político-governamental ou sobre a indignidade da política - DOI: 10.9732/P.0034-7191.2014v108p215

  • Daniel Arruda Nascimento

Resumo

Tem como finalidade o presente artigo o estudo dos elementos e procedimentos de aclamação na máquina governamental. O seu percurso é definido pelo acompanhamento da análise realizada por Giorgio Agamben em Il Regno e la Gloria: Per Una Genealogia Teologica dell’Economia e del Governo, especialmente nos capítulos “Il Potere e la Gloria” e “Archeologia Della Gloria”. Mapeados os momentos em que o termo glória aparece no registro de uma aproximação conceitual e estabelecido o panorama da argumentação mobilizada pelo filósofo italiano, podemos colocar a questão das funções exercidas pela aclamação na política, bem como dos meios nos quais elas sobrevivem. Em paralelo às discussões que envolvem processos de secularização ou teologização de conceitos, certas afinidades deflagradas pela observação de um fenômeno não nos impedirão de surpreender inegáveis proximidades. O brilho destas proximidades não nos faculta desviar o olhar sensibilizado. Assim sendo, a aclamação surgirá como aquilo que funda e justifica o poder político. Ao final, avaliamos a hipótese de Carl Schmitt de que a aclamação teria sobrevivido na esfera da opinião pública, com revérberos no comportamento midiático. E apresento uma segunda hipótese: a de que a aclamação, nas nossas democracias representativas crescidas, teria retornado na esfera do sufrágio. Quanto mais adentramos a crise de legitimidade do nosso tempo, mais apelamos para elementos aclamatórios na política.

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Biografia do Autor

Daniel Arruda Nascimento
Doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor Adjunto do Instituto de Ciências da Sociedade da Universidade Federal Fluminense (UFF). Membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ética e Epistemologia da Universidade Federal do Piauí(UFPI).
Publicado
2014-06-30
Seção
Artigos