DOI: https://doi.org/10.35699/2237-5864.2026.62575
SEÇÃO: ARTIGOS
Dissonância entre currículo e prática: percepção discente frente à casuística do estágio em Medicina Veterinária
Disonancia entre currículo y práctica: percepción estudiantil frente a la casuística de pasantía em Medicina Veterinaria
Dissonance between curriculum and practice: student perception of the caseload during Veterinary Medicine internships
Leandro Branco Rocha,1 Mariana Lima de Souza,2 Milena Santos Bezerra,3 Maria Fernanda Correia Vilas Boas,4 Gabriel Melo de Santana5
RESUMO
Esta pesquisa examinou a relação entre o currículo de um curso de graduação em Medicina Veterinária e os desafios no Estágio Supervisionado Obrigatório (ESO). O objetivo foi analisar a correlação entre a percepção discente, o conteúdo programático formal e as demandas clínico-epidemiológicas do ESO, visando identificar lacunas curriculares e propor melhorias formativas. Utilizou-se abordagem mista, analisando 28 discentes que cumpriram carga horária individual de 450 horas (12.600h totais) entre 2015 e 2023. A casuística abrangeu 4.566 animais em 33 instituições, sendo 18 federais (54,5%) e 15 privadas (45,5%), com 17,9% dos alunos atuando em duas unidades. Observou-se predominância de cães (83,7%) sobre gatos (16,3%). Foram selecionados para análise profunda 682 casos clínicos em quatro etapas analíticas: 1) tabulação quantitativa do perfil casuístico; 2) análise documental das ementas pelo docente; 3) confronto entre a percepção discente e a cobertura curricular efetiva; 4) análise de conteúdo qualitativa das percepções emergentes. Os achados revelaram disparidade perceptual: embora 91,20% das patologias fossem ensinadas, os estudantes reconheceram apenas 67,16%, com 15,40% das doenças sendo desconhecidas devido a falhas na ancoragem do conteúdo. Áreas como Dermatologia (13,6%) e Endocrinologia geraram insegurança em até 65% dos discentes. Conclui-se pela urgência de reformulação curricular focada na integração disciplinar, uniformização da terminologia e adoção de metodologias ativas, visando preparar egressos para a realidade profissional.
Palavras-chave: medicina veterinária; educação superior; clínica médica; cães e gatos; formação profissional.
RESUMEN
Esta investigación examinó la relación entre el currículo de una carrera de grado en Medicina Veterinaria y los desafíos en la Práctica Supervisada Obligatoria (PSO). El objetivo fue analizar la correlación entre la percepción estudiantil, el contenido programático formal y las demandas clínico-epidemiológicas de la PSO, con el fin de identificar brechas curriculares y proponer mejoras formativas. Se utilizó un enfoque mixto, analizando a 28 estudiantes que cumplieron una carga horaria individual de 450 horas (12.600h totales) entre 2015 y 2023. El volumen total de casos abarcó 4.566 animales en 33 instituciones, siendo 18 federales (54,5%) y 15 privadas (45,5%), con un 17,9% de los alumnos que realizaron sus prácticas en dos unidades. Se observó una predominancia de perros (83,7%) sobre gatos (16,3%). Se seleccionaron 682 casos clínicos para un análisis profundo en cuatro etapas analíticas: 1) tabulación cuantitativa del perfil de la casuística; 2) análisis documental de los programas de las asignaturas; 3) confrontación entre la percepción estudiantil y la cobertura curricular efectiva; 4) análisis de contenido cualitativo de las percepciones emergentes. Los hallazgos revelaron una disparidad perceptual: aunque se enseñó el 91,20% de las patologías, los estudiantes reconocieron solo el 67,16%, con un 15,40% de las enfermedades siendo desconocidas debido a fallas en la consolidación del conocimiento. Áreas como Dermatología (13,6%) y Endocrinología generaron inseguridad en hasta el 65% de los estudiantes. Se concluye que es urgente una reformulación curricular centrada en la integración disciplinar, la uniformización de la terminología y la adopción de metodologías activas, con el objetivo de preparar a los egresados para la realidad profesional.
Palabras clave: medicina veterinaria; educación superior; clínica médica; perros y gatos; formación profesional.
ABSTRACT
This research examined the relationship between the undergraduate Veterinary Medicine curriculum and the challenges faced during the Mandatory Supervised Internship (MSI). The objective was to analyze the correlation between student perception, the formal syllabus, and the clinical-epidemiological demands of the MSI, aiming to identify curricular gaps and propose formative improvements. A mixed-method approach was employed, analyzing 28 students who completed an individual workload of 450 hours (12,600 total hours) between 2015 and 2023. The total caseload encompassed 4,566 animals across 33 institutions – 18 federal (54.5%) and 15 private (45.5%) – with 17.9% of students working in two different units. A predominance of dogs (83.7%) over cats (16.3%) was observed. For in-depth analysis, 682 clinical cases were selected and processed through four analytical stages: 1) quantitative tabulation of the clinical profile; 2) documentary analysis of the syllabi; 3) comparison between student perception and effective curricular coverage; and 4) qualitative content analysis of emerging perceptions. The findings revealed a perceptual disparity: although 91.20% of the pathologies were effectively taught, students recognized only 67.16%, with 15.40% of the diseases remaining unknown due to failures in knowledge consolidation. Areas such as Dermatology (13.6%) and Endocrinology generated a lack of confidence in up to 65% of the students. It is concluded that there is an urgent need for curricular reformulation focused on disciplinary integration, standardization of terminology, and the adoption of active methodologies to better prepare graduates for clinical practice.
Keywords: veterinary medicine; higher education; internal medicine; dogs and cats; professional training.
INTRODUÇÃO
A formação em Medicina Veterinária visa capacitar futuros profissionais para uma atuação abrangente e eficiente em diversas áreas, incluindo clínica e cirurgia de cães e gatos para atuação em clínicas e hospitais veterinários. A matriz curricular dos cursos de graduação é estruturada com base nas diretrizes da Resolução do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior (CNE/CES) nº 1, de 2003 (Brasil, 2003). Essa normativa prioriza disciplinas teóricas e práticas, além do desenvolvimento de competências como liderança e pensamento crítico. No entanto, a atual reformulação da matriz curricular, alinhada à Resolução CNE/CES nº 3 (Brasil, 2019), surge como uma oportunidade estratégica para mitigar as deficiências no ensino.
A nova Diretriz Curricular Nacional (DCN) representa a transição de um modelo de ensino focado em disciplinas para um modelo orientado pelo desenvolvimento de competências, com a finalidade de capacitar o profissional a atuar de forma mais integrada e crítica (Brasil, 2019), o que está em processo de implementação nas universidades. Essa mudança reflete uma tendência de buscar a integração interdisciplinar no currículo veterinário (Jahns et al., 2022) e impõe desafios complexos na docência superior em áreas da saúde no que tange à adoção de novas metodologias de ensino (Xia et al., 2024).
O Estágio Supervisionado Obrigatório (ESO) constitui um componente curricular indispensável que deve integralizar ao menos 10% da carga horária total do curso, conforme as DCN (Resoluções CNE/CES nº 1/2003 e nº 3/2019) (Brasil, 2003, 2019). Como etapa final de consolidação acadêmica, o ESO atua como o elo primordial entre a teoria e a prática, servindo de campo de testes para a eficácia do ensino ao confrontar o conhecimento técnico com as demandas imprevisíveis da realidade clínica (Jafarian et al., 2022). Essa vivência real promove a transição para um modelo orientado por competências integradas, aprimorando habilidades de comunicação e tomada de decisão essenciais para a autonomia do egresso frente aos desafios do mercado (Brasil, 2019; Jafarian et al., 2022).
Apesar das diretrizes amplas estabelecidas pelas DCN, a implementação prática das matrizes curriculares muitas vezes resulta em um desafio pedagógico complexo. A formação de um profissional capaz de integrar e aplicar o conhecimento adquirido em sala de aula nas demandas multifacetadas da realidade clínica representa um obstáculo central, uma vez que a percepção do discente sobre a relevância do conteúdo é variável e depende da qualidade da experiência prática (Matthew; Taylor; Ellis, 2010). É nesse contexto que o ESO emerge como um campo de testes para a eficiência do ensino e uma oportunidade para os discentes consolidarem sua aprendizagem e aprimorarem habilidades técnicas e de comunicação por meio da vivência real (Jafarian et al., 2022).
A educação veterinária atual enfrenta desafios na oferta de treinamento prático e no aprimoramento de habilidades, como a comunicação efetiva. Embora crucial para discentes e profissionais, essa habilidade é frequentemente negligenciada em currículos com alta carga teórica (Haldane et al., 2017).
Essa valorização da prática clínica por parte dos discentes levanta a questão central sobre a correspondência entre o conteúdo ensinado nas universidades e as demandas reais da prática profissional. A discrepância pode comprometer a formação dos discentes e sua preparação para o mercado de trabalho (Tinga et al., 2001; Gummery et al., 2018).
Dessa forma, a análise das experiências vivenciadas pelos estagiários pode fornecer subsídios importantes para avaliar a adequação do ensino teórico à realidade do exercício clínico. Com base nessa premissa, este estudo tem como objetivo analisar a correlação entre a percepção discente, o conteúdo programático formal e as demandas clínico-epidemiológicas do Estágio Supervisionado Obrigatório (ESO), visando identificar lacunas curriculares e propor melhorias formativas. Os dados obtidos permitem avaliar a eficiência e a eficácia do ensino, identificando possíveis brechas na matriz curricular e sugerindo ajustes que possam otimizar a formação acadêmica e a preparação profissional dos futuros médicos veterinários.
METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva e exploratória. O desenho experimental foi estruturado para analisar a correlação entre a percepção discente, o conteúdo programático formal e as demandas clínico-epidemiológicas do ESO, visando identificar lacunas curriculares e propor melhorias formativas.
Participantes
A amostra, selecionada de forma intencional e por conveniência, foi composta por 28 discentes de uma única universidade brasileira. Os participantes pertenciam a diferentes turmas de graduação que concluíram o ESO entre os anos de 2015 e 2023. Como critério de inclusão, todos os estudantes deveriam estar regularmente matriculados no último ano (10º período) do curso e terem cursado a mesma matriz curricular teórica. Excluíram-se discentes com registros de estágio incompletos ou realizados fora da área de clínica de pequenos animais. A participação foi voluntária, mediante convite e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Essa amostragem permitiu capturar variações nas experiências práticas em instituições públicas e privadas, refletindo diferentes demandas clínico-epidemiológicas.
Procedimentos de coleta de dados
Para a coleta dos dados, utilizou-se uma tabela estruturada não validada, desenvolvida ad hoc pelos autores especificamente para esta pesquisa. O instrumento foi preenchido pelos próprios discentes durante o período do estágio, com as seguintes informações de cada atendimento acompanhado: Número de Atendimento, Espécie, Idade, Raça, Porte, Sexo, Doenças acompanhadas e o questionamento: Foi abordado na graduação? (sim ou não).
Análise dos dados
Os dados coletados foram analisados de forma quali-quantitativa. Para a análise quantitativa, os dados numéricos foram tabulados e processados utilizando os softwares Microsoft Excel e IBM SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), a fim de descrever o perfil dos atendimentos e identificar as discrepâncias entre a teoria e a prática. As variáveis analisadas incluíram: características dos participantes, perfil dos atendimentos (patologias, espécies, raças), e a discrepância curricular.
A análise qualitativa seguiu as três fases cronológicas da análise de conteúdo de Bardin (1977): 1) Pré-análise, consistindo na leitura flutuante das justificativas descritivas dos discentes e na organização do corpus; 2) Exploração do material, na qual se realizou o recorte do texto em unidades de registro (temas) e a subsequente categorização por analogia; e 3) Tratamento dos resultados, inferência e interpretação, em que os núcleos de sentido emergentes (como despadronização terminológica e fragmentação disciplinar) foram confrontados com as ementas curriculares. Esse processo permitiu realizar inferências fundamentadas sobre os fatores determinantes da dissonância entre o ensino teórico e a prática no ESO.
Para avaliar a discrepância curricular, comparou-se a percepção dos discentes, registrada na coluna “Foi abordado na graduação?” da tabela estruturada (respostas “sim” ou “não” para cada uma das doenças acompanhadas), com a análise do conteúdo programático formal, que verificou se essas doenças estavam contempladas nas disciplinas de clínica médica, cirúrgica e demais áreas do currículo. Essa comparação foi realizada por meio de análise documental das ementas e tabulação quantitativa das respostas para determinar a proporção de casos percebidos como estudados pelos discentes (em percentual) e aqueles efetivamente abordados no currículo (segundo o docente). Os resultados foram expressos em frequências absolutas e relativas, permitindo identificar lacunas entre a percepção discente e o conteúdo ministrado.
A combinação das duas abordagens metodológicas permitiu uma compreensão mais completa da complexa relação entre o plano de estudo e as experiências de estágio.
Aspectos éticos e limitações do estudo
O estudo seguiu as diretrizes éticas estabelecidas pela Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), garantindo o anonimato dos participantes e a confidencialidade dos dados. Todos os participantes assinaram um TCLE antes da coleta de dados (Brasil, 2016).
É importante destacar que este estudo está sujeito a algumas limitações, incluindo o uso de um instrumento de coleta não validado previamente, desenvolvido especificamente (ad hoc) para os objetivos desta pesquisa. Somado a isso, o potencial viés de memória dos discentes e a heterogeneidade das instituições de estágio podem influenciar a generalização dos resultados, especialmente pelo foco em uma única universidade. Entretanto, a tabela estruturada permitiu o registro sistemático da rotina clínica, sendo fundamental para o confronto entre o conteúdo formal e a percepção discente. Apesar dessas limitações, espera-se que o estudo contribua para a melhoria da formação profissional, servindo como referência para a implementação dessa pesquisa em outras instituições.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Perfil da casuística e contexto dos estágios
O estudo contou com a participação de 28 discentes que realizaram o ESO, componente curricular que, conforme as DCNs para os cursos de Medicina Veterinária (Brasil, 2003), deve corresponder a no mínimo 10% da carga horária total do curso. Os discentes da presente pesquisa cumpriram uma carga horária individual de 450 horas, totalizando 12.600 horas, em 33 instituições, sendo 18 hospitais universitários federais (54,5%) e 15 clínicas ou hospitais particulares (45,5%). Cabe ressaltar que 5 (17,9%) desses discentes realizaram estágios em duas instituições distintas.
A exposição a múltiplos contextos práticos, como instituições públicas e privadas de saúde, potencializa o ciclo da aprendizagem experiencial. Isso ocorre ao oferecer oportunidades diversas de vivência, reflexão e aplicação do conhecimento (Kolb, 1984). Essa dualidade de experiências é crucial para uma formação completa, pois os hospitais universitários, em geral, oferecem um ambiente de maior complexidade de casos e integração com pesquisa e extensão, enquanto as clínicas particulares proporcionam uma visão mais próxima da realidade do mercado de trabalho (Wang et al., 2017). A vivência em diferentes contextos permite aos discentes aplicarem o conhecimento teórico, refletirem sobre as complexidades do diagnóstico e aprimorarem suas habilidades técnicas, gerenciais e de comunicação, o que os capacita a se adaptarem às diferentes exigências do mercado (Jafarian et al., 2022).
Durante o período de estágio, foram atendidos 4.566 animais, com predominância de cães (n=3.823; 83,7%) em relação aos gatos (n=743; 16,3%). Essa distribuição reflete a tendência observada na rotina clínica veterinária no Brasil, em que os cães representam a maioria dos pacientes atendidos (Comac, 2022; Souza; Timoteo; Costa, 2023). O estudo de Prata, Proença e Costa (2025) reforça que essa concentração não é apenas uma demanda de mercado, mas uma preferência vocacional dos próprios alunos (cerca de 50%), influenciada por fatores socioculturais e pela mídia.
A predominância de cães no perfil dos atendimentos pode ser atribuída a fatores como a maior popularidade desses animais de companhia, bem como à maior procura por serviços veterinários para essa espécie (Maynardes et al., 2024). Por outro lado, o menor número de atendimentos de gatos pode estar relacionado à menor frequência de consultas por parte dos tutores e também a possíveis barreiras culturais ou logísticas (Jacobson et al., 2024). Apesar dessa disparidade quantitativa entre espécies, existe a necessidade de uma formação acadêmica que prepare os discentes para lidar com as particularidades de ambas, garantindo um atendimento de qualidade a cães e gatos.
Gráfico 1 – Distribuição racial e por porte da casuística canina no ESO (n=3.823).
Nota: Raças com frequência inferior a 1% foram omitidas do gráfico, representando 12,85% do total de cães acompanhados.
Fonte: elaborado pelos autores, 2025.
A casuística canina, detalhada no Gráfico 1, abrangeu 85 raças distintas com nítida predominância de animais Sem Raça Definida (SRD) (28,55%) e de raças de pequeno porte. Esse perfil demográfico, caracterizado pela transição de cães de guarda para animais de companhia adaptados ao contexto urbano, reflete o processo de urbanização e a redefinição do papel dos cães como membros da família (Flores et al., 2018; Jacobson et al., 2024). Essa mudança no perfil da casuística impõe a necessidade de o currículo enfatizar afecções específicas desses grupos predominantes, como fenótipos braquicefálicos e animais de pequeno porte, em detrimento de conteúdos focados em animais de guarda ou trabalho, preparando o egresso para a demanda clínico-epidemiológica real (Ekenstedt; Crosse; Risselada, 2020; Nam et al., 2024).
O estudo conduzido por Nam et al. (2024) revelou que o porte dos cães está fortemente associado à prevalência de diferentes doenças ao longo da vida. Cães de grande porte apresentaram maior incidência de condições dermatológicas, ortopédicas, gastrointestinais, neurológicas, endócrinas, infecciosas e câncer, enquanto cães de pequeno porte foram mais afetados por doenças oculares, cardíacas, hepáticas, pancreáticas e respiratórias. A prevalência de doenças renais e urinárias, por outro lado, mostrou-se independentemente do tamanho corporal.
Além disso, observou-se que o envelhecimento intensifica o risco de diversas enfermidades, com padrões distintos conforme o porte do animal, por exemplo, o risco de câncer aumenta mais rapidamente em cães grandes, enquanto doenças cardíacas se tornam mais frequentes com a idade em cães pequenos. Esses achados ajudam a explicar as diferenças de longevidade entre cães de diferentes tamanhos e oferecem subsídios importantes para estratégias de prevenção, cuidados veterinários personalizados e ensino direcionado nas universidades (Nam et al., 2024).
A frequência de raças braquicefálicas, como o Shih Tzu (n=440), Bulldog Francês (n=121) e Pug (n=66) (Gráfico 1), evidencia a popularidade desses animais impulsionada por apelo estético e influência de mídias sociais. Isso contrasta com suas predisposições a problemas de saúde graves, como síndromes respiratórias, doenças oculares, dermatite nas dobras cutâneas, má oclusão dentária, complicações reprodutivas, entre outras afecções (Ekenstedt; Crosse; Risselada, 2020). A relevância dessa casuística impõe a necessidade de ênfase no ensino de técnicas anestésicas e cirúrgicas adaptadas a essas condições, além de uma reflexão crítica sobre a discussão ética no curso de graduação a respeito dos impactos da seleção genética indiscriminada, promovendo debates sobre bem-estar animal na docência superior (Smith; Wills, 2025).
Raças menos comuns, como Akita Inu (n=18; 0,47%), Shar Pei (n=14; 0,37%) e Shiba Inu (n=3; 0,08%) representaram uma pequena fração dos atendimentos. Apesar de sua baixa frequência, a vivência com essas raças exige conhecimento específico sobre doenças que ocorrem em cães com predisposições genéticas, como dermatites em Shar Pei e doenças autoimunes em Akitas. A presença limitada desses casos durante os estágios sugere que o curso inclua abordagens teóricas complementares para preparar os discentes para situações menos frequentes, porém clinicamente relevantes (O’Neill et al., 2021).
A lacuna de assimilação e a discrepância de percepção
Dos 682 casos de doenças acompanhados durante o ESO, os discentes relataram que 458 (67,16%) haviam sido previamente estudados durante as disciplinas na graduação. Em contrapartida, a análise do docente orientador, que comparou o levantamento de casos com o conteúdo ministrado nas disciplinas, revelou que 622 (91,20%) dessas doenças foram, de fato, abordadas na graduação. Em apenas 60 (8,80%) ambos concordaram que o tema não foi abordado. Os resultados revelam uma discrepância significativa entre o conteúdo ministrado e a percepção dos discentes, o que representa um ponto crítico. Prata, Proença e Costa (2025) encontram um padrão similar: os egressos avaliam a educação teórica como de alta qualidade, mas são significativamente menos positivos em relação à preparação prática.
O desconhecimento de 105 (15,40%) doenças pelos discentes pode ser atribuído à abordagem integrada do conteúdo na grade curricular. Em vez de serem estudadas como patologias individuais, essas enfermidades foram incorporadas em temas mais amplos, o que pode ter reduzido a percepção dos discentes sobre o aprendizado de quadros clínicos específicos. Exemplos notáveis incluem: o angioedema de face, abordado no contexto das hipersensibilidades; o derrame pericárdico e o hidrotórax, explicados como sintomas de cardiopatias; e a estenose pilórica, ensinada no capítulo de gastrites.
Apesar desse desafio, 91 afecções (13,34%) que haviam sido abordadas indiretamente em outros tópicos de aula foram identificadas pelos discentes como conteúdo estudado durante a graduação.
Esse fenômeno corrobora achados da literatura que indicam que a integração curricular, embora vantajosa para uma compreensão holística, pode dificultar a identificação isolada de conteúdos pelos discentes. A discrepância encontrada demonstra a necessidade de estratégias de ensino que assegurem uma conexão mais clara entre o conhecimento teórico, que é frequentemente generalista, e a manifestação clínica específica de uma patologia (Jahns et al., 2022).
A discrepância entre a terminologia acadêmica e a linguagem prática revelou-se um fator de desorientação entre os discentes. Das 682 doenças analisadas, 34 (4,99%) foram diagnosticadas nos estágios com nomenclaturas distintas das ensinadas na graduação. Destas, 20 (2,93%) foram classificadas incorretamente pelos estudantes como não estudadas, evidenciando a falha no reconhecimento da terminologia (Abrosimova et al., 2022).
Essa barreira linguística impacta diretamente a assimilação do aprendizado e a comunicação eficaz com a equipe clínica. Exemplos marcantes incluem o uso popular de Cherry eye (prolapso da glândula da terceira pálpebra), galactorreia (sintoma de pseudociese), piroplasmose (babesiose), dermatite seca (seborreia seca) e hérnia de disco (doença do disco intervertebral).
Essa disparidade terminológica corrobora o conceito de dissonância cognitiva (Dean et al., 2017) ao gerar um conflito entre o conhecimento idealizado, adquirido na formação acadêmica, e as práticas observadas no ambiente clínico. A divergência atua como um gatilho, levando os estudantes a classificarem como não estudadas doenças que, na verdade, foram abordadas, mas sob outra nomenclatura. Portanto, a dissonância não decorre da ausência de conteúdo, mas da sua codificação, acesso e contextualização.
A incerteza gerada por essa diferença na nomenclatura compromete a confiança do discente no próprio conhecimento, dificultando a incorporação de novos aprendizados. Conforme destacado por Dean et al. (2017), a aceitação da incerteza é essencial para a prática da Medicina Veterinária baseada em evidências. Sua ausência pode gerar resistência ao raciocínio clínico e à adaptação.
Reconhecer essa dissonância é fundamental para o aprimoramento pedagógico. Ao identificar pontos de atrito, como a terminologia divergente, é possível desenvolver estratégias que promovam a consonância cognitiva. Tais medidas incluem: a criação de glossários comparativos, a introdução de simulações clínicas com linguagem regional e a integração precoce da terminologia prática no currículo. Dean et al. (2017) sugerem que a aplicação clínica da Medicina Veterinária baseada em evidências seja introduzida desde os anos iniciais da formação, de forma contínua e contextualizada, preparando os estudantes para a complexidade da tomada de decisão em tempo real.
A prática clínica exige flexibilidade cognitiva para lidar com evidências, nomenclaturas variáveis e contextos incertos. A dissonância cognitiva, neste cenário, deve ser encarada não apenas como um obstáculo, mas como um reflexo natural da transição do saber teórico para a aplicação prática e, sobretudo, como uma valiosa oportunidade para o crescimento profissional e o ajuste curricular.
Outro aspecto relevante, identificado em 31 (4,55%) das patologias, é que elas não foram abordadas durante a graduação por serem consideradas raras ou de baixa prevalência clínica. A educação em Medicina Veterinária, pautada nos princípios da Medicina Veterinária baseada em evidências, prioriza o desenvolvimento do raciocínio clínico para as enfermidades mais comuns. Essa abordagem busca otimizar o aprendizado, capacitando os discentes a buscar e aplicar o conhecimento de forma autônoma, em vez de se focar na memorização de todas as condições possíveis (Carr; Kirkwood; Petrovski, 2022; Dean et al., 2017). A falta de conteúdo específico sobre condições raras, portanto, não é uma lacuna curricular, mas sim uma decisão pedagógica que visa aprimorar a capacidade dos futuros profissionais de gerir informações e tomar decisões clínicas, independentemente da raridade do caso.
No entanto, a estratégia de não abordar doenças raras gerou desafios práticos significativos. Patologias como a Tetralogia de Fallot e a Miastenia Gravis representaram uma dificuldade diagnóstica para 26 (92%) dos discentes, que relataram não se sentirem preparados para lidar com esses casos.
Essa limitação é particularmente crítica em hospitais universitários, que recebem um alto volume de casos complexos e servem como centros de referência (Talbot et al., 2024). A ausência de disciplinas optativas de cardiologia avançada ou neurologia especializada na grade curricular pode limitar a capacidade dos discentes de realizar diagnósticos diferenciais e manejar adequadamente situações clínicas complexas e raras. Essa percepção dos discentes reforça a necessidade de repensar a profundidade do currículo, considerando o perfil dos locais de estágio e a demanda por conhecimentos especializados.
Nossos achados apontam para a necessidade de uma revisão curricular contínua que priorize não apenas a abrangência, mas também a clareza na comunicação e a padronização da terminologia veterinária. Tais competências são vitais para o sucesso na atuação profissional (Abrosimova et al., 2022).
Adicionalmente, as evidências reforçam a importância de estratégias pedagógicas que facilitem a integração do conhecimento teórico com as experiências práticas. Abordagens como a aprendizagem baseada em problemas, o ensino em pequenos grupos e o uso de simulações têm o potencial de aprimorar a formação acadêmica (Englar, 2017; Majerník; Mad’ar; Mojžišová, 2017; Xia et al., 2024).
Para que essas estratégias sejam eficazes, é crucial que se invista também no treinamento de instrutores para o ensino clínico (Carr; Kirkwood; Petrovski, 2021). Em conjunto, essas ações são fundamentais para otimizar a preparação profissional dos futuros médicos veterinários e minimizar a lacuna entre o ambiente acadêmico e a realidade dos estágios supervisionados.
Áreas críticas de insegurança e a demanda do mercado
A análise das áreas de conhecimento envolvidas nos atendimentos durante os ESOs revelou uma predominância de Dermatologia, Nefrologia/Urologia e Gastroenterologia, seguidas por Ortopedia e Cirurgia Geral (Gráfico 2), o que reflete a realidade da clínica de pequenos animais (O’Neill et al., 2021).
Gráfico 2 – Distribuição das áreas de especialidade clínica acompanhadas no ESO.
Fonte: elaborado pelos autores, 2026.
A alta prevalência de casos dermatológicos contrasta com a percepção dos discentes: apenas 40% dos temas dessa área foram abordados em aulas práticas durante o curso. O relato dos discentes aponta para uma ênfase na teoria e pouca integração com casos clínicos (Putra; Plowgian, 2024).
Emergências nas áreas de Nefrologia/Urologia, Gastroenterologia e Ortopedia raramente são contempladas em aulas práticas programadas durante o curso, visto que a exigência de intervenção imediata na admissão do paciente inviabiliza o agendamento prévio necessário ao cronograma letivo devido à natureza urgente e imprevisível desses quadros.
Especialidades como a Endocrinologia e a Oncologia, apesar de apresentarem menor frequência casuística, demandam expertise técnica específica (Gráfico 2). Durante o período de estágio, afecções complexas como o Diabetes mellitus e o Mastocitoma foram vivenciadas, sendo que 65% dos discentes manifestaram acentuada insegurança quanto ao manejo clínico dessas patologias.
Essa insegurança é atribuída à falta de prática com protocolos emergenciais e terapêuticos. A lacuna é crítica, pois a dificuldade em realizar o diagnóstico precoce e a implementação de um tratamento adequado para neoplasias e doenças endócrinas impacta diretamente no prognóstico dos pacientes (Alshammari et al., 2025; Pöppl et al., 2016).
Essa insuficiência na formação prática em áreas com maior demanda no mercado de trabalho pode comprometer o desenvolvimento de habilidades essenciais para o diagnóstico e tratamento de afecções. Uma solução para essa problemática seria a incorporação de disciplinas optativas focadas na prática destas especialidades e promover maior articulação entre disciplinas, evitando que o aprendizado fique fragmentado e dificulte o reconhecimento das patologias na prática (O’Neill et al., 2021; Prata; Proença; Costa, 2025).
Áreas fundamentais para a clínica médica e cirúrgica, como Hematologia e Pneumologia, tiveram baixa representatividade nos atendimentos (Gráfico 2), mas são essenciais para o raciocínio diagnóstico. Por exemplo, casos de coagulação intravascular disseminada exigem domínio de conceitos hematológicos que, segundo os discentes, foram abordados de forma fragmentada na graduação. Isso limita a capacidade de interpretar exames como coagulogramas e de manejar emergências como hemorragias pós-cirúrgicas (Conroy; Lyons; Koenig, 2024).
Da mesma forma, as áreas de Neonatologia e Reprodução (Gráfico 2), apesar de pouco frequentes nos estágios, são de importância crítica em regiões com alta demanda por reprodução animal. A falta de treinamento prático em cuidados neonatais (como em casos de hipóxia neonatal) e em técnicas de inseminação artificial foi apontada por 80% dos discentes como uma deficiência curricular.
Essa carência é particularmente notável em clínicas particulares que atendem criadores, onde o manejo de recém-nascidos e os procedimentos reprodutivos são rotineiros. A percepção dos discentes reforça a necessidade do curso se adaptar às demandas do mercado regional, garantindo que os futuros profissionais estejam aptos a lidar com as especificidades da sua área de atuação (Veronesi; Fusi, 2022).
Áreas como Nutrologia e Ozonioterapia (Gráfico 2) apresentaram uma representatividade nos atendimentos durante os estágios, e os discentes relataram que não tiveram contato com esses temas durante a graduação. Esses dados refletem a lentidão da universidade em incorporar novas tecnologias e abordagens holísticas que, embora ainda com baixa demanda percentual, já são uma realidade em clínicas e hospitais veterinários.
Enquanto universidades internacionais já integram a fisioterapia, por exemplo, à reabilitação pós-cirúrgica, o ensino nacional ainda prioriza métodos mais tradicionais. Essa lacuna, portanto, resulta em um despreparo dos discentes para atender às demandas contemporâneas da Medicina Veterinária, que exigem uma abordagem mais completa e integrada (Trudova; Smolin; Kraskova, 2022).
A forma como o conteúdo é ensinado e assimilado, independentemente da área de conhecimento, é crucial para a formação de profissionais competentes. Nesse sentido, a recente reformulação da matriz curricular, alinhada à Resolução CNE/CES nº 3, de 2019 (Brasil, 2019), representa um avanço promissor. A implementação das novas diretrizes, que enfatizam o desenvolvimento de competências e habilidades, tem o potencial de sanar muitas das lacunas encontradas neste estudo. Espera-se que este trabalho sirva como um modelo para outras instituições, incentivando uma revisão curricular contínua que priorize a integração de disciplinas, a padronização da linguagem técnica e a adoção de metodologias ativas que preparam o discente para os desafios da prática profissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao cumprir o objetivo de analisar a correlação entre a percepção discente, o conteúdo programático formal e as demandas clínico-epidemiológicas do Estágio Supervisionado Obrigatório (ESO), este estudo ofereceu uma visão crítica sobre o alinhamento entre a formação acadêmica e a prática profissional.
Os resultados demonstraram que, embora o currículo seja formalmente abrangente (91,20%), persiste uma discrepância na assimilação discente (67,16%), revelando que o conhecimento ensinado de forma compartimentada não se traduz automaticamente em conhecimento mobilizado na prática. O ESO exige um saber de natureza funcional e integrada, enquanto a formação acadêmica ainda prioriza a ciência da doença em detrimento da linguagem do sintoma. Fatores como a despadronização terminológica e a fragmentação disciplinar impedem que o estudante reconheça, na imprevisibilidade da rotina clínica, alguns dos fundamentos teóricos previamente abordados.
A superação dessas lacunas exige um modelo de formação que transcenda a teoria fragmentada, priorizando a interdisciplinaridade e metodologias ativas (como simulações e aprendizagem baseada em problemas) para fomentar o raciocínio clínico precoce. Estrategicamente, as instituições devem investir na criação de glossários comparativos (acadêmico-práticos) e na oferta de disciplinas optativas focadas em áreas de alta insegurança e demanda, como Dermatologia, Endocrinologia e Oncologia. Além disso, a docência superior deve incorporar o treinamento de instrutores clínicos e promover debates éticos profundos sobre o bem-estar de raças selecionadas geneticamente, preparando egressos para uma prática tecnicamente precisa e socialmente responsável.
Em conclusão, este estudo oferece dados empíricos que fundamentam a urgência de uma revisão curricular contínua e adaptável às constantes mudanças demográficas da casuística. Apesar de suas limitações, como o viés de memória e o foco em uma única instituição, os achados fornecem subsídios vitais para otimizar a formação profissional e garantir que o egresso esteja preparado para os desafios da carreira. Como vertentes para estudos futuros, são essenciais pesquisas longitudinais que avaliem o impacto direto dessas intervenções pedagógicas no desempenho técnico de recém-formados e comparações multicêntricas entre diferentes matrizes curriculares, visando consolidar um modelo de ensino veterinário harmonizado com as demandas contemporâneas do mercado.
DECLARAÇÃO DE USO DE IA GENERATIVA
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Leandro Branco Rocha
Médico Veterinário pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) com residência em Clínica de Pequenos Animais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e mestrado e doutorado em Ciência Veterinária pela UFRPE. Possui ampla experiência docente e hospitalar em instituições federais e privada, sendo atualmente professor na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Atua principalmente em clínica médica e cirurgia geral de cães e gatos.
leobrv@yahoo.com.br
Mariana Lima de Souza
Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Atualmente atuando na clínica médica de pequenos animais na Afetto Centro Médico Veterinário e Univet Clínica Veterinária 24h. Pós-graduanda em gastroenterologia e hepatologia clínica e cirúrgica veterinária pela Faculdade Anclivepa-SP.
mv.marianalimaa@gmail.com
Milena Santos Bezerra
Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Atualmente realiza curso de especialização Práticas Hospitalares em Animais Domésticos, do Grupo de Pesquisa e Extensão em Equídeos e Saúde Integrativa, da Universidade Federal de Alagoas (PHV/GRUPEQUI/UFAL).
milenabzra@academico.ufs.br
Maria Fernanda Correia Vilas Boas
Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), atua como trainee em diagnóstico por imagem na empresa Union Diagnóstico Veterinário. Durante a graduação, foi monitora da disciplina Diagnóstico por Imagem e participou do Grupo de Estudos em Diagnóstico por Imagem (GEDIVET/UFS) e do Grupo de Estudos em Pequenos Animais (GEPA/UFS).
mariafernandacorreiavilasboas@gmail.com
Gabriel Melo de Santana
Graduando em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) e técnico em Química pelo Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Participante do Grupo de Estudos de Pequenos Animais, desenvolvendo atividades voltadas ao aprimoramento clínico e científico em medicina de cães e gatos. Atuou como voluntário de Iniciação Científica (PIBIC) na UFS.
gabrielmelosantana@hotmail.com
Como citar este documento – ABNT ROCHA, Leandro Branco; SOUZA, Mariana Lima de; BEZERRA, Milena Santos; VILAS BOAS, Maria Fernanda Correia; SANTANA, Gabriel Melo de. Dissonância entre currículo e prática: percepção discente frente à casuística do estágio em Medicina Veterinária. Revista Docência do Ensino Superior, Belo Horizonte, v. 16, e062575, p. 1-22, 2026. DOI: https://doi.org/10.35699/2237-5864.2026.62575. |
1 Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão, SE, Brasil.
ORCID ID: https://orcid.org/0000-0003-1009-2853. E-mail: leobrv@yahoo.com.br
2 Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão, SE, Brasil.
ORCID ID: https://orcid.org/0009-0007-5525-0874. E-mail: mv.marianalimaa@gmail.com
3 Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Viçosa, AL, Brasil.
ORCID ID: https://orcid.org/0009-0002-2581-2446. E-mail: milenabzra@academico.ufs.br
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5 Universidade Federal de Sergipe (UFS), São Cristóvão, SE, Brasil.
ORCID ID: https://orcid.org/0000-0001-7856-9107. E-mail: gabrielmelosantana@hotmail.com
Recebido em: 01/12/2025 Aprovado em: 25/06/2026 Publicado em: 21/08/2026
Rev. Docência Ens. Sup., Belo Horizonte, v. 16, e062575, 2026