Imigrante refugado: a condição marginal do estrangeiro em 'Estive em Lisboa e lembrei de você', de Luiz Ruffato

  • Samira Pinto Almeida

Resumo

Em Vidas desperdiçadas, Zygmunt Bauman atenta para os problemas decorrentes do crescimento da população pobre. Os miseráveis, excluídos do estilo de vida consumista, não contribuem com a lógica da produção e, por esse motivo, são designados resíduos do sistema – um mal inevitável. Ora, é tarefa dos governos decidir como tratar e onde depositar o “refugo humano”. Frequentemente, as nações apostam na remoção dos sujeitos indesejáveis, incentivando o deslocamento geográfico. A incontestável onda de migrações efetuada pela massa de refugados, iniciada no século XX e intensificada nos dias atuais graças à globalização, impõe à crítica refletir se a questão da diáspora torna-se cara também às artes e à cultura. Luiz Ruffato está entre os escritores comprometidos com esse tema a ponto de privilegiar, em sua literatura, a representação de sujeitos redundantes em trânsito. Um exemplo disso é o romance Estive em Lisboa e lembrei de você, cuja enunciação, em primeira pessoa, é produzida por Sérgio de Souza Sampaio, um cataguasense pobre e esperançoso, que sonha em ascender socialmente através do trabalho ilegal realizado na capital portuguesa. Este artigo pretende analisar a construção desse personagem ruffatiano e suas desventuras a partir da noção de “refugo humano”, de Bauman, noção que lança luz sobre a condição do imigrante miserável.
Publicado
2015-11-06