O mercado sexual brasileiro, aqui entendido como a rede de produção e venda de produtos e serviços sexuais, incluindo sex shops, pornografia e prostituição, apresenta um crescimento exponencial no Brasil nos últimos anos. Segundo a Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico (Abeme), no ano de 2020, o setor cresceu cerca de 36%. Paralelamente a isso, observa-se, no país, a ascensão da extrema direita e de discursos conservadores, os quais são contrários à liberdade sexual. A aparente contradição entre essas duas tendências suscita questionamentos e a busca por uma explicação que conceba sua coexistência. Para tanto, o crescimento do mercado e a repressão sexual são tomados como objetos de estudo, a partir de, respectivamente, dados de pesquisas nacionais, de obras marxistas e de bibliografia relativa à psicologia do fascismo e ao controle da sexualidade. Em uma tentativa de compreender a complexidade da relação entre sexualidade, política e economia brasileira, foram elaboradas duas hipóteses: a ideia de que o lucro, em sociedades capitalistas, é soberano à ideologia, o que faz com que os ganhos obtidos pela indústria sexual sejam mais relevantes que as convenções sociais; e o pensamento de que a supressão da liberdade sexual nada mais gera que sua canalização em formas marginais, por vezes expressa pelo alto consumo da indústria sexual.