A pesquisa aborda a categoria racial do "amarelo” na sociedade brasileira, com destaque para a análise de chineses, japoneses e seus respectivos descendentes no Brasil, apresentando um panorama que toca nos principais pontos históricos do final do período escravista até o pós-II Guerra Mundial. Observa-se também os efeitos desse curso histórico na atualidade, de maneira introdutória. O vocabulário “amarelo” foi sinônimo de “raça intermediária” do final do século XIX até meados do século XX, sob influência da classificação eugenista que prevalecia no discurso científico. As pessoas assim designadas causavam tensões por se aproximarem do trabalho livre, mas não serem brancas. Este artigo busca compreender se o termo “amarelo” ainda persiste no Brasil como categoria racial até hoje. Para isso, mobiliza a teoria marxista do direito na linha de Pachukanis, conjugada com a tese de Jacob Gorender sobre o escravismo colonial, as considerações de Clóvis Moura sobre esse período e a interpretação de Marcus Orione Gonçalves Correia sobre esses autores, além da teoria de Althusser sobre ideologia, para buscar desvendar qual a posição histórica do “amarelo” na ideologia racial brasileira. Sob a égide do materialismo histórico-dialético, identificam-se duas tendências na história do amarelo no Brasil: uma de rejeição (perigo amarelo) e outra de assimilação (minoria modelo), sendo que a última se torna dominante após a II Guerra Mundial.