Projeto SB Minas Gerais 2012: Pesquisa das Condições de Saúde Bucal da População Mineira – Métodos e Resultados Principais

  • Rafaela da Silveira Pinto Departamento de Odontologia Social e Preventiva da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Daniele Lopes Leal Diretoria de Saúde Bucal, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG)
  • Jacqueline Silva Santos Diretoria de Saúde Bucal, Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG)
  • Angelo Giuseppe Roncalli Departamento de Odontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

Resumo

Objetivo: O presente estudo teve como objetivo principal, descrever os aspectos metodológicos do Projeto SB Minas Gerais e os resultados principais sobre problemas bucais da população do estado de Minas Gerais Métodos: Trata-se de um inquérito epidemiológico de saúde bucal realizado no ano de 2012 com representatividade estadual cuja amostra foi realizada por conglomerados e com múltiplos estágios de sorteio. Capital e municípios do interior de Minas Gerais compõem os três domínios da amostra. Avaliou-se a situação da população mineira em relação à cárie, condição periodontal, necessidades de próteses, condições da oclusão e ocorrência de dor de dente, dentre outros aspectos nas idades de 5 e 12 anos e nas faixas etárias de 15-19, 35-44 e 65-74 anos. Resultados: Em relação à cárie, a média ceo/CPO-D para o estado foi de 2,1 na idade de 5 anos, 1,8 aos 12 anos, 3,9 nos adolescentes, 15,9 em adultos e 28,7 nos idosos. Os problemas periodontais aumentam com a idade, sendo 1,60 vezes maior o número de adultos acometidos em relação ao número de adolescentes. Em relação às oclusopatias, aos 5 anos, 54,7% possuíam pelo menos um dos problemas avaliados. O percentual de crianças aos 12 anos e de adolescentes que apresentaram algum tipo de oclusopatia foi de 33,8% e 26,7%, respectivamente. Em relação à prótese dentária, a faixa etária de 65-74 anos foi a que apresentou maior percentual de indivíduos com necessidade de prótese total nos dois maxilares. Conclusão: Associando os indicadores de saúde bucal avaliados às variáveis socioeconômicas, os resultados apontam para importantes desigualdades regionais que devem ser levadas em consideração para elaboração das estratégias de planejamento e avaliação.

Descritores: Saúde bucal. Inquéritos epidemiológicos. Políticas públicas.

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Publicado
2018-12-24
Seção
Artigos