A poesia numa perspetiva prosódica
oralidade, voz e “plenitude” na obra de Eugénio de Andrade
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.59624Palavras-chave:
prosódia, poesia, oralidade, documentos de arquivo, Eugénio de AndradeResumo
A oralidade é um dos alicerces e um dos objetivos da pesquisa poética de Eugénio de Andrade. Após uma apresentação do papel que ela desempenha na obra do poeta, o artigo debruça-se sobre alguns dos seus aspetos não verbais, nomeadamente os prosódicos. Em primeiro lugar, a análise concentra-se em documentos de arquivo inéditos – produzidos pelo poeta na fase da elaboração textual ou utilizados como suporte na declamação dos textos em público – que apresentam vestígios da sua reflexão sobre o aspeto prosódico e a dimensão oral da sua poesia através da indicação de pausas de leitura. Esta abordagem permite conjugar a crítica genética com as análises prosódicas. A seguir, o objeto do estudo passa a ser as gravações de alguns poemas, contidas no CD Eugénio de Andrade por Eugénio de Andrade (1997), no que concerne aspetos diferentes (entoação, intensidade, velocidade de leitura, pausas e enjambements realizados). Estes aspetos relacionam-se com os níveis gráfico e semântico, inclusive do ponto de vista da retoma de palavras, um dos traços estilísticos típicos da poesia eugeniana. Os dados obtidos mostram que o poeta visa a reintegração da voz na escrita: uma reflexão baseada em Zumthor (2007) permite estabelecer relações entre este processo e a ideia eugeniana de plenitude do ser humano.
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