Sobre la revista
Caligrama: Revista de Estudos Românicos es una revista publicada por la Facultad de Letras de la Universidad Federal de Minas Gerais (Brasil) desde 1981. Su misión es promocionar la producción científica en el área de las Lenguas y Literaturas Románicas, permitiendo a los investigadores divulgar sus investigaciones y contribuir al debate y al progreso científico en el área. La revista se destaca como una de las pocas revistas centradas estrictamente en el área románica.
Proceso de revisión por pares
Caligrama: Revista de Estudos Românicos adopta un sistema ciego de revisión por pares.
La revista sigue las directrices del Código de Conducta y Buenas Prácticas del Comité de Ética en las Publicaciones (COPE), y los envíos deben ajustarse a estas directrices. Para más información sobre el Código, consulte el texto original en inglés o su traducción al portugués.
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El plazo medio de evaluación es de 90 días.
Los evaluadores son reclutados entre profesores con experiencia en diversas áreas, de diferentes regiones de Brasil, así como de instituciones extranjeras.
Periodicidad
Publicación cuatrimestral.
Política de acceso abierto
Esta revista ofrece acceso libre inmediato a su contenido, siguiendo el principio de que el conocimiento científico a libre disposición del público proporciona una mayor democratización del conocimiento.
Número actual
Organizadores:
Elisa Maria Amorim Vieira (FALE∕UFMG)
Lia Araújo Miranda de Lima (FALE∕UFMG)
Sérgio Luiz Gusmão Gimenes (Faculdade de Letras∕UEMG)
Ao percorrermos textos literários, ensaios historiográficos, tratados científicos e obras das artes visuais de diferentes períodos, podemos constatar que ameaças e violências contra a natureza têm sido uma constante na trajetória humana sobre o planeta nos últimos séculos. A invasão europeia ao continente americano, por exemplo, não só significou o genocídio de povos ameríndios, mas também a degradação de amplas regiões e de ecossistemas vários, assim como a disseminação da mineração em larga escala e a inserção de espécies de origem exógena, com consequências nocivas que ecoam até os dias atuais.
A partir do final do século XVIII, o advento da indústria e a consolidação das formas capitalistas de produção acentuaram exponencialmente a deterioração socioecológica, estabelecendo a dominação paulatina da lógica predatória do capital sobre todas as regiões do globo. A complexificação das relações produtivas e, por conseguinte, da sociabilidade passou a produzir uma alienação crescente do ser humano para com a natureza de que é parte, o que fez com que o homem viesse a ser, cada vez mais, um estranho também para si mesmo. Sob essa perspectiva, tornou-se — e torna-se — cada vez mais patente o papel do avanço predatório do capital na dissociação material e cultural entre humanos e natureza, assim como a hostilidade desse modo de produção, denunciada desde o romantismo, para com a arte em geral e a literatura em específico. Nesse panorama, a consolidação de um projeto civilizatório baseado na mercadoria se processa à custa de um progressivo empobrecimento humano e natural, delineando a contradição insolúvel entre a insaciável e potencialmente ilimitada acumulação capitalista e os limites orgânicos do planeta Terra e dos próprios homens que dele dependem.
As últimas décadas, marcadas por crimes e tragédias como Chernobyl, os rompimentos de barragens da mineração em Bento Rodrigues/MG e Brumadinho/MG, a pandemia da Covid-19, os incêndios na Amazônia e no Pantanal, dentre inúmeros outros, nos colocam diante de paisagens distópicas, da constatação de perdas irreparáveis e da percepção do perigo iminente. Nas reflexões contemporâneas, que abarcam o período intitulado por alguns de Antropoceno e, por outros, Capitaloceno, entre outras definições, os imaginários em torno da natureza são perpassados por experiências de catástrofes e permeados pelo trauma e pelo sentimento de devastação. A natureza submetida a constantes processos de violência torna-se, assim, desnatureza.
De outra parte, a literatura e as artes, por diferentes caminhos, não têm se mostrado alheias à realidade com que nos defrontamos e tanto em sua produção quanto em sua crítica e reflexão teórica parecem ter muito a dizer. Em face desse cenário, algumas perguntas surgem: de que forma a literatura e as artes se colocam diante da crise socioecológica? De que maneira são afetadas? Como a arte e a literatura contemporâneas podem conjugar individual e coletivo, singular e universal, para fazer com que as grandes questões ecológicas que colocam em xeque a própria continuidade da existência humana e de inúmeras outras espécies no planeta sejam assimiladas pelas coletividades não só como consciência, mas como práxis transformadora? E ainda: possui a arte esse poder?
Sob essa perspectiva, convidamos pesquisadoras e pesquisadores a contribuir com a presente proposta de dossiê, submetendo trabalhos que focalizem o entrelaçamento entre, de um lado, a literatura e as artes em geral e, de outra parte, as reflexões, as críticas e as formulações acerca da crise socioecológica estrutural em que nos vemos imersos, em diálogo com diferentes perspectivas e conceitualizações que se proponham a pensá-la: ecocrítica, decolonialismo, anticolonialismo, cosmovisões indígenas e de povos tradicionais, ecossocialismo, pensadores do Antropoceno, do Capitaloceno e de conceitos contíguos.
