A Serpente de Nelson Rodrigues
do crime ao pecado
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.62329Palavras-chave:
dramaturgia, teatro brasileiro, pecado, crimeResumo
Este artigo analisa a representação do crime e do pecado na peça A serpente (1978), de Nelson Rodrigues, situando-a no gênero da tragédia carioca. A obra, ambientada no Rio de Janeiro, expõe as profundezas da psique humana através de temas como traição, impotência, incesto indireto e homicídio, nos quais o crime e o pecado não se configuram como meros elementos do enredo, mas como engrenagens centrais de um mecanismo trágico que expõe a fragilidade das convenções e a brutalidade dos instintos. Partindo de estudos de Lopes (1993), Lilenbaum (2009) e Sousa & Leviski (2013), o artigo investiga como essas transgressões morais e legais funcionam como um espelho crítico da sociedade hipócrita e machista da época. A análise demonstra que o crime, na peça, está intrinsecamente ligado à busca por uma identidade masculina falida, enquanto o pecado, com fortes alusões bíblicas, desestabiliza os dogmas religiosos e a moral vigente. Conclui-se que, por meio de uma estética brutal e catártica, Nelson Rodrigues não apenas escancara os desejos e vícios humanos ocultos, mas também assume um caráter moralizador, punindo seus personagens para, paradoxalmente, liberar o espectador de seus próprios impulsos, consolidando a atualidade e a força da obra como uma denúncia social perene.
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