A reconfiguração do trágico
surrealismo e elementos do teatro do absurdo na dramaturgia de Los Traidores, de Silvina Ocampo e J. R. Wilcock
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.65311Palavras-chave:
absurdo, Silvina Ocampo, surrealismo, tragédiaResumo
Este artigo tem por objetivo analisar a reconfiguração do trágico na peça Los traidores, de Silvina Ocampo e Juan Rodolfo Wilcock, escrita em meados do século XX, a partir da articulação entre procedimentos surrealistas e elementos característicos do teatro do absurdo. Parte-se do pressuposto de que recriações dramatúrgicas, baseadas na tradição clássica, produzem novos sentidos ao serem atravessadas por questões estéticas, culturais e políticas contemporâneas. Nesse sentido, a peça estabelece um diálogo com matrizes clássicas, ao reinscrevê-las em uma configuração estética própria da modernidade. A metodologia adotada consiste em uma abordagem teórico-analítica, fundamentada nos estudos de literatura comparada e teoria da dramaturgia. A análise privilegia, de um lado, a configuração surrealista da obra, compreendida como a justaposição de planos, imagens e registros, sem articulação lógica explícita, de outro, examina a presença de elementos do teatro do absurdo e sua articulação com a dimensão trágica, entendida como um procedimento estético estruturante. Os resultados indicam que, em Los traidores, a dramaturgia reinterpreta elementos da tradição clássica, a partir de tensões políticas e estéticas do presente, produzindo novas camadas de significado. Conclui-se que a reescrita contemporânea de eventos históricos evidencia a vitalidade dessas narrativas e reafirma o teatro como um lugar privilegiado de interlocução crítica entre passado e presente. O referencial teórico mobilizado apoia-se nas contribuições de Brandão (2021), D’Onofrio (2001) e Esslin (2018), cujos estudos abordam a permanência dos clássicos, as relações intertextuais e os processos de adaptação e recriação.
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