O real como pacto
invenção, manipulação e efeitos do real no teatro latino-americano contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.65624Palavras-chave:
teatro documental, real e ficção, teatro latino-americano, ética relacionalResumo
Este artigo investiga formas pelas quais o teatro latino-americano contemporâneo inventa, produz e manipula o real em cena, indo além da simples inserção de documentos no espaço representativo. O estudo parte do conceito de “fome de realidade” (Hal Foster, 2014) e adota como referencial teórico as contribuições de Patrice Pavis (2013), Silvia Fernandes (2013), Josette Féral (2020) e Joseph Danan (2021), compreendendo o real cênico não como substância, mas como pacto de leitura estabelecido entre obra e espectador. Analisa quatro obras do teatro latino-americano: Mateluna (2016), do chileno Guillermo Calderón; Tijuana (2015), do coletivo mexicano Lagartijas Tiradas al Sol em diálogo com o romance Salario mínimo: vivir con nada (2015), de Andrés Solano; Reconstrução de uma ausência (2020), do argentino Gonzalo Marull com direção de Marcelo Moncarz; e Imprenteros (2019), da argentina Lorena Vega. O estudo demonstra que cada obra adota estratégias distintas de manipulação documental, desde a subversão de documento real à fabricação deliberada de efeitos de realidade, assim como da falsificação como espaço ficcional à adulteração declarada como ato de justiça simbólica. Conclui que a ficção e o real se potencializam mutuamente nessas obras, configurando uma ética relacional que convoca espectadores a se (re)posicionarem diante da cena e do mundo extrateatral.
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