Modo de apropriação da natureza e territorialidade camponesa

revisitando e ressignificando o conceito de campesinato

Autores

  • Carlos Eduardo Mazzetto Silva Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

DOI:

https://doi.org/10.35699/2237-549X..13217

Palavras-chave:

Apropriação da natureza, Territorialidade camponesa, Campesinato, Agronegócio

Resumo

Este artigo destaca a nova relevância do conceito de campesinato, a partir dos dilemas colocados pela questão ambiental às sociedades modernas. Procura resgatar os vários conceitos em questão, a partir dos grandes contrastes entre agricultura familiar e agricultura patronal e entre camponês e fazendeiro, para então diferenciar campesinato de agricultura familiar e colocar o primeiro como o conceito-força capaz de enfrentar, por sua vez, a nova noção que vem reagrupando o patronato rural e articulando-o mais estreitamente às corporações do sistema agroalimentar: o agronegócio. Essa noção encerra um modo de apropriação da natureza (mercantil) e uma significação do território que é anteposta à territorialidade camponesa – categoria que permite resgatar o debate histórico-conceitual sobre o campesinato, articulando-o à questão socioambiental e à da sustentabilidade que se colocam no século XXI.

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Biografia do Autor

Carlos Eduardo Mazzetto Silva, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Carlos Eduardo Mazzetto Silva é pesquisador do IGC/UFMG; Bolsista de Pós-doutorado do CNPq; Doutor em Ordenamento Territorial e Ambiental pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense.

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Publicado

2007-07-01

Como Citar

Silva, C. E. M. (2007). Modo de apropriação da natureza e territorialidade camponesa: revisitando e ressignificando o conceito de campesinato. Revista Geografias, 46–63. https://doi.org/10.35699/2237-549X.13217

Edição

Seção

Artigos