Recepção clássica e autoficção em Marília de Dirceu
DOI:
https://doi.org/10.35699/1983-3636.2026.59844Palavras-chave:
Marília de Dirceu, Tomás Antônio Gonzaga, autoficção, Virgílio, OvídioResumo
Combinando motivos pastoris e elegíacos em seu enquadre lírico, a obra Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, dialoga fortemente com a tradição clássica latina, em especial com as Bucólicas de Virgílio e os Tristia de Ovídio. Este artigo analisa como Gonzaga articula esses modelos de forma engenhosa, produzindo uma narrativa autoficcional que tematiza sua prisão política. Buscando equilibrar análise intertextual com interpretação alegórica, pretende-se demonstrar como Gonzaga emprega elementos virgilianos e ovidianos na construção da figura do “pastor triste”, que, na segunda parte de Marília, se vê compelido a afastar-se de sua amada, de seus rebanhos e de suas terras. Conclui-se que o uso desses intertextos não apenas enriquece e reforça a trama alegórica da obra, mas também serve como estratégia de composição de um sujeito autoficcional genericamente complexo.
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