Memória institucional e memória organizacional: faces de uma mesma moeda

Autores

  • Juliana Cardoso dos Santos
  • Marta Lígia Pomim Valentim

Palavras-chave:

memória; memória organizacional; memória institucional; inter-relações.

Resumo

A memória tem a característica de ser ubíqua e é considerada um fenômeno de identificação e pertencimento no qual o indivíduo é sujeito e objeto. Nesse contexto, objetiva-se apresentar algumas diferenças entre memória institucional e memória organizacional no intuito de evidenciar que ambas se integram, não havendo subordinações. No que tange aos procedimentos metodológicos, esta pesquisa é de natureza qualitativa, tipologicamente descritiva e exploratória. Para tanto, realizou-se um protocolo de Revisão Sistemática da Literatura,contemplando o período de 2009 a 2019. Considera-se que os achados podem contribuir para enriquecer o referencial teórico do campo científico da Ciência da Informação, mais especificamente no que se refere à memória institucional,relacionada à legitimidade, e à memória organizacional,vinculada à eficiência e eficácia das organizações. Como resultados, evidencia-se que não há subordinações, mas sim algumas particularidades e individualidades entre a memória institucional e a memória organizacional, demonstrando que a memória institucional se relaciona ao valor social do grupo, tem dificuldade em ser prática, realista e objetiva, está no todo instituído, não é pragmática, é um objeto intencional e um fenômeno coletivo que lida com relações de poder; já a memória organizacional é prática, pragmática, objetiva, está a serviço, tem foco em ações concretas e na construção de processos de gerenciamento e está voltada à produtividade. Como similaridades,identificou-se que ambos os processos de memória são cíclicos, mutáveis, estão em constante construção, são singulares e devem ser considerados fenômenos sociais, pois são produtos de relações sociais. Considera-se que os achados podem contribuir para enriquecer o referencial teórico do campo científico da Ciência da Informação, mais especificamente no que se refere à memória institucional, relacionada à legitimidade, e à memória organizacional, vinculada à eficiência e eficácia das organizações.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALMEIDA, M. B. Um modelo de antologias para representação da memória organizacional. 2006. 345f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, 2006. Disponível em: http://ontolp.inf.pucrs.br/Recursos/downloads/Onto%20organizacional/UFMG_Almeida.pdf. Acesso em: 20 fev. 2020.

AZEVEDO NETO, C. X.; DODEBEI, V. L. D. L. M. Informação e memória: trajetória do GT-10 da Ancib e o impacto dos estudos culturais na Ciência da Informação. In: OLIVEIRA, E. B.; RODRIGUES, G. M. (org.). Memória: interfaces no campo da informação. Brasília: Editora UNB, 2017. p.53-75.

BARTLETT, F. C. Remembering: a study in experimental and social psychology. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 1995.

BERGSON, H. Memória e vida. 2.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. 184p.

BRUSAMOLIN, V.; SUAIDEN, E. J. Aprendizagem organizacional: o impacto das narrativas. Curitiba: Appris, 2014.

CONKLIN, E. J. Designing organizational memory preserving intelectual assets in a knowledge economy.1997. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/e864/1813e264dc387c8e53a7aba98a37d8a57cc3.pdf?_ga=2.225462874.1969901187.1582310080-500452385.1563930119. Acesso em: 20 fev. 2020.

COSTA, I. T. M. Memória institucional:a construção conceitual numa abordagem teórico-metodológico. 1997. 169f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Educação - Faculdade de Educação - Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 1997. Disponível em: https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/686/1/icleiacosta1997.pdf. Acesso em: 20 fev. 2020.

CRIPPA, G. Memória: geografias culturais entre história e ciência da informação. In: MURGUIA-MARAÑON, E. I. (org.). Memória: um lugar de diálogo para arquivos, bibliotecas e museus. São Carlos: Compacta, 2010. p.79-110.

DELMAS, B. Arquivos para quê? Textos escolhidos. São Paulo: Instituto Fernando Henrique Cardoso, 2010.

ETZIONI, A. Organizações modernas. São Paulo: Pioneira, 1967.

EUZENAT, J. Corporate memory through cooperative creation of knowledge bases and hyper-documents. 1996. Disponível em: https://hal.archives-ouvertes.fr/hal-01401163/document. Acesso em: 01 fev. 2020.

FERREIRA, A. B. H. Dicionário Aurélio. 5.ed. São Paulo: Positivo, 2014.

FREIRE, P. S.; TOSTA, K. C. B. T.; HELOU FILHO, E. A.; SILVA, G. G. Memória organizacional e seu papel na gestão do conhecimento. Revista de Ciência da Administração, Florianópolis, v.14, n.33, p.41-51, ago. 2012. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/view/25324. Acesso em: 03 fev. 2020.

GANDON, F. Distributed artificial intelligence and knowledge management: ontologies and multi-agent systems for a corporate semantic web. 2002. Disponível em: https://tel.archives-ouvertes.fr/tel-00378201/document. Acesso em: 21 fev. 2020

HALBWACHS, M. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006.

IZQUIERDO, I. Memória. Porto Alegre: Artmed, 2002.

LASPISA, D. F. Influência do conhecimento individual na memória organizacional: um estudo de caso em call center. 2007. 121f. Dissertação (Mestrado em Engenharia e Gestão do Conhecimento) – Programa de Pós-graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2007. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/90669/236511.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 06 jan. 2020.

LE GOFF, J. História e memória. 5.ed. Campinas: UNICAMP Editora, 2003.

LEHNER, F.; MAIER, R. K. How can organizational memory theories contribute to organizational memory systems? Information System Frontiers, v.2, n.3/4, p.277-298, 2000. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/220199019_How_Can_Organizational_Memory_Theories_Contribute_to_Organizational_Memory_System. Acesso em: 21 fev. 2020.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico. 7.ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MATOS, M. T. N. B. Memória institucional e gestão universitária no Brasil: o caso da Universidade Federal da Bahia. 2004. 184f. Tese (Doutorado) – Programa Pós-Graduação em Ciência da Informação – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, 2004.

MENEZES, E. M. Estruturação da memória organizacional de uma instituição em iminência de evasão de especialistas: um estudo de caso da CONAB. Dissertação (Mestrado) - Gestão do Conhecimento e da Tecnologia, Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2006.

MOLINA, L. G. Memória organizacional e a constituição de bases de conhecimento. 2013. 199f. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista (Unesp), Marília, 2013.

MOLINA, L. G.; VALENTIM, M. L. P. Memória organizacional: proposta de um modelo para implantação em instituições. Revista Ibero-americana de Ciência da Informação, Brasília, v.7, n.2 p.45-62, ago./set. 2014. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/RICI/article/view/11079/8958. Aceso em: 14 jan. 2020.

MORENO, N. A.; LOPES, M. A.; DI CHIARA, I. G. A contribuição da preservação de documentos e a (re)construção da memória. Biblionline, João Pessoa, v.7, n.2, p.3-11, 2011. Disponível em: http://www.brapci.inf.br/index.php/article/download/19727. Acesso em: 21 fev. 2020.

MOTTA, F. C. P.; BRESSER-PEREIRA, L. C. Introdução à organização burocrática. 2. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004.

MOURA, C. P.; SOUZA, A. O. Memória e comunicação institucional: a construção de relacionamentos com base em acervos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 33. 2010. Anais Eletrônicos[...]. Caxias do Sul (RS), 2010. 15p. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2010/resumos/R5-2527-1.pdf. Acesso em: 15 fev. 2020.

NONAKA, I.; TAKEUCHI, H. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a dinâmica da inovação. 5.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. 358p.

NORA, P. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Revista Projeto História, São Paulo, n.10, dez. 1993.

PEREIRA, M. O. F.; SILVA, H. F. N.; PINTO, J. S. P. A memória organizacional nos processos de gestão do conhecimento: um estudo na um estudo na universidade Federal do Paraná. Informação & Informação, Londrina (PR), v.21, n.1, p.348-374, jan./abr. 2016. DOI: 10.5433/1981-8920.2016v21n1p348. Disponível em: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/informacao/article/view/18253/19000. Acesso em: 20 fev. 2020.

POLLAK, M. Memória e identidade social. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.5, n.10, p.200-212, 1992.

SANTOS, J. C.; MORO-CABERO, M. M.; VALENTIM, M. L. P. A memória organizacional como diferencial competitivo em ambientes organizacionais. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM CIÊNCIAS HUMANAS (SEPECH): HUMANIDADSS, ESTADO E DESAFIOS DIDÁTICOS-CIENTÍFICOS, 10., 2016. Anais Eletrônicos [...]. Londrina: UEL, 2016.Disponível em: http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/socialsciencesproceedings/xi-sepech/gt13_89.pdf Acesso em: 20 fev. 2020.

SANTOS, J. C. Memória organizacional: o valor da informação como negócio/commodity. Orientadora: Marta Lígia Pomim Valentim. 2019. 223f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) - Faculdade de Filosofia e Ciências – Universidade Estadual Paulista, Marília, 2019.

SASIETA, H. A. M.; BEPPLER, F. D.; PACHECO, R. C. S. A memória organizacional no contexto da engenharia do conhecimento. DataGramaZero, Rio de Janeiro, v.12, n.3, ago. 2011. Disponível em: http://www.dgz.org.br/ago11/Art_06.htm. Acesso em: 13 jan. 2020.

SIQUEIRA, M. C. Gestão estratégica da informação. Rio de Janeiro: Brasport, 2005. 158p.

SPILLER; A.; PONTES, C. C. C. Memória organizacional e reutilização do conhecimento técnico em uma empresa do setor eletroeletrônico no Brasil. RBGN, São Paulo, v.9, n.25, p.96-108, set./dez. 2007. Disponível em: http://rbgn.fecap.br/RBGN/article/viewFile/149/95. Acesso em: 02 fev. 2020

STEIN, E. W. Organization memory: Review of concepts and recommendations for management. Internacional Journal of Information Management, v.15, n.1, p.17-32, Feb. 1995. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/026840129400003C. Acesso em: 20 fev. 2020.

THIESEN, I. Memória institucional. João Pessoa: Editora UFPB, 2013. 312p.

VAN HEIJST, G.; VAN DER SPEK, R.; KRUIZINGA, E. Organization corporate memories. 1997. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/228936688_Organizing_Corporate_Memories. Acesso em: 18 fev. 2020.

VITORIANO, M. C. C. P. Centros de memória empresarial: documentos de arquivo como artefatos da cultura organizacional. In: OLIVEIRA, L. M. V.;

OLIVEIRA, I. C. B. (org.). Preservação, acesso, difusão: desafios para as instituições arquivísticas no século XXI, Rio de Janeiro: AAB, 2013. p.916-927.

WALSH, J. P.; UNGSON, G. R. Organizational memory. The Academy of Management Review, v.16, n.1, p.57-91, 1991.

Downloads

Publicado

2021-09-21

Edição

Seção

Artigos