327). Pelas referências de Teodoro e de Burke, as Marchas Fúnebres, então, são escritas em andamento
lento ou bastante lento, pensamos que grave ou andante Maestoso (Semínima= 40 b.p.m.). Seguindo esse
mesmo caráter, o Prelúdio XVI – Requiescat in Pace, com métrica binária composta e indicação de andantino
ficará o mais lento possível dentro dessa indicação, ou seja, colcheia = 78 b.p.m.
Busquei ilustrar este critério, que teve como característica o levantamento questões relacionadas à escolha
de andamentos. Com exemplos estão os Prelúdios III – Devaneio, VI – Marcha Fúnebre e XVI – Requiescat
em Pace. Suas relações com canções e rituais colaboraram para a decisão em relação aos andamentos.
Assim, o critério/questões se considera validado.
VII. Preparação de gestos e movimentos físicos
O recorte de observação desse item tem seu foco nos efeitos onomatopaicos identificados nas obras, ou
seja, as ressignificações/evocações. Essa necessidade surge pela marcante característica na obra de Valle de
combinar técnicas (Hibridização da Técnica Instrumental - Vasconcelos 2013, 41) para gerar as
ressignificações/evocações, e isso, consequentemente, gera necessidade de planejamento para o intérprete.
Para a análise gestual, utilizamos a tipologia e modelo propostos por Madeira (2017) como referência,
devidamente adaptada ao violino. Dessa forma, a categoria de “gestos de excitação” proposta pelo
pesquisador, se referirá aos movimentos da mão direita:
cuja função principal é transmitir energia do instrumentista para o instrumento. A seleção
das cordas a serem postas em vibração tem um papel secundário nesse tipo de gesto. Esse
conjunto de movimentos envolve a preparação (pré-ação), o contato com as cordas
(excitação – instantânea) e a continuidade do movimento (pós-ação), com o objetivo de
obter um resultado sonoro de parâmetros específicos ao mesmo tempo em que fornece
informações visuais que auxiliam na percepção do som pelo espectador. (Madeira 2017,
58, grifo nosso)
No caso, serão observados os movimentos ligados ao arco, incluindo a tensão nos dedos, a preparação e
movimentos do braço direito. A categoria “gestos de seleção” se refere à mão esquerda, quando há pouca
ou nenhuma energia transferida do instrumentista para o instrumento. Ou seja, mesmo quando há pouca
energia transmitida, as informações visuais podem ser observadas como auxiliares à interpretação por parte
do público.
A terceira categoria proposta por Madeira, a de “gesto acompanhador”, elenca movimentos sem relação
com a excitação de cordas ou parâmetros de som, mas somente com o conteúdo musical – pode ser
entendida, pelas análises de Madeira, como expressões faciais, movimentos não ligados à produção do som,
mudanças posturais, movimentos de cabeça etc.
i. O Prelúdio XVIII – Pai João
“Pai João” mostra-se, em vários sentidos, um prelúdio emblemático na obra de Valle, e a análise dos gestos
físicos evidencia-se como um manancial para discussões. Focaremos na ressignificação do tambor e
evocações da incorporação de um espírito. Os gestos corporais mais recorrentes nessa interpretação do
tambor são os movimentos de flexão de joelho gradativa, que conduz a dinâmica do tambor para dinâmica
p, e o inverso também, ou seja, extensão dos joelhos quando a dinâmica se torna f, retomada de arco com