A linguística aplicada alinhada ao materialismo histórico e dialético

Uma reflexão (inflexão?) sobre as bases epistemológicas assumidas pelo campo

Autores

Palavras-chave:

Linguística Aplicada, Epistemologias, Materialismo Histórico e Dialético

Resumo

Este artigo busca, a partir de uma breve retomada histórica do processo de constituição da Linguística Aplicada (LA) como campo autônomo, promover uma reflexão sobre as bases epistemológicas assumidas pela LA, compreendendo que tanto a constituição do campo quanto a definição de seu objeto prioritário de pesquisa se dão em um movimento de negação e aproximação a determinadas vertentes epistemológicas e que tal movimento, por seu caráter histórico, não ocorre livre de contradições. Nessa direção, a partir de uma discussão crítica dessa constituição histórica, buscamos problematizar que todo compromisso com o conhecimento da realidade – natural ou social – é movido por “visões sociais de mundo” (LÖWY, 1987), que podem ser pró-manutenção ou pró-transformação do status quo e, portanto, uma posição ética. Nosso convite é para a assunção de uma postura científica fundada na análise objetiva da prática social e, por isso, transformadora.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ALTHUSSER, L. Advertência aos leitores do Livro I d’O Capital. In: MARX, Karl. O Capital: crítica da economia política; Livro I: o processo de produção do capital. Tradução: Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2017. p. 39-58.

AMORIM, M. Para uma filosofia do ato: “válido e inserido no contexto”. In: BRAIT, Beth (org.). Bakhtin: dialogismo e polifonia. São Paulo: Contexto, 2009.

ANDERY, M. A. et al. Para compreender a ciência: uma perspectiva histórica. Rio de Janeiro: Garamond, 2014.

CELANI, M. A. A. Transdisciplinaridade na Linguística Aplicada no Brasil. In: SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. Linguística aplicada e transdisciplinaridade: questões e perspectivas. Campinas: Mercado de Letras, 1998. p. 115-126.

CELANI, M. A. A. Um desafio na Linguística Aplicada contemporânea: a construção de saberes locais. D.E.L.T.A, São Paulo, v. 32, n. 2, p. 543-555, 2016.

ENGELS, F. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. In: ANTUNES, R. (org.). A Dialética do trabalho. São Paulo: Expressão Popular, 2004. p. 11-28.

FABRÍCIO, B. F. Linguística Aplicada como espaço de desaprendizagem: redescrições em curso. In: MOITA LOPES, L. P. da (org.). Por uma linguística aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006. p. 45-65.

KLEIMAN, A. Agenda de pesquisa e ação em Linguística Aplicada: problematizações. In: MOITA LOPES, L. P (org.). Linguística aplicada na modernidade recente: festschrift para Antonieta Celani. São Paulo: Parábola, 2013.

LÉNINE, V. I. Karl Marx e o desenvolvimento histórico do marxismo: cinco escritos fundamentais de V. I. Lénine acerca de Marx e do Marxismo. Lisboa: Edições Avante!, 1975.

LEONTIEV, A. N. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Centauro, 2004.

LÖWY, M. As aventuras de Karl Marx contra o barão de Müchhausen: Marxismo e Positivismo na Sociologia do Conhecimento. São Paulo: Cortez, 1987.

LÖWY, M. Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista. 20. ed. São Paulo: Cortez, 1985.

MARTINS, J. A. C.; TORRIGLIA, P. L. O comprometimento social e político do pesquisador diante da reprodução social. Germinal, Salvador, v. 8, n. 1, p. 136-146, jun. 2016.

MARTINS, L. M. Contribuições da psicologia histórico-cultural para a pedagogia histórico-crítica. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, v. 13, n. 52, p. 286-300, 2013. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/histedbr/article/view/8640243. Acesso em: 17 fev. 2021.

MARX, K. Crítica da filosofia do direito de Hegel. In: _______. Crítica da filosofia do direito de Hegel. 3. ed. São Paulo: Boitempo, 2013. p. 151-163.

MARX, K. Grundrisse. São Paulo: Boitempo, 2011.

MARX, K. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo Editorial, 2004.

MARX, K. Teses sobre Feuerbach. Lisboa: Edições Progresso, 1982. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1845/tesfeuer.htm. Acesso em: 02.03.2021. Não paginado.

MARX, K.; ENGELS, F. A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007.

MASCARO, A. L.; MORFINO, V. Althusser e o Materialismo Aleatório. São Paulo: Editora Contracorrente, 2020.

MOITA LOPES, L. P. da. Contextos institucionais em Linguística Aplicada: novos rumos. Intercâmbio, São Paulo, v. 5, p. 3-14, 1996.

MOITA LOPES, L. P. da. Da aplicação da Linguística à Linguística Aplicada Indisciplinar. In: PEREIRA, R. C. M.; ROCA, M. del P. (org.). Linguística Aplicada: um caminho com diferentes acessos. São Paulo: Contexto, 2013. p. 11-24.

MOITA LOPES, L. P. da. Uma Linguística Aplicada mestiça e ideológica: interrogando o campo como linguista aplicado. In: _______. Por uma Linguística Aplicada INdisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006. p. 13-44.

RAJAGOPALAN, K. Sobre a dimensão ética das teorias linguísticas. In: _______. Por uma linguística crítica: linguagem, identidade e a questão ética. São Paulo: Parábola, 2013. p. 49-56.

SAVIANI, D. Escola e democracia. 42. ed. Campinas: Autores Associados, 2012.

SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. Introdução. In: _______. Linguística aplicada e transdisciplinaridade: questões e perspectivas, 1998. p. 7-18.

TONET, I. Método científico: uma abordagem ontológica. São Paulo: Instituto Lukács, 2013.

TONET, I. Modernidade, pós, modernidade e razão. Revista Temporalis, Brasília, ano V, jul./ dez. 2005.

VYGOTSKI, L. S. Obras escogidas I: el significado histórico de la crisis de la psicología. Madrid: Machado Nuevo Aprendizaje, 2013.

WIDDOWSON, H. G. The Partiality and Relevance of Linguistic Description. Studies in Second Language Acquisition, Cambridge, v. 1, p. 9-24, 1979.

WOOD, E. M. Em defesa da História: o marxismo e a agenda pós-moderna. Crítica Marxista, São Paulo, Brasiliense, v. 1, n. 3, p. 118-127, 1996.

Downloads

Publicado

06-11-2022