Um estudo etno-estilístico de narrativas míticas de candomblés Quetu baianos

Autores

Palavras-chave:

candomblé Quetu, narrativas míticas, linguística antropológica, cultura

Resumo

Este artigo descreve e compara cinco versões de uma narrativa – itã – iorubá que fundamenta uma cerimônia importante nos candomblés da Bahia. Partindo de teorias sobre narrativas, da linguística antropológica e de textos escritos por ícones de candomblés baianos, sobretudo sacerdotes, o estudo demonstrou que as versões da narrativa analisada têm similaridades, mas igualmente diferenças, no que tange aos elementos da narrativa – eventos, trama, personagens, contexto, descrição e, especialmente, propósito. O artigo também considerou essas narrativas míticas como artefatos culturais, visto serem fontes importantes que justificam como cerimônias tradicionais do candomblé baiano são realizadas. Ao final, o artigo destacou que, além de ser um elemento para o escrutínio científico, essas narrativas míticas são vistas pelos devotos do candomblé como os fundamentos de seus ritos e crenças.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

ABBOTT, H. P. The Cambridge Introduction to Narrative. Cambridge: Cambridge University Press, 2008.

BÀRBARA, R. A dança das Aiabás: dança, corpo e cotidiano das mulheres de candomblé. 2002. Tese (Doutorado em Sociologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2002.

BARRETO, W. da S. Jogo de búzios tradicional nigeriano: sistema divinatório. Salvador: Editora Clube de Autores, 2013.

BASCOM, W. Ifa Divination: Communication between Gods and Men in West Africa. Bloomington: Indianapolis: Indiana University Press, 1969.

BASCOM, W. Sixteen Cowries: Yoruba Divination from Africa to the New World. Bloomington: Indianapolis: Indiana University Press, 1980.

BEIER, U. Yoruba Myths. Cambridge: Cambridge University Press, 1980.

BENISTE, J. Mitos yorubás: o outro lado do conhecimento. 8. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2016.

BENISTE, J. Ọrun Àiyé: o encontro de dois mundos. 13. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2019.

BERKENBROCK, V. J. Os itans e o porquê das coisas: a função do mito na tradição religiosa do candomblé. In: SILVEIRA, E. S. da; SAMPAIO, D. S. (org.). Narrativas míticas: análise das histórias que as religiões contam. Petrópolis: Vozes, 2018. p. 163-193.

BOURDIEU, P. Language and Symbolic Power. Tradução: Gino Raymond, Matthew Adamson. Cambridge: Polity Press, 1991.

CAMPOS, V. F. de A. Mãe Stella de Oxóssi: perfil de uma liderança religiosa. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.

CASTILLO, L. E. Entre a oralidade e a escrita: a etnografia nos candomblés da Bahia. Salvador: EDUFBA, 2010.

DURANTI, A. Linguistic Anthropology. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.

ELIADE, M. Mito e realidade. Tradução: Pola Civelli. 6. ed. São Paulo: Perspectiva, 2016.

ELIADE, M. O sagrado e o profano: a essência das religiões. Tradução: Rogério Fernandes. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2019.

HALL, S. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Organização Liv Sovik. Tradução: Adelaine La Guardia Resende, Ana Carolina Escosteguy, Cláudia Álvares, Francisco Rüdiger, Sayonara Amaral. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

JAWORSKI, A.; COUPLAND, N. Introduction: Perspectives on Discourse Analysis. In: _______. The Discourse Reader. London: New York: Routledge, 1999. p. 1-44.

KARADE, B. I. The Handbook of Yoruba Religious Concepts. Newburyport: Weiser Books, 2020.

LIMA, V. da C. O candomblé da Bahia na década de 1930. Estudos Avançados, São Paulo, v. 18, n. 52, p. 201-221, 2004.

LOPES, N. Ifá Lucumí: o resgate da tradição. Rio de Janeiro: Pallas, 2020.

MAKONI, S.; MEINHOF, U. Linguística Aplicada na África: desconstruindo a noção de ‘língua’. In: MOITA LOPES, L. P. da. (org.). Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola Editorial, 2006. p. 191-213.

MALINOWSKI, B. Magic, Science and Religion and Other Essays. Glencoe: Illinois: The Free Press, 1948.

MAUPOIL, B. A adivinhação na antiga Costa dos Escravos. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Edusp, 2020.

NAPOLEÃO, E. Yorùbá: para entender a linguagem dos orixás. Rio de Janeiro: Pallas, 2011.

PRANDI, R. Mitologia dos orixás. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

PRANDI, R. Os babalaôs e sua arte da adivinhação na tradição afro-brasileira. In: MAUPOIL, B. A adivinhação na antiga Costa dos Escravos. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura. São Paulo: Edusp, 2020. p. 753-772.

REIS, J. J. Domingos Sodré: um sacerdote africano. Escravidão, liberdade e candomblé na Bahia do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

RICŒUR, P. A memória, a história, o esquecimento. Tradução: Alain François et al. Campinas: Editora Unicamp, 2007.

RICŒUR, P. Du texte à l’action: essais d’herméneutique II. Paris: Editions du Seuil, 1986.

ROCHA, A. M. As nações kêtu: origens, ritos e crenças. Os candomblés antigos do Rio de Janeiro, 2. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 2000.

SANTOS, D. M. História de um terreiro nagô: crônica histórica. São Paulo: Carthago & Forte, 1994.

SANTOS, J. E. Os nāgō e a morte. 14. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

SANTOS, M. S. de A. Meu tempo é agora. 2. ed. Salvador: Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, 2010.

SANTOS, M. S. de A. Òṣósi. 2. ed. Rio de Janeiro: Autorale, 2020.

SANTOS, M. S. de A.; PEIXOTO, G. D. O que as folhas cantam: para quem canta folha. Brasília: Editora UnB, 2014.

SODRÉ, M. Pensar nagô. Petrópolis: Vozes, 2017.

SODRÉ, M.; LIMA, L. F. de. Um vento sagrado: história de vida de um adivinho da tradição nagô-kêtu brasileira. 3. ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1996.

TOOLAN, Michael. Narrative:A Critical Linguistics Introduction. 2. ed. London: New York: Routledge, 2001.

VERGER, P. Dieux d’Afrique. Paris: Editions Paul Hartmann, 1954.

VERGER, P. Notas sobre o culto aos orixás e voduns: na Bahia de Todos os Santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na África. Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2019.

VERGER, P. Orixás: deuses iorubás na África e no novo mundo. Tradução: Maria Aparecida da Nóbrega. Salvador: Fundação Pierre Verger, 2018.

Downloads

Publicado

06-11-2022