Chamada: Estudos de fala-em-interação: Revisitando paradigmas, ferramentas e metodologias (vol. 2, 2026)
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A fala-em-interação tem se consolidado como um campo profícuo de investigação linguística, notadamente por seu compromisso com o exame minucioso das práticas sociais que estruturam nossa vida cotidiana. Estudos voltados à Análise da Conversa, à Etnometodologia, à Linguística Interacional, aos Estudos de Gestos etc., entre outras vertentes afins, têm evidenciado que nossas interações são coconstruídas in situ, a partir a partir da perspectiva dos participantes (a chamada perspectiva êmica) e por meio de múltiplos recursos, incluindo os vocais, corporais e materiais.
As pesquisas vêm destacando cada vez mais o caráter primordialmente multimodal da interação humana, o que demanda novas perspectivas teóricas e metodológicas, bem como o desenvolvimento e a constante revisão de ferramentas analíticas capazes de dar conta da complexidade dos dados empíricos (Heath; Hindmarsh; Luff, 2010; Garcez; Bulla; Loder, 2014; Mondada 2019; Cruz; Ostermann; Andrade; Frezza, 2019; Robinson; Clift; Kendrick; Raymond, 2024; Drew; Ostermann; Raymond, 2024; Schröder, 2025). O uso de gravações em vídeo, os avanços nas técnicas de transcrição automática, o emprego de ferramentas baseadas em inteligência artificial, o papel dos artefatos físicos no curso das interações, assim como os desafios tecnológicos contemporâneos relacionados ao acoplamento entre humanos e tecnologias, impõe questões cruciais aos pesquisadores da fala-em-interação (Ostermann; Frezza; Perobelli, 2020; Haddington; Eilittä; Kamunen; Kohonen‑Aho; Oittinen; Rautiainen; Vatanen, 2024).
Diante do desafio que essas questões impõem a pesquisas voltadas para, por exemplo, a tomada de decisão sobre como adotar certos mecanismos de transcrição (Jefferson, 1984; Gago, 2002, Loder, 2008; Selting et al., 2016; Mondada 2016; Viterbo Lage; Schröder; Alves, 2019; Schröder; Nascimento; Silva, 2019; Haddington; Eilittä; Kamunen; Kohonen‑Aho; Oittinen; Rautiainen; Vatanen, 2024), este dossiê propõe reunir trabalhos que se debrucem sobre paradigmas, metodologias e ferramentas nos estudos da fala-em-interação. Interessa-nos acolher reflexões teóricas, propostas metodológicas, análises empíricas e discussões sobre os impactos das inovações tecnológicas no campo, com o intuito de contribuir para o aprofundamento e a renovação das pesquisas que têm a linguagem como prática social situada (cf. Perobelli; Lemos, 2022; Cruz, 2021; Soto Rodríguez; Dankel; Satti, 2022; Mondada; Cruz; Ribeiro 2024; Haddington; Eilittä; Kamunen; Kohonen‑Aho; Oittinen; Rautiainen; Vatanen, 2024; Schröder 2025, entre outros).
Convidamos contribuições das seguintes áreas de pesquisa (sem, no entanto, nos limitarmos a elas):
- Análise da Conversa
- Linguística Interacional
- Etnometodologia
- Estudos de Gestos e Corporeidade
Serão bem-vindos, entre outros, trabalhos que abordem:
- Reflexões teórico-metodológicas e conceituais das áreas envolvidas
- Questões relacionadas a mesclagens metodológicas
- Apresentação de ferramentas analíticas acompanhadas de exemplos de aplicação em pesquisas
- Discussão e exemplificação de problemas concretos enfrentados em estudos empíricos
- Comparação de abordagens de transcrição aplicadas a uma mesma sequência interacional, ilustrando vantagens e desvantagens
- Formulação de novas perguntas e desafios emergentes no campo
Idiomas aceitos: português, inglês e espanhol.
CRONOGRAMA
- Submissões: de 25 de setembro a 30 de janeiro
- Notificação: até 30 de maio
- Publicação: até 31 de julho
Referências
Cruz, F. M. Elementos para uma análise multimodal da interação: um exemplo de
correlação linguístico‑gestual no autismo. In: Gonçalves‑Segundo, P. R.;
Modolo, A. R.; Sousa, D. R. & Ferreira, F. M.; Coan, G. I.;
Britto‑Costa, L. F. (Orgs.), Texto, Discurso e Multimodalidade: perspectivas
atuais, p. 158–179. São Paulo: Editora Paulistana, 2021.
CRUZ, F. M., OSTERMANN, A. C., ANDRADE, D. N. P. & FREZZA, M. O trabalho
técnico-metodológico e analítico com dados interacionais audiovisuais: A
disponibilidade de recursos multimodais nas interações, transcrição de dados
audiovisuais como procedimentos analíticos plenos: D.E.L.T.A.: Documentação de
Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada 35(4), 1–36, 2019.
https://revistas.pucsp.br/index.php/delta/article/view/47114.
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GAGO, P. C. Questões de transcrição em Análise da Conversa. Veredas, Juiz de Fora,
v. 6, n. 2, p. 89-113, 2002.
GARCEZ, P. de M., BULLA, G. da S., & LODER, L. L. Práticas de pesquisa
microetnográfica: geração, segmentação e transcrição de dados audiovisuais como
procedimentos analíticos plenos. DELTA: Documentação De Estudos Em
Lingüística Teórica E Aplicada, 30(2), 257–288, 2014. Disponível em:
https://doi.org/10.1590/0102-445078307364908145
Haddington, P., Eilittä, T., Kamunen, A., Kohonen‑Aho, L., Oittinen, T.,
Rautiainen, I. & Vatanen, A.(Orgs.). Ethnomethodological Conversation
Analysis in Motion: Emerging Methods and New Technologies. London &
New York: Routledge, 2024.
HEATH, C., HINDMARSH, J. & LUFF, P. Video in Qualitative Research: Analysing
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LODER, L. L. O modelo Jefferson de transcrição: Convenções e debates. In: LODER,
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SELTING, M. et al. Um sistema para transcrever a fala-em-interação: GAT 2. Traduzido
e adaptado por Ulrike Schröder et al. Veredas 20(2), p. 6–61, 2016.
VITERBO LAGE, C., SCHRÖDER, U. & ALVES, D. H. Trabalhar com o programa de
transcrição EXMARaLDA: Um relatório de experiência. In: SCHRÖDER, U.,
CARNEIRO MENDES, M. (orgs.). Comunicação (Inter)cultural em Interação.
Belo Horizonte: Editora UFMG, 2019. p. 155–178.
