Receituário óptico para montagens e desmontagens do corpo híbrido

Autores

  • Maria Rita Umeno Morita Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.53981/destroos.v2i1.34296

Palavras-chave:

máquina, montagem corpórea, sujeito racial, híbrido, amarelo

Resumo

Processos corpóreos e regimes de subjetivação racial estão em análise neste artigo. Na intenção de desfuncionar o mito da democracia racial via processo corpóreo racializado como amarelo, nos valeremos de personagens conceituais. Mobilizando conceitos de Deleuze e Guattari para propor uma leitura do funcionamento de máquinas de subjetivação racial, abrimos o território em que a ficção da raça (conceito trabalhado na obra de Achille Mbembe) opera pela negociação da categoria de sujeito racial amarelo. Descrevemos montagens corpóreas que oscilam na hierarquização de sujeitos raciais: sujeitos raciais híbridos codificados por ambiguidade. São existências que se movimentam internas à máquina de embranquecimento dos lugares de poder. Ora referenciados como portadores do fenótipo que não compõe a brasilidade, ora negociados como modelo para identidades não-brancas, os corpos codificados como amarelos experimentam a potência e o controle do aspecto híbrido de suas montagens corpóreas.

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Biografia do Autor

  • Maria Rita Umeno Morita, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Guarulhos, Brasil

    Possui graduação em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP) e Mestrado em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) na área de Política, Conhecimento e Sociedade. Atualmente é doutoranda no Departamento de Filosofia da UNIFESP – Guarulhos/SP na área de Política, Conhecimento e Sociedade. E-mail: morita.maria@gmail.com

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Publicado

25-08-2021

Como Citar

MORITA, Maria Rita Umeno. Receituário óptico para montagens e desmontagens do corpo híbrido. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 2, n. 1, p. 119–140, 2021. DOI: 10.53981/destroos.v2i1.34296. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/34296. Acesso em: 5 mar. 2026.

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