O poder é uma lagosta

cenas de uma dupla articulação entre consituinte e constituído

Autores

  • Igor Campos Viana Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.53981/destroos.v2i2.36353

Palavras-chave:

filosofia do poder, performatividade, constitucionalismo, poder constituinte, poder constituído

Resumo

O presente artigo-experimento é uma aposta na compreensão do poder em sua performatividade. Para além das posições de um constitucionalismo clássico que aprisionam o constituinte no constituído ou das posições ditas radicais que decretam a morte do constituído em favor de um constituinte permanente, afirmamos que não existe um poder constituinte, nem um poder constituído. O que existe é o poder. E esse poder só pode ser compreendido em operação. É na relação que as coisas se mostram. E nessa relação o poder se mostra sempre como constituinte e constituído a um só tempo. É justamente nessa dupla articulação que ele se revela. A relação não é meramente de causa e consequência, mas de constituição simultânea. Não há uma anterioridade no tempo e no espaço de uma dimensão sobre a outra. O que existe é um processo de sobredeterminação sem início ou fim.

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Biografia do Autor

  • Igor Campos Viana, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Doutorando no Projeto Coletivo Filosofia do Poder e Pensamento Radical da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Pesquisador visitante na University of Westminster. E-mail: icamposviana@gmail.com

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Publicado

17-04-2022

Como Citar

VIANA, Igor Campos. O poder é uma lagosta: cenas de uma dupla articulação entre consituinte e constituído. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 2, n. 2, p. 53–65, 2022. DOI: 10.53981/destroos.v2i2.36353. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/36353. Acesso em: 26 fev. 2026.

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