v. 4 n. 2 (2023): Dossiê - Corporeidades e subjetividades queer (jul/dez 2023)
Dossiê especial

Notas sobre erotismo, excesso e acumulação bilionária

Paula Ordonhes
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Guarulhos, SP, Brasil
Biografia

Publicado 05-02-2024

Palavras-chave

  • erotismo,
  • excesso,
  • acumulação,
  • subjetivação,
  • neoliberalismo

Como Citar

ORDONHES, P. de T. Notas sobre erotismo, excesso e acumulação bilionária. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 4, n. 2, p. e48320, 2024. DOI: 10.53981/destroos.v4i2.48320. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/48320. Acesso em: 17 abr. 2024.

Resumo

Partindo da noção de erotismo de Georges Bataille, que traz a desmedida e o excesso como elementos fundamentais, procuraremos refletir sobre os processos de subjetivação dos maiores acumuladores financeiros de nosso tempo, os bilionários. Interrogaremo-nos se a desmedida acumulação que praticam poderia ser expressão de um Eros ruinoso aparentado ao dos personagens criados pelo Marquês de Sade e tematizados por Bataille e outros autores. Investigaremos características presentes nos protagonistas das ficções sadianas, como a apatia, o gosto pela enumeração e a linguagem demonstrativa, cotejando-as às práticas corporativas neoliberais com o intuito de verificar possíveis aproximações. Analisaremos ainda se os pré-requisitos para a consecução dos deboches sadianos, como o enclausuramento e a aliança entre iguais, podem ser também pensados como condições para a acumulação financeira levada ao paroxismo por bilionários.

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Referências

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