Deslizes ao corpóreo, ou sobre os efeitos dos deslumbramentos do esconjuro

dispêndios sobre Georges Bataille

Autores

  • Leandro Assis Santos Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.53981/destroos.v5i1.51934

Palavras-chave:

Bataille, esconjuro, dispêndio, transgressão, interdito

Resumo

O presente artigo visa reconstruir a partir das reflexões de Georges Bataille o que se entende por esconjuro e sexualidade. Para tanto, delimitar um affaire filosófico com as noções de dispêndio, transgressão e interdito são centrais, uma vez que nosso filósofo recorre a elementos de escatologia a fim de delimitar o espaço mais íntimo da corporeidade. Esta será entendida a partir de sua imanência, haja vista que não existe nenhuma perspectiva de metafísico ou religioso (guarda-se aqui a diferença com o sagrado) no interior da obra do pensador francês. Dessa maneira, o intuito desse trabalho é especificar o lugar mais próprio do esconjuro na vida humana, partindo do que é mais baixo e vil, como procede nosso autor. Partindo desse propósito, nossa pesquisa objetiva explicitar quais os meandros que perpassam a dinâmica mais própria dos prazeres que, por sua vez, delimitam o espaço de nossa corporeidade, bem como acerca da própria “carne” do mundo.

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Biografia do Autor

  • Leandro Assis Santos, Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, Brasil

    Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei, mestre e doutor pela Universidade do estado do Rio de Janeiro. Pós-doutor pela Universidade Federal de Ouro Preto. Pós-doutorando, sob supervisão de Alexandre Marques Cabral, pela Universidade do estado do Rio de Janeiro. E-mail: leandroas30@hotmail.com.

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Publicado

06-10-2024

Como Citar

SANTOS, Leandro Assis. Deslizes ao corpóreo, ou sobre os efeitos dos deslumbramentos do esconjuro: dispêndios sobre Georges Bataille. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 5, n. 1, p. e51934, 2024. DOI: 10.53981/destroos.v5i1.51934. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/51934. Acesso em: 28 fev. 2026.

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