Resíduos de humanidade e poder soberano

Achille Mbembe, leitor de Giorgio Agamben

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53981/destrocos.v6i1.56469

Palavras-chave:

mortos-vivos, vida nua, necropolítica, estado de exceção, democracia

Resumo

Partindo do ensaio Necropolítica (2003), de Achille Mbembe, no qual o autor estabelece os fundamentos da argumentação sobre a existência de uma política de morte nascida a partir do poder colonial, procuramos expor alguns elementos da filosofia de Giorgio Agamben que contribuíram para esta formulação. O presente artigo propõe uma aproximação aos conceitos agambenianos de “vida nua”, “estado de exceção” e “biopolítica”, com base na interpretação de Mbembe, procurando compreender o poder soberano diante da experiência de expansão do poder colonial e de sua globalização no século XX. Ao examinarmos as estratégias de objetificação de populações consideradas descartáveis e de diminuição de sua condição humana, procuramos esclarecer aspectos do conceito de necropolítica.

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Biografia do Autor

  • Edson Teles, Universidade Federal de São Paulo

    Professor de Filosofia do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pesquisador do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF/Unifesp). E-mail: edson.teles@unifesp.br.

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Publicado

25-03-2025

Como Citar

TELES, Edson. Resíduos de humanidade e poder soberano: Achille Mbembe, leitor de Giorgio Agamben. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 1, p. e56469, 2025. DOI: 10.53981/destrocos.v6i1.56469. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/56469. Acesso em: 31 mar. 2026.

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