Publicado 07-10-2025
Palavras-chave
- Heidegger,
- ontologia fundamental,
- animalidade,
- extramundanidade
Copyright (c) 2025 Mateus Vinícius Barros Uchôa

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Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Números do Financiamento 001
Resumo
O exercício de pensamento a seguir começa da problematização heideggeriana em torno da animalidade, intentando, a partir das críticas de autores como Jacques Derrida, Giorgio Agamben e Marco A. Valentim, dar conta das possíveis limitações da abordagem de Heidegger acerca dos animais não-humanos. Para isso, será necessário expor e repensar o estatuto metafísico do animal diante da criticável valorização do humano em seu antropocentrismo. Pretende-se reavaliar a condução da temática da animalidade para o território do pensamento metafísico, especificamente em Os conceitos fundamentais da metafísica. A exclusão da vida animal foi um elemento fundamental na própria construção da ideia de homem ao longo da história do ocidente. A forma como é fundamentada a noção de mundo nas teses da ontologia heideggeriana revela que a metafísica ocidental ensinou, principalmente, a viver dentro do espírito como determinação da humanidade do homem. Ao contrário, sustento nesse artigo a afirmação que deveríamos aprender como os animais a viver fora do espírito, qualificando potencialmente o seu não-lugar na ontologia fundamental como extramundanidade.
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Referências
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