v. 6 n. 2 (2025): Animais políticos: animalidade, comunidade e o futuro do corpo político (publicação contínua)
Dossiê especial

Extramundanidade além do humano: uma crítica animalista ao conceito de mundo de Heidegger

Mateus Vinícius Barros Uchôa
Universidade Estadual do Ceará
Biografia

Publicado 07-10-2025

Palavras-chave

  • Heidegger,
  • ontologia fundamental,
  • animalidade,
  • extramundanidade

Como Citar

UCHÔA, Mateus Vinícius Barros. Extramundanidade além do humano: uma crítica animalista ao conceito de mundo de Heidegger. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. e57656, 2025. DOI: 10.53981/destrocos.v6i2.57656. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/57656. Acesso em: 15 jan. 2026.

Dados de financiamento

Resumo

O exercício de pensamento a seguir começa da problematização heideggeriana em torno da animalidade, intentando, a partir das críticas de autores como Jacques Derrida, Giorgio Agamben e Marco A. Valentim, dar conta das possíveis limitações da abordagem de Heidegger acerca dos animais não-humanos. Para isso, será necessário expor e repensar o estatuto metafísico do animal diante da criticável valorização do humano em seu antropocentrismo. Pretende-se reavaliar a condução da temática da animalidade para o território do pensamento metafísico, especificamente em Os conceitos fundamentais da metafísica. A exclusão da vida animal foi um elemento fundamental na própria construção da ideia de homem ao longo da história do ocidente. A forma como é fundamentada a noção de mundo nas teses da ontologia heideggeriana revela que a metafísica ocidental ensinou, principalmente, a viver dentro do espírito como determinação da humanidade do homem. Ao contrário, sustento nesse artigo a afirmação que deveríamos aprender como os animais a viver fora do espírito, qualificando potencialmente o seu não-lugar na ontologia fundamental como extramundanidade.

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Referências

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