Publicado 18-11-2025
Palavras-chave
- videoarte,
- animais não humanos,
- luz do sol
Copyright (c) 2025 Débora Curti, Édio Raniere

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Como Citar
Resumo
Uma videoarte, uma experimentação audiovisual, uma fabulação solar. Um processo de co-criação entre bichos humanos e não humanos. Uma instauração de modos de existência que não existem (segundo nossos padrões antropocêntricos de existência). Uma imagem-bicho. Bichosluz do sol, sol da manhã. Um feixe de luz do sol transformado em reflexos distorcidos manualmente. Reflexos que não apenas multiplicam a luz, mas também desorganizam fronteiras, dobram realidades e abrem brechas para existências que escapam ao visível e ao nomeável. Uma música-bicho. Sons do sol, sons do vento, sons de bichos humanos e não-humanos. Uma dança-bicho, dança que distorce o racional e celebra o irracional, o inclassificável, o não-saber. Um espaço fora do espaço, um tempo fora do tempo. Um escuro em que tudo é possível. Uma fabulação solar, nas brechas entre o conhecido e o desconhecido, entre realidade e ficção.
Bichosluz: outros tipos de matéria. Matéria mágica, matéria de poesia, que se delicia em sua inexplicabilidade. Uma composição mágica e poética em que o sol não é apenas a fonte de luz que forma os bichos, é também compositor. O som da frequência das ondas solares também faz parte da composição, são frequências mais graves, quase inaudíveis para humanos... (recomenda-se a utilização de fones para uma experiência audiovisual mais intensa). A imagem-bicho e a música-bicho dessa experimentação audiovisual se encontram em sua recusa a racionalizações, são imagens e sons fabulados em parceria com o sol, não para representar ou explicar o sol. Uma parceria entre humanos e não humanos, rumo ao fim do mundo (mundo antropocêntrico patriarcal/colonial/capitalista regido pelo excepcionalismo humano), rumo a instauração de outros mundos possíveis.
Ficha Técnica:
Coletivo Phantas 2025:
Bichosluz do sol - Imagem/música
Débora Curti - Imagem/edição/música
Adilson Filho - Música
Édio Raniere - Produção/ co-criação
Downloads
Referências
- DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. v. 4. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997.
- DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.
- DERRIDA, Jacques. O animal que logo sou. São Paulo: Editora Unesp, 2002.
- DESPRET, Vinciane. O que diriam os animais? São Paulo: Ubu Editora, 2021.
- DIDI-HUBERMAN, Georges. A sobrevivência dos vagalumes. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.
- FONTANE, Claire. Greve humana: por uma prática da liberdade. São Paulo: Glac Edições, 2024.
- HARAWAY, Donna J. Ficar com o problema: fazer parentes no Chthuluceno. São Paulo: n-1 Edições, 2023.
- HARAWAY, Donna J. Quando as espécies se encontram. São Paulo: Ubu Editora, 2022.
- PELBART, Peter Pál. Por uma arte de instaurar modos de existência que “não existem”. In: 31ª BIENAL DE SÃO PAULO. Como pensar sobre coisas que não existem (catálogo). São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 2014.
- RANIERE, Édio; HACK, Lilian; NEVES, Rosane. “Somos nada mais que imagens”: entrevista com Anne Sauvagnargues. Revista Polis e Psique, Porto Alegre, v. 10, n. 1, p. 6-29, abr. 2020.
- SAUVAGNARGUES, Anne. Deleuze: del animal al arte. Trad. Irene Agoff. Buenos Aires: Amorrortu Editores, 2006.