v. 6 n. 2 (2025): Animais políticos: animalidade, comunidade e o futuro do corpo político (publicação contínua)
Produções artísticas

Bichosluz do sol

Débora Curti
Universidade Federal de Pelotas
Biografia
Édio Raniere
Universidade Federal de Pelotas
Biografia

Publicado 18-11-2025

Palavras-chave

  • videoarte,
  • animais não humanos,
  • luz do sol

Como Citar

CURTI, Débora; RANIERE, Édio. Bichosluz do sol. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. e59978, 2025. DOI: 10.53981/destrocos.v6i2.59978. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/59978. Acesso em: 15 jan. 2026.

Resumo

Uma videoarte, uma experimentação audiovisual, uma fabulação solar. Um processo de co-criação entre bichos humanos e não humanos. Uma instauração de modos de existência que não existem (segundo nossos padrões antropocêntricos de existência). Uma imagem-bicho. Bichosluz do sol, sol da manhã. Um feixe de luz do sol transformado em reflexos distorcidos manualmente. Reflexos que não apenas multiplicam a luz, mas também desorganizam fronteiras, dobram realidades e abrem brechas para existências que escapam ao visível e ao nomeável. Uma música-bicho. Sons do sol, sons do vento, sons de bichos humanos e não-humanos. Uma dança-bicho, dança que distorce o racional e celebra o irracional, o inclassificável, o não-saber. Um espaço fora do espaço, um tempo fora do tempo. Um escuro em que tudo é possível. Uma fabulação solar, nas brechas entre o conhecido e o desconhecido, entre realidade e ficção.

Bichosluz: outros tipos de matéria. Matéria mágica, matéria de poesia, que se delicia em sua inexplicabilidade. Uma composição mágica e poética em que o sol não é apenas a fonte de luz que forma os bichos, é também compositor. O som da frequência das ondas solares também faz parte da composição, são frequências mais graves, quase inaudíveis para humanos... (recomenda-se a utilização de fones para uma experiência audiovisual mais intensa). A imagem-bicho e a música-bicho dessa experimentação audiovisual se encontram em sua recusa a racionalizações, são imagens e sons fabulados em parceria com o sol, não para representar ou explicar o sol. Uma parceria entre humanos e não humanos, rumo ao fim do mundo (mundo antropocêntrico patriarcal/colonial/capitalista regido pelo excepcionalismo humano), rumo a instauração de outros mundos possíveis.

Ficha Técnica:
Coletivo Phantas 2025:
Bichosluz do sol - Imagem/música
Débora Curti - Imagem/edição/música
Adilson Filho - Música
Édio Raniere - Produção/ co-criação

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Referências

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