Cartografia de uma dissidência messiânica sem fim

entre as ruínas ontológicas do Estado de Israel

Autores

DOI:

https://doi.org/10.53981/destrocos.v7i1.63421

Palavras-chave:

messianismo, Redenção, ética, justiça, ontologia

Resumo

O presente artigo investiga, no horizonte do messianismo judaico, a forma como a Redenção, a ética e a justiça se articulam criticamente com a teleologia histórica moderna, com base no messianismo de Estado, materializado no atual Estado de Israel, que se fundamenta numa ontologia da totalidade. Com base em Rosenzweig, Scholem e Benjamin, a Redenção é compreendida como uma interrupção da história contínua e uma crítica à ideologia do progresso, instaurando um tempo de rutura em que os fracassos e as catástrofes ganham centralidade e em que se reconfigura a possibilidade de uma justiça ética num horizonte messiânico. Em diálogo com Derrida, essa justiça messiânica, que está sempre por vir e é irredutível ao direito, distingue-se e articula-se simultaneamente com a Redenção benjaminiana, entendida como um acontecimento insurrecional que deslegitima qualquer julgamento final da história. Com base nisso, e seguindo Lévinas e Blanchot, procuramos demonstrar como a ética, pensada como filosofia primeira a partir do rosto do outro e do imperativo “não matarás”, desloca a primazia da ontologia, rompendo com ontologias totalizantes e com a identificação do mesmo ao universal. Nesse contexto, criticamos o uso do messianismo para legitimar o nacionalismo sionista e a violência do Estado, contrapondo-lhe a noção de “judaicidade” (Butler) como vocação diaspórica, anti-identitária e orientada para a coabitação. Por fim, refletimos sobre como a Redenção só pode ser pensada eticamente como uma prática de justiça que permanece inapropriável pelo direito e que reconhece, em cada outro, a possível figura do Messias.

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Biografia do Autor

  • Mayara Dionizio, Universidade Federal do Paraná

    Mayara Dionizio é pesquisadora de pós-doutorado em Filosofia na Universidade Federal do Paraná (Brasil) e em Estudos Literários na Université du Québec à Montréal. É doutora em Filosofia pela UFPR e em Literatura e Civilização Francesas pela UPJV. Membro do comitê editorial do Espace Maurice Blanchot, Autora de Antonin Artaud: o instante intermitente (2020), seus trabalhos mais recentes como tradutora incluem: O verbo roubado: textos escolhidos de Antonin Artaud (2025), tradução e a organização; a tradução e as notas de  Por uma arte revolucionária (2025), de André Breton, Léon Trotski e Diego Rivera; tradução de Teorias feministas viajantes: internacionalismo e coalizões a partir das lutas latino-americanas (2026), de Mara Montanaro. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

  • Gabriel Bonesi Ferreira, Universidade Federal do Paraná

    Doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Paraná (2025), com período de pesquisa na Université de Picardie Jules Verne (França); mestre e licenciado em Filosofia pela Universidade Estadual de Londrina (2018; 2011) e bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (2011). Advogado desde 2011, desenvolve pesquisas em Filosofia Ética e Política.

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Publicado

22-06-2026

Como Citar

DIONIZIO, Mayara; FERREIRA, Gabriel Bonesi. Cartografia de uma dissidência messiânica sem fim: entre as ruínas ontológicas do Estado de Israel. (Des)troços: revista de pensamento radical, Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. e63421, 2026. DOI: 10.53981/destrocos.v7i1.63421. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/revistadestrocos/article/view/63421. Acesso em: 2 ago. 2026.

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