Diagnóstico e encaminhamento de pacientes com doenças bucais no serviço público de saúde de Patos- PB: atuação do cirurgião-dentista na referência e contra referência

  • Larissa Lima Leôncio Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
  • Édila Pablizia Cavalcante Batista Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
  • Faldryene de Sousa Queiroz Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
  • Carolina Bezerra Cavalcanti Nóbrega Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
  • Luciana Ellen Dantas Costa Universidade Federal de Campina Grande – UFCG

Resumo

Objetivo: Avaliar a autopercepção da saúde bucal, associando-a a variáveis socioeconômicas, clínicas e comportamentais. Material e Métodos: Este estudo de natureza transversal avaliou uma amostra de 425 idosos de 60 anos, de Teresina-PI. O exame intrabucal foi realizado pelo índice de ataque de cárie (CPO-D), índice periodontal e uso e necessidade de prótese. O índice de saúde bucal geriátrica (GOHAI) foi avaliado por meio de entrevista, cujos dados referentes foram apresentados de forma descritiva e posteriormente dicotomizados em baixa percepção (somatório dos escores < 32) e alta percepção (somatório dos escores ≥ 32). Foram feitas análises univariadas por meio do teste de qui-quadrado para se avaliar a associação entre o perfil do idoso, CPO-D, índice periodontal e uso e necessidade de prótese (variáveis de exposição) e o índice GOHAI (variável de desfecho). As variáveis que apresentaram nível de significância menor que 0,2 foram estudadas na análise de regressão logística múltipla com procedimento stepwise, a fim de identificar os fatores associados à baixa percepção. Resultados: O CPO-D foi de 29,3 ± 4,4 (média / ± dp). Em relação à doença periodontal, 14,2% dos dentes eram hígidos, 23,5% com sangramento e 7,0% com bolsa periodontal. Quanto ao uso de prótese, 73,4% e 47,5% dos idosos pesquisados usam-na na região superior e inferior, respectivamente; e 25,0% e 51,0% necessitam de prótese na região superior e inferior, respectivamente. Os idosos com renda menor ou igual a um salário mínimo apresentaram 2,19 (IC: 1,30-3,69) vezes mais chance de apresentar baixa percepção de saúde bucal. Aqueles que ingerem diariamente medicamentos têm 1,90 (IC: 1,10-2,87) vezes mais chance de apresentar baixa percepção de saúde bucal e os que não necessitam de próteses dentárias inferiores têm 1,88 (IC: 0,35-1,09) vezes mais chance de apresentar baixa percepção de saúde bucal que os idosos que necessitam de próteses totais. Conclusão: A autopercepção da saúde bucal pelos idosos de Teresina-PI, participantes deste estudo, foi positiva. No entanto, possuir renda mensal menor que um salário mínimo, ingerir diariamente medicamentos e necessitar de próteses totais inferiores são fatores associados a uma baixa percepção desses sujeitos em relação à sua saúde bucal.

Descritores: Autoimagem. Saúde bucal. Idoso.

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Biografia do Autor

Larissa Lima Leôncio, Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Curso de graduação em Odontologia, Universidade Federal de Campina Grande – (UFCG), Patos, PB
Édila Pablizia Cavalcante Batista, Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Curso de graduação em Odontologia, Universidade Federal de Campina Grande – (UFCG), Patos, PB
Faldryene de Sousa Queiroz, Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Departamento de Saúde Coletiva, UFCG, Patos, PB
Carolina Bezerra Cavalcanti Nóbrega, Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Departamento de Saúde Coletiva, UFCG, Patos, PB
Luciana Ellen Dantas Costa, Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Departamento de Saúde Coletiva, UFCG, Patos, PB

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Publicado
2016-06-15
Como Citar
Leôncio, L. L., Batista, Édila P. C., Queiroz, F. de S., Cavalcanti Nóbrega, C. B., & Costa, L. E. D. (2016). Diagnóstico e encaminhamento de pacientes com doenças bucais no serviço público de saúde de Patos- PB: atuação do cirurgião-dentista na referência e contra referência. Arquivos Em Odontologia, 51(4). Recuperado de https://periodicos.ufmg.br/index.php/arquivosemodontologia/article/view/3694
Seção
Artigos