Prevalência de cárie em bebês e sua relação com o conhecimento e hábitos das mães

  • Fabiana Bucholdz Teixeira Alves Departamento de Odontologia, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
  • Marcos Cezar Pomini Faculdade de Odontologia de Piracicaba, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) http://orcid.org/0000-0001-8129-7165
  • Jessica Galvan Departamento de Odontologia, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
  • Nayara Silva de Gouvêa Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais
  • Gisele Fernandes Dias Departamento de Odontologia, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Resumo

Objetivo: O objetivo deste trabalho foi verificar a associação entre a prevalência de cárie dentária na primeira infância e o perfil socioeconômico e hábitos das mães em relação à higiene bucal e uso de dentifrício em seus filhos. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com uma amostra de 82 pares (mães e crianças de 06 a 36 meses de idade) que procuraram o serviço odontológico. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e após consentimento, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, as mães responderam a um questionário com informações sobre perfil socioeconômico, conhecimentos sobre saúde bucal, hábitos de higiene bucal e uso de dentifrício fluoretado. Foi realizado exame clínico dos bebês para avaliar a experiência da cárie dentária (índice ceo-d). Os dados foram tabulados em frequências absolutas e relativas e as associações verificadas pelos testes qui-quadrado e exato de Fisher (p=0,05). Resultados: A prevalência de cárie foi de 25,6% e o índice ceo-d de 1,5. Verificou-se que 57 mães (69,5%) já haviam recebido alguma orientação sobre higiene bucal na primeira infância, no entanto, não houve associação significativa entre a prevalência da doença cárie com a realização de higiene bucal, tipo e quantidade de dentifrício, idade que iniciou a escovação e frequência da mesma. Contudo, houve associação entre fator socioeconômico e doença cárie (p=0,004). Conclusão: Não há associação entre hábitos maternos de higiene bucal e  uso de dentifrício em seus filhos com a prevalência da doença cárie na primeira infância. Contudo, existe associação com o nível socioeconômico, o que demonstra a necessidade da realização de estratégias de reforço nas informações transmitidas para as mães com maior vulnerabilidade social.

Descritores: Saúde bucal. Educação em saúde. Cárie dentária. Saúde da criança.

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Publicado
2018-12-24
Seção
Artigos