Entre movimento e permanência: Territorialidades ciganas em Juiz de Fora – MG
DOI:
https://doi.org/10.29327/249218.26.1-2Palavras-chave:
Calon, Povos Tradicionais, Geografia de ResistênciaResumo
Embora imersos em um contexto de luta pela permanência no território e pelo reconhecimento de seus direitos, os ciganos em Juiz de Fora, MG, são ainda pouco visibilizados por meio de pesquisas acadêmicas. Este estudo propõe uma análise das dinâmicas territoriais da comunidade cigana Calon, com foco no processo de fixação e nas estratégias de resistência. O objetivo consiste em compreender como a fixação desse grupo em contexto urbano expressa novas formas de territorialidade, articuladas à manutenção de práticas culturais, identitárias e coletivas. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica e trabalho de campo realizado junto à comunidade, sendo os dados interpretados a partir de categorias analíticas relacionadas ao território, mobilidade e permanência. Os resultados evidenciam que, a territorialidade Calon se constitui como espaço de disputa material e simbólica, onde o movimento e a permanência coexistem com precariedades socioambientais e são marcados por estratégias coletivas de resistência. A permanência no território não representa ruptura com a memória do deslocamento, mas sua ressignificação em novas condições urbanas. Conclui-se que a territorialidade da comunidade Calon reflete uma geografia de resistência, na qual o território é apropriado como espaço de pertencimento e afirmação do direito de existir enquanto povo tradicional.

