Da monocultura do cacau à monocultura do pensamento

ecopoética decolonial e resistência em Chocolaté, le goût amer de la culture du cacao de Samy Manga

Autores

DOI:

https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.62798

Palavras-chave:

Samy Manga, Literatura subsaariana, ecopoética decolonial, Crise socioecológica, escrita hibrida

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar como o escritor camaronês Samy Manga, em Chocolaté, le goût amer de la culture du cacao, retrata a degradação sistemática do meio ambiente causada pela monocultura do cacau. Ao adotar uma abordagem que combina ecopoética e ecocrítica em uma perspectiva pós-colonial, o autor revela a presença de uma monocultura – tanto agrícola quanto cultural – que homogeneíza a terra e o espírito humano. A resistência ecopoética surge, assim, como um caminho para a emancipação: ela restitui aos lugares sua dimensão espiritual e sagrada, ao mesmo tempo que descoloniza as narrativas hegemônicas ocidentais. Essa resistência manifesta-se por meio de uma escrita híbrida que defende tanto a diversidade ecológica quanto a epistemológica. A criação de novas formas poéticas torna-se, portanto, um meio de afirmar a biodiversidade, repensar e transformar a relação da humanidade consigo mesma e com a natureza, além de contribuir para uma maior conscientização acerca da crise socioecológica contemporânea.

Biografia do Autor

  • Mohamed Ait Aoual, Université Moulay Ismaïl ( UML ) | Fès-Meknès | MA

    Mohamed Ait Aoual está preparando uma tese de doutorado dedicada à ecopoética descolonial na literatura contemporânea. Ele se interessa particularmente por romances em que a natureza se torna um espaço de memória, resistência e reparação. Suas pesquisas combinam pensamentos pós-coloniais, a crítica ao dualismo natureza/cultura e os imaginários do vivo nas literaturas não europeias.

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Publicado

2026-06-08

Edição

Seção

Dossiê: O que podem a arte e a literatura frente à crise socioecológica?

Como Citar

Da monocultura do cacau à monocultura do pensamento: ecopoética decolonial e resistência em Chocolaté, le goût amer de la culture du cacao de Samy Manga. (2026). Caligrama: Revista De Estudos Românicos, 31(1), 44-55. https://doi.org/10.35699/2317-2096.2026.62798